arrow_backEquipe
PC

Paula Cardoso

health · saúde · science · ciência

Jornalista de saúde e ciência, dedicada a separar evidência de especulação — do SUS às pesquisas de ponta.

Tech

IA no SUS: promessas eleitorais de fila por risco clínico esbarram em dados e capacidade

De Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Flávio Bolsonaro (PL), os planos de governo na eleição de 2026 prometem usar inteligência artificial no Sistema Único de Saúde (SUS) para ordenar as filas de consultas, exames e cirurgias pelo risco clínico e apoiar diagnósticos. Reportagem conjunta do g1 e da BBC News Brasil mostra, porém, que as propostas esbarram em obstáculos práticos: o sistema realiza cerca de 2,8 bilhões de atendimentos por ano, não existe um número nacional consolidado de pessoas aguardando na fila e boa parte dos dados disponíveis foi criada para faturamento, e não para uso clínico.O que os planos prometemAs propostas são parecidas no essencial e, segundo o levantamento, pouco detalhadas. O plano de Flávio Bolsonaro promete IA para agilizar o agendamento de consultas e exames e como apoio à prevenção: "O sistema poderá identificar quem corre maior risco de adoecer e chamar essa pessoa para se cuidar a tempo, em vez de esperar que ela chegue ao pronto-socorro quando já é grave". Lula defende aprimorar a "regulação do acesso à atenção especializada", com mais transparência nas filas e IA "com fila única digital e ordenada pelo risco clínico". Renan Santos (Missão) propõe substituir a fila cronológica e cita a plataforma DoctorSV, criada pelo governo de El Salvador.O que é consenso e o que ainda é incertoEntre especialistas, o uso de IA na saúde é visto como caminho provável. "Os fatores que levam uma pessoa a ter um problema grave de saúde, ou até mesmo ir a óbito, normalmente são interações complexas, e é exatamente nisso que esses algoritmos funcionam tão bem", diz Alexandre Chiavegatto Filho, professor de inteligência artificial da Faculdade de Saúde Pública da USP e coordenador do Laboratório de Big Data e Análise Preditiva. Um dos usos que ele aponta como promissor é ampliar o acesso a especialistas em regiões onde eles são escassos; seu laboratório desenvolve algoritmos treinados com dados de pacientes brasileiros.Já a aplicação central das promessas, reordenar filas, ainda é incerta. Wagner Meira Jr., professor do Departamento de Ciência da Computação da UFMG e pesquisador do Centro de Inovação em Inteligência Artificial para Saúde, classifica algumas propostas como futuristas. "Dificilmente se realizam em quatro anos de governo", diz. Segundo ele, a IA já tem melhores resultados em tarefas contidas e bem definidas, como a análise de exames: quanto mais delimitado o caso, maior o sucesso. E lembra um limite evidente, priorizar pacientes não cria vagas."Para você conseguir uma melhoria da fila, antes de qualquer coisa, você tem que aumentar o número de atendentes na fila. Depois você pensa em como vai priorizar a fila. Se você simplesmente mudar a posição das pessoas e continuar com a mesma restrição de capacidade, não vai melhorar muita coisa." (Wagner Meira Jr., UFMG)Outro obstáculo é a base de dados. Segundo Meira Jr., grande parte das informações do SUS são registros administrativos criados para pagar prestadores de serviço. "São dados muito ricos. Mas são muito limitados para toda essa gama de cenários", diz. O Ministério da Saúde confirmou aos repórteres que não existe hoje um número nacional consolidado de pessoas na fila, porque a gestão das filas de cirurgias, consultas e exames é competência de estados e municípios, que até pouco tempo não eram obrigados a enviar essas informações ao governo federal. Uma portaria de 2025 passou a exigir o envio periódico e padronizado desses registros à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), mas a medida ainda está em implementação. Hoje, a única fonte disponível é o Sisreg, sistema de regulação que não é adotado por todos os municípios.Para o leitor, dois pontos práticos. Primeiro: a fila que você aguarda é gerida pelo seu estado e pelo seu município, não por Brasília; informações sobre sua posição na fila de consultas, exames ou cirurgias devem ser pedidas à secretaria municipal ou estadual de saúde. Segundo: ao avaliar promessas de IA na saúde, vale checar se elas vêm acompanhadas de medidas de capacidade, como contratação de profissionais e ampliação de serviços, e de investimentos em dados clínicos de qualidade. Segundo os especialistas ouvidos, sem isso a única mudança será a ordem da fila.

PCPaula Cardoso
public-health

Ministério da Saúde pede à Conitec avaliação de canetas emagrecedoras no SUS

O Ministério da Saúde pediu nesta quinta-feira (24) que a Conitec avalie a incorporação ao SUS (Sistema Único de Saúde) dos medicamentos para obesidade à base de semaglutida e liraglutida, conhecidos como canetas emagrecedoras. Segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, o ministro Alexandre Padilha enviou ofício à comissão para que a oferta desses tratamentos a pacientes com obesidade seja analisada. O G1 confirma o protocolo do pedido.O que está confirmado, por enquanto, é apenas o início da avaliação. A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) assessora o ministério na decisão sobre quais medicamentos e procedimentos serão financiados pela rede pública. Depois do parecer técnico, o processo ainda passa por consulta pública antes da decisão final. Não há prazo definido, e a aprovação não é garantida.Por que o pedido saiu agoraDois fatores mudaram em relação às avaliações anteriores, segundo o próprio ministério. A semaglutida e a liraglutida perderam a proteção de patente, e 25 canetas já têm registro no país, das quais 14 foram aprovadas em 2026, entre versões produzidas nacionalmente e genéricos. Além disso, a entrada de novas marcas reduziu em cerca de 70% o preço desses medicamentos em menos de um ano. Avaliações anteriores da Conitec apontavam impacto de bilhões de reais ao longo de cinco anos, dependendo do número de pacientes incluídos e do tempo de tratamento.Hoje, o SUS não oferece medicamentos para obesidade de forma ampla. Existe apenas um projeto-piloto iniciado em junho, em Porto Alegre (RS), que acompanha cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou com indicação de cirurgia bariátrica. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as canetas seriam disponibilizadas pela rede pública, mas reconheceu que ainda faltavam etapas técnicas.A demanda potencial é grande. Dados do Ministério da Saúde mostram que a proporção de adultos com obesidade no país subiu de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024. Mesmo com uma eventual recomendação favorável da Conitec, a chegada dos medicamentos aos pacientes ainda dependerá da definição de quem poderá recebê-los, em quais condições e de onde virão os recursos para financiar o tratamento.Na prática, nada muda de imediato para quem é atendido pelo sistema público: as canetas continuam disponíveis apenas no mercado privado, e o piloto de Porto Alegre atende um grupo limitado e já definido. O processo ficará aberto à participação na consulta pública, etapa em que qualquer pessoa pode enviar contribuições antes da decisão final. Pessoas com obesidade devem manter o acompanhamento regular nos serviços de saúde, já que os critérios de um eventual acesso pelo SUS ainda não existem.

PCPaula Cardoso
bolsonaro

Defesa de Bolsonaro desiste de suspensão da pena, e Marcelo Bessa deixa o caso

O advogado Marcelo Bessa, do escritório Ávila de Bessa, deixou nesta quinta-feira (24) a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro no caso da trama golpista que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal). A saída ocorreu horas depois de a equipe jurídica protocolar e, em seguida, desistir de um pedido para suspender a execução da pena de 27 anos e três meses de prisão aplicada ao ex-presidente.O que está documentado até agora é o seguinte: o pedido de suspensão foi protocolado com o ministro Nunes Marques dentro de uma revisão criminal que tenta anular a condenação. Segundo a Folha de S.Paulo, a defesa recuou em menos de três horas. Na petição de desistência, os advogados pediram ao ministro que homologue a retirada e afirmaram que a revisão criminal deve "prosseguir regularmente", com os mesmos argumentos e pedidos originais, relata o G1. A desistência se restringe ao pedido de suspensão da pena.Nota oficial fala em reavaliação de estratégiaLogo após o recuo, a defesa divulgou nota comunicando a saída de Bessa e informando que o caso ficará a cargo apenas dos advogados que atuaram na ação penal. Procurada pela TV Globo, a equipe afirmou que a desistência é uma "reavaliação da estratégia". A íntegra da nota, publicada pela Folha, diz:"Trata-se de uma reavaliação da estratégia da defesa. A partir deste momento, a condução do caso ficará integralmente a cargo dos advogados que atuaram na defesa durante a ação penal. Por essa razão, entendeu-se mais adequado desistir do pedido de liminar, para que os colegas possam avaliar as medidas que pretendem adotar. O escritório Ávila de Bessa não atuará mais no caso."A razão interna da mudança não consta da nota. Segundo apuração da Folha, a desistência foi motivada por divergências entre os advogados que representam Bolsonaro em processos na corte, mas os detalhes do atrito não foram divulgados. Bessa é advogado do PL, já atuou nas defesas de Bolsonaro e do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e trabalhou no jurídico da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente.O caso e o argumento retirado dos autosBolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF em setembro do ano passado por ter liderado uma tentativa de golpe de Estado e começou a cumprir a pena em novembro. Em março, por questões de saúde, passou à prisão domiciliar, com restrições impostas pela Justiça. No pedido desistido, a defesa sustentava que o julgamento deveria ter ocorrido no plenário do Supremo, com os dez ministros atuais, porque os fatos lhe são imputados como praticados no exercício da Presidência. "A liberdade indevidamente suprimida não se recompõe", escreveram os advogados. Durante o julgamento, a Primeira Turma já havia analisado e rejeitado pedidos das defesas para que o caso fosse julgado pelo plenário, conforme o G1.Na prática, nada mudou na execução da pena: a condenação segue em vigor e o ex-presidente permanece em prisão domiciliar. A revisão criminal continua pendente no STF, agora sob a condução dos advogados da ação penal. Para acompanhar, vale seguir o andamento do processo nos registros oficiais do Supremo, onde constam as decisões de Nunes Marques. Qualquer notícia de soltura ou de suspensão da pena só se confirma com uma decisão publicada pela corte.

PCPaula Cardoso
public-health

Saúde reserva R$ 3,9 bi do Orçamento de 2027 para ampliar tratamentos de câncer no SUS

O Ministério da Saúde reservou R$ 3,9 bilhões no Orçamento de 2027 para reformular a política de compras de medicamentos contra o câncer no SUS, o sistema público de saúde brasileiro. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira (21), reproduzida pelo portal Brasil 247, a meta é entregar ao menos 23 remédios para tumores de mama, pulmão e mieloma múltiplo, entre outros, com uma linha de medicamentos mais nova, que atinge estágios e variações mais específicos da doença. A pasta estima beneficiar mais de 110 mil pacientes.O problema que o governo quer atacar é antigo: tratamentos de alto custo aprovados para a rede pública frequentemente não chegam ao paciente, porque os repasses federais são insuficientes para estados e hospitais fecharem contratos com os fabricantes. A resposta tem nome, AF-Onco (Componente de Assistência Farmacêutica em Oncologia), e começou a ser regulamentada no fim de 2025. A política prevê que o ministério passe a comprar diretamente os medicamentos de maior custo, em vez de apenas ressarcir as secretarias estaduais, e que o governo negocie com a indústria preços nacionais para os produtos que continuarem sendo comprados pelos estados e reembolsados pela União.O que a lista incluiEntre as drogas prometidas estão as de altíssimo custo, como o betadinutuximabe, indicado para neuroblastoma, tumor raro e agressivo que atinge principalmente crianças. O medicamento recebeu aval para entrar no SUS em novembro de 2025, com custo estimado em até R$ 635 mil por tratamento, mas a oferta ainda não foi regularizada: hoje ele só chega aos pacientes por decisão judicial. O pacote também contempla remédios com protocolo aprovado há anos e nunca entregues, caso do gefitinibe, que desde 2013 deveria atender pacientes de câncer de pulmão.O que está confirmado até agoraDo lado do confirmado: o valor de R$ 3,9 bilhões está reservado no Orçamento de 2027, que ainda precisa ser aprovado pelo Congresso, e a regulamentação da AF-Onco começou no fim do ano passado. Do lado da promessa: não há data firme para a entrega dos medicamentos. A reportagem da Folha registrou previsões que oscilam entre outubro, o fim do ano e o início de 2027, e o total de 110 mil beneficiados continua sendo uma projeção do próprio ministério."As pessoas estão com câncer hoje, existe necessidade de uma agilidade", afirma Helena Esteves, gerente de advocacy do Oncoguia, organização de apoio a pacientes com câncer. Para ela, o programa é "a materialização do que gritávamos há dez anos", mas o setor está apreensivo com a demora na entrega.Para pacientes e familiares, o caminho prático segue sendo o serviço de referência em oncologia. Os medicamentos incorporados ao SUS constam de listas públicas do ministério, e a negativa de acesso a um tratamento já aprovado pode ser questionada na ouvidoria do SUS (telefone 136) e, em última instância, na Justiça, caminho que hoje garante o fornecimento de drogas avalizadas e ainda não entregues, como o betadinutuximabe.

PCPaula Cardoso
Flavio Bolsonaro

Nexus/BTG: Lula 40% x Flávio 37% no 1º turno; empate técnico se mantém nos dois turnos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 40% das intenções de voto na simulação de primeiro turno das eleições de 2026, contra 37% do senador Flávio Bolsonaro (PL), aponta a pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (21). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, a diferença de três pontos configura empate técnico. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 6%.O levantamento foi contratado pelo Banco BTG Pactual e ouviu 2.006 eleitores de todo o país, por telefone, entre sexta-feira (18) e domingo (20). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o intervalo de confiança é de 95%, segundo a CNN Brasil. A pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o código BR-00485/2026.Primeiro turno: estabilidade na disputaDepois de Cury, vêm Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, e Renan Santos (Missão), com 3%. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) têm 1% cada, e os demais presidenciáveis não pontuaram. Ao todo, 4% declararam voto em branco, nulo ou em nenhum candidato, e 2% não souberam ou não responderam.Em relação à rodada anterior, Lula oscilou de 42% para 40%, e Flávio se manteve em 37%, movimento dentro da margem de erro. Flávio Bolsonaro é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, como registra a Folha de S.Paulo. Leonardo Avalanche, anunciado pelo PRTB na terça-feira (15) para substituir Pablo Marçal, cuja candidatura foi negada por unanimidade pelo TSE, não pontuou.Segundo turno e outros cenáriosEm eventual segundo turno entre os dois líderes, Lula tem 46% e Flávio, 45%, empate técnico como na semana passada, quando o placar era 47% a 46%. A pesquisa testou ainda outros confrontos, segundo o bahia.ba: Lula empata com Caiado em 45% a 45% e contra Cury aparece à frente, com 44% a 43%, diferenças dentro da margem. Frente a Zema, o petista soma 47% contra 41%, e contra Renan Santos, 47% a 39%, vantagens acima da margem de erro.O que os dados comprovam é um retrato das intenções de voto entre 18 e 20 de setembro: os dois primeiros colocados tecnicamente empatados no primeiro e no segundo turno, com oscilação semanal dentro da margem de erro. O que eles não medem é o resultado da eleição, que ocorre a cerca de duas semanas. Para acompanhar as pesquisas com segurança, o eleitor pode conferir o registro desta no portal de pesquisas eleitorais do TSE usando o código BR-00485/2026, comparar as rodadas semanais em vez de olhar uma única medição e tratar como empate qualquer diferença de até dois pontos, que este levantamento não consegue distinguir.

PCPaula Cardoso
cancer

Operação Placebo: polícia aponta remédios falsos contra o câncer e fraude em licitações

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul investiga um esquema suspeito de falsificação de medicamentos oncológicos combinado a fraudes em licitações judiciais que atingiu pelo menos 39 pacientes com câncer, segundo a polícia. Sete pessoas que receberam os medicamentos morreram durante o tratamento, e a investigação ainda não estabeleceu relação entre as mortes e os remédios. O caso foi detalhado pelo programa Fantástico, da Rede Globo, no domingo (20). A primeira ação ocorreu em 29 de junho, quando a Operação Placebo cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão e prendeu em flagrante um empresário do setor de distribuição de medicamentos.O quadro confirmado até agora é mais estreito do que a suspeita inicial, e os investigadores têm feito questão de separar as duas coisas. Segundo o delegado Daniel Severo, responsável pelo caso, a investigação se concentra em 39 tratamentos obtidos por ações judiciais patrocinadas por advogados particulares, e apenas um caso de entrega de medicamento adulterado foi identificado até o momento. O primeiro alerta partiu da Santa Casa de Caridade de São Gabriel, no interior gaúcho, quando a farmacêutica responsável pelo preparo das medicações notou inconsistências em um lote de remédio para câncer de mama: erros de grafia na embalagem, coloração e textura diferentes e bula em idioma estrangeiro. O laboratório produtor analisou uma amostra, não reconheceu o lote como legítimo, e a distribuição foi suspensa imediatamente.Como o esquema funcionaria, segundo a políciaNa versão dos investigadores, o grupo unia um oncologista, advogados e empresários. O médico, identificado como Fernando Borges da Silva, de Santa Maria, prescrevia remédios não fornecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e indicava advogados para mover ações judiciais em que o estado deveria custear a compra. No Rio Grande do Sul, cabe ao paciente, por meio do advogado, reunir três orçamentos. Praticamente todas as farmácias que apresentavam esses orçamentos pertenciam ou eram ligadas ao empresário Lisandro Henriques Hermes, preso em flagrante na operação e apontado como principal articulador do grupo, que usaria sócios de fachada para controlar as empresas. Na casa dele, os agentes apreenderam caixas de remédios e cartelas sem identificação. Um dos medicamentos citados pela polícia é o Enhertu, remédio real e de alto custo usado no tratamento de câncer de mama."As evidências reunidas apontam para uma estrutura organizada que, em tese, teria transformado a judicialização da saúde em um mecanismo de obtenção de lucro ilícito. A suspeita de comercialização de medicamentos adulterados ou falsificados torna os fatos ainda mais graves, pois ultrapassa a questão patrimonial e alcança diretamente a saúde e a vida dos pacientes", afirmou o delegado Daniel Severo, em trecho divulgado pelo G1.Entre os casos narrados pelo Fantástico está o de Maria Jupira, que tratava um câncer no pulmão. O remédio judicializado para ela fazia parte do lote suspeito e foi apreendido; a família conta que ela ficou dois meses sem tratamento adequado antes de receber outras medicações e morreu aos 57 anos. A família não sabe se ela chegou a tomar medicamentos falsificados. Outra paciente, Mara Rodrigues, esperou cerca de oito meses por uma nova consulta depois de perder contato com o médico e só recebeu novos remédios no fim de agosto. Em Cascavel, no Paraná, uma farmácia ligada ao grupo venceu a licitação para comprar remédios para Yasmin, de 12 anos, que tinha um neuroblastoma. Segundo a investigação, cerca de R$ 2,5 milhões repassados pelo governo estadual foram desviados e apenas parte da medicação foi entregue. A menina morreu em fevereiro.Em nota, a Santa Casa de São Gabriel informou que suspendeu o médico assim que soube da investigação, que o hospital não é alvo da operação e que colabora com as apurações. O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) disse que abrirá sindicância quando tiver conhecimento oficial dos fatos. A Operação Placebo cumpriu 57 mandados de busca e um de prisão em 11 cidades do estado, segundo o G1, além de ações em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, com 15 pessoas e 14 empresas visadas; a reportagem do Fantástico contabilizou 56 mandados de busca. A Justiça bloqueou cerca de R$ 2,5 milhões em bens e valores dos investigados no Rio Grande do Sul. Hermes nega as acusações, diz não ter relação com os advogados e o médico e desconhecer a falsificação. Ele e um sócio já foram condenados pela Justiça do Paraná por estelionato.Orientação a pacientes em tratamentoPara quem está em tratamento, a mensagem das autoridades é não interromper a medicação. Em pronunciamento no dia 30 de junho, o delegado Severo disse que não há indícios de distribuição indiscriminada de medicamentos falsificados na oncologia e que pacientes atendidos pelos canais oficiais do SUS ou por ações da Defensoria Pública não têm motivo para desconfiar. Ele alertou que interromper um tratamento oncológico pode trazer consequências imprevisíveis e irreversíveis. A Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul pediu às unidades oncológicas o reforço imediato da vigilância sobre medicamentos. Na prática: mantenha consultas e doses em dia; confira a embalagem, incluindo a grafia do rótulo e os idiomas da caixa e da bula; e leve qualquer inconsistência à equipe de farmácia do hospital ou à vigilância sanitária antes de usar ou descartar o produto.

PCPaula Cardoso
Elections

TSE suspende campanha e repasses do fundo eleitoral a Deltan Dallagnol

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu, em decisão liminar deste sábado (19), os atos de campanha e o repasse de recursos dos fundos Eleitoral e Partidário a Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo Paraná. A liminar é do ministro Floriano de Azevedo Marques, que pediu à presidência da corte que agende o julgamento do caso pelo plenário, virtual ou presencial, já nos próximos dias, segundo o G1.A decisão atendeu a um pedido da coligação Paraná Para Todos e da Federação Brasil da Esperança, que recorreram da decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que havia permitido a candidatura há cerca de dez dias, como noticiou o Estadão. Enquanto o plenário não julga o caso, Dallagnol fica impedido de usar recursos públicos, de veicular propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão e de praticar atos de campanha, inclusive participação em debates.O argumento do ministroPara conceder a liminar, Marques apoiou-se em um julgamento anterior: em 2022, o TSE reconheceu por unanimidade que o pedido de exoneração do cargo de procurador da República, feito por Dallagnol, constituiu fraude à lei, porque teve o objetivo de evitar que 15 procedimentos administrativos que tramitavam contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) se convertessem em processos administrativos disciplinares (PADs), passíveis de punição com demissão ou aposentadoria compulsória. Na avaliação do ministro, o arquivamento posterior desses procedimentos ocorreu porque Dallagnol deixou de ser membro do Ministério Público, e não porque houve absolvição."Ao tempo da exoneração, todos esses procedimentos estavam em processamento, sem nenhum elemento indicativo de que seria proferida decisão absolutória ou favorável ao candidato. Ao contrário, a expectativa àquela época era de efetiva aplicação das penalidades de demissão ou aposentadoria compulsória", escreveu o ministro na decisão.Dallagnol foi coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba. Para Marques, a exoneração a tempo de evitar os PADs configuraria situação de inelegibilidade.O que está confirmado e o que ainda é provisórioEstá confirmado: a campanha está suspensa e os repasses estão bloqueados enquanto durar a liminar. Ainda é provisório: o mérito passa agora ao plenário, onde os sete ministros do TSE decidirão sobre a candidatura. Parte da imprensa descreveu a medida como suspensão da própria candidatura, como o Estadão e a UOL; o efeito imediato relatado pelo G1 é a paralisação dos atos de campanha e do repasse de recursos públicos.Para o eleitor paranaense, o ponto prático é acompanhar o julgamento do plenário, prometido para os próximos dias e a cerca de duas semanas do primeiro turno. A liminar pode ser mantida ou revertida pelos ministros, e o formato da disputa pelo Senado no estado ainda pode mudar até a véspera da votação.

PCPaula Cardoso
medicine

Governo anuncia oferta de canetas emagrecedoras no SUS para tratar obesidade

O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira (17/9) que medicamentos injetáveis da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente chamados de "canetas emagrecedoras", serão distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro Alexandre Padilha durante visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Montes Claros (MG). A oferta dependerá de prescrição médica e da conclusão de um protocolo clínico, e o governo não informou data de início.Segundo Padilha, o foco serão os pacientes com maior benefício esperado: pessoas com obesidade grave, com doenças associadas, como problemas cardiovasculares, ou com indicação de cirurgia bariátrica. "Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de saúde", disse Lula, segundo a revista Veja. O ministro afirmou que a medicação não entrará no sistema público como um "milagre estético".Os primeiros dados do SUSA avaliação que sustenta a decisão é o estudo Real-Bari, elaborado pelo ministério em parceria com a equipe técnica do Grupo Hospitalar Conceição, da rede pública de Porto Alegre. Serão acompanhados 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças, selecionados desde junho, segundo a Agência Brasil. O estudo investiga se a semaglutida, um dos princípios ativos das canetas, controla a obesidade a ponto de evitar a cirurgia bariátrica, além de medir efeitos sobre problemas cardíacos e sobre o risco de reincidência do câncer de mama.Padilha citou o primeiro paciente do estudo, que estava na fila da bariátrica, perdeu 6 quilos e relatou mudança de hábitos, como a prática de atividade física. Trata-se de um resultado individual. Em nota, o ministério classificou como "positivos" os primeiros dados observados, mas nenhum resultado agregado foi divulgado até agora, e o protocolo clínico que definirá as regras de uso no SUS ainda não está pronto.Preço e produção nacionalO ministro ligou o movimento à queda de preços no mercado privado e à produção nacional. "O Brasil é hoje o país com a maior diversidade de medicamentos registrados para o combate à obesidade, as chamadas canetas emagrecedoras. Já temos 14 produtos registrados. E isso derrubou o preço para a população", disse."O que estava custando R$ 1,7 mil, R$ 2 mil, já está entre R$ 300 e R$ 400 na farmácia, aumentando o acesso. Isso já ajuda muita gente. Mas a gente quer uma outra coisa: colocar essa medicação no SUS como um direito."Segundo Padilha, o trabalho começou depois de um relatório da Organização Mundial da Saúde que orientou os países a avaliar o acesso a essa classe de remédios. Com a patente da semaglutida expirando em 2026, o ministério e a Anvisa abriram um edital para estimular a produção no Brasil. A Eurofarma, fábrica visitada por Lula, produz a Poviztra, semaglutida em parceria com a dinamarquesa Novo Nordisk, vendida desde outubro de 2025 por R$ 400 a R$ 1,1 mil no mercado privado, de acordo com a Veja.Para o paciente, nada muda de imediato. O acesso pelo SUS segue restrito aos participantes do estudo em Porto Alegre, e não há data para a distribuição geral. A orientação do ministério é que o tratamento só ocorra com prescrição e acompanhamento médico, dentro dos critérios que serão definidos no protocolo clínico.

PCPaula Cardoso
Lula

DataTempo: Flávio fica numericamente à frente de Lula em 2º turno em Minas pela 1ª vez

Pela primeira vez na série de pesquisas DataTempo deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece numericamente à frente do presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno da eleição presidencial entre eleitores de Minas Gerais. Na quarta rodada do levantamento, divulgada na sexta-feira (18) pelo jornal O Tempo, o senador soma 43% das intenções de voto, contra 41,9% do petista. A diferença de 1,1 ponto percentual está dentro da margem de erro, de 3,1 pontos para mais ou para menos, e por isso o resultado é um empate técnico. As entrevistas foram feitas entre 9 e 12 de setembro.No cenário estimulado de primeiro turno, Lula segue numericamente à frente, com 35,6% contra 31,2% de Flávio, também com empate técnico. O dado mais consistente da série é a trajetória: em agosto, o presidente tinha 36% e o senador, 28%. A distância entre os dois caiu de 8,0 para 4,4 pontos percentuais em cerca de um mês. No embate direto simulado pela terceira rodada, Lula registrava 42,4% contra 40,9% de Flávio.Por que a diferença pode ter mudadoA doutora em ciência política Mariela Rocha, analista sênior de pesquisa do instituto, apresenta uma hipótese para o movimento: o início da propaganda eleitoral, entre agosto e setembro. A ressalva vem da própria especialista, já que o questionário não pergunta ao eleitor o motivo do voto, e a explicação segue preliminar."Entre agosto e setembro, entramos em uma fase de maior exposição das candidaturas, com propaganda eleitoral e uma sucessão de acontecimentos políticos que podem influenciar a formação das opiniões e preferências dos eleitores. O movimento observado na pesquisa é compatível com esse processo de maior definição da disputa."No cenário espontâneo, sem lista de nomes, Lula tem 30,5% das menções e Flávio, 24,4%, com pequena sobreposição entre os intervalos. A indefinição segue alta: 25,6% do eleitorado não indicou espontaneamente nenhum candidato. Entre os demais nomes, houve troca de posição no cenário estimulado, com o psiquiatra Augusto Cury (Avante) a 6,8% e o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) a 3,9%; em agosto, os números eram 0,9% e 9,8%. O relatório pede cautela nessa leitura, porque os intervalos das duas rodadas ainda se sobrepõem. "Cury pode estar se beneficiando de uma fase de maior exposição e conhecimento de sua candidatura, ao mesmo tempo em que Zema perde espaço nesse segmento da disputa em Minas Gerais", diz Mariela Rocha.Metodologia e limitesA pesquisa foi contratada pela Sempre Editora, controladora do O Tempo, e consistiu em 1.000 entrevistas domiciliares presenciais. O intervalo de confiança é de 95% e os registros na Justiça Eleitoral são MG-00468/2026 e BR-02329/2026. Dois limites precisam estar claros. O universo ouvido é o eleitorado de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, e não uma amostra nacional. E o que a pesquisa confirma são os percentuais desta rodada; a explicação sobre o efeito da campanha é uma hipótese da analista, levantada fora do questionário.Para ler qualquer pesquisa nas próximas semanas, três checagens ajudam: verificar o número de registro na Justiça Eleitoral, ver se a diferença entre candidatos ultrapassa a margem de erro e conferir as datas do trabalho de campo, porque o retrato vale para aquele momento. O primeiro turno acontece em outubro. Quem ainda não conferiu a situação do título eleitoral pode fazer isso gratuitamente no site do TSE.

PCPaula Cardoso
federal-budget

MP junto ao TCU pede suspensão do reajuste do Bolsa Família

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu a suspensão imediata dos efeitos do decreto que reajustou o Bolsa Família em cerca de 15%, anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (17). Segundo a CNN Brasil, a representação foi apresentada pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, que questiona a existência de previsão orçamentária para o aumento e pede a apuração de possíveis irregularidades. Nada foi suspenso até agora: o reajuste continua em vigor e os pagamentos com valores novos estão previstos para começar em 1º de outubro.No documento, Furtado escreve que "o decreto não apresenta qualquer estimativa de impacto financeiro, não indica a fonte de custeio e não demonstra compatibilidade com a LOA 2026 ou com a LDO". Para o subprocurador, a medida pode ter descumprido regras da Lei de Responsabilidade Fiscal, que exigem estimativa do impacto orçamentário-financeiro e demonstração de compatibilidade com a Lei Orçamentária Anual, o Plano Plurianual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Ele sustenta também que o presidente extrapolou o poder regulamentar, porque o decreto "inova na ordem jurídica, criando obrigações financeiras novas e ampliando despesas sem lastro legal específico".Furtado pediu a notificação de Lula e dos ministros que assinaram o decreto, para apresentar justificativas em até 15 dias e demonstrar a existência de dotação orçamentária e de estimativa de impacto. Solicitou ainda que a Secretaria de Orçamento Federal e a Secretaria do Tesouro Nacional informem se há recursos específicos para o aumento. O pedido central é uma medida cautelar, que suspenderia os efeitos do decreto já nos pagamentos de outubro.O argumento para a urgência é o calendário. Como os pagamentos reajustados começam em 1º de outubro, a execução da despesa poderia provocar "dano ao erário de difícil ou impossível reparação", segundo o subprocurador, dada a dificuldade de recuperar valores já pagos aos beneficiários. A representação também aponta o momento da decisão: a edição do decreto em setembro, às vésperas das eleições presidenciais, "suscita fundado receio de desvio de finalidade político-eleitoral". O que existe hoje, portanto, é um pedido, ainda sem decisão do TCU e sem prazo divulgado para julgamento.Os números do reajusteO decreto reajustou os valores com base na variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. O piso por família passou de R$ 600 para R$ 691, e o benefício médio, de R$ 675 para R$ 777. O Benefício Primeira Infância foi elevado para R$ 173 por criança de até 7 anos, e o Benefício de Renda de Cidadania, para R$ 164 por integrante. O último aumento havia sido concedido em março de 2023. Segundo o Ministério do Planejamento e Orçamento, o impacto adicional é de R$ 5,8 bilhões em 2026, coberto com realocação de recursos com sobra prevista neste ano, principalmente da Previdência Social. Para 2027, as estimativas do governo citadas pela CNN Brasil variam de R$ 22 bilhões a R$ 22,7 bilhões, e a proposta orçamentária enviada ao Congresso terá de ser ajustada. O programa atende mais de 19 milhões de famílias, cerca de 50 milhões de pessoas, quase um quarto da população brasileira, segundo o G1.A defesa do governo e as outras frentesO governo sustenta que a medida respeita a lei. A Advocacia-Geral da União avaliou o decreto previamente e concluiu que não há impedimento jurídico: para a AGU, o texto atualiza valores de uma política pública já existente, com autorização prevista na legislação própria do Bolsa Família, sem criar benefício novo ou alterar as regras de acesso. Segundo o UOL Economia, Dario Durigan, do Ministério da Fazenda, afirmou que a alta do benefício é compatível com a responsabilidade fiscal.O pedido no TCU soma-se a disputas na Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do TSE, rejeitou uma ação do deputado Zé Trovão (PL-SC) contra o reajuste por falta de legitimidade do autor, sem analisar o mérito, e foi sorteado relator de outro caso, do candidato à Presidência Renan Santos (Missão), que chama o aumento de "ilegal, inconstitucional e eleitoreira". O contexto é eleitoral: o anúncio ocorreu a 17 dias do primeiro turno, e um Datafolha divulgado na sexta-feira (18) mostrou Lula com 39% das intenções de voto, contra 36% do senador Flávio Bolsonaro (PL), empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos.Para quem recebe o Bolsa Família, a situação até esta sexta (18) é a seguinte: o aumento está em vigor, entra nos pagamentos a partir de 1º de outubro e nenhuma decisão suspendeu o benefício. Se o TCU acatar a cautelar, a mudança será comunicada pelos canais oficiais antes de alterar qualquer calendário. Os próximos marcos a acompanhar são a decisão da corte sobre a cautelar, o prazo de 15 dias para o governo justificar a dotação orçamentária e o andamento dos casos no TSE.

PCPaula Cardoso
bets

43,8 milhões de brasileiros já apostaram em bets, alta de 75,2% em oito meses

O número de brasileiros que já apostou em plataformas de apostas online, as chamadas bets, alcançou 43,8 milhões no fim de agosto, o equivalente a 27% da população adulta do país. Os dados são do Ministério da Fazenda, extraídos do Sigap, o sistema oficial que registra as apostas legais, e foram divulgados nesta sexta-feira (18) pela Folha de S.Paulo, com base em resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) feito pelo site BNL Data. Em oito meses, o total subiu dos 25 milhões registrados no fim de 2025, um avanço de 75,2%.Os números confirmam a expansão do hábito de apostar, mas uma distinção ajuda a ler o quadro com precisão. O total de 43,8 milhões conta quem apostou ao menos uma vez. Já o número de apostadores ativos, que depositam dinheiro todo mês, caiu 7,6% no primeiro semestre: foram 8,5 milhões por mês na média, contra 9,2 milhões em 2025. Parte da queda vem de restrições em vigor. Segundo a Fazenda, 5 milhões de pessoas estão bloqueadas das plataformas: 3 milhões de beneficiários de programas sociais, 474 mil inscritos no programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil e 854 mil que pediram autoexclusão.Menos depósitos, mais retenção para as casasA receita das plataformas autorizadas subiu 5,9% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, mesmo com os depósitos em queda, de R$ 99,2 bilhões para R$ 88,5 bilhões. O saldo negativo dos apostadores, a diferença entre o que depositaram e o que receberam em prêmios, somou R$ 20,2 bilhões entre janeiro e junho, contra R$ 19,1 bilhões um ano antes. Na conta da Folha, a receita das casas equivaleu a 22,8% dos depósitos, acima da retenção máxima de 15% prevista em lei e da taxa de 7% divulgada pelo próprio setor. Pelas regras vigentes, 88% do faturamento ficou com as empresas e 12% com a União e entidades beneficiadas; essa fatia sobe para 13% neste ano e 15% em 2028.O perfil dos apostadores é majoritariamente masculino: os homens são 68,84% do grupo, e as mulheres, 31,16%. A maior faixa etária, com 29,07%, tem entre 31 e 40 anos. A movimentação segue o calendário do futebol. O pico do ano veio em janeiro, com 10,2 milhões de depositantes, no início dos campeonatos estaduais; o piso foi em abril, com 7,2 milhões, pouco antes do lançamento do Novo Desenrola Brasil; e a procura voltou a subir em junho, com o início da Copa do Mundo. "A quantidade de transações subiu, mas o valor depositado por pessoa não subiu significativamente", disse à Folha Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, empresa de pagamentos que atende o setor, sobre o período do mundial.Governo avalia restriçõesEm coletiva de imprensa na quinta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as discussões do governo sobre possíveis restrições às plataformas e aos jogos online, como o tigrinho e o Aviator, têm como critério o efeito das apostas no orçamento das famílias. "Seguimos muito preocupados com o custo de vida e com preservar a renda das famílias brasileiras", afirmou.Dois limites dos dados merecem registro. Eles cobrem apenas as 85 empresas autorizadas pelo governo e duas com permissão judicial, sem medir o jogo ilegal. E o universo de 43,8 milhões reúne quem já apostou alguma vez, não quem aposta hoje. Para quem quer reduzir ou parar de apostar, existe caminho previsto em regra: pedir autoexclusão diretamente às plataformas, recurso já usado por 854 mil pessoas, além do bloqueio automático que atinge beneficiários de programas sociais e inscritos no Desenrola Brasil. No acumulado do semestre, as casas retiveram mais do que devolveram em prêmios, e o dinheiro apostado sai da mesma renda que paga as contas da casa.

PCPaula Cardoso
Economy

Caixa entrega nova proposta para o Saúde Caixa; funcionários votam acordo na segunda

A Caixa Econômica Federal apresentou na madrugada desta quinta-feira (17) uma nova proposta para o Saúde Caixa, o plano de saúde dos funcionários e principal ponto de impasse da greve nacional iniciada em 10 de setembro. Os empregados votam o texto em assembleias eletrônicas na segunda-feira (21), das 11h às 18h. Até lá, a paralisação segue.O que a proposta prevêSegundo a Contraf-CUT e a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), a mudança central é o teto de participação da Caixa no custeio do plano, que sobe de 6,5% para 9% da folha de pagamento a partir de 2027. Para 2026, não haverá reajuste nas mensalidades e o banco fica responsável por absorver o déficit do Saúde Caixa. A partir de 2027, o titular contribuirá com 3,7% da remuneração-base, com limite de 9% para o grupo familiar, formado pelo titular e os dependentes diretos. As mensalidades previstas são de R$ 560 para dependentes diretos, R$ 660 para dependentes indiretos filhos de 21 a 24 anos e R$ 900 para filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes, conforme o G1.O texto mantém o modelo solidário do plano, sem cobrança diferenciada por faixa etária (o chamado pacto intergeracional) e preserva o Saúde Caixa dentro do Acordo Coletivo de Trabalho. A cobrança por consulta em pronto atendimento cai de R$ 150 para R$ 120, e a telemedicina continua isenta de coparticipação. O banco aceitou ainda destinar pelo menos um empregado em tempo exclusivo ao plano em cada Gerência de Pessoas (Gipes) e Representação Regional de Pessoas (Repes).O que ainda depende da votaçãoNenhuma dessas medidas está em vigor: todas dependem da aprovação nas assembleias de segunda. Se a base aceitar o acordo, o dia de paralisação de 20 de agosto será abonado e os dias úteis de greve deverão ser compensados em até 180 dias. Segundo a Contraf-CUT, citada pelo Poder360, a PLR, o bônus do Super Caixa e o prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado serão pagos em 30 de setembro, caso o acordo seja aprovado até 21 de setembro. A greve começou após mais de 90% das bases sindicais rejeitarem a oferta anterior; a categoria bancária como um todo já havia assinado acordo com a Fenaban, com reposição do INPC e aumento real de 0,6% por dois anos, segundo o G1.Fora do banco, a paralisação tem efeito prático. Segundo a Folha de S.Paulo, a greve pode atrasar a contratação de crédito do programa Move Brasil, de financiamento de veículos, e operações que dependem de análise do banco, como financiamentos imobiliários. Em resposta ao jornal, a Caixa afirmou que as contratações do Move Brasil seguem normalmente e podem ser feitas de forma digital, pelo WhatsApp do banco, ou presencialmente nas agências.Para quem tem operação pendente, o caminho mais rápido é tentar os canais digitais do banco, que seguem ativos, segundo a própria Caixa. Funcionários devem acompanhar sindicatos e a CEE para participar da assembleia eletrônica de segunda, entre 11h e 18h. O resultado da votação define se a greve termina ou se as negociações recomeçam.

PCPaula Cardoso
Flavio Bolsonaro

Lula e Flávio Bolsonaro empatam no 2º turno, aponta pesquisa Indexa

O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem em empate técnico em um eventual segundo turno da eleição presidencial, segundo a pesquisa Indexa/Broadcast divulgada na terça-feira (15) e publicada pela CartaCapital. No confronto direto, o petista soma 43% das intenções de voto, contra 42% do adversário, uma diferença de um ponto, dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais (nível de confiança de 95%). O instituto ouviu 2.000 eleitores por telefone entre 10 e 13 de setembro; o levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03482/2026. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.A mudança confirmada pela nova rodada é o estreitamento da disputa. Em um mês, Lula recuou de 46% para 43% e Flávio subiu de 41% para 42%, e a distância entre os dois caiu de cinco pontos para um, a menor da série do instituto, iniciada em maio, segundo o Exame. No cenário de primeiro turno com todos os candidatos registrados, Lula tem 38% (havia marcado 39% em agosto) e Flávio mantém 34%, também empate técnico e a menor diferença do ano. Augusto Cury (Avante) subiu de 1% para 6% e ocupa o terceiro lugar, à frente de Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo), com 1%.A Indexa testou outros quatro cenários de segundo turno, todos com Lula na disputa. O presidente venceria Zema por 45% a 34% e Renan Santos por 45% a 35%, e teria empates técnicos contra Caiado (43% a 39%) e Cury (41% a 39%). Nos recortes do duelo com Flávio, Lula lidera entre mulheres (46% a 39%), católicos (47% a 39%), eleitores de até dois salários mínimos (47% a 37%) e no Nordeste (57% a 30%). Flávio vai melhor entre homens (46% a 39%), evangélicos (55% a 30%), quem ganha mais de cinco salários mínimos (47% a 39%) e no Sul (56% a 31%) e no Centro-Oeste (51% a 31%). No Sudeste, o placar é de 44% a 40% para o senador.Avaliação de governo e confiança no STFA mesma rodada mediu o clima institucional em meio à crise no Supremo Tribunal Federal. Segundo a CNN Brasil, o governo Lula é aprovado por 46% e desaprovado por 50% dos eleitores, com o índice de aprovação igual ao de agosto; na avaliação geral, 35% consideram a gestão péssima e 34% a avaliam como ótima ou boa. Sobre a Corte, 45% dos entrevistados dizem desconfiar do trabalho do STF e apenas 10% dizem confiar muito, enquanto 68% se declaram totalmente a favor do impeachment dos ministros envolvidos na crise. Um levantamento Datafolha divulgado no fim de semana, citado em colunas ao lado da pesquisa Indexa, mostra divisão semelhante: 28% defendem o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e, para 34%, ele deveria ser afastado para ser investigado, segundo o UOL e o G1.Como as pesquisas divergemAs estimativas recentes não apontam na mesma direção. A CNT/MDA, divulgada no fim de semana, deu a Lula 47,3% contra 40% de Flávio no segundo turno, segundo a CNN Brasil; a PoderData/Aya, de 10 de setembro, colocou Flávio numericamente à frente, com 47% a 45%, segundo o Poder360. Diferenças dessa ordem são esperadas, porque cada instituto trabalha com amostras, períodos de campo e métodos próprios, e parte delas cabe dentro das margens de erro.Para ler esses números com segurança, o eleitor pode conferir no site do TSE se a pesquisa tem registro (a desta rodada é a BR-03482/2026), tratar diferenças pequenas como empate, dado o intervalo de erro, e dar mais peso à sequência de rodadas do mesmo instituto do que a um único retrato. Pesquisas medem a intenção de voto no período em que as entrevistas foram feitas; o resultado oficial só existe na urna, em 4 de outubro.

PCPaula Cardoso
Politics

Pesquisa: 64% apoiam aborto legal para meninas de até 14 anos vítimas de estupro

Uma pesquisa inédita divulgada nesta terça-feira (15) pela Folha de S.Paulo mostra que 64% dos brasileiros defendem que uma menina com menos de 14 anos, grávida em decorrência de estupro, possa escolher interromper a gestação de forma legal e segura em hospital público. Apenas 16% se declaram contrários.O levantamento foi realizado pelo instituto Ipsos-Ipec a pedido do Instituto Patrícia Galvão, em parceria com a campanha Criança Não é Mãe. Ao todo, 1.200 pessoas foram ouvidas em todo o país, em março deste ano, exclusivamente pela internet. Até a publicação desta reportagem, a Folha era o único veículo a divulgar os números, e o material não informa margem de erro. Por ter sido aplicado só online, o estudo também não alcança a parcela da população sem acesso à internet.O que a lei garanteNo Brasil, o aborto é permitido em três situações: quando a gravidez resulta de estupro, quando há risco de vida para a gestante e no caso de feto anencéfalo, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012. A exceção para estupro está no Código Penal desde 1940. O procedimento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, segundo a jurisprudência consolidada do STF, dispensa autorização judicial.O levantamento foi feito em um país onde a violência sexual atinge principalmente crianças. Dos 87.545 casos de estupro registrados em 2024, 60% das vítimas tinham menos de 14 anos, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública reportados pela Folha. Somando as adolescentes de 14 a 17 anos, 69,7% das vítimas eram menores de 18. O 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, base desses números e divulgado em julho de 2025, registra alta de 6,7% sobre 2023, o equivalente a uma vítima a cada 6 minutos, com 76,8% dos casos classificados como estupro de vulnerável, o crime praticado contra menores de 14 anos ou pessoas incapazes de consentir. A cobertura independente do Poder360 confirma que 65,7% das ocorrências aconteceram dentro de casa. Para Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum, os dados representam "uma epidemia silenciosa que se repete diariamente, especialmente contra crianças, muitas vezes dentro da própria casa".Saúde pública, não tema religiosoPara metade dos entrevistados, o aborto deve ser debatido por órgãos da área da saúde; 19% citam o Legislativo e a Justiça, e apenas 3% mencionam instituições religiosas. A maioria defende que as vítimas tenham acesso a assistência psicológica imediata (89%) e a informações sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada (72%). Segundo a Folha, a maioria também é contra obrigar a vítima a manter a gestação para entregar o bebê à adoção. Na prática, o acesso à informação é desigual: um estudo da ONG Plan International, citado pelo jornal, aponta que apenas metade das meninas que engravidaram antes dos 14 anos após sofrer estupro recebeu informação sobre o direito ao aborto legal.Quem precisa de atendimento pode procurar qualquer serviço de urgência do SUS ou uma unidade básica de saúde: o cuidado é gratuito e sigiloso, e não depende de autorização judicial. Denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes podem ser registradas pelo Disque 100, e o canal 180 atende mulheres em situação de violência.

PCPaula Cardoso
health

Anvisa suspende ensaios brasileiros da terapia rap-cel da Novartis após três mortes

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu nesta segunda-feira (14) os ensaios clínicos brasileiros de uma terapia celular experimental da Novartis para doenças autoimunes. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, vem 13 dias depois de a farmacêutica suíça suspender temporariamente o programa global do produto, o rapcabtagene autoleucel (rap-cel ou YTB323), após a morte de três pacientes.A ordem da agência interrompe os testes em humanos e a entrada de novos voluntários no país. Segundo o g1, eram três protocolos de fase 2, que testavam o rap-cel em pacientes com granulomatose com poliangeíte, poliangeíte microscópica, lúpus eritematoso sistêmico, nefrite lúpica e esclerose sistêmica cutânea difusa. A fase 2 é a etapa em que se avalia principalmente a segurança em um número maior de pessoas. O número de voluntários já tratados no Brasil não foi divulgado.O que está confirmado e o que segue em análiseEstá confirmado que houve três mortes no programa global e que a Novartis atribuiu as reações graves a uma condição conhecida como síndrome hemofagocítica associada a células efetoras imunes (IEC-HS). Segundo a empresa, citada pela Folha de S.Paulo, trata-se de um efeito colateral conhecido das terapias CAR-T, que pode causar complicações potencialmente fatais. O g1 reporta que o gatilho da suspensão veio de fora do Brasil. Ainda é preliminar a análise do que levou às mortes: a companhia informou que revisa os casos com comitês independentes de segurança, para entender por que a resposta imunológica não foi controlada e como detectar sinais de alerta mais cedo.O que é o rap-celO rap-cel é uma terapia do tipo CAR-T: células de defesa do próprio paciente são retiradas do corpo, modificadas em laboratório para reconhecer e atacar um alvo específico e depois devolvidas à circulação. A Novartis apresentou o produto como uma terapia com potencial para "reiniciar o sistema imunológico". A técnica já é usada contra alguns tipos de câncer, e os estudos do rap-cel em leucemia e linfoma não foram atingidos pela pausa. Segundo a empresa, a segurança observada nesses pacientes segue dentro do esperado para a classe de medicamentos.A suspensão global foi anunciada em 1º de setembro, e o Endpoints News noticiou as mortes na noite de 31 de agosto, segundo a Folha, que reproduziu reportagem da Bloomberg. Também por causa dos casos, a Bristol Myers Squibb informou que suspendeu testes semelhantes de seu CAR-T para doenças autoimunes, o zola-cel, "por excesso de cautela". O g1 procurou a Novartis sobre a decisão da Anvisa e não teve retorno até a publicação.Na prática: o acompanhamento clínico dos voluntários já tratados nos protocolos brasileiros deve ser mantido, já que a suspensão vale para novos procedimentos e recrutamentos. Quem participa ou acompanha alguém no estudo pode procurar o centro de pesquisa responsável para tirar dúvidas. Os usos já estabelecidos da técnica contra alguns tipos de câncer não são afetados por esta decisão.

PCPaula Cardoso
medicine

Lula promete caneta contra obesidade gratuita no SUS; sem prazo, critérios ou custos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (17) que canetas aplicadoras de medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade serão oferecidas gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A declaração foi dada durante visita ao novo complexo industrial da farmacêutica Eurofarma, em Montes Claros (MG), segundo a Folha de S.Paulo. O anúncio veio no mesmo dia em que o governo confirmou o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, que terá o piso elevado de R$ 600 para R$ 691, segundo o G1."O que é importante é que essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, tá?", disse Lula durante o discurso. A reportagem do Estadão, reproduzida pelo InfoMoney, registra a mesma fala em versão ligeiramente diferente e acrescenta: "Quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de se curar".O que está confirmado e o que ainda não estáO que está confirmado, até aqui, é a declaração presidencial e o contexto em que foi feita. Segundo a Folha, Lula não especificou qual medicamento será oferecido, quais pacientes terão acesso ao tratamento, quando a medida começará a valer nem seus custos. O Estadão acrescenta que o presidente tampouco indicou se a distribuição ocorreria ainda neste mandato ou em um eventual quarto governo. Não há, portanto, protocolo clínico, público-alvo, calendário ou orçamento divulgados. O ponto repetido por Lula foi a exigência de acompanhamento médico: "Primeiro, Padilha, você tem que fazer um favor. Os médicos, é preciso ter um acordo com os médicos, porque não pode ficar receitando caneta à torta e à direita", afirmou, dirigindo-se ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha.O episódio ocorre a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais. A Folha nota que Lula disputa a reeleição empatado com Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas e situou o discurso entre os anúncios de apelo popular da reta final de campanha, como a proposta de elevar para até R$ 140 mil o limite de faturamento dos microempreendedores individuais. No mesmo evento, o presidente defendeu o sistema público de saúde: "Nunca levaram em conta quantas pessoas o SUS salvava, só anunciavam as pessoas que morriam para criar uma imagem negativa."Na prática, por enquantoComo a medida não tem data nem critérios divulgados, o tratamento não pode ser buscado hoje nas unidades de saúde. Quem vive com obesidade pode procurar a unidade básica de saúde do seu bairro para acompanhamento regular. E vale seguir a orientação que o próprio presidente reforçou: esses medicamentos, quando existirem na rede pública, deverão ser usados só com prescrição e acompanhamento médico. Como o programa não tem início anunciado, qualquer oferta informal de "caneta do SUS" à venda merece checagem na própria rede antes de qualquer pagamento.

PCPaula Cardoso
obesity

Lula anuncia canetas emagrecedoras gratuitas no SUS com prescrição médica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou na quinta-feira (17) que o Sistema Único de Saúde (SUS) vai oferecer gratuitamente as chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade. A entrega será mediante prescrição médica e seguirá critérios clínicos definidos pelo Ministério da Saúde. O anúncio foi feito durante visita ao novo complexo industrial da farmacêutica Eurofarma, em Montes Claros (MG), ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.Segundo a Veja, a oferta ainda não tem data para começar: o protocolo clínico e os critérios de indicação serão finalizados pelo ministério. Em discurso na fábrica, Lula resumiu a proposta:"Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade, quando o médico detectar que um homem ou uma mulher tem problema de saúde."Padilha disse que a prioridade serão os pacientes com maior benefício esperado: pessoas com obesidade grave, doenças associadas ou indicação de cirurgia bariátrica. "Queremos a medicação no SUS. Como direito. Vamos deixar pronto o protocolo para colocar no SUS no país inteiro de forma responsável", declarou. Hoje, nenhum medicamento contra obesidade é distribuído pela rede pública, como mostrou reportagem do g1 em agosto; a principal oferta do SUS é a cirurgia bariátrica, com fila que pode levar anos.Por que a oferta virou possível agoraO obstáculo sempre foi o custo. Em 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) negou os pedidos de inclusão da semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, e da liraglutida (Saxenda e Victoza), por impacto orçamentário estimado acima de R$ 8 bilhões. A expiração da patente da semaglutida, em março deste ano, abriu espaço para versões nacionais mais baratas. A endocrinologista Maria Edna de Melo, do Hospital das Clínicas da USP e membro da Abeso, calcula que o preço caiu de cerca de R$ 1,4 mil para cerca de R$ 330 em promoções. Em junho, a Novo Nordisk apresentou novo pedido à Conitec, com desconto de 59% no valor de referência e acesso restrito a pacientes acima de 45 anos, sem diabetes, com obesidade grave e histórico de infarto. A fábrica visitada por Lula produz o Poviztra, semaglutida da Eurofarma em parceria com a Novo Nordisk, lançada em outubro de 2025 ao preço de R$ 400 a R$ 1.100, conforme a Veja.Desde o fim de junho, o ministério também conduz o estudo Real-Bari, em um hospital de Porto Alegre (RS): 250 pacientes com obesidade grave que aguardam na fila da bariátrica recebem as canetas de graça. O objetivo, segundo a pasta, é avaliar como o tratamento se adapta à realidade do SUS e o custo da terapia.Contexto eleitoral e o que fazer agoraA obesidade atinge 25,7% dos adultos brasileiros, ante 11,8% em 2006, segundo o Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde. O anúncio chega a 17 dias do primeiro turno da eleição presidencial. O candidato à Presidência Ronaldo Caiado disse, segundo o UOL, que a promessa tem "aparência de populismo". O próprio Lula, segundo o Poder360, pediu responsabilidade na distribuição, afirmou que "não pode ficar receitando caneta a torto e a direito", advertiu contra candidatos "jogando caneta pro povo" e lembrou que parte dos casos exige reeducação alimentar.Na prática, nada mudou ainda na rede pública. Enquanto o protocolo não é publicado, as canetas continuam disponíveis apenas na rede privada, com receita e acompanhamento médico. Quem vive com obesidade pode procurar a unidade básica de saúde do bairro para acompanhamento e, nos casos graves, avaliação para a cirurgia bariátrica. A semaglutida exige prescrição e monitoramento de efeitos adversos, e não deve ser usada por conta própria.

PCPaula Cardoso
public-health

Acordo entre Gilead e Opas abre caminho à injeção semestral de prevenção do HIV no Brasil

A farmacêutica Gilead Sciences e a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde) anunciaram nesta terça-feira (15) um acordo que cria uma nova via de compra do lenacapavir, injetável aplicado duas vezes por ano para prevenir o HIV, por países da América Latina e do Caribe. O Brasil está entre os 14 países da região que podem ser beneficiados, de acordo com a Folha de S.Paulo. As aquisições seriam feitas por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da Opas, mecanismo de compras conjuntas da organização.O acordo cria a possibilidade de compra, mas não garante entrega imediata. O comunicado divulgado nesta terça não informa preço, volume reservado ao Brasil nem cronograma de fornecimento, e cada governo terá de decidir se adere à iniciativa. A nova rota interessa, em especial, aos 14 países que ficaram fora dos acordos de licenciamento voluntário firmados pela Gilead com fabricantes de genéricos, entre eles Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, Uruguai e Venezuela, além do Brasil. Sem licença voluntária, esses governos dependem de negociação direta com a farmacêutica.O estágio da regulamentação no BrasilNo Brasil, o produto, vendido como Sunlenca, já passou por uma etapa regulatória. Em janeiro, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou seu uso como PrEP (profilaxia pré-exposição) para adultos e adolescentes a partir de 12 anos e com pelo menos 35 kg. A comercialização ainda depende de a CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) definir o preço máximo. Para chegar ao SUS, o medicamento precisa ser avaliado pela Conitec, comissão que analisa a incorporação de novas tecnologias, e receber decisão favorável do Ministério da Saúde. Em julho, a pasta tentou negociar diretamente com a Gilead a compra do produto, sem sucesso. A farmacêutica afirma que, apesar do acordo com a Opas, pretende continuar as negociações com o governo brasileiro.O que o lenacapavir ofereceO lenacapavir está aprovado em vários países como PrEP para reduzir o risco de transmissão sexual do HIV em adultos e adolescentes com risco de contrair o vírus, e também, em combinação com outros antirretrovirais, como parte do tratamento de infecções por HIV multirresistente em adultos, segundo a própria Gilead. A vantagem prática é a frequência: duas aplicações por ano no lugar dos comprimidos diários da PrEP oral. A empresa afirma que o fármaco age em múltiplas etapas do ciclo de vida do vírus, diferentemente da maioria dos antivirais, e que uma versão com aplicação anual está em estudo clínico.O diretor da Opas, Jarbas Barbosa, avaliou o acordo em comunicado reproduzido pela agência EuropaPress. "As Américas contam hoje com ferramentas cada vez mais eficazes para prevenir o HIV, mas essas inovações só terão impacto se chegarem às pessoas que precisam delas", disse. "Esta iniciativa representa um passo importante para reduzir as brechas no acesso ao lenacapavir, ampliar as opções de prevenção disponíveis para os países e avançar na direção da eliminação do HIV." A diretora comercial e de assuntos corporativos da Gilead, Johanna Mercier, disse que o acordo reflete o compromisso compartilhado de ajudar os países a avançar "o mais rápido possível da inovação científica até o acesso real à prevenção do HIV".Para o leitor, a orientação prática é simples: o injetável semestral não está à venda nem disponível no SUS, e não há data prevista para isso. Quem busca prevenção hoje encontra a PrEP oral, em comprimidos diários, distribuída gratuitamente pelo sistema público. O acordo muda o caminho das compras; a chegada do medicamento aos serviços ainda depende do preço, da avaliação da Conitec e de uma decisão do Ministério da Saúde.

PCPaula Cardoso
polls

Datafolha em cinco estados: Flávio Bolsonaro lidera em SP, RJ e DF; Lula tem 55% em PE

A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (12) mostra a corrida presidencial de 2026 com desenho diferente em cada estado pesquisado. O levantamento, encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, ouviu eleitores de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Distrito Federal entre os dias 8 e 10 de setembro. No cenário de primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente em três dessas unidades, e o presidente Lula (PT), em duas.São Paulo: Flávio Bolsonaro 35%, Lula 33%, empate técnico (margem de 2 pontos percentuais)Rio de Janeiro: Flávio 39%, Lula 35%, empate técnico (margem de 3 pontos)Minas Gerais: Lula 37%, Flávio 35%, empate técnico (margem de 3 pontos)Pernambuco: Lula 55%, Flávio 24% (margem de 3 pontos)Distrito Federal: Flávio 40%, Lula 32% (margem de 3 pontos)Segundo o g1, que publicou os números dos cinco estados, a classificação de empate técnico se aplica quando a distância entre os dois primeiros fica dentro da margem de erro. É o caso de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em Pernambuco, a vantagem de 31 pontos de Lula, e no Distrito Federal, a de 8 pontos de Flávio Bolsonaro, superam o margem de 3 pontos.Simulações de segundo turnoEntre os eleitores paulistas, um segundo turno entre os dois colocaria Flávio Bolsonaro com 47% contra 42% de Lula, uma vantagem de 5 pontos acima da margem de 2. Em Minas Gerais, o cenário permanece aberto: Lula tem 46% e Flávio, 45%, diferença dentro da margem de 3 pontos. Os números constam da reportagem da Folha.Em São Paulo, o restante do eleitorado no primeiro turno se divide assim, segundo a Folha: Augusto Cury (Avante) tem 7%, Renan Santos (Missão), 6%, e Ronaldo Caiado (PSD), 4%. Samara Martins (UP) e Romeu Zema (Novo) têm 2% cada. Outros 6% dizem que votarão branco ou nulo, e 2% estão indecisos.Como ler os númerosAs entrevistas foram feitas presencialmente, com nível de confiança de 95%. Na prática, isso significa que, em 95 de cada 100 medições idênticas, os resultados ficariam dentro da margem de erro: 2 pontos percentuais em São Paulo e 3 nos demais estados. Os números de primeiro turno medem a intenção de voto declarada entre 8 e 10 de setembro; os de segundo turno simulam um confronto que ainda não existe. Nenhum dos dois é previsão do resultado das urnas.O histórico dos dois maiores colégios eleitorais ajuda a dimensionar o que está em jogo. Em 2022, Jair Bolsonaro venceu Lula em São Paulo com 55,2% contra 44,8%, uma diferença de 2,7 milhões de votos. Em Minas Gerais, Lula ganhou por 0,4 ponto, cerca de 49,5 mil votos. Minas é o segundo maior eleitorado do país e costuma votar no vencedor da eleição, lembra a Folha.Para conferir os dados na fonte, o g1 e o Datafolha divulgam os resultados completos de cada estado, incluindo as simulações de segundo turno e a avaliação do governo Lula medida em cada local. A eleição presidencial acontece em outubro de 2026.

PCPaula Cardoso
regulation

Presidente da ANS diz que orienta amigos a acionar a Justiça contra planos de saúde

O presidente da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), Wadih Damous, disse que já orientou amigos e parentes a procurar a Justiça quando tiveram pedidos de tratamento negados por planos de saúde. A declaração foi feita na terça-feira (8), em Brasília, em evento com empresários do setor e representantes de campanhas presidenciais, e foi relatada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo."Vou confessar. Às vezes sou procurado por conhecidos, amigos e familiares. Digo: judicialize", relatou Damous, segundo a Folha.O encontro, chamado "A Saúde do Brasil em 2030: Onde Vamos Estar?", ocorreu a partir das 8h no B Hotel, na capital federal, promovido pelo canal Amado Mundo e apresentado pelo Instituto Consenso, conforme o site especializado Saúde Insider. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou ao lado de Damous, e representantes das principais campanhas à Presidência apresentaram propostas para o SUS, a saúde suplementar, a incorporação de medicamentos e o financiamento do setor, a semanas da eleição de outubro.A fala segue a posição que o dirigente defendeu em 28 de agosto, em seminário da FGV no Rio de Janeiro. Citado pelo Saúde Insider, Damous afirmou que a agência "falhou" na regulação, que cada ação judicial contra um plano é uma "derrota" da ANS e que há omissões antigas em temas como reembolso e coparticipação. Ele defendeu a cooperação entre operadoras, entidades de defesa do consumidor, Ministério Público e Defensoria Pública como caminho, e cobrou do Congresso instrumentos legais mais fortes, citando o PL 7.419, que atualiza a Lei dos Planos de Saúde (9.656/1998) e tramita há 20 anos.O que os dados mostramNúmeros do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) dão a dimensão do problema, conforme levantamento do Saúde Insider. Em 2025, chegaram ao Judiciário 704.800 novas ações de saúde, entre o SUS e os planos. As ações contra operadoras subiram de 228.640, em 2023, para 341.763, em 2025, alta de 49,5%. O movimento continuou neste ano: entre janeiro e maio foram 154.885 novas ações envolvendo planos, 20% acima do mesmo período de 2025, enquanto o número de usuários cresceu 1,8% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Damous cifrou em 53,1 milhões os usuários de planos no país.Em uma amostra de 1.992 processos examinada pela ferramenta Atalaia, do CNJ, 69,4% das demandas envolviam acesso a medicamentos ou tratamentos, e metade delas (50,2%) pedia tecnologias fora do Rol da ANS, a lista de procedimentos de cobertura obrigatória. Trata-se de uma amostra, não do total: serve de retrato, não de censo. O setor reage a parte das ações. Renato Casarotti, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Amil, classificou a judicialização em "legítima" e "predatória" e citou acordo com a Defensoria do Rio em vigor desde julho de 2025, que resolve entre 70% e 80% das demandas em acordos extrajudiciais.O que fazer diante de uma negativaPara o beneficiário que recebe uma recusa, há caminhos antes e além do processo: pedir à operadora a justificativa da negativa por escrito, registrar reclamação no canal de atendimento da ANS e procurar a Defensoria Pública, que atua de graça e, segundo os números do acordo fluminense, resolve a maior parte dos casos sem juiz. Guardar laudos, receitas e a resposta da operadora encurta qualquer um desses caminhos.

PCPaula Cardoso
health

José Sarney, de 96 anos, é internado com pneumonia em São Luís; quadro é estável

O ex-presidente José Sarney, de 96 anos, foi internado neste domingo (13) com pneumonia na UDI Hospital, da Rede D'Or, em São Luís, no Maranhão. Segundo o boletim médico divulgado pelo hospital na noite de domingo, a condição clínica do ex-presidente é estável. A internação foi noticiada pelo G1 e confirmada pela CNN Brasil.O boletim, assinado pela unidade da Rede D'Or em São Luís, informa que Sarney está com a pressão arterial sob controle, respira em ar ambiente, sem apoio de aparelhos, e recebe antimicrobianos por via venosa. O hospital não divulgou previsão de alta.Em publicação no Instagram, o ex-presidente disse que está internado para a realização de exames e para o tratamento da infecção respiratória, e agradeceu as manifestações de apoio."Meu estado de saúde é estável e sigo sob acompanhamento médico. Agradeço, com carinho, todas as mensagens, orações e manifestações de amizade que tenho recebido."Sarney governou o Brasil entre 1985 e 1990 e foi o primeiro presidente civil após o regime militar. Presidiu o Senado em diversos mandatos e segue como uma das figuras mais influentes da política do Maranhão.O que está confirmado e o que ainda não se sabeEstá confirmado, com base no boletim assinado pelo hospital, o diagnóstico de pneumonia e a condição clínica estável. A idade de 96 anos foi informada pela CNN Brasil. O boletim não cita internação em UTI, não informa o agente causador da infecção nem traz resultados de exames, e não há data prevista para a alta. Novas informações dependem de boletins seguintes divulgados pelo hospital.Pneumonia em pessoas idosasPneumonia é uma infecção que inflama os pulmões e, segundo o Ministério da Saúde, está entre as principais causas de internação de pessoas idosas no Brasil. Em quem tem mais de 60 anos, os sinais podem ser menos evidentes que em adultos jovens: além de febre, tosse e falta de ar, é preciso atenção a confusão mental súbita, sonolência excessiva e perda de apetite. Ante esses sintomas, a orientação é procurar avaliação médica em uma unidade básica de saúde ou em um pronto-socorro. A vacinação reduz o risco: a vacina anual contra a gripe é oferecida pelo SUS a partir dos 60 anos, e quem tem plano de saúde tem direito à cobertura das vacinas pneumocócicas nessa faixa de idade, por determinação da ANS. O primeiro passo é conferir a caderneta de vacinação com um médico ou na própria unidade de saúde.

PCPaula Cardoso
children

27% dos alunos do ensino médio já apostaram em bets, aponta pesquisa

Apesar da proibição de jogos de azar para menores de 18 anos, 27,3% dos estudantes do ensino médio brasileiro dizem já ter feito apostas esportivas online, as chamadas bets. Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a proporção é de 16,2%. As apostas começam, em geral, aos 11 anos, idade em que 9,5% dos entrevistados relataram já ter apostado.Os dados são de pesquisa divulgada nesta quarta-feira (9) pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info, iniciativa que coleta dados nas escolas. O levantamento ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de educação básica em todo o país, em entrevistas presenciais com questionários estruturados realizadas em agosto e setembro. Segundo a Folha de S.Paulo, o nível de confiança é de 95% e a margem de erro, de 2,4 pontos percentuais.O que os números mostramA prevalência cresce com a idade: chega a 32,3% entre os alunos de 17 anos, a 40,1% entre os que têm 18 anos ou mais e a 49,7% no 3º ano do ensino médio, segundo a Agência Brasil. No conjunto da amostra, 27,8% dos meninos já apostaram, contra 12,6% das meninas; no ensino médio, a diferença se amplia para 41,7% contra 12%. A proporção de estudantes que já apostaram é praticamente a mesma em escolas públicas e privadas. Nas públicas, é maior o percentual dos que dizem ter ganhado mais do que perdido (7,4%); nas privadas, prevalece quem diz ter perdido mais (9,5%).Dois pontos pedem cautela na leitura. Primeiro, os dados são autodeclarados, e parte dos estudantes não acompanha o próprio resultado: quatro em cada dez que já apostaram não sabem dizer se ganharam ou perderam mais nas plataformas. Segundo, a estimativa de que as perdas agregadas desse público podem ultrapassar R$ 1 bilhão é uma projeção dos pesquisadores, não um valor apurado. A escolaridade das mães, isolada, explica pouco: 22,7% dos filhos de mães com até o ensino fundamental já apostaram, 19,6% quando a mãe concluiu o ensino médio e 22,8% quando tem ensino superior. Segundo o estudo, os estudantes mais vulneráveis são "aqueles em domicílios com mais bens, mas matriculados em escolas públicas e com pais sem ensino superior".O que ainda é preliminar e o que se recomendaA educação financeira no currículo não reduziu a exposição às apostas neste levantamento: segundo a Agência Brasil, estudantes de escolas com mais letramento financeiro mostraram maior probabilidade de apostar e menor controle sobre ganhos e perdas. Trata-se de uma associação observada em um único recorte, ainda sem comprovação de causalidade. Para o coordenador da pesquisa, Guilherme Lichand, professor da Stanford Graduate School of Education, as soluções centradas no comportamento individual tendem a falhar, porque os estudos científicos indicam que lembretes sobre perdas passadas, sugeridos pelas próprias plataformas, não funcionam."Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição", disse Lichand.A presidente da frente parlamentar, deputada Tabata Amaral, declarou à Folha de S.Paulo: "Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira". As recomendações do levantamento são dirigidas a quem regula o setor: maior tributação sobre transações nas plataformas, restrição à publicidade e medidas de proteção específicas para menores de 18 anos. Para famílias e escolas, o dado mais acionável é a idade de início: se as apostas costumam começar por volta dos 11 anos, a conversa sobre o tema precisa acontecer antes do que muitos imaginam, e não apenas no ensino médio.

PCPaula Cardoso
Lula

Atlas/Bloomberg: Flávio Bolsonaro tem 46,4% e Lula, 46,2% no 2º turno

O senador Flávio Bolsonaro (PL) atinge 46,4% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registra 46,2%, mostra pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta-feira (10). A diferença de 0,2 ponto percentual cabe na margem de erro do levantamento, de um ponto para mais ou para menos, o que configura empate técnico. Brancos, nulos e indecisos somam 7,4%.Na rodada anterior do mesmo levantamento, Lula tinha 47,1% e Flávio, 42,6%, com brancos, nulos e indecisos em 10,3%, segundo o Estadão. No primeiro turno, Lula segue na liderança com 43%, contra 37,4% do senador, e a UOL descreve o quadro como estabilidade do petista na frente e alta de Flávio nos dois cenários. Augusto Cury (Avante), com 6,6%, e Renan Santos (Missão), com 6,5%, aparecem empatados tecnicamente na sequência.Como a pesquisa foi feitaA AtlasIntel ouviu 5 mil eleitores entre os dias 4 e 9 de setembro, por recrutamento digital aleatório pela internet, método batizado de Atlas RDR. A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, o nível de confiança é de 95% e o trabalho, feito com recursos próprios do instituto, está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01452/2026, informa a CNN Brasil.Vale separar o que é firme do que é hipótese. Os números publicados são um retrato estatístico da semana de campo, com amostra ampla e registro eleitoral. As simulações de segundo turno, porém, são cenários, e pesquisas não preveem resultado: com margem de erro de um ponto, diferenças de até dois pontos entre candidatos não significam vantagem real. O empate de 0,2 ponto entre Flávio e Lula deve ser lido exatamente assim, como paridade.Outros cenários e rejeiçãoO instituto testou mais quatro confrontos simulados, todos com Lula de um dos lados. Contra Romeu Zema (Novo), o ex-governador de Minas Gerais somaria 46,2%, contra 46% do petista. Diante de Ronaldo Caiado (PSD), empate em 45,7% a 45,7%. Frente a Augusto Cury (Avante), Lula estaria numericamente à frente, com 43,8% contra 41,1%. Em simulação com Renan Santos, o petista teria 46%, contra 33,8% do coordenador do Movimento Brasil Livre.Na rejeição, Lula é o nome mais rejeitado, com 52,5%, seguido por Flávio, com 49,6%, aponta o Estadão. Vêm depois Renan Santos (35,7%), Pablo Marçal (35,1%), Romeu Zema (31,6%), Ronaldo Caiado (28,1%) e Augusto Cury (25,6%). O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que não é candidato, tem rejeição de 37,7%. Institutos divergem sobre o tamanho da vantagem do petista no primeiro turno: levantamento recente da PoderData/Aya, divulgado pelo Poder360, aponta 38% para Lula e 36% para Flávio. O primeiro turno será em 4 de outubro, lembra o G1. Para acompanhar a disputa com critério, convém comparar ao menos dois institutos e observar sempre a margem de erro; a íntegra da pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo BR-01452/2026.

PCPaula Cardoso
banco-master

PF suspeita que Toffoli é beneficiário de fundo com dinheiro de Vorcaro em paraíso fiscal

A Polícia Federal suspeita que o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tenha figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, fundo de investimento em participações que recebeu ao menos R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e cujos ativos foram remetidos para uma holding registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe. A suspeita está em reportagem da revista piauí publicada na quinta-feira (10), assinada por Breno Pires, com base em relatório sigiloso da corporação enviado à corte, e teve detalhes repassados pela Folha de S.Paulo e pelo Correio Braziliense.Como o dinheiro teria chegado ao CaribeO documento, identificado como Informações de Polícia Judiciária de Análise nº 893171/2026, tem quase 200 páginas, foi assinado por quatro delegados e foi elaborado a partir do conteúdo do celular de Vorcaro apreendido no fim de 2025, segundo o Correio Braziliense. Ele chegou ao STF há cerca de sete meses, entregue ao presidente da corte, ministro Edson Fachin, e submetido à análise dos demais ministros. Na leitura dos investigadores, os indícios convergem para o ministro."Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos."Segundo as reportagens, o Arleen comprou parte das cotas da Maridt, empresa dos irmãos do ministro ligada ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro, e da qual o próprio Toffoli admite fazer parte do quadro societário. O fundo passou ao empresário Alberto Leite, dono da FS Security e amigo do ministro; a Folha data a compra em fevereiro de 2025. Um mês depois, o regulamento foi alterado para permitir aplicações no exterior e, em dezembro, os ativos seguiram para a holding Égide I, nas Ilhas Virgens Britânicas. Mensagens do celular de Vorcaro citadas pelo Correio Braziliense mostram apreensão com atrasos nos aportes: o banqueiro mobilizou o cunhado Fabiano Zettel e o ex-ministro Fábio Faria para destravar os recursos e, após falar com Toffoli, disse que a demora o deixou "em situação ruim". Em mensagens do fim de 2025, ele orientou a formalização da transferência do fundo a Leite e pediu uma minuta de contrato "sem nome".O que é fato e o que é hipóteseConstam do relatório os movimentos financeiros: o aporte de ao menos R$ 35 milhões de Vorcaro, a mudança de regulamento e a remessa dos ativos ao Caribe ao longo de 2025. Já o vínculo entre o fundo e Toffoli é apresentado como hipótese. O próprio documento registra ao menos 12 encontros presenciais entre o ministro e o banqueiro entre o fim de 2023 e o início de 2025, além de 167 ligações por aplicativo entre os dois aparelhos, e admite que o caso demanda aprofundamento analítico, sem conclusões definitivas. Em reunião sigilosa, segundo o Correio Braziliense, os ministros da corte concluíram que o relatório não levava a nada e o arquivaram; o gabinete de Toffoli afirma que a decisão está em trânsito em julgado.Procurado pela revista piauí, o gabinete do ministro negou irregularidades. Em nota, afirmou que Toffoli "jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior", que ele "jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas" e que nunca teve amizade com Vorcaro. O mesmo relatório também sustenta a suspeita, já noticiada, de que o banqueiro tentou influenciar um voto do ministro em ação sobre precatórios do setor sucroalcooleiro.Para quem acompanha o caso, dois pontos práticos. O relatório que embasa a suspeita sobre o Arleen integra o material sigiloso do caso Master: nesta semana o STF retirou o sigilo de apenas parte dos autos e, segundo a piauí, dos dois relatórios sobre relações de ministros com Vorcaro apenas um foi tornado público. E, arquivado o caso, essa linha só pode ser retomada se surgirem elementos novos, decisão que compete à própria corte. Suspeita policial não equivale a condenação.

PCPaula Cardoso
Flavio Bolsonaro

PGR sugeriu apurar atuação de Flávio no Senado em defesa do Banco Master

Documentos da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal que ficaram públicos nesta sexta-feira (11) mostram que a PGR pediu apuração de possíveis propostas legislativas apresentadas ou apoiadas pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que pudessem interessar ao Banco Master e a seu fundador, Daniel Vorcaro. O mesmo material indica, segundo o jornal Folha, que Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, atuava como gestor do dinheiro arrecadado para o filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.A sugestão consta de um parecer da PGR de 21 de junho, favorável à abertura de investigação contra Flávio pelo financiamento do filme, conforme noticiou primeiro o Poder360. O texto ficou público depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou na noite de quinta-feira (10) o fim do sigilo de parte do inquérito principal do caso Master, medida cumprida nesta sexta pelo relator, ministro André Mendonça."Proposições legislativas apresentadas ou endossadas pelo senador Flávio Nantes Bolsonaro e pelo deputado Mario Luis Frias no âmbito do Congresso Nacional, que possam ser de interesse do Banco Master ou de empresas a ele vinculadas, bem como aos seus controladores, em especial Daniel Bueno Vorcaro."No parecer, a Procuradoria recomendou relacionar essas proposições às apurações. Em 22 de julho, Mendonça autorizou inquérito contra Flávio por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, entre outros possíveis crimes, informam o G1 e a BBC Brasil. A investigação sobre o senador segue sob sigilo, mas a autorização entrou no processo principal, agora público. O deputado Mario Frias (PL-SP), citado no mesmo trecho, foi alvo de operação da PF na quinta, em inquérito conduzido pelo ministro Flávio Dino.O que os documentos dizem sobre os irmãosSegundo a Folha, o material mostra que Flávio era interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas de investimento no filme, com encontros pessoais e cobranças reiteradas por pagamentos. Em relatório citado pelo jornal, a PF escreveu que o senador "não aparece apenas como terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, mas como interlocutor direto de Daniel Vorcaro". A reportagem também relata que a PF suspeita que parte dos recursos arrecadados tenha sido usada para pagar despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Segundo o G1, o responsável pelo fundo americano Havengate, usado nos repasses, é o advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo no país.Os números conhecidos até aqui: Vorcaro repassou R$ 61 milhões aos produtores por meio do Havengate, e Flávio teria negociado US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época; a produtora diz ter gasto R$ 75,1 milhões. O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, firmou acordo de colaboração com a PGR e afirmou ter feito sete repasses ao fundo entre janeiro e setembro de 2025, num total de US$ 12,333 milhões, a pedido de Vorcaro e com valores pedidos por Flávio. O repasse de setembro, de US$ 1,666 milhão, contraria a versão do senador de que o último pagamento tinha ocorrido em maio de 2025.Defesa e estágio das apuraçõesFlávio nega irregularidades. "Transparência total nesse assunto foi a melhor coisa que poderia acontecer", disse nesta sexta, em campanha no Amazonas, segundo a BBC Brasil. Segundo a mesma reportagem, ele afirmou que adversários vão tentar "fazer de tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem". O Poder360 procurou o senador e o deputado Mario Frias para comentar a sugestão da PGR e não recebeu resposta até a publicação. Vorcaro está preso desde novembro de 2025 e é suspeito de fraude de R$ 12 bilhões no sistema financeiro, segundo a BBC.O que está confirmado, até aqui, é o conteúdo dos documentos: a sugestão da PGR, a abertura do inquérito e os apontamentos sobre os dois irmãos. A suspeita de que Flávio tenha atuado no Congresso em defesa do Master, e a de que Eduardo geria os recursos do filme, ainda precisam de prova; não há denúncia contra nenhum deles. Os próximos passos cabem à PF e à PGR, que podem pedir arquivamento ou denunciar ao STF. As peças públicas do caso podem ser consultadas no site do tribunal; o inquérito sobre Flávio segue em sigilo. Antes de compartilhar trechos soltos de documentos, vale conferir a íntegra nas fontes oficiais.

PCPaula Cardoso
Elections

Agregador da BBC coloca Flávio Bolsonaro à frente de Lula no 2º turno

O agregador de pesquisas para presidente da BBC News Brasil passou a registrar o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em cenário de segundo turno, segundo a própria BBC. A atualização foi publicada na terça-feira (8) e altera a leitura anterior da ferramenta, que apontava empate técnico entre os dois. O 1º turno está marcado para 4 de outubro e, se nenhum candidato superar 50% dos votos válidos, o 2º turno ocorre em 25 de outubro.O agregador reúne as pesquisas de intenção de voto nacionais em um painel interativo, recalculado conforme novos levantamentos são incorporados. A mudança acompanha uma sequência de leituras com Flávio numericamente à frente no segundo turno: um levantamento do instituto Gerp apontou 47% do senador contra 40% do presidente, e na quarta-feira (9) o instituto Palver registrou 46% a 44% para Flávio, diferença que o JOTA e a UOL classificam como empate técnico, por estar dentro da margem de erro.O que diz o 1º turnoNo cenário de primeiro turno, a pesquisa Palver aponta empate em 40% entre Lula e Flávio, dado também reportado pela CNN Brasil. Pesquisas estaduais do instituto Quaest, divulgadas antes da atualização da BBC, já mostravam o senador à frente de Lula em cenários de segundo turno em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Distrito Federal, com o presidente liderando em Pernambuco.O que está confirmado e o que é provisórioOs dados confirmam, até aqui, a sequência de leituras com Flávio numericamente à frente no 2º turno. O tamanho da vantagem segue provisório: a diferença de 2 pontos da Palver está dentro da margem de erro, e o agregador muda a cada nova pesquisa incorporada. O número de entrevistados e a margem de erro de cada levantamento constam do registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como exige a legislação eleitoral.Para acompanhar a disputa sem depender de um único número, vale conferir o registro de cada pesquisa no sistema de divulgação do TSE, comparar os resultados de um mesmo instituto ao longo do tempo e observar se as diferenças entre candidatos ficam dentro ou fora da margem de erro. As próximas pesquisas nacionais vão mostrar se a nova leitura do agregador da BBC se mantém.

PCPaula Cardoso
sus

TCU dá 60 dias para Saúde explicar atraso de 97% em remédios da Fiocruz

O Tribunal de Contas da União (TCU) deu 60 dias para o Ministério da Saúde explicar por que 97% das entregas de medicamentos previstas em um acordo com a Fiocruz saíram fora do prazo entre junho e dezembro de 2024. Apenas 3% chegaram na data contratada. O levantamento é do próprio tribunal e foi divulgado nesta quarta-feira (9) pelo g1, único veículo que esta reportagem localizou com o caso publicado até o fechamento.O contrato fiscalizado é o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) 02/2023, gerido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com entregas feitas pelo Farmanguinhos, instituto de tecnologia em fármacos da Fiocruz. Os remédios são do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, linha do SUS para doenças que exigem acompanhamento especializado. A auditoria cobriu quatro medicamentos em sete apresentações: cabergolina, pramipexol, sevelâmer e tacrolimo. Todos são de uso contínuo. O tacrolimo previne a rejeição de órgãos em transplantados, o pramipexol trata a doença de Parkinson, o sevelâmer controla o fósforo no sangue de pacientes renais crônicos e a cabergolina reduz o excesso de prolactina.Os percentuais medem pontualidade, não volume. Em quantidade, o atraso também aparece: das cerca de 248,84 milhões de unidades farmacêuticas previstas para o período, foram entregues aproximadamente 106,28 milhões, 43% do programado. O próprio TCU ressalva que o índice de 3% de pontualidade vale apenas para esse acordo e não pode ser lido como média das entregas do ministério.Causas apontadas pelo tribunalAo acompanhar os acordos, o tribunal registrou problemas na obtenção de insumos, na produção e na logística, somados aos efeitos do ataque cibernético sofrido pelo Farmanguinhos em agosto de 2023. As falhas não ficaram restritas à fabricação. O TCU apontou também demoras do próprio Ministério da Saúde na formalização das pautas de distribuição e nos repasses orçamentários. Em alguns casos, segundo o tribunal, isso levou a produção baseada em estimativas informais, o que aumentou o risco de perda por prazo de validade e de desperdício. Houve ainda entraves para agendar entregas em secretarias estaduais de Saúde e dificuldades em trâmites alfandegários.Falta de medicamento não está confirmadaO TCU afirma que os dados não permitem concluir que houve desabastecimento nacional. A avaliação esbarra em uma limitação reconhecida pelo próprio ministério: não existe um sistema informatizado, com atualização em tempo real, que acompanhe ao mesmo tempo o consumo e os estoques desses remédios em todo o país. O ministério informou ao tribunal que adotou medidas de contingência e remanejou estoques entre estados para preservar a continuidade dos tratamentos. Para o TCU, a ausência de dados integrados mantém o SUS exposto ao risco de falta de um insumo crítico. O g1 também registrou que os indicadores de pontualidade existiam, mas só seriam consolidados ao final dos acordos, o que tornava o controle reativo. Procurados, Ministério da Saúde e Fiocruz não responderam aos questionamentos do veículo antes da publicação.Para quem usa esses medicamentos, os passos de rotina importam mais que o alarme. O tribunal não identificou desabastecimento nacional confirmado, mas tratamentos como tacrolimo e pramipexol dependem de reposição regular, e no transplante a margem é a mais estreita: sem o imunossupressor, o organismo pode passar a rejeitar o órgão recebido. Renovar a receita com antecedência, verificar a disponibilidade na unidade dispensadora antes de o estoque pessoal acabar e avisar o médico diante de qualquer dificuldade de retirada são os cuidados que reduzem o risco de interrupção.

PCPaula Cardoso
medicine

Anvisa aprova dois genéricos de liraglutida para obesidade e diabetes tipo 2

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou dois registros de medicamentos genéricos à base de liraglutida, princípio ativo usado em canetas injetáveis para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. As autorizações foram concedidas à farmacêutica brasileira EMS e publicadas nesta terça-feira (8) no Diário Oficial da União. Os produtos terão concentração de 6 mg/mL, em solução injetável de aplicação subcutânea.Segundo a Agência Brasil, os dois registros estão ligados a canetas que a EMS já comercializa: o Olire, indicado para controle de peso em adultos e adolescentes, e o Lirux, voltado ao gerenciamento da glicemia. O G1 lembra que as duas canetas foram aprovadas pela Anvisa em dezembro de 2024 e começaram a chegar às farmácias em agosto de 2025.O que muda com o registroA mudança é de categoria regulatória. Registrados como genéricos, os produtos podem ser vendidos pelo nome do princípio ativo, liraglutida, sem vínculo obrigatório a uma marca comercial. No documento oficial, os medicamentos aparecem como "genérico, registro clone": um procedimento simplificado que a Anvisa usa quando o novo produto tem a mesma composição, fabricante e linha de produção de um medicamento que já passou pela análise completa da agência, o chamado medicamento matriz. Neste caso, as matrizes são justamente Olire e Lirux, e as diferenças ficam restritas a nome, rótulo e informações legais da embalagem.Para entrar na categoria de genérico, a exigência é que o produto tenha o mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, via de administração e indicação do medicamento de referência, e que demonstre equivalência para poder substituí-lo. Os novos registros preveem embalagens com um, dois, três, cinco e até dez carpules de 3 mL, o pequeno reservatório que se encaixa na caneta aplicadora.Preço e data de lançamento ainda não existemAqui está o limite do anúncio. A aprovação não significa que as versões genéricas estarão nas prateleiras logo: conforme o G1, a EMS ainda precisa definir o lançamento e os preços de comercialização. No Brasil, os preços máximos dos medicamentos são regulados pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), e a regra atual limita o preço de fábrica de um genérico a 65% do valor autorizado para o medicamento de referência. Isso não garante uma queda proporcional no balcão, porque o preço final varia com impostos, descontos dos laboratórios e política comercial das redes de farmácias.Há referências para dimensionar o mercado. Quando lançou Olire e Lirux, em 2025, a EMS anunciou preços sugeridos a partir de R$ 307,26 por caneta. A liraglutida está há anos no Brasil e é também o princípio ativo do Saxenda, indicado para controle de peso, e do Victoza, usado no diabetes tipo 2, ambos da Novo Nordisk. A substância é um agonista do receptor de GLP-1, a mesma classe da semaglutida, presente em Ozempic e Wegovy, e imita um hormônio intestinal que participa do controle da glicose e do apetite. Uma diferença prática em relação às canetas mais recentes: a liraglutida é aplicada todos os dias, enquanto semaglutida e tirzepatida têm apresentações de uso semanal.Para quem usa ou pretende usar esses medicamentos, o que é possível afirmar hoje: os genéricos aprovados são equivalentes às matrizes já avaliadas pela Anvisa, mas ainda não têm data de chegada às farmácias nem preço anunciado. As duas indicações são distintas, uma voltada à obesidade e outra ao diabetes tipo 2, com esquemas de dose próprios. Segundo o G1, a venda exige receita, que fica retida na farmácia. A orientação continua sendo a de sempre: converse com quem prescreve antes de trocar de apresentação ou de dose, e compre apenas com receita, em farmácia.

PCPaula Cardoso
fraud

Receita Federal barra mais de R$ 1 bilhão em pedidos suspeitos de salário-maternidade

A Receita Federal identificou e barrou mais de R$ 1 bilhão em pedidos suspeitos de reembolso de salário-maternidade, divulgou o órgão nesta terça-feira (8). Segundo a Receita, os pedidos partiram de empresas de fachada e de outras organizações que podem ter tentado obter recursos da Previdência de forma indevida, e a intercepção dos valores impediu prejuízo aos cofres públicos.O que os dados mostraramO bloqueio atinge o canal usado por empresas para pedir de volta o benefício que anteciparam a funcionárias. O pagamento do salário-maternidade em si segue normal, e quem recebe o benefício diretamente do INSS não é afetado. Na análise, a Receita cruzou dados fiscais, previdenciários e cadastrais e encontrou um padrão incompatível com as regras do benefício: empresas com apenas um funcionário, faturamento próximo de zero, ausência de registros compatíveis na escrituração fiscal e valores considerados atípicos. Também surgiram pedidos vinculados a seguradas sem registro de filhos, empresários que figuravam ao mesmo tempo como donos e empregados das próprias empresas e casos em que uma mesma pessoa teria recebido múltiplos benefícios por empresas diferentes em curto período.Entre os exemplos citados pela Receita está um microempreendedor individual do setor de entregas rápidas que pediu R$ 500 mil de reembolso, apesar de a legislação não permitir esse tipo de compensação para a categoria. Em outro caso, empresas sem faturamento relevante apresentaram pedidos elevados e compartilhavam vínculo com procuradores que atuavam para dezenas de outras empresas em situação semelhante.O valor divulgado precisa de leitura cuidadosa. Os R$ 1 bilhão correspondem a pedidos barrados, e não a dinheiro pago e desviado dos cofres públicos. Segundo a Receita, os envolvidos estão sujeitos à devolução dos valores, ao pagamento de multas e a sanções administrativas e criminais, e as investigações seguem para identificar os responsáveis. Nenhum nome foi divulgado na nota do órgão.Como funciona o reembolso e como se protegerNa regra atual, o reembolso só é permitido quando a empresa antecipa o pagamento do salário-maternidade a uma empregada vinculada ao Regime Geral de Previdência Social. Benefícios pagos diretamente pelo INSS não geram direito a compensação ou restituição pelo sistema eletrônico usado nesses pedidos, o PER/DCOMP. O benefício é pago às seguradas e, em casos como adoção ou morte da mãe, também pode ser concedido a segurados, segundo o INSS.A Receita alerta ainda para pessoas e empresas que oferecem soluções tributárias com promessas de créditos "garantidos" ou restituições rápidas. Para o órgão, propostas desse tipo devem ser vistas com cautela, porque quem adere pode ter de devolver valores, pagar multas e responder a sanções previstas em lei. Empresas com dúvidas sobre compensações devem conferir as regras do benefício nos canais oficiais antes de apresentar qualquer pedido.

PCPaula Cardoso
inequality

Pisa 2025: alunos mais ricos têm 96 pontos a mais em ciências no Brasil

Os 25% dos estudantes brasileiros de maior nível socioeconômico tiveram desempenho 96 pontos superior ao dos 25% mais pobres em ciências no Pisa 2025, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes aplicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Os dados foram divulgados na terça-feira (8) e fazem parte da edição em que as ciências receberam a análise mais detalhada.Segundo a Folha de S.Paulo, a média dos mais desfavorecidos ficou em 380 pontos, e a dos mais favorecidos, em cerca de 476, patamar próximo ao da média da OCDE na área, de 482. A média geral do Brasil em ciências foi de 409. A distância de 96 pontos entre os quartos extremos supera a média observada entre os países da organização, de 85 pontos, embora fique abaixo do caso mais extremo do grupo: na Alemanha a diferença chega a 125 pontos, a maior entre os países da OCDE com dados disponíveis, enquanto no Canadá é de 59.Para dimensionar a diferença, a Folha lembra que uma variação de 20 pontos no Pisa equivale a cerca de um ano de aprendizagem. Nessa régua, os 96 pontos que separam os extremos brasileiros correspondem a quase cinco anos de escolaridade entre dois grupos de alunos com a mesma idade, de 15 anos.Como os grupos são definidosO Pisa não classifica os estudantes pela renda familiar. A OCDE usa o índice ESCS, que combina a escolaridade e a ocupação dos pais ou responsáveis com os recursos disponíveis em casa, como livros, espaço para estudar e acesso à internet. Quando o relatório fala nos 25% mais ricos e nos 25% mais pobres, compara quartos dessa escala composta, e não faixas de salário.A prova foi aplicada a cerca de 760 mil estudantes de 15 anos matriculados em escolas de 91 países e economias. No Brasil, participaram 30.140 alunos; 72,4% deles estudavam em escolas estaduais e 84,7% estavam na 1ª ou na 2ª série do ensino médio, segundo o Poder360. São dados finais, publicados no relatório do ciclo 2025, e não estimativas preliminares.Como ler o númeroEm ciências, os 409 pontos do Brasil são o maior resultado da série apresentada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), ainda que a Folha aponte que o valor fica próximo ao de 2015, de 401 pontos, sem variação significativa na última década. Três cuidados ajudam a interpretar a diferença entre os grupos:ao comparar manchetes, confira qual média da OCDE está em uso: 482 pontos, dos 38 países membros, ou 486, a média comparável das tendências históricas, calculada com 23 países desde 2000;"ricos" e "pobres" são quartos do índice ESCS, e médias nacionais escondem diferenças entre estados e redes de ensino;os relatórios completos estão abertos ao público na OCDE e nos dados brasileiros apresentados pelo Inep.

PCPaula Cardoso
education

Pisa 2025: 72% dos alunos de 15 anos não dominam o básico em matemática

Sete em cada dez estudantes brasileiros de 15 anos, o equivalente a 72%, ficaram abaixo do nível 2 em matemática no Pisa 2025, o patamar mínimo que a avaliação considera satisfatório. Os resultados foram divulgados na terça-feira (8). A edição avaliou mais de 760 mil jovens de 15 anos em 91 países e regiões, entre eles mais de 30 mil brasileiros, segundo a Folha de S.Paulo.Na prática, pelos exemplos citados pelo G1, um aluno nessa situação não consegue fazer uma multiplicação para converter moedas, como dizer quantos reais equivalem a 2 dólares sabendo que 1 dólar vale R$ 5,13, nem comparar as distâncias percorridas por um carro em dois caminhos diferentes. O nível 2 é definido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) como a base necessária para a participação plena na sociedade. Entre os países da organização, 35% dos estudantes ficam abaixo dele em matemática, menos da metade da proporção brasileira.E a maior parte dos que não atingem o mínimo está no fundo da escala. Segundo o G1, 44% dos brasileiros ficam abaixo até do nível 1a, a faixa de desempenho muito baixo, e outros 28% param no nível 1a. No topo, o quadro se inverte: praticamente nenhum estudante do país alcança os níveis 5 ou 6, os mais altos do Pisa, onde estão 8% dos alunos na média da OCDE.Estável há dez anosA média do Brasil em matemática ficou em 377 pontos, exatamente a mesma de dez anos atrás, segundo a Folha. Entre 2022 e 2025, a nota caiu 2 pontos, variação que pode estar dentro da margem de erro amostral e que, pela metodologia do Pisa, não permite afirmar que houve mudança real no desempenho. Entre os 38 países que hoje compõem a OCDE, a média foi de 463 pontos, e o grupo registrou o pior resultado da história da avaliação nas três áreas, com queda acentuada em matemática após 2018. A edição de 2025 incluiu ainda, pela primeira vez, uma prova de resolução de problemas computacionais, na qual o Brasil somou 406 pontos, perto de Jordânia e Argentina e quase 100 abaixo da média da OCDE, de 500, segundo o G1.As explicações de especialistasSobre as causas, a prova não mede nada. As explicações para o resultado vêm de pesquisadores. Para Ernesto Martins, do centro de pesquisas Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), a dificuldade em matemática é compartilhada por toda a América do Sul: dos oito países da região com dados na edição de 2025, nenhum chega perto da média da OCDE, e o Brasil, com 377 pontos, está à frente apenas de Argentina, Equador e Paraguai, com o Uruguai, o melhor colocado, em 405. Uma das razões, na avaliação dele, está na formação de quem ensina."Há uma necessidade de se ampliar o repertório matemático dos docentes. Temos cursos que muitas vezes atraem candidatos com formação básica mais frágil e que, durante a graduação, nem sempre conseguem compensar essas lacunas e preparar suficientemente o futuro professor para a prática de sala de aula", disse Martins ao G1.Do lado de quem aprende, as lacunas se acumulam ano após ano."Matemática tem uma progressão particularmente dependente das aprendizagens anteriores. Uma criança que não consolida sentido de número, operações, frações e proporcionalidade chega aos anos finais com lacunas que dificultam álgebra, geometria e resolução de problemas. O professor dos anos finais passa então a ensinar conteúdos mais complexos para alunos que ainda não dominam conhecimentos fundamentais", diz.Para famílias e escolas, a leitura prática dos dados está nessa progressão: as lacunas que travam o adolescente se formam nos anos iniciais, em bases como sentido de número, operações, frações e proporcionalidade. Identificar e corrigir essas dificuldades cedo, e ampliar o repertório matemático dos professores, é o caminho que o pesquisador aponta para tirar o país do fundo da escala do Pisa.

PCPaula Cardoso
covid-19

Fiocruz testará em humanos a primeira vacina de mRNA 100% brasileira

A Anvisa autorizou, em 20 de agosto, o início dos estudos clínicos da primeira vacina de RNA mensageiro (mRNA) desenvolvida de ponta a ponta no Brasil. O imunizante, contra a covid-19, é do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e se torna o primeiro produto com essa tecnologia nacional a chegar a testes em pessoas, segundo a agência reguladora e a própria fundação.O estudo autorizado é de Fase 1, a primeira etapa de testes em humanos. Ele vai medir a segurança e a imunogenicidade do imunizante aplicado como dose de reforço em adultos saudáveis de 18 a 59 anos, em três dosagens: 25, 50 e 100 microgramas. Segundo o registro do protocolo na base ClinicalTrials.gov, sob o número NCT07640308, a pesquisa é aberta, multicêntrica, não randomizada e sem grupo de comparação, o que significa que participantes e pesquisadores sabem qual vacina está sendo aplicada. Cada voluntário será acompanhado por um ano. O recrutamento está previsto para começar no primeiro trimestre de 2027, ainda sujeito à aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.Antes dessa etapa, a vacina passou pelo estágio pré-clínico, que, segundo a Fiocruz, mostrou eficácia na proteção contra a doença, além de testes toxicológicos e de escalonamento. O que é novo para o país está na origem da tecnologia. O g1 reporta que a nanopartícula lipídica que protege o RNA e a estrutura genética do imunizante foram desenvolvidas no Brasil, sem importação ou licenciamento de laboratórios estrangeiros. A Fiocruz afirma que sua planta piloto é a primeira da América Latina com certificação de Boas Práticas de Fabricação e que é o primeiro parceiro do programa global de transferência dessa tecnologia da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo de Patentes de Medicamentos a levar um produto a estudos clínicos. O projeto recebeu R$ 77 milhões do Ministério da Saúde, além de financiamento do BNDES e da Opas.Convém separar o que está confirmado do que ainda é preliminar. Confirmado: a autorização para testar, o desenho do estudo e o domínio nacional da plataforma, com planta certificada e financiamento público. Pendente: tudo que depende dos resultados, porque a Fase 1 serve para checar segurança e resposta imune, não para medir proteção contra a doença, e o registro para uso no país só pode ser solicitado ao fim das fases clínicas. "A consolidação dessa plataforma amplia a capacidade nacional de responder a emergências sanitárias, reduz a dependência de tecnologias externas e cria uma base para o desenvolvimento de novos produtos voltados a diferentes desafios do Sistema Único de Saúde (SUS)", afirmou o presidente da Fiocruz, Mario Moreira. O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, classificou o estudo como "uma demonstração concreta do compromisso do Brasil com a proteção à saúde e com o desenvolvimento da ciência"."Isso é um grande marco para o Brasil, para que a gente se posicione como líder da biotecnologia na América Latina nessa área. É um marco para a soberania do país e para a pesquisa brasileira."Além da covid-19A frase é de Patrícia Neves, pesquisadora da Fiocruz e uma das responsáveis pelo desenvolvimento da vacina, em entrevista ao g1. Neves, que lidera o projeto de RNA em Bio-Manguinhos, resume o alcance da plataforma: "O potencial é enorme. Teremos a primeira vacina para Covid-19, mas já estamos com estudos em andamento para outras, contra leishmaniose e tuberculose, por exemplo, e sabemos que é possível produzir terapias voltadas a doenças como o câncer", disse em nota da Fiocruz. O g1 lista outras frentes nacionais em estágio inicial: uma vacina contra câncer baseada em antígenos tumorais, um tratamento com mRNA que, em animais, fez células tumorais produzirem uma proteína capaz de induzir a própria morte do tumor, reduzindo seu volume em até 85%, e um projeto de versão do CAR-T que dispensaria a retirada e a modificação das células do paciente fora do corpo. Todas essas frentes seguem, por ora, em laboratórios e modelos animais, sem data para testes em humanos.O que muda para o leitorPor enquanto, nada. A vacina não existe como produto: não está aprovada, não está à venda nem disponível no SUS, e só chegará ao mercado se superar as próximas fases clínicas. As doses de reforço contra covid-19 do calendário do Programa Nacional de Imunizações continuam sendo os imunizantes já registrados pela Anvisa. Quem quiser acompanhar o estudo ou se candidatar a voluntário deve aguardar o chamamento oficial da Fiocruz, previsto para 2027, e seguir apenas os canais da instituição: a seleção de participantes em pesquisa clínica é feita sem custo, e qualquer cobrança por vaga é golpe.

PCPaula Cardoso
Economy

'Imposto do pecado' sobre cigarros, bebidas e refrigerantes entra no Orçamento de 2027

O governo federal incluiu o imposto seletivo, apelidado de "imposto do pecado", no projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, entregue ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31). O tributo vai incidir sobre cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes, entre outros produtos, e a equipe econômica estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com ele no próximo ano, segundo o G1.A lista de alvos é mais ampla que o trio ligado à saúde. Também entram veículos taxados conforme o nível de poluição, a extração de bens minerais, loterias, apostas e jogos de fantasy sports. Segundo o Ministério da Fazenda, a carga tributária sobre esses produtos será mantida em um período de transição sem prazo definido e, só depois, aumentada "pelo seu efeito regulatório de reduzir o consumo de produtos danosos à saúde e ao meio ambiente". Para valer de fato, o imposto depende de regulamentação pelo Congresso, e a proposta do governo ainda não foi enviada. Alíquotas e cronograma seguem em aberto.Os custos de saúde por trás do cálculoOs números reunidos pelo governo apontam custos sanitários bem maiores que a arrecadação esperada. Levantamento da Fiocruz citado pelo Ministério da Saúde aponta que o consumo de álcool custou R$ 18,8 bilhões em 2019, o dado mais recente disponível: R$ 1,1 bilhão em custos federais diretos com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no SUS, e R$ 17,7 bilhões em perda de produtividade por mortalidade precoce e afastamentos do trabalho. No tabagismo, o ministério calcula custo indireto de R$ 86,3 bilhões por ano e gasto total de R$ 153,5 bilhões, o equivalente a 1,6% do PIB, contra cerca de R$ 8 bilhões arrecadados por ano com a venda de cigarros. Para bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes, isotônicos e refrescos, o custo estimado do SUS chega a quase R$ 3 bilhões ao ano.Reforma de 2023 e resistência do setorO imposto seletivo é um dos três tributos previstos na reforma tributária sobre o consumo, aprovada pelo Congresso em 2023, ao lado da CBS federal e do IBS de estados e municípios. A CBS, que substitui PIS e Cofins e parte do IPI, deve arrecadar R$ 636 bilhões em 2027. Segundo a InfoMoney, o projeto que contém o imposto do pecado projeta ainda superávit primário de R$ 18,6 bilhões no ano que vem, o primeiro resultado positivo das contas federais em cinco anos. Levantamento da Tax Foundation citado pelo G1 indica que a tributação total sobre o consumo no Brasil, já com o novo sistema, ficará em torno de 28% em 2033, acima da média de 19,4% dos países da OCDE.Produtores nacionais divergem do diagnóstico. O setor afirma que os produtos já têm taxação alta no Brasil e avalia que um aumento dos impostos vai pressionar margens de lucro, com possível repasse a preços, demissões e estímulo ao mercado ilegal.Para o consumidor, nada muda nas prateleiras por enquanto. O tributo só passa a valer se o Congresso aprovar a regulamentação, ainda não enviada ao Legislativo, e o próprio governo promete manter a carga atual durante a transição, sem prazo definido. Quem quiser acompanhar pode seguir a tramitação da regulamentação no Congresso; e, para quem considera reduzir o consumo de cigarros, bebidas alcoólicas ou refrigerantes, os números de custo em saúde citados pelo Ministério da Saúde mostram a dimensão do risco associado a esses produtos, independentemente do destino do imposto.

PCPaula Cardoso
Elections

Ministra do TSE suspende propaganda de Lula que chamava Flávio de 'funcionário fantasma'

A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Estela Aranha suspendeu, neste domingo (30), a propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que apresentava um "currículo" do senador Flávio Bolsonaro (PL) e o chamava de "funcionário fantasma". A medida é uma liminar, concedida em ação movida pelo próprio Flávio no sábado (29), e vale até o julgamento do mérito pelo plenário da corte.Intitulada "Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro", a peça foi ao ar pela primeira vez no sábado, no primeiro programa eleitoral de Lula na televisão. Segundo a CNN Brasil, ela afirma que o senador teria sido "funcionário fantasma" na carreira de servidor público, "denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da rachadinha" e "flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões no escândalo do Banco Master". O G1 acrescenta que o material cita a relação de Flávio com o miliciano Adriano da Nóbrega e o pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes bilionárias no Banco Master, para financiar o filme "Dark Horse". Flávio é o principal adversário de Lula na disputa presidencial de 2026, segundo o G1.O que está decidido e o que ainda é preliminarHá um ponto confirmado e um ponto em aberto, e a distinção importa. Confirmado: Lula e a coligação ficam proibidos de divulgar a propaganda até o julgamento do caso, e o TSE mandou comunicar a decisão de imediato ao pool de emissoras que transmitem o horário eleitoral. Em aberto: trata-se de decisão preliminar, e o processo segue tramitação. Pela CNN Brasil, Flávio também pediu direito de resposta, e a ministra abriu prazo de 24 horas para ele apresentar o texto que pretende veicular; depois disso, a campanha de Lula será citada para se defender e o caso seguirá para parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral, antes de o pleno julgar.Nos fundamentos, Aranha escreveu que a peça "extrapola os limites da crítica política admissível" e constrói uma narrativa de envolvimento de Flávio com organizações criminosas "sem indicação de qualquer dado concreto, investigação formal ou imputação jurídica que ampare as alegações". No ponto da rachadinha, o esquema de repasse de salários investigado em sua antiga assessoria legislativa, a ministra avaliou que a propaganda parte de um fato verdadeiro, a denúncia contra o senador, mas omite que ela foi arquivada e que não houve condenação, o que classificou como "grave descontextualização"."A propaganda não se limita à manifestação crítica acerca da trajetória pública do candidato. Ao contrário, apresenta ao eleitorado um suposto 'currículo' do representante, elaborado com aparência documental e associado à narração das imputações veiculadas. A potencialidade lesiva não decorre apenas das frases isoladamente consideradas, mas da interação entre texto, imagem e contexto comunicacional da propaganda."Para o eleitor, o caso deixa uma orientação prática. A suspensão é provisória: o material pode voltar ao ar se o plenário do TSE decidir de forma diferente. As decisões da corte são publicadas e podem ser acompanhadas no site do tribunal, e qualquer acusação que circule em propaganda de campanha, nesta ou em outra peça, merece checagem na fonte original antes de ser compartilhada.

PCPaula Cardoso
public-health

Repasses federais a comunidades terapêuticas sobem 437% sem dados de eficácia, diz relatório

Os repasses federais às comunidades terapêuticas, instituições privadas que tratam dependência de álcool e outras drogas com base em abstinência e longas internações, saltaram de R$ 6,2 milhões no primeiro semestre de 2024 para R$ 33,3 milhões no mesmo período de 2026, uma alta de 437%. O levantamento é do Desinstitute, organização dedicada a direitos humanos e saúde mental, e foi reportado pela Folha de S.Paulo. Segundo o relatório, o crescimento ocorre sem indicadores públicos que mostrem se o modelo funciona.O estudo usou dados abertos do Portal da Transparência, extraídos em 1º de julho de 2026, e cobriu 165 instituições com 4.555 vagas custeadas pelo governo federal. Entre os indicadores que não são públicos estão taxa de ocupação, reinternações, encaminhamentos à rede de saúde e mortes ocorridas dentro das unidades. Vale a ressalva: a lacuna impede tanto confirmar quanto descartar a eficácia do modelo, porque simplesmente não existe avaliação oficial de resultados. Para os autores do relatório, o problema é justamente pagar sem medir."O governo tem remunerado, na prática, a disponibilidade de vagas, e não resultados assistenciais comprovados", disse à Folha o psicólogo Lúcio Costa, diretor-executivo do Desinstitute. Na avaliação dele, a ausência de critérios de eficácia deveria impedir a expansão das vagas e a própria continuidade dos repasses.O que os números não capturam aparece em relatos individuais. Eduardo Real, 39, passou por 14 internações em comunidades terapêuticas ao longo de 15 anos, num ciclo entre o uso de crack e a situação de rua. Ele relata à Folha ter sofrido espancamentos, trabalho forçado, homofobia e racismo religioso contra sua fé no candomblé. Desde 2020 é acompanhado por um Caps (Centro de Atenção Psicossocial) em regime de redução de danos e está há sete anos sem usar drogas e sem internações. Hoje é mestrando em saúde pública na USP e ajudou a fundar, em 2022, o Movimento Nacional de Vítimas de Comunidade Terapêutica. São testemunhos pessoais, sem amostragem representativa, mas convergem com achados de fiscalizações anteriores.Em levantamento divulgado em junho de 2025, o próprio Desinstitute analisou 251 reportagens publicadas ao longo de 2023 e catalogou denúncias que vão de cárcere privado e falsificação de receitas médicas a trabalho análogo à escravidão, medicação sem consentimento e internações compulsórias sem laudo médico ou ordem judicial. Inspeções do MNPCT (Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura) já flagraram quartos com trancas externas e pedaços de madeira barrando portas em uma comunidade terapêutica de Guarulhos (SP), como mostram imagens reproduzidas pela Folha.Onde buscar ajudaPara quem procura tratamento, a rede pública oferece os Caps e os Caps AD, voltados a álcool e outras drogas, com atendimento ambulatorial e gratuito pelo SUS. O endereço da unidade mais próxima pode ser consultado na secretaria municipal de saúde. Denúncias de maus-tratos, cárcere privado ou trabalho forçado em comunidades terapêuticas podem ser registradas pelo Disque 100, serviço federal de proteção de direitos humanos, ou diretamente ao Ministério Público estadual.

PCPaula Cardoso
cancer

CAR-T humanizada brasileira avança em fase pré-clínica e pode baratear terapia no SUS

Pesquisadores do Instituto Nacional de Câncer (INCA), em parceria com a Fiocruz e a Universidade de Brasília (UnB), desenvolveram duas versões humanizadas da terapia CAR-T e as validaram em testes de laboratório e em camundongos, segundo estudo publicado na revista Frontiers in Immunology. A proposta é abrir caminho para produzir no Brasil, com custo menor, um dos tratamentos mais avançados contra o câncer, hoje disponível apenas na rede privada por valores entre R$ 2 milhões e R$ 2,7 milhões por paciente.Os resultados divulgados até agora são pré-clínicos, ou seja, a tecnologia ainda não foi testada em seres humanos. Esse é o ponto que separa o que já está comprovado do que ainda é promessa, e os próprios pesquisadores fazem essa ressalva no artigo que publicaram no G1.O que os testes mostraramNos ensaios de laboratório, as duas versões, batizadas de H1 e H2, eliminaram células cancerosas com a mesma eficiência da terapia original, mesmo quando a proteína CD19, alvo do ataque ao tumor, estava presente em quantidade reduzida na superfície das células doentes. Os pesquisadores também observaram a formação de células de memória, essenciais para que o efeito do tratamento dure mais tempo no organismo.Nos experimentos com camundongos, a versão H1 controlou o câncer de forma duradoura e manteve os animais vivos por tempo comparável ao da terapia convencional. Já a H2 mostrou ligação mais fraca ao CD19 e sinais de esgotamento das células de defesa. Por isso, a H1 foi escolhida como a candidata a avançar para ensaios clínicos em humanos.A terapia CAR-T é considerada o quinto pilar do tratamento oncológico. Nela, células de defesa do próprio paciente são coletadas, reprogramadas geneticamente para reconhecer o tumor e devolvidas ao corpo. O impacto já foi medido em pacientes: antes do CAR-T, portadores de linfoma difuso de grandes células B refratário tinham taxa de resposta de 26%, com 7% de remissão completa e sobrevida mediana de seis meses, segundo o maior levantamento internacional sobre o tema. Um estudo publicado neste ano na Blood Advances mostrou que, após o CAR-T, a sobrevida global em três anos passou de 10% para 59%, e a sobrevida livre de progressão, de 6% para 48%.Por que a versão brasileira pode custar menosDuas barreiras encarecem a terapia: os vetores virais usados na produção e a proteína de reconhecimento, derivada de um anticorpo de camundongo. A equipe brasileira substituiu o vetor viral por um sistema não-viral e modificou a molécula para torná-la mais parecida com uma proteína humana, o que reduz o risco de o sistema imune do paciente rejeitar as células modificadas. Segundo reportagem do jornal A TARDE, a pesquisa contou com apoio de Decit-CNPq, FAPDF, Capes, Faperj e do programa Inova Fiocruz.Na prática, nada muda de imediato para o paciente. A oferta da terapia no SUS depende de etapas que ainda virão: ensaios clínicos em humanos, registro na Anvisa e avaliação da Conitec, comissão que decide o que o sistema público incorpora. Quem convive com leucemias ou linfomas deve conversar com o oncologista sobre as opções já aprovadas no Brasil e sobre a possibilidade de participar de pesquisas clínicas com CAR-T em andamento no país.

PCPaula Cardoso
medicine

TCU vai fiscalizar abertura de cursos e vagas de Medicina após Enamed

O Tribunal de Contas da União (TCU) vai fiscalizar os processos de autorização de novos cursos de graduação em Medicina e de ampliação de vagas nos cursos já existentes no país. Os alvos da apuração são o Ministério da Educação (MEC) e o Inep, órgãos responsáveis por regular, supervisionar e avaliar essas instituições. A fiscalização foi pedida pelo Senado depois do resultado da primeira edição do Enamed, exame nacional de avaliação da formação médica, segundo informações publicadas pelo G1.O pedido tramitou na Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, que o aprovou em abril, conforme registra a Agência Senado. A proposta, de autoria do senador Dr. Hiran (PP-RR) com parecer favorável do senador Marcos Pontes (PL-SP), prevê que o TCU examine os processos analisados pelo MEC desde 2018. A auditoria deve avaliar a infraestrutura clínica e a qualificação do corpo docente das instituições, a oferta de vagas de residência médica e a capacidade financeira das mantenedoras em relação ao número de cursos e vagas autorizados. Também estão previstas inspeções em instituições de diferentes regiões, incluindo cursos autorizados por liminar, e a realização de audiências públicas.O resultado do Enamed ajuda a explicar a dimensão do problema. Dos 351 cursos avaliados, 107 receberam notas 1 ou 2, níveis considerados insatisfatórios e passíveis de sanção. São cerca de 30% do total. Pelas regras do MEC, oito faculdades ficaram impedidas de receber novos alunos, 13 terão que reduzir as vagas pela metade, 33 devem cortar 25% das vagas e outras 45 estão proibidas de ampliar turmas. Todas ficam suspensas do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e de outros programas federais.Disputa judicial e ressalvas sobre o exameHá ressalvas importantes sobre os números. Por ser a primeira edição do Enamed, entidades da rede privada de ensino superior, entre elas a Abmes e a Abrafi, questionam o processo na Justiça. Elas alegam falta de transparência, já que os critérios da avaliação só foram divulgados depois da aplicação da prova. No início de agosto, a presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, desembargadora Maria do Carmo Cardoso, concedeu liminar suspendendo as punições. Na quarta-feira (19), porém, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) derrubou a decisão e restabeleceu as sanções do MEC, que voltam a valer enquanto o mérito não é julgado.Para quem estuda Medicina ou pretende prestar vestibular, os efeitos práticos são limitados por enquanto. As sanções atingem as instituições, não os alunos já matriculados, e diplomas de cursos punidos continuam válidos. O que o estudante pode fazer é consultar a nota do próprio curso no Enamed e verificar se a faculdade está entre as sancionadas, informação divulgada pelo MEC e pelo Inep, principalmente antes de assumir um financiamento pelo Fies. A auditoria do TCU, por sua vez, não tem prazo divulgado e deve indicar se as regras de abertura de cursos precisam ser revistas, o que pode mudar o cenário das próximas turmas.

PCPaula Cardoso
Flavio Bolsonaro

Pesquisa Real Time em Minas: Lula tem 46% e Flávio Bolsonaro, 44% no 2º turno

Duas pesquisas do instituto Real Time Big Data divulgadas nesta semana mostram retratos distintos da disputa presidencial em Minas Gerais e no Paraná. Em Minas, o presidente Lula (PT) tem 46% das intenções de voto contra 44% do senador Flávio Bolsonaro (PL) em eventual segundo turno, diferença dentro da margem de erro, segundo o Estado de Minas. No Paraná, Flávio lidera o primeiro turno com 44% contra 30% de Lula, de acordo com o R7.No cenário de segundo turno em Minas, 6% dos entrevistados disseram que votariam em branco ou nulo, e 4% não souberam ou não responderam. No primeiro turno, Lula aparece à frente com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 34%. O ex-governador Romeu Zema (Novo) registra 9%, Renan Santos (Missão) tem 5% e Pablo Marçal (PRTB), 4%. Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) aparecem com 2% cada. A pesquisa ouviu 2 mil eleitores entre 22 e 26 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, sob o registro BR-03147/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pela leitura estatística, a vantagem de dois pontos de Lula no segundo turno configura empate técnico: qualquer um dos dois pode estar numericamente à frente.No Paraná, vantagem larga de FlávioO levantamento no Paraná, divulgado nesta sexta-feira (28), mostra Flávio Bolsonaro com 44% no cenário estimulado do primeiro turno, quando os nomes dos candidatos são apresentados. Lula tem 30%, e Renan Santos, Pablo Marçal e Ronaldo Caiado aparecem empatados com 4% cada. Zema registra 2% e Augusto Cury, 1%. Na pesquisa espontânea, sem lista de nomes, Flávio tem 25% e Lula, 22%, em empate técnico, com 35% de indecisos. No segundo turno projetado, o senador teria 52% contra 34% do presidente. O instituto ouviu 1.600 eleitores entre 24 e 27 de agosto, com margem de dois pontos e registro BR-07171/2026 no TSE.Os números do Real Time divergem em parte dos da Quaest, que mediu os mesmos estados nesta semana a pedido da Globo e de emissoras afiliadas, segundo o G1. A Quaest aponta empate técnico em Minas já no primeiro turno (Flávio com 31% e Lula com 30%, contra o 39% a 34% do Real Time) e vantagem de Flávio no Paraná por 41% a 23%. As diferenças refletem metodologias e períodos de campo distintos. Um ponto comum aos dois institutos é o índice elevado de indecisos: pela Quaest, 17% dos eleitores de Minas e do Paraná ainda não sabem em quem votar, parcela que pode mudar de lado até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e o segundo, em 25 de outubro.Pesquisas eleitorais retratam o momento em que as entrevistas foram feitas, e o leitor pode conferir três pontos antes de interpretar qualquer número: a margem de erro (dois pontos nestes levantamentos, o que torna pequenas diferenças estatisticamente neutras), o período de campo e o registro da pesquisa no TSE, consultável no site do tribunal pelo número de protocolo. Com o início da propaganda gratuita na TV e no rádio nesta sexta-feira (28), os institutos devem atualizar os cenários nas próximas semanas.

PCPaula Cardoso
health

Estudo mapeia proteínas do cérebro e aponta caminho para tratar formas graves de autismo

Um estudo publicado nesta quinta-feira (27) na revista Science descreve como mutações genéticas associadas a formas graves de autismo alteram a forma como as proteínas interagem nas células do cérebro em desenvolvimento. O trabalho, conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), produziu o que os autores apresentam como o maior mapa molecular do autismo já feito e abre caminho para testar medicamentos contra a condição, segundo reportagens da Folha de S.Paulo, em parceria com o The New York Times, e da publicação especializada Genetic Engineering and Biotechnology News (GEN).A equipe, liderada pelo Quantitative Biosciences Institute (QBI) e pelo departamento de psiquiatria da UCSF, mapeou as proteínas codificadas por 100 genes ligados ao autismo e identificou mais de 1.800 interações entre elas, das quais 87% não haviam sido descritas antes. Os pesquisadores analisaram ainda 54 mutações encontradas em pacientes e cruzaram esses dados com modelos estruturais do AlphaFold e com experimentos em organoides de cérebro humano e em embriões de Xenopus, um sapo usado em pesquisa. Com isso, conseguiram apontar exatamente onde cada mutação quebra as conexões entre proteínas.O achado central do estudo é a convergência: mutações em genes diferentes podem desorganizar o mesmo complexo de proteínas. Em um exemplo citado no trabalho, mutações nos genes FOXP1 e FOXP2 perturbam a mesma interação entre as proteínas FOXP1 e FOXP4, o que acelera o amadurecimento de neurônios do córtex e aumenta a excitabilidade dos circuitos neurais nos organoides. A implicação prática é que, no futuro, um único remédio poderia tratar várias formas genéticas distintas de autismo, em vez de exigir uma terapia diferente para cada mutação.O resultado interessa sobretudo ao chamado autismo profundo. Em cerca de 30% das pessoas com autismo, aquelas com as deficiências mais severas, os cientistas já identificaram mutações raras em um único gene que provavelmente estão associadas ao transtorno. "Este estudo mapeia a maquinaria molecular exata que está alterada, incluindo as interações específicas entre proteínas, até as interfaces que podemos atingir com um medicamento", disse à GEN Nevan Krogan, diretor do QBI e pesquisador do Gladstone Institutes. Matthew State, chefe do departamento de psiquiatria da UCSF e autor sênior do estudo, afirmou que o trabalho "abre um novo mundo de possibilidades de alvos terapêuticos".O que é dado confirmado e o que ainda é hipóteseÉ importante separar os dois planos. O que o estudo entrega de forma sólida é o mapa em si: as interações entre proteínas e os pontos exatos em que as mutações as rompem, observados em laboratório. O que permanece preliminar é a promessa terapêutica. Nenhum medicamento foi testado em pacientes a partir desses resultados, e organoides cultivados em laboratório reproduzem apenas parte do funcionamento de um cérebro. Dan Geschwind, neurogeneticista da UCLA que não participou do trabalho, resumiu o estágio atual à Folha: "Isso equivale a mapear territórios desconhecidos, o que é realmente necessário para fazer a biologia avançar."Para as famílias brasileiras, a recomendação prática não muda. O cuidado hoje disponível continua sendo o diagnóstico precoce e intervenções com evidência científica, como terapias comportamentais, fonoaudiológicas e ocupacionais, além do acompanhamento regular. Resultados como os deste estudo indicam um caminho de pesquisa promissor, reforçado por um financiamento de US$ 46 milhões que o QBI recebeu da iniciativa Aligning Research to Impact Autism (ARIA) para transformar o mapa em moléculas candidatas a remédio, mas qualquer tratamento concreto ainda está a anos de distância. Até lá, a cautela vale também para terapias sem comprovação que prometem cura do autismo: nenhuma droga aprovada hoje trata as causas genéticas da condição.

PCPaula Cardoso
justice

TRF-4 decide pela perda do cargo de ex-juiz da Lava Jato suspeito de furtar champanhe

A Corte Especial Administrativa do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) decidiu na quinta-feira (27) punir o juiz federal Eduardo Appio com a perda do cargo e com cinco anos de disponibilidade, após uma investigação sobre a suspeita de furto de três garrafas de champanhe em um supermercado de Blumenau (SC). A decisão, tomada por 15 votos a 2 segundo o G1, ainda precisa ser analisada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que pode confirmar ou reverter a perda do cargo.O que está confirmadoSegundo a apuração da Folha de S.Paulo, Appio é suspeito de levar três garrafas de champanhe Moët & Chandon, vendidas a R$ 399 cada (cerca de R$ 1.200 no total), da rede Giassi Supermercados, em episódios registrados em 20 de setembro e em 4 e 18 de outubro de 2025. Imagens de câmeras do mercado, descritas pelo G1, mostram o juiz colocando uma garrafa em uma sacola e passando pelo caixa sem pagá-la; em um dos registros, ele é abordado por seguranças no estacionamento. A polícia chegou ao nome do magistrado pela placa do carro usado para deixar o local.A Polícia Civil de Santa Catarina comunicou o caso ao tribunal em 23 de outubro. Uma semana depois, o TRF-4 afastou Appio temporariamente e determinou sigilo na apuração. Em novembro, os desembargadores abriram processo disciplinar e levantaram o sigilo. Na decisão desta quinta-feira, a corte afirma que a conduta atribuída ao juiz contraria o dever de comportamento irrepreensível também na vida particular e é incompatível com a dignidade esperada de um magistrado.O que ainda está em abertoHá um ponto divergente entre as fontes. O G1 informa que a disponibilidade foi decretada sem direito a salário, enquanto a Folha afirma que Appio receberá remuneração proporcional ao tempo de serviço durante os cinco anos. Os dois veículos concordam que a medida pode terminar antes se a perda do cargo for confirmada. Em nota, Appio questionou a punição: "São 32 anos de dedicação ao serviço público honesto, sem um único dia de licença. A decisão (tomada por maioria) é injusta e desproporcional. Tenho fé em Deus e nas instituições". O advogado dele, Eduardo Maines, disse à Folha que a defesa só se manifestará no processo.Appio ganhou notoriedade nacional em 2023, quando assumiu a 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos remanescentes da Operação Lava Jato, em substituição ao ex-juiz Sergio Moro. Ele ficou pouco mais de três meses na função e foi afastado após uma representação do desembargador Marcelo Malucelli, segundo a qual o filho do desembargador recebeu uma ligação com ameaças atribuídas a Appio. O CNJ arquivou esse processo disciplinar em janeiro de 2024, depois de um acordo em que o juiz admitiu conduta imprópria, sem detalhá-la. Desde então, ele atuava em uma vara de processos previdenciários.Para quem acompanha o caso, dois caminhos importam agora. O primeiro é o CNJ, que receberá o processo e decidirá se confirma a perda do cargo, a pena mais grave prevista para magistrados. O segundo é a esfera criminal: segundo a Folha, o TRF-4 encaminhará os autos ao Ministério Público Federal e à Advocacia-Geral da União, por entender que há indícios de crime. Até lá, Appio segue afastado das funções jurisdicionais, como já estava desde outubro de 2025.

PCPaula Cardoso
brasilia

91% das mulheres do DF já sofreram violência psicológica, aponta pesquisa

Nove em cada dez mulheres do Distrito Federal (91%) já sofreram violência psicológica, e 82% relatam ter sido vítimas de violência física. Os números integram um panorama da violência contra a mulher no DF lançado pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal em parceria com a Secretaria da Mulher, segundo reportagem do G1. Os dados vêm da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto de Pesquisa DataSenado com o Observatório da Mulher contra a Violência, com coleta entre 16 de maio e 8 de julho de 2025.Entre as vítimas, 48% foram agredidas pelo companheiro, e 31% da população feminina do DF declarou ter sofrido agressão praticada por um homem, o perfil de autoria mais frequente nos relatos de violência mais grave. Sobre o momento da agressão, 51% das mulheres disseram que o agressor estava com ciúmes, e 48% afirmaram que ele estava inconformado com o término ou a tentativa de término do relacionamento. Para 73% das entrevistadas, a agressão influenciou muito o fim da relação. A antropóloga Beatriz Accioly, gerente de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra Mulheres no Instituto Natura, faz uma ressalva metodológica: o dado não autoriza dizer que o término cause violência. O que ele indica, segundo ela, é que a separação pode ser um momento crítico, em que relações de controle e posse ficam mais visíveis.O "paradoxo da proteção"O levantamento também mede o que as mulheres sabem sobre a rede de proteção, e aí aparece um contraste. No DF, 98% das mulheres conhecem ou já ouviram falar da Delegacia da Mulher, e 28% dizem conhecer a Lei Maria da Penha, proporção acima da média nacional de 21%. Quando a pergunta é sobre instrumentos concretos, porém, o cenário muda: 78% afirmam conhecer pouco ou nada sobre medidas protetivas de urgência."Isso mostra que visibilidade da rede e capacidade de navegar pela rede não são a mesma coisa", disse Accioly ao G1. "Se ela não sabe que uma medida protetiva existe, essa possibilidade sequer entra no conjunto de alternativas que ela consegue considerar diante da violência."Rafaela Mitre, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública do DF, afirma que o resultado é compatível com o que a instituição vê nos atendimentos. Segundo ela, muitas mulheres chegam sem conhecer as medidas protetivas e acreditam que precisam necessariamente registrar boletim de ocorrência ou contratar um advogado para pedi-las. O risco, diz Mitre, é a vítima permanecer em situação de violência por achar que não há saída, ou não reconhecer que controle, perseguição, ameaça e violência psicológica também podem motivar proteção judicial.Há limites na interpretação dos dados. A pesquisa registra experiências autorrelatadas e, como pondera Accioly, não foi desenhada para explicar individualmente por que uma mulher permanece em uma relação violenta: romper envolve risco, vínculos afetivos e familiares, filhos, moradia e renda. Permanecer na relação, portanto, não deve ser lido como desconhecimento de direitos.Onde pedir ajudaMedidas protetivas de urgência são decisões judiciais previstas na Lei Maria da Penha que podem, por exemplo, afastar o agressor do lar e proibir que ele se aproxime da vítima. O pedido pode ser feito em qualquer delegacia, inclusive nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, ou diretamente à Justiça com apoio da Defensoria Pública, sem exigência de advogado particular nem de boletim de ocorrência prévio, como esclarece a Defensoria do DF. Em situação de risco imediato, a orientação é ligar 190 (Polícia Militar). O Ligue 180, canal federal de atendimento à mulher, funciona 24 horas, é gratuito e orienta sobre direitos e serviços da rede de proteção em todo o país.

PCPaula Cardoso
public-health

SUS não liberou vacina contra pneumonia para maiores de 58 anos, alerta Saúde

Mensagens falsas disseminadas em redes sociais levaram moradores a procurar unidades de saúde em busca da vacina Pneumo 23, sob a alegação inverídica de que o imunizante estaria liberado para qualquer pessoa com mais de 58 anos no Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo esclareceu que não houve alteração nas diretrizes nacionais e que a vacina permanece restrita a grupos prioritários definidos por critérios clínicos rígidos.O boato gerou dúvidas e sobrecarga no atendimento de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) na capital paulista, onde usuários relataram frustração ao não encontrar doses disponíveis para aplicação irrestrita. As autoridades sanitárias reforçam que a vacina pneumocócica 23-valente não é distribuída para a população geral apenas com base na idade adulta.Critérios de elegibilidade e prescriçãoSegundo os protocolos vigentes do Programa Nacional de Imunizações, a Pneumo 23 é indicada exclusivamente para dois públicos: pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência, como casas de repouso, e indivíduos a partir de 2 anos de idade portadores de condições clínicas especiais, como imunodeficiências, pneumopatias graves ou cardiopatias crônicas.Conforme explicou a enfermeira Simone Garcia, do Programa Municipal de Imunizações de São Paulo, o acesso às doses exige encaminhamento profissional. Usuários atendidos nas UBSs ou nos Centros de Referência de Imunobiológicos Especiais (Cries) precisam apresentar relatório médico justificando a necessidade clínica da vacina Pneumo 13 ou Pneumo 23, que então é avaliado pelas equipes técnicas.No calendário infantil de rotina, a imunização contra a bactéria pneumococo segue um esquema próprio: aplicação da Pneumo 20 aos 2 meses de vida, Pneumo 10 aos 4 meses e dose de reforço com Pneumo 20 aos 12 meses.Pacientes com doenças crônicas elegíveis devem consultar seus médicos para obter a documentação necessária antes de se dirigirem aos postos. Cidadãos sem prescrição clínica ou fora dos grupos institucionais não precisam comparecer às unidades básicas, evitando filas desnecessárias e garantindo o fluxo adequado dos serviços de saúde.

PCPaula Cardoso
health

Cardiologia internacional redefine o infarto e classifica casos pela causa

As quatro principais sociedades de cardiologia do mundo publicaram nesta sexta-feira (28) a 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio, documento que aposenta a classificação dos casos em tipos numerados, de 1 a 5, e passa a agrupá-los conforme o mecanismo que provocou a lesão no coração. O texto saiu no periódico European Heart Journal e foi apresentado no congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) 2026, em Munique, na Alemanha. Um dos recados centrais da revisão é direto: um exame de sangue com troponina alterada, sozinho, não fecha o diagnóstico de infarto.O documento foi elaborado em conjunto pela ESC, pelo American College of Cardiology (ACC), pela American Heart Association (AHA) e pela World Heart Federation (WHF), com especialistas de 12 países e cinco continentes, segundo o G1. De acordo com dados citados pela Veja a partir do próprio documento, a prevalência estimada de infarto é de 3,8% entre pessoas com menos de 60 anos e de 9,5% acima dessa faixa, e a doença segue entre as principais causas de morte no mundo.De cinco tipos, três gruposNa nova estrutura, o infarto primário nasce de uma alteração aguda na própria artéria coronária. A causa mais comum continua sendo a ruptura ou erosão de uma placa de aterosclerose seguida da formação de um coágulo, mas o grupo reúne também a dissecção espontânea da artéria, a embolia e o vasoespasmo. O infarto secundário ocorre quando outra doença desequilibra a relação entre o oxigênio que chega ao coração e o de que o órgão precisa, como numa anemia grave, numa queda intensa da pressão ou em certas taquicardias. Já o infarto relacionado a procedimento surge como complicação de uma intervenção cardíaca, como um cateterismo ou uma cirurgia de revascularização, numa janela de até 30 dias.É no grupo secundário que a definição aperta o critério. Segundo o G1, ter uma doença capaz de gerar o desequilíbrio e apresentar troponina alta deixou de ser suficiente: é preciso reunir evidência de isquemia e de lesão do músculo cardíaco compatíveis com infarto, de modo a separar quem de fato infartou de quem tem uma lesão no coração provocada por outro processo. A revisão também extinguiu o antigo tipo 3 e abandonou os múltiplos de troponina (cinco ou dez vezes o limite de referência) usados para classificar infartos ligados a procedimentos, que passam a depender de critérios objetivos de imagem. Para o cirurgião cardiovascular Ricardo Kazunori, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, amarrar a classificação à origem do infarto é o avanço mais direto da revisão, disse ele ao G1. Elzo Mattar, diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e professor da Famerp, lembrou os quadros graves, como o choque séptico, em que o infarto aparece como desdobramento de outra doença. A Veja destacou ainda que a dissecção espontânea da artéria coronária, incluída entre os infartos primários, afeta predominantemente mulheres e ainda é considerada subdiagnosticada.O que está confirmado e o que ainda é expectativaO que está confirmado é a publicação do novo consenso e a aposentadoria da classificação numérica. O impacto prático, porém, segue como expectativa dos autores: a esperança declarada é de diagnósticos mais consistentes entre hospitais e países, algo que só poderá ser medido com a adoção do documento. No Brasil, o tema chega em meio a um dado que preocupa: as internações por infarto em pacientes com até 39 anos mais que dobraram nos últimos 15 anos, segundo dados apresentados pela reportagem do G1. A nova definição não altera essa tendência, mas tende a tornar mais precisa a contagem dos casos reais.Para o paciente, a conduta diante dos sintomas não muda. Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio ou mal-estar súbito pedem avaliação imediata em um serviço de emergência. O que a revisão deixa claro, segundo os especialistas ouvidos pelas reportagens, é que o diagnóstico de infarto é clínico: o exame de sangue é uma peça importante, mas precisa vir acompanhado de sintomas, eletrocardiograma e, quando necessário, exames de imagem das coronárias.

PCPaula Cardoso
Politics

Plano de governo de Augusto Cury prevê semipresidencialismo e telemedicina no SUS

O escritor e psiquiatra Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um plano de governo de 200 páginas com 18 projetos estruturais, segundo o Metrópoles. O documento, protocolado em 13 de agosto, combina três reformas institucionais de grande alcance, entre elas a adoção do semipresidencialismo, com propostas setoriais na saúde e na educação, como a expansão da telemedicina no SUS e o ensino de gestão da emoção nas escolas.Reformas institucionaisNa parte institucional, o plano propõe a transição para o semipresidencialismo, modelo em que o presidente divide o governo com um primeiro-ministro. Também prevê uma reforma do Supremo Tribunal Federal (STF), com a redução da corte para nove ministros, mandato fixo de oito anos e indicação feita pelas próprias classes jurídicas (magistratura, Ministério Público e OAB), o que retiraria do presidente da República o poder de escolha, conforme o Metrópoles. O Terra, que também analisou o documento, destaca o limite de mandato no STF e a proposta de jornada de trabalho em escala 5x2. Uma terceira frente, chamada de Nova Diplomacia Econômica, elevaria o Itamaraty a um patamar semelhante ao do Departamento de Estado americano.Saúde e educaçãoNa saúde, o plano aposta na telemedicina para desafogar o SUS, com a meta de atendimento em até 30 minutos para casos básicos, e inclui uma reforma do sistema, segundo o Terra. Na educação, Cury propõe escolas de tempo integral que ensinem, além do conteúdo técnico, gestão da emoção, educação financeira e empreendedorismo, com políticas de acolhimento a alunos neurodivergentes, de acordo com o Metrópoles.Outras propostas do documento incluem formar 10 milhões de novos microempreendedores para responder ao desemprego associado à inteligência artificial e à robótica, uma linha de crédito com juros de 5% a 6% ao ano para pequenos negócios, cinco zonas francas de exportação, o uso de botões de pânico e drones para proteção de mulheres e a integração das polícias com inteligência artificial.Cury, de 67 anos, disputa um cargo público pela primeira vez e declarou R$ 242 milhões em bens ao TSE, informou o Metrópoles. Considerado o escritor brasileiro mais lido da última década, com mais de 30 milhões de livros vendidos, ele aparece com 1% das intenções de voto no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, que compila levantamentos divulgados até 21 de agosto. O candidato diz ter "uma mente capitalista e um coração social" e afirma que, se eleito, não buscará reeleição.Vale separar o confirmado do que ainda é promessa: as propostas constam do documento registrado no TSE, que é público na plataforma DivulgaCand, mas mudanças como o semipresidencialismo e a reforma do STF exigiriam emendas constitucionais aprovadas pelo Congresso. As reportagens do Terra e do Metrópoles não apontam estimativa de custos nem cronograma para a meta de telemedicina em 30 minutos. Quem quiser comparar pode ler a íntegra do plano no site do TSE e checar as propostas dos demais candidatos na mesma plataforma antes do primeiro turno, em outubro.

PCPaula Cardoso
health

Surto de bactéria multirresistente infecta 15 em hospital do RN; oito pacientes morreram

Um relatório interno do Hospital Regional Alfredo Mesquita Filho, unidade estadual em Macaíba, na região metropolitana de Natal, documentou um surto de bactérias multirresistentes entre maio e julho deste ano, com 15 pacientes infectados ou colonizados e oito mortes registradas no período. O documento pós-incidente, concluído em 11 de agosto pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) e pelo Núcleo de Segurança do Paciente, classifica o episódio como "surto de infecção relacionada à assistência à saúde por microrganismos multirresistentes", segundo reportagens do g1 e da Folha de S.Paulo.O que está confirmado pelos documentos: são 16 registros de infecção ou colonização envolvendo 15 pacientes, porque um deles aparece duas vezes na planilha, em coletas feitas em datas diferentes. As bactérias identificadas foram Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter baumannii e Klebsiella pneumoniae, espécies conhecidas por resistir a vários antibióticos em ambiente hospitalar. Os quatro primeiros casos chegaram de outras unidades, entre eles pacientes transferidos do Hospital Belarmina Monte, em São Gonçalo do Amarante, e do Hospital Lindolfo Gomes Vidal, em Santo Antônio. A primeira infecção adquirida dentro do próprio hospital data de 14 de junho, e a investigação descreve uma evolução "compatível com a ocorrência de transmissão cruzada" entre a UTI e a Clínica Médica, os dois setores afetados. Um paciente da UTI, infectado por duas das bactérias, morreu em 22 de julho. A última morte ocorreu em 28 de julho.O que ainda é preliminar: a relação entre as bactérias e os oito óbitos. O relatório fala em "cenário grave de infecções e colonizações, culminando na ocorrência de oito óbitos", mas a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) afirma que as mortes seguem em investigação e que não é possível concluir que tenham sido causadas pelos microrganismos. Em entrevista ao g1, a secretária adjunta de Saúde do RN, Leidiane Queiroz, disse: "Tive o cuidado de perguntar à equipe do hospital, e a equipe não atestou que os óbitos foram pelas bactérias". Segundo ela, a presença desses microrganismos pode agravar o quadro de pacientes já fragilizados, o que não permite, por si só, atribuir as mortes a eles.Falhas apontadas pelo relatórioO documento atribui o avanço do surto a uma combinação de falhas estruturais, operacionais e assistenciais. As rondas da CCIH e do Núcleo de Segurança do Paciente identificaram "severa fragilidade operacional e processual" na UTI e na Clínica Médica. Entre os problemas listados estão:déficit crônico de profissionais e sobrecarga de trabalho;ausência de leitos específicos para isolamento;umidade e mofo nas paredes de enfermarias, com mobiliário danificado e compartilhado;manejo inadequado de dispositivos invasivos, como sondas e cateteres;falhas na limpeza e compartilhamento de materiais entre pacientes;circulação de acompanhantes entre diferentes leitos e adesão incompleta aos protocolos de EPI.A Sesap afirma que um plano de ação foi colocado em prática em maio, quando a primeira contaminação foi identificada, e que considera a situação controlada. Procurada pelo g1, a diretora-geral do hospital, Patrícia Emannuely, informou que não se pronunciaria e que a unidade adota o posicionamento da secretaria.Vale distinguir dois termos do relatório. Segundo o infectologista Kleber Luz, ouvido pelo g1, colonização é quando a bactéria está presente no corpo sem provocar sintomas; infecção é quando ela causa alterações clínicas ou em exames. A distinção importa porque nem todo paciente colonizado adoecerá, mas todo colonizado pode transmitir o microrganismo. Para quem visita ou acompanha pacientes em qualquer hospital, as medidas que reduzem a transmissão são conhecidas: higienizar as mãos ao entrar e sair do quarto, não tocar em sondas, curativos e cateteres, respeitar o uso de luvas e aventais indicado pela equipe e evitar circular entre leitos. Fora do hospital, usar antibiótico apenas com prescrição e até o fim do tratamento prescrito ajuda a frear a seleção de bactérias resistentes.

PCPaula Cardoso
anvisa

Apreensões de canetas emagrecedoras sobem mais de 20 vezes no semestre, diz Receita

O valor das apreensões de canetas emagrecedoras irregulares feitas pela Receita Federal saltou de R$ 4 milhões para mais de R$ 80 milhões no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, um aumento superior a 20 vezes. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (27) em Brasília, durante o seminário Mercado Ilegal, promovido por O Globo, Valor Econômico, Extra e CBN, segundo a Folha de S.Paulo.Há uma ressalva importante: a Receita não informou a quantas unidades o valor corresponde. O total se refere a medicamentos sem registro ou sem autorização de comercialização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o que torna ilegal a entrada deles no país.Dados regionais ajudam a dimensionar o fenômeno. Segundo a CNN Brasil, só na fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu (PR), foram apreendidas 76.112 canetas e ampolas de semaglutida e tirzepatida no primeiro semestre, contra 24.994 em todo o ano de 2025. O recorde foi em junho, com 25.828 itens. A diferença de preço explica parte do fluxo: uma ampola de tirzepatida custa em média R$ 340 no país vizinho, enquanto o Mounjaro, versão regularizada no Brasil, é encontrado a partir de R$ 1.400.Escondidas em tênis e frascos de shampooSegundo a Receita, os medicamentos chegam escondidos em frascos de shampoo, solados de tênis e espaços vazios na carroceria de veículos, muitas vezes sem a refrigeração necessária para conservar o produto. O auditor fiscal Flávio Bernardino de Carvalho descreve um fluxo pulverizado, que mistura crime organizado e pessoas agindo sozinhas:"Vem ônibus de linha, carros, caminhão de empresas de marketplace, vem turistas. Tudo quanto é forma. Tem o crime organizado e pessoas avulsas. É muito pulverizado."Ainda segundo o auditor, ouvido pela CNN Brasil, os emagrecedores já são o segundo item em valor de apreensões na região fiscal do Paraná e de Santa Catarina, atrás apenas de celulares. A Receita também identificou expansão da oferta irregular em plataformas de marketplace. Para Erivelto Moysés Torrico Alencar, superintendente regional adjunto da 1ª Região Fiscal, a dimensão desse comércio evidencia falhas no controle das plataformas sobre vendedores e produtos anunciados.Do lado da demanda, levantamento da Serasa Experian aponta que os pedidos online de medicamentos associados ao GLP-1 cresceram 149,3% no primeiro semestre de 2026, passando de 547.249 para 1.364.354 solicitações, que somaram mais de R$ 2,3 bilhões. Um estudo do Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde da Fiocruz, publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, registrou aumento nas buscas por produtos sem registro sanitário, como TG, Tirzec, Lipoless e retatrutida. O auditor Flávio Bernardino pondera que uma eventual quebra da patente da tirzepatida no futuro poderia reduzir o interesse pelo produto paraguaio, como ocorreu com outros medicamentos, mas isso ainda é uma hipótese, não um fato confirmado.Para o consumidor, as recomendações práticas são diretas: compre esses medicamentos apenas em farmácias licenciadas e com receita médica, confira o registro do produto no site da Anvisa e desconfie de preços muito abaixo do mercado ou de venda por redes sociais e marketplaces. Produtos transportados sem refrigeração podem perder eficácia e oferecer risco à saúde. Vale lembrar que o contrabando de medicamentos é crime contra a saúde pública, previsto no artigo 273 do Código Penal, com pena de 10 a 15 anos de reclusão.

PCPaula Cardoso
science

Pesquisa brasileira avança para levar terapia CAR-T contra o câncer ao SUS

A terapia celular com linfócitos geneticamente modificados, conhecida como CAR-T, tem apresentado resultados consistentes no tratamento de tumores hematológicos resistentes a outras terapias. Dados publicados no periódico científico Blood Advances mostram que, em pacientes com linfoma difuso de grandes células B refratário, a taxa de sobrevida global em três anos subiu de 10% para 59% com o uso de CAR-T, enquanto a sobrevida livre de progressão passou de 6% para 48%. Antes dessa abordagem, a sobrevida mediana para esses quadros era de aproximadamente seis meses, com apenas 7% de remissão completa.O pesquisador Martín Hernán Bonamino, chefe do Programa de Terapia Celular e Gênica do Instituto Nacional de Câncer (INCA), explicou em artigo publicado pelo The Conversation e repercutido pela Folha de S.Paulo que a técnica reposiciona o sistema imunológico para atacar alvos tumorais específicos. Contudo, o custo elevado das versões comerciais importadas, que ultrapassa a faixa de R$ 2 milhões por paciente, ainda restringe o acesso quase que exclusivamente ao setor privado de saúde.Para viabilizar a oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS), centros de pesquisa nacionais desenvolvem plataformas próprias de produção. Iniciativas no INCA, na Universidade de São Paulo (USP), na Universidade de Brasília (UnB) e no Hospital Israelita Albert Einstein buscam dominar a tecnologia de vetores virais e métodos de manufatura local, com o objetivo de reduzir custos e evitar a dependência de fornecedores externos.Apesar dos números positivos nos ensaios clínicos, a incorporação em larga escala na rede pública ainda depende de etapas regulatórias formais. Os protocolos nacionais seguem em avaliação e expansão de fases clínicas junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que significa que o tratamento não está disponível de forma imediata em todos os postos de atendimento oncológico do país.Especialistas recomendam que pacientes diagnosticados com leucemias ou linfomas refratários conversem diretamente com a equipe médica de referência. O caminho mais seguro envolve checar se o quadro atende aos critérios para inclusão em ensaios clínicos autorizados no Brasil ou seguir as linhas terapêuticas convencionais já estabelecidas pelo SUS enquanto a produção pública é estruturada.

PCPaula Cardoso
banco-master

Vorcaro nega à PF corrupção de servidores do Banco Central em depoimento de 4 horas

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira (28) e negou que tenha havido corrupção envolvendo servidores do Banco Central. A oitiva foi feita por videoconferência a partir da carceragem da Papudinha, no Distrito Federal, onde ele está preso. Segundo a defesa, o depoimento durou quatro horas e meia. A sessão estava marcada para quinta-feira (27), mas foi adiada por problemas técnicos na conexão.Vale separar o que está confirmado do que ainda é suspeita. O confirmado: o depoimento ocorreu, foi o primeiro interrogatório de Vorcaro desde sua prisão preventiva em março, e integra um inquérito que apura a relação do ex-banqueiro com os ex-supervisores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana. A suspeita, ainda sob investigação e sem conclusão formal, é de que os dois servidores tenham recebido vantagens financeiras e atuado em favor do Master enquanto o banco enfrentava uma crise de liquidez e passava por fiscalização.O que a PF investigaSegundo a Polícia Federal e o Banco Central, ouvidos pelo G1, há indícios de que os dois ex-supervisores tenham atuado para beneficiar Vorcaro em discussões internas sobre fiscalização, socorro financeiro e medidas que poderiam afetar o futuro da instituição. A CNN Brasil apurou que a PF investiga se os servidores funcionaram como "espiões" do banqueiro dentro da autoridade monetária, repassando informações privilegiadas. Vorcaro negou ter recebido esse tipo de informação.Em nota divulgada após o depoimento, a defesa afirmou que esta foi a primeira oportunidade dada ao ex-banqueiro de responder diretamente aos questionamentos da investigação:"Na ocasião, Daniel respondeu de forma clara e consistente a todos os questionamentos que lhe foram formulados, não deixando qualquer indagação sem esclarecimento. Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso."A nota diz ainda que Vorcaro mantém disposição para prestar esclarecimentos mais amplos, desde que lhe seja assegurada a possibilidade de colaborar. O ponto é relevante porque, segundo a CNN Brasil, o depoimento ocorreu após a rejeição formal de duas propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa, tanto pela PF quanto pela Procuradoria-Geral da República.Prisões e liquidação do MasterVorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, já havia sido detido em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O Banco Master, por sua vez, foi liquidado pelo Banco Central, medida que retirou a instituição do mercado.Para o leitor acompanhar os próximos passos: o inquérito continua aberto, e a PF ainda pode ouvir outras testemunhas e analisar o conteúdo do depoimento desta sexta. A eventual abertura de uma nova negociação de colaboração premiada, que a defesa sinaliza desejar, dependeria de manifestação da PF e do Ministério Público Federal. Até lá, as acusações contra os ex-servidores e contra Vorcaro seguem no campo das suspeitas sob apuração, sem denúncia formal neste inquérito específico.

PCPaula Cardoso
international

OMS declara fim do surto de ebola em Uganda após 42 dias sem novos casos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou nesta quinta-feira (27) o fim oficial do surto de ebola em Uganda, depois que o país completou 42 dias consecutivos sem registrar nenhum novo caso confirmado da doença. O anúncio foi feito em conjunto com o Africa CDC, o centro de controle de doenças da União Africana. O que está confirmado Segundo a OMS, o último paciente com ebola confirmado em Uganda recebeu alta em 16 de julho. Era um caso importado de outro país, e nenhuma transmissão posterior associada a ele foi documentada. O intervalo de 42 dias corresponde a dois ciclos completos do período máximo de incubação do vírus, de 21 dias, e é o critério padrão usado pela organização para decretar o encerramento de um surto. Ao todo, Uganda registrou 20 casos de ebola e duas mortes, quase todos envolvendo pessoas que haviam viajado da República Democrática do Congo (RDC), segundo a agência AFP. De acordo com o escritório regional da OMS para a África, o primeiro paciente foi atendido em 8 de maio em uma clínica de Arua, cidade no norte do país, na fronteira com a RDC, e depois viajou para Kampala, a capital, onde o diagnóstico foi confirmado. O vírus responsável pertence à espécie Bundibugyo. "Uganda completou 42 dias desde que o último paciente com ebola confirmado, importado de outro país, recebeu alta, em 16 de julho de 2026, sem nenhuma transmissão posterior documentada, o que marca o fim do surto", afirmou a OMS em comunicado. O surto na RDC continua O encerramento em Uganda não significa o fim da emergência regional. Na RDC, onde o surto foi declarado em 15 de maio, já são mais de 5.600 casos confirmados e mais de 2.700 mortes, segundo a AFP. É o surto de ebola de propagação mais rápida já registrado. A OMS e o Africa CDC elogiaram as medidas de contenção adotadas pelo governo ugandense, pelos profissionais de saúde e por parceiros, mas pediram que os países da região mantenham a vigilância e a preparação, diante do risco de novos casos importados pela fronteira. O ebola é transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas e provoca febre hemorrágica. Diferentemente de vírus respiratórios, como os da gripe ou da covid-19, ele não se espalha pelo ar, o que torna o rastreamento de contatos e o isolamento de casos ferramentas eficazes de contenção, como mostra o desfecho em Uganda. O que o leitor deve saber: para quem não esteve na região afetada nem teve contato próximo com viajantes doentes vindos dela, o risco é baixo. Quem viajar ao leste africano deve evitar contato com fluidos corporais de pessoas doentes e com objetos contaminados. Ao voltar, deve procurar atendimento médico imediato se apresentar febre, dor de cabeça intensa, vômitos ou sangramentos nos 21 dias seguintes, informando ao serviço de saúde o histórico da viagem.

PCPaula Cardoso
health

Farmacêutica egípcia avança no desenvolvimento de vacina contra cepa de ebola

A farmacêutica egípcia Minapharm e a organização internacional Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) fecharam um acordo de financiamento de até US$ 16,5 milhões para o desenvolvimento de uma vacina candidata contra a cepa Bundibugyo do vírus ebola. O projeto, noticiado pela Folha de S.Paulo com base em comunicado conjunto divulgado nesta quinta-feira (27), busca conter o surto ativo na República Democrática do Congo (RDC).Desenvolvida pela ProBioGen, subsidiária da Minapharm com sede em Berlim, a fórmula ainda está em estágio pré-clínico. O aporte da Cepi cobrirá a conclusão dos testes laboratoriais e a realização dos ensaios clínicos de fase 1 em território africano. Essa etapa inicial é desenhada exclusivamente para verificar a segurança do imunizante e avaliar se o produto desperta resposta imunológica em um grupo reduzido de voluntários saudáveis, antes de eventuais testes de eficácia populacional em fases posteriores.A iniciativa responde a uma lacuna crítica de saúde pública, já que as vacinas e terapias existentes contra o ebola foram formuladas para a cepa Zaire e não conferem proteção comprovada contra a espécie Bundibugyo. Segundo dados das autoridades sanitárias, o surto declarado em 15 de maio na República Democrática do Congo já soma mais de 5.600 casos confirmados e mais de 2.700 mortes.Jean Kaseya, diretor-geral dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), destacou a importância de desenvolver tecnologia biomédica no próprio continente africano:O vírus Bundibugyo está agora por trás do maior surto de ebola já enfrentado pela RDC. Uma vacina candidata desenvolvida por uma empresa africana representa exatamente o tipo de capacidade de que nosso continente precisa, para que a África possa desenvolver e fabricar os instrumentos necessários para proteger sua própria população.Para profissionais de saúde e viajantes que se deslocam a regiões com transmissão ativa, as orientações preventivas imediatas envolvem evitar contato desprotegido com sangue, fluidos corporais ou itens contaminados por pessoas sintomáticas, além de monitorar sintomas como febre alta, dores musculares e diarreia nas três semanas seguintes ao retorno de zonas endêmicas. No Brasil, o Ministério da Saúde mantém protocolos de vigilância em pontos de entrada e recomenda a busca imediata por atendimento médico caso surjam sintomas após viagens à região.

PCPaula Cardoso
diabetes

Brasil vai rastrear diabetes tipo 5, forma da doença associada à desnutrição

O Brasil vai começar a rastrear pacientes com diabetes tipo 5, uma forma pouco conhecida da doença associada a quadros de desnutrição. A iniciativa, inédita na saúde brasileira e, em grande medida, também no mundo, foi confirmada pela SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) nesta quarta-feira (26), durante um congresso no Rio de Janeiro, segundo a Folha de S.Paulo. Os primeiros alvos serão as regiões Norte e Nordeste, que concentram o maior número de brasileiros em insegurança alimentar e desnutrição.O que é o diabetes tipo 5A condição foi descrita há mais de 70 anos e já teve outros nomes, como diabetes tropical e diabetes tipo J, porque o primeiro caso foi registrado na Jamaica, em 1955. Em 2025, a Federação Internacional de Diabetes (IDF) reconheceu a nova classificação, na prática uma renomeação do chamado diabetes relacionado à desnutrição. A doença atinge sobretudo adolescentes e adultos jovens muito magros, com índice de massa corporal abaixo de 18,5 a 19, e é mais comum em países de baixa e média renda, como Índia, Tailândia, Uganda, Etiópia e Nigéria, segundo a SBD.O maior risco hoje é a confusão com o diabetes tipo 1, que também surge cedo na vida e em pessoas de baixo peso. O mecanismo, porém, é outro. No tipo 1, uma reação autoimune interrompe a produção de insulina pelo pâncreas, e o paciente pode desenvolver cetoacidose, emergência que torna o sangue ácido e pode levar à morte. No tipo 5, a desnutrição calórico-proteica na vida intrauterina ou na primeira infância reduz as células produtoras do hormônio, mas o organismo preserva uma reserva pequena de insulina. Por isso, explica a SBD, esses pacientes não desenvolvem cetoacidose e costumam precisar de doses menores do hormônio. "Convencionou-se de forma unânime chamar esse diabetes de tipo 5 porque ele é diferente de todos os demais catalogados até hoje: ocorre em pessoas muito magras, comumente abaixo de 30 anos e que vão precisar de uma reposição menor de insulina", disse à Folha a médica Hermelinda Pedrosa, vice-presidente da IDF e membro da SBD.O que está confirmado e o que ainda é hipóteseO anúncio do rastreamento é o fato concreto até agora. O restante segue em aberto. Não existem dados de prevalência do tipo 5 no Brasil. "Talvez existam casos, mas possivelmente estejam rotulados como DM1 por causa da sobreposição de características, como a idade precoce de aparecimento do diabetes e o baixo IMC", afirma o médico Fernando Valente, diretor da SBD, em texto publicado pela entidade. A suspeita ouvida pela Folha é que um número relevante de brasileiros tratados como tipo 1 tenha, na verdade, o tipo 5, o que expõe o paciente a tratamento inadequado. Estudos internacionais indicam que a condição é mais frequente em homens da zona rural, que muitas vezes não chegam ao diagnóstico correto e acumulam complicações como cegueira, problemas renais e cardíacos e amputações de membros inferiores.A SBD já mantém em seu site um formulário de rastreamento do tipo 5 voltado a profissionais de saúde, baseado no algoritmo proposto pela IDF, com critérios clínicos para identificar casos suspeitos. A federação também criou um grupo de trabalho para desenvolver, no prazo de dois anos, critérios formais de diagnóstico e diretrizes terapêuticas para a doença.Para o paciente, a orientação prática é direta. Quem tem menos de 30 anos, é muito magro e convive com um diagnóstico de diabetes, sobretudo se houve desnutrição na infância, pode levar o assunto à próxima consulta. O diagnóstico correto muda o manejo: além de insulina em doses menores, o tratamento do tipo 5 inclui reposição adequada de calorias, proteínas e micronutrientes. Nenhuma mudança de medicação deve ser feita por conta própria; o ajuste cabe ao médico que acompanha o caso.

PCPaula Cardoso
health

Conflito no Oriente Médio reduz flúor no Brasil; suspensão pode elevar risco de cáries

As concessionárias de saneamento do Brasil pediram à Justiça a suspensão temporária, por 90 dias inicialmente, da obrigação de adicionar flúor à água distribuída à população. O pedido foi feito pela Aesbe (Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento), que vê risco de desabastecimento de ácido fluossilícico nos próximos meses, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quarta-feira (26). O motivo foi a interrupção do fornecimento do insumo pela fabricante de fertilizantes Mosaic, afetada pela alta do enxofre em meio ao conflito no Oriente Médio e ao fechamento do estreito de Hormuz.O ácido fluossilícico é um subproduto da produção de fertilizantes à base de fosfato, processo que usa enxofre como matéria-prima. Com a escalada do preço do enxofre, a Mosaic parou de fornecer o insumo às companhias de água. A Folha informou que a Aesbe estuda importar o produto como alternativa. A fluoretação da água é obrigatória no Brasil desde 1974, pela lei federal 6.050, e qualquer suspensão depende de decisão judicial.Entre as associadas à Aesbe estão Sabesp (São Paulo), Cagece (Ceará), Cagepa (Paraíba), Cesan (Espírito Santo), Sanepar (Paraná) e BRK. Até agora, o que está confirmado é o pedido judicial e a interrupção do fornecimento pela Mosaic. Ainda não se sabe quantos sistemas de fato ficarão sem o insumo nem por quanto tempo a suspensão pode durar, caso seja autorizada. O caso também foi noticiado pelos jornais O TEMPO e Jornal de Brasília.Impacto depende da duraçãoDo ponto de vista da saúde bucal, o efeito é gradual. Segundo Thiago Lucena, dentista e mestre em Odontologia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o flúor dissolvido na água protege os dentes dos ácidos produzidos por bactérias e favorece a remineralização do esmalte. Nenhum estudo foi apresentado pela entidade quantificando o aumento esperado de cáries; a preocupação cresce na medida do tempo em que a população ficar sem a fluoretação."A suspensão temporária da fluoretação não significa que as pessoas vão desenvolver cárie imediatamente, mas retira uma importante camada de proteção coletiva", afirma Lucena.Os grupos mais expostos são crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, para quem a água fluoretada costuma ser a principal fonte de contato regular com o mineral. Enquanto não há decisão judicial e o estoque das companhias durar, a orientação prática segue a mesma de sempre: escovar os dentes ao menos duas vezes ao dia, hábito que por si só já previne cáries e doenças gengivais, como lembra a reportagem. Se a suspensão for confirmada na sua cidade, redobrar a atenção à escovação de crianças e idosos é a medida de proteção mais simples.

PCPaula Cardoso
west-nile-fever

Brasil confirma 1a morte por Febre do Nilo Ocidental; Europa tambem ve alta de casos

O Ministerio da Saude confirmou nesta semana a primeira morte por Febre do Nilo Ocidental (FNO) registrada no Brasil: uma mulher de 77 anos, moradora de Imbituba, em Santa Catarina, segundo reportagem da DW Brasil publicada pela Folha de S.Paulo. O caso chama atencao porque a doenca, transmitida por mosquitos, ainda e pouco conhecida no pais, ao mesmo tempo em que autoridades europeias relatam neste ano o maior numero de casos e paises afetados dos ultimos anos.Segundo o Ministerio da Saude e a CNN Brasil, a vitima e a segunda paciente de FNO ja registrada em Santa Catarina. O primeiro caso do estado, um homem de 56 anos de Cacador, ja recebeu alta. Em Sao Paulo, ha mais dois casos confirmados: uma mulher de 34 anos de Ribeirao Preto, que havia viajado recentemente para a regiao amazonica e se recuperou, e uma adolescente de 18 anos de Sao Jose do Rio Preto, que segue internada. Um sexto caso, no Piaui, ainda esta sob investigacao. A origem exata das infeccoes, ou seja, onde e como cada paciente entrou em contato com o virus, continua sendo apurada pelas equipes de vigilancia epidemiologica, o que por ora permanece uma incognita, nao um dado fechado.A FNO e causada por um arbovirus da mesma familia de dengue, zika, chikungunya e febre amarela, transmitido pela picada de mosquitos do genero Culex, os pernilongos comuns, que se infectam ao picar aves silvestres portadoras do virus. Humanos e cavalos sao hospedeiros acidentais: nao transmitem a doenca adiante em condicoes normais. De acordo com o Ministerio da Saude, cerca de 20% das pessoas infectadas desenvolvem sintomas, geralmente leves, como febre de inicio subito, dor de cabeca, dor muscular e nos olhos, nausea e manchas vermelhas pelo corpo. Casos graves, com meningite, encefalite ou paralisia flacida aguda, sao raros, mas foi justamente um quadro neurologico que caracterizou os dois casos catarinenses, segundo a secretaria estadual de saude.Alta tambem na EuropaO mesmo virus tem preocupado autoridades na Europa, onde a circulacao se intensificou neste ano. Segundo o Centro Europeu de Prevencao e Controle de Doencas (ECDC), citado pela DW, 12 paises europeus ja registraram casos em 2026, tres a mais que no mesmo periodo do ano passado: Albania, Alemanha, Austria, Espanha, Franca, Grecia, Holanda, Italia, Kosovo, Macedonia do Norte, Romenia e Servia. Italia e Grecia concentram o maior numero de infeccoes, com 311 e 157 casos respectivamente. Em 21 regioes do continente, foi a primeira vez que autoridades sanitarias relataram a doenca. Ate 5 de agosto, a Europa somava 12 mortes por FNO no ano; a Holanda, que nao via um caso desde 2020, confirmou uma nova infeccao na semana anterior e reportou mais um obito nesta quarta-feira, segundo a reportagem.Nao existe vacina nem tratamento antiviral especifico contra a Febre do Nilo Ocidental, segundo a Organizacao Mundial da Saude. O manejo se limita ao controle dos sintomas e, nos casos mais graves, a internacao hospitalar para suporte clinico. Por isso, tanto no Brasil quanto na Europa, o foco das autoridades de saude esta na vigilancia epidemiologica e na prevencao da picada do mosquito, nao em uma cura ou imunizacao disponivel.Para o publico em geral, a orientacao pratica e a mesma usada contra dengue e outras arboviroses transmitidas por mosquito: eliminar agua parada em casa e no quintal, usar repelente e telas em portas e janelas, e evitar exposicao prolongada ao ar livre no fim da tarde e a noite, horario de maior atividade dos pernilongos. Quem trabalha em areas rurais ou de mata, como agricultores, veterinarios e biologos, tem risco elevado de exposicao e deve reforcar esses cuidados. Pessoas que apresentarem febre alta subita acompanhada de dor de cabeca intensa, confusao mental ou fraqueza muscular apos picadas de mosquito devem procurar atendimento medico o quanto antes, ja que esses sinais podem indicar acometimento neurologico.

PCPaula Cardoso
crime

Motorista de aplicativo é preso suspeito de estuprar passageira em Guarujá

Um motorista de aplicativo de 51 anos foi preso em flagrante suspeito de estuprar uma passageira de 18 anos durante uma corrida em Guarujá, no litoral de São Paulo, na madrugada de terça-feira (25). Segundo a Polícia Civil, a vítima foi encontrada nua e chorando no banco traseiro do veículo do motorista, de acordo com reportagem do G1.De acordo com as investigações, a jovem havia saído de uma adega com uma amiga, que solicitou a corrida por aplicativo com duas paradas. A amiga desembarcou primeiro, e a vítima seguiu sozinha com o motorista rumo à sua casa. Durante o trajeto, ela enviou mensagens à amiga dizendo estar assustada com o comportamento do homem, segundo relato do delegado titular da Delegacia Sede de Guarujá, Glaucus Vinícius Silva, à TV Tribuna, afiliada da Globo e citado pelo G1.A amiga acompanhava o trajeto pelo aplicativo e, ao perceber que a vítima havia parado de responder e que o carro estava parado havia bastante tempo em local diferente do destino combinado, acionou a Polícia Militar. Os policiais localizaram o veículo estacionado na Rua Silvio Daige, no bairro Tejereba, e encontraram a vítima nua e chorando no banco de trás, relatando ter sido estuprada pelo motorista. Segundo o relato à polícia, o homem teria tomado o celular da passageira e a estuprado mediante violência e intimidação.A identidade do motorista não foi divulgada pela corporação, o que impediu localizar sua defesa até a divulgação da reportagem original. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o suspeito foi preso em flagrante por estupro e levado à Delegacia Sede de Guarujá, onde ficou à disposição da Justiça. A Polícia Civil afirmou que a vítima recebeu atendimento médico e passou por exames periciais, incluindo coleta de material biológico para confronto genético, e que o celular do motorista foi apreendido.O que diz a UberEm nota reproduzida pelo G1, a Uber classificou o caso como "inaceitável" e afirmou defender que as mulheres "têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem" com segurança. A empresa disse que o motorista teve a conta desativada da plataforma assim que tomou conhecimento do episódio e que está colaborando com as autoridades. Segundo a nota, a viagem contava com seguro e a vítima tem acesso a um canal de suporte psicológico mantido em parceria com a ONG Me Too Brasil.Este relato se baseia até o momento em uma única fonte jornalística, o G1, que citou diretamente a Polícia Civil, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e a Uber. Não há, por ora, informações sobre eventual defesa do motorista preso.

PCPaula Cardoso
health

CFM embasa 80% das emendas à MP que torna Enamed obrigatório a novos médicos

O Conselho Federal de Medicina (CFM) está por trás de mais de 80% das emendas apresentadas no Congresso à medida provisória que torna a aprovação no Enamed, o exame nacional de avaliação da formação médica proposto pelo governo Lula, requisito para o registro profissional de novos médicos. Segundo levantamento da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, 389 das 479 emendas protocoladas por deputados e senadores partem de sugestões ligadas à entidade, que se opõe ao modelo desenhado pelo Executivo.Assinada por Lula e publicada em 19 de junho, a MP 1.370/2026 vale para quem ingressar no curso de Medicina a partir dessa data; estudantes já matriculados e médicos formados seguem as regras atuais. O texto também faz do Enamed a etapa teórica do Revalida, processo que valida diplomas de médicos graduados no exterior. A comissão mista encarregada da análise foi instalada em 12 de agosto, com relatoria do deputado Doutor Luizinho (PP-RJ). A MP precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado até outubro para não perder a validade.Entre as propostas apresentadas no prazo regimental, encerrado em junho, estão a inclusão de uma prova prática de habilidades clínicas, a ampliação da participação de entidades médicas na condução do exame, mudanças nas regras de registro profissional, mecanismos de transparência dos resultados, supervisão mais rigorosa dos cursos e integração do Enamed à seleção para residência médica, informou a Folha. Caberá ao relator decidir quais sugestões entram no parecer.O CFM critica abertamente a medida. Para o presidente da entidade, José Hiran Gallo, o exame não mede a proficiência do médico, adia por seis anos os efeitos práticos da avaliação e não responsabiliza as faculdades pela má formação. "A MP não avalia proficiência médica. O modelo fracassou sob tutela do MEC", afirmou ele em nota divulgada em junho. O conselho defende como alternativa o ProfiMed (Exame Nacional de Proficiência em Medicina), previsto no PL 2.294/2024 e já aprovado por comissões do Senado, e cita pesquisa Datafolha segundo a qual 96% dos brasileiros defendem que médicos sejam avaliados antes de receber o registro.O embate ganhou corpo com os resultados da primeira edição do Enamed, criado pelo MEC em 2025 e aplicado pelo Inep. Dos 351 cursos avaliados, 107 ficaram com os conceitos 1 e 2, os piores da escala, a maioria em instituições privadas, e 49 alcançaram a nota máxima, concentrada nas universidades públicas. Cerca de 13 mil concluintes não atingiram o nível de proficiência esperado, segundo a Associação Médica Brasileira (AMB); o CFM fala em cerca de 14 mil alunos com notas 1 e 2. As sanções do MEC a 99 cursos foram suspensas em agosto por liminar do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, a pedido de entidades do ensino superior privado. O governo informou que vai recorrer, e a decisão não afeta a prova deste ano. A AMB apoia a avaliação: "O diploma não pode ser apenas um papel comprovando que alguém frequentou uma faculdade durante seis anos. Ele precisa representar conhecimento, competência e responsabilidade", disse a presidente em exercício da entidade, Luciana Rodrigues Silva.O que está confirmado e o que ainda depende do CongressoConfirmado: a prova de 2026 está mantida e será aplicada em 13 de setembro, das 13h30 às 18h30 (horário de Brasília), em todos os estados e no Distrito Federal, com 100 questões de múltipla escolha. O cartão de confirmação com o local de prova fica disponível em 4 de setembro no site do Inep, e o resultado de concluintes e graduados sai em 4 de dezembro. Ainda em aberto: a exigência do Enamed para o registro profissional só terá valor se a MP for aprovada, e valerá apenas para quem começar o curso depois de 19 de junho de 2026. Se o texto virar lei, a partir de 2027 o exame passa a ser semestral e quem não atingir a nota mínima poderá refazer a prova sem limite de tentativas. Até lá, quem já está na faculdade segue as regras atuais de registro nos conselhos regionais.

PCPaula Cardoso
public-safety

Bebê prematuro morre após ferimento com bisturi durante cesárea em Ribeirão Preto

Um bebê prematuro morreu na quinta-feira (20) após ter a cabeça ferida por um obstetra com bisturi durante uma cesariana no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo, que teve acesso a boletim de ocorrência da Polícia Militar sobre o caso.Segundo o registro policial, a criança sofreu o trauma no dia 18 de agosto, durante o parto, e chegou a passar por outros procedimentos médicos, incluindo atendimento com um neurocirurgião. Apesar da intervenção, o recém-nascido teve um sangramento no crânio e morreu dois dias depois. A mãe da criança, moradora do município de Serrana, também no interior paulista, passa bem, segundo a reportagem.A Polícia Civil investiga a morte do bebê. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária de Ribeirão Preto e encaminhado ao 3º Distrito Policial da cidade, responsável pela apuração. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que detalhes da investigação serão preservados para não comprometer o andamento do inquérito.Procurado pela Folha, o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto não deu detalhes sobre as circunstâncias do ferimento, mas confirmou que abriu um procedimento interno para apurar o ocorrido. A instituição afirmou que considera necessária uma "análise técnica, isenta e aprofundada, evitando conclusões precipitadas"."A comissão avaliará todos os elementos relacionados ao atendimento, inclusive as circunstâncias do parto, as condições clínicas do feto, o contexto de prematuridade e o caráter de urgência do procedimento. Paralelamente, o Hospital prestará todas as informações solicitadas pelas autoridades competentes que também venham a apurar o caso", disse o hospital em nota.O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto é um dos maiores complexos hospitalares ligados à USP e referência em atendimentos de alta complexidade na região. O caso segue sob investigação tanto pela polícia quanto pela comissão interna da instituição, e não há, até o momento, informações públicas sobre eventual afastamento do obstetra envolvido no procedimento.

PCPaula Cardoso
medicine

Anvisa cancela registro do Elevidys, terapia gênica de R$ 20 milhões

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) cancelou nesta segunda-feira (24) o registro condicional do Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque), terapia gênica usada no tratamento da distrofia muscular de Duchenne e considerada um dos medicamentos mais caros do mundo, com dose única estimada em até R$ 20 milhões. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e, segundo a agência, partiu de um pedido da fabricante, a Roche.Em comunicado conjunto, Anvisa e Roche afirmaram que o conjunto de dados disponíveis até agora não foi suficiente para atender aos requisitos regulatórios necessários à manutenção do registro condicional. Com o cancelamento, ficam oficialmente suspensas a importação, a distribuição e a comercialização do Elevidys no Brasil, informou a Folha de S.Paulo.O registro condicional é uma aprovação provisória dada pela Anvisa a medicamentos para doenças raras ou graves. A empresa precisa continuar enviando dados enquanto o produto já está em uso; se as informações não confirmarem os benefícios esperados, o registro pode ser cancelado. A distrofia muscular de Duchenne é uma doença genética rara que causa degeneração progressiva dos músculos.Histórico de alertas de segurançaO Elevidys obteve registro condicional no Brasil em dezembro de 2024. Em julho de 2025, a comercialização foi suspensa como medida de precaução, depois que a terapia foi associada a mortes por insuficiência hepática aguda nos Estados Unidos. Segundo a Folha, a FDA, agência reguladora americana, relacionou três mortes à terapia gênica: duas crianças com distrofia muscular de Duchenne que usavam o medicamento e um adulto com distrofia muscular de cinturas.No Brasil, dez crianças foram tratadas com o remédio até a suspensão, e três notificações de efeitos adversos haviam sido recebidas pela Anvisa até julho do ano passado, segundo a agência. O Elevidys não era incorporado ao SUS (Sistema Único de Saúde) e chegava aos pacientes por meio de decisões judiciais. O Ministério da Saúde chegou a pagar R$ 17 milhões por dose, de acordo com a Folha.A Anvisa informou que o cancelamento não altera as obrigações da Roche de acompanhar os pacientes já expostos ao medicamento, incluindo os brasileiros que receberam o Elevidys entre dezembro de 2024 e julho de 2025, com monitoramento contínuo de segurança. A Roche disse que segue empenhada no programa clínico da terapia e na apresentação de novas evidências, e a Anvisa afirmou estar disposta a avaliar prioritariamente futuras submissões do medicamento.

PCPaula Cardoso
health

Zema critica vacinação obrigatória e nega tentativa de golpe sob Bolsonaro

O candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, declarou nesta segunda-feira (24) ser contrário à vacinação obrigatória, prometeu anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e voltou a negar que tenha havido tentativa de golpe de Estado sob Bolsonaro. As declarações foram dadas em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, que abriu a série de sabatinas da emissora com os presidenciáveis.Segundo a Folha de S.Paulo, Zema afirmou que não é correto que uma família seja perseguida por decidir não se vacinar. "Transformar isso em um crime não é o que pode acontecer em um país democrático", disse o ex-governador de Minas Gerais, depois de informar que tomou todas as doses da vacina contra a Covid-19 durante a pandemia. Não há lei que obrigue a vacinação no Brasil, embora a recusa possa gerar consequências administrativas, como o afastamento de funcionários sem a dose contra a Covid-19 durante a pandemia. A cobertura ao vivo do g1 mostra que o tema entrou na sabatina em meio a um surto de sarampo em São Paulo e à queda da cobertura vacinal infantil no país.Anistia e 8 de janeiroCaso seja eleito, Zema prometeu anistiar os condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. "Não existe na história da humanidade uma tentativa de golpe que tenha sido um movimento de vandalismo como aquele que aconteceu em janeiro de 2023", afirmou, segundo a Folha. Em trecho destacado pela CNN Brasil, o candidato completou: "Teve tiro disparado? Não teve nenhum movimento. Na minha opinião, foi um julgamento totalmente político"."Eu darei anistia ou, no mínimo, um tribunal que não seja político, que seja judicial. O que nós vimos no Brasil foi perseguição", disse Zema, ao comentar as decisões do STF (Supremo Tribunal Federal). De acordo com a CNN Brasil, ele também discordou dos crimes imputados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou confiar no sistema eleitoral, embora defenda que a credibilidade das urnas seria maior com o voto impresso.Conforme a Folha, as declarações reafirmam a estratégia de campanha de Zema de atacar os ministros do STF, a quem chama de "intocáveis" ou "casta" que atuaria acima da lei. Um jingle divulgado nas redes sociais do candidato mostra imagens geradas por inteligência artificial dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes vestidos como presidiários, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Zema foi o primeiro de seis candidatos sabatinados pela Globo entre os dias 24 e 29 de agosto, conforme o g1. Foram convidados os mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto, e a ordem das entrevistas foi definida por sorteio. Depois de Zema, serão entrevistados Ronaldo Caiado (PSD) na terça-feira, Renan Santos (Missão) na quarta, Lula (PT) na quinta, Flávio Bolsonaro (PL) na sexta e Augusto Cury (Avante) no sábado. O mineiro deixou o governo de Minas Gerais em março para concorrer ao Planalto.

PCPaula Cardoso
santa-catarina

Santa Catarina confirma primeira morte por febre do Nilo Ocidental na história do estado

A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina confirmou nesta segunda-feira (24) a primeira morte por febre do Nilo Ocidental registrada na história do estado. A vítima é uma mulher de 77 anos, que morreu no dia 8 de agosto em Imbituba, no Sul catarinense, segundo o g1 e o portal NSC Total.De acordo com a secretaria, o óbito por essa doença é considerado raro. Além da idosa, um homem de 56 anos, morador de Caçador, no Oeste do estado, também foi diagnosticado com a infecção, mas já recebeu alta hospitalar. Os dois pacientes apresentaram manifestações neurológicas, e os casos seguem sob investigação epidemiológica para mapear os prováveis locais de infecção e detalhar a relação entre a circulação do vírus e os sintomas registrados.A febre do Nilo Ocidental é uma doença febril aguda causada por um vírus transmitido principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex, como o pernilongo. Segundo o Ministério da Saúde, os hospedeiros naturais do vírus são aves silvestres, e não há contágio de pessoa para pessoa nem transmissão direta de aves para humanos. Cavalos e primatas também podem ser infectados.Sintomas e tratamentoA maior parte das infecções é assintomática. Conforme o Ministério da Saúde, cerca de 20% dos infectados desenvolvem sintomas, em geral leves, como febre de início abrupto, dor de cabeça, dor muscular, náusea, vômito e manchas vermelhas na pele. Um em cada 150 infectados evolui para doença neurológica severa, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.Não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra a doença. O tratamento é apenas de suporte, com repouso e reposição de líquidos; nos casos graves, o paciente deve ser atendido em unidade de terapia intensiva (UTI). O diagnóstico pode ser feito por exame de sangue, que deve ser realizado o mais rápido possível, conforme a secretaria estadual.A orientação da Secretaria de Estado da Saúde é que pessoas com febre acompanhada de sintomas neurológicos, como confusão mental, alteração de consciência ou fraqueza, procurem atendimento e informem ao profissional de saúde sobre possível exposição a mosquitos. Segundo o NSC Total, a pasta deve intensificar as ações de vigilância epidemiológica, laboratorial, animal e entomológica no estado. Como prevenção, o Ministério da Saúde recomenda o uso de repelentes, telas em portas e janelas e a eliminação de água parada.

PCPaula Cardoso
Politics

Discord recorre de suspensão de lives e chama punição da ANPD de 'desproporcional'

O Discord apresentou nesta segunda-feira (24) um recurso contra a decisão da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que suspendeu as transmissões ao vivo da plataforma no Brasil. Segundo o G1, a empresa pede efeito suspensivo imediato para reativar as lives e a anulação da medida cautelar, alegando falta de competência da agência, vícios formais no processo e uma punição "desproporcional".A ordem da autoridade atingiu a ferramenta Go Live e recursos equivalentes de transmissão e compartilhamento de vídeo. A determinação, expedida em 12 de agosto, foi cumprida pelo Discord no dia 17, segundo o Tecnoblog. Mensagens de texto, servidores e canais exclusivamente de áudio seguiram funcionando normalmente. Para a ANPD, a suspensão valerá até que a empresa comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes no uso da plataforma.A medida veio na esteira da morte de uma adolescente de 13 anos, que tirou a própria vida durante uma transmissão na plataforma. De acordo com o Tecnoblog, a Polícia Civil prendeu no início de agosto cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, e um homem de 18 anos suspeitos de envolvimento no caso. A área técnica da ANPD avaliou que o Discord não tem acesso às transmissões de vídeo, o que dificultaria a detecção de violações em tempo real, e que seus mecanismos de verificação de idade são frágeis. O debate sobre a segurança no ambiente digital ganhou força depois que a primeira-dama Janja da Silva afirmou que a plataforma deveria ser retirada do ar "imediatamente".Os argumentos do recursoNa peça protocolada, a defesa do Discord sustenta que a ANPD não tem competência legal para determinar a suspensão de serviços no âmbito do ECA Digital. Segundo a empresa, a lei atribui à autoridade administrativa sanções como advertência e multa, enquanto a suspensão temporária ou a proibição de atividades seria atribuição da Justiça. A defesa afirma ainda que, mesmo na esfera administrativa, uma medida de tamanho impacto e alcance nacional não poderia ter sido emitida de forma monocrática pelo Superintendente de Fiscalização.O recurso argumenta que o bloqueio das chamadas de vídeo em grupo e das transmissões privadas afeta diariamente famílias, estudantes, comunidades e empresas em todo o país que nada têm a ver com condutas ilícitas.Alternativas à suspensãoCaso a medida não seja integralmente anulada ou reconsiderada pela Superintendência, o Discord pede o envio do processo ao Conselho Diretor da ANPD. A empresa propõe, como alternativas, a conversão da suspensão em um Plano de Conformidade, com cronograma técnico de entregas e metas claras; a fixação imediata de prazo e critérios objetivos para a reativação faseada dos serviços; e a formalização de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) centralizado na autoridade.A ANPD é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Justiça. Ao anunciar o cumprimento da ordem, em 17 de agosto, o Discord afirmou que estava trabalhando "de boa-fé" com a autoridade para restabelecer os recursos de vídeo "o mais rápido possível".

PCPaula Cardoso
Politics

Corrida presidencial de 2026 se acirra com Flávio Bolsonaro empatado tecnicamente com Lula nas pesquisas

A disputa pela Presidência da República em outubro de 2026 ganhou contornos inesperados com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcançando um empate técnico com o presidente Lula em pesquisas que simulam um eventual segundo turno. O resultado representa uma mudança significativa na dinâmica eleitoral brasileira e consolida o parlamentar de 44 anos como o principal nome da oposição para desafiar o atual mandatário. Flávio, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro — que cumpre pena de 27 anos na penitenciária da Papuda por crimes relacionados à tentativa de golpe de 2022 —, tem se posicionado como uma versão mais moderada e pragmática da direita bolsonarista. Sua estratégia inclui manter o eleitorado fiel da base conservadora enquanto busca atrair eleitores de centro que se distanciaram do estilo combativo de seu pai. Nas redes sociais, Flávio já supera Lula em engajamento e interações, segundo levantamentos recentes de monitoramento digital. A presença online robusta se traduz em crescimento consistente nas pesquisas de intenção de voto, com o senador saltando de cerca de 22% em janeiro para 31% nas sondagens mais recentes, enquanto Lula oscila entre 33% e 36%. Março de 2026 se configura como um mês decisivo para a definição do tabuleiro eleitoral. Ministros e ocupantes de cargos públicos que pretendem concorrer nas eleições precisam renunciar a seus postos até o final do mês, o que deve provocar uma ampla reforma ministerial no governo Lula. A reconfiguração do gabinete revelará o formato definitivo das alianças políticas para a campanha e pode alterar a correlação de forças no Congresso Nacional. No campo da oposição, a hospitalização de Jair Bolsonaro na UTI com broncopneumonia bilateral trouxe elementos emocionais à campanha. Flávio tem usado a situação de saúde do pai para reforçar sua narrativa de perseguição política e atrair simpatia de eleitores. Os apelos por prisão domiciliar humanitária ganharam destaque na mídia e nas redes sociais, amplificando a visibilidade do candidato. Analistas políticos avaliam que o cenário eleitoral permanece aberto e volátil. A questão venezuelana, com a captura do presidente Maduro, tornou-se um instrumento de pressão da oposição contra Lula, que é criticado por sua postura em relação ao regime chavista. Sem uma mudança de abordagem nessa questão, especialistas em relações internacionais alertam que o tema pode custar votos decisivos ao presidente nas urnas. As eleições de outubro de 2026 são vistas por observadores internacionais não apenas como uma disputa entre candidatos, mas como um referendo sobre o futuro da democracia brasileira e o posicionamento do país no cenário geopolítico global, em um contexto de crescente polarização entre os blocos liderados por Estados Unidos e China.

PCPaula Cardoso
Paula Cardoso | Braziltopia