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27% dos alunos do ensino médio já apostaram em bets, aponta pesquisa

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Apesar da proibição de jogos de azar para menores de 18 anos, 27,3% dos estudantes do ensino médio brasileiro dizem já ter feito apostas esportivas online, as chamadas bets. Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a proporção é de 16,2%. As apostas começam, em geral, aos 11 anos, idade em que 9,5% dos entrevistados relataram já ter apostado.

Os dados são de pesquisa divulgada nesta quarta-feira (9) pela Frente Parlamentar Mista da Educação em parceria com o Equidade.info, iniciativa que coleta dados nas escolas. O levantamento ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de educação básica em todo o país, em entrevistas presenciais com questionários estruturados realizadas em agosto e setembro. Segundo a Folha de S.Paulo, o nível de confiança é de 95% e a margem de erro, de 2,4 pontos percentuais.

O que os números mostram

A prevalência cresce com a idade: chega a 32,3% entre os alunos de 17 anos, a 40,1% entre os que têm 18 anos ou mais e a 49,7% no 3º ano do ensino médio, segundo a Agência Brasil. No conjunto da amostra, 27,8% dos meninos já apostaram, contra 12,6% das meninas; no ensino médio, a diferença se amplia para 41,7% contra 12%. A proporção de estudantes que já apostaram é praticamente a mesma em escolas públicas e privadas. Nas públicas, é maior o percentual dos que dizem ter ganhado mais do que perdido (7,4%); nas privadas, prevalece quem diz ter perdido mais (9,5%).

Dois pontos pedem cautela na leitura. Primeiro, os dados são autodeclarados, e parte dos estudantes não acompanha o próprio resultado: quatro em cada dez que já apostaram não sabem dizer se ganharam ou perderam mais nas plataformas. Segundo, a estimativa de que as perdas agregadas desse público podem ultrapassar R$ 1 bilhão é uma projeção dos pesquisadores, não um valor apurado. A escolaridade das mães, isolada, explica pouco: 22,7% dos filhos de mães com até o ensino fundamental já apostaram, 19,6% quando a mãe concluiu o ensino médio e 22,8% quando tem ensino superior. Segundo o estudo, os estudantes mais vulneráveis são "aqueles em domicílios com mais bens, mas matriculados em escolas públicas e com pais sem ensino superior".

O que ainda é preliminar e o que se recomenda

A educação financeira no currículo não reduziu a exposição às apostas neste levantamento: segundo a Agência Brasil, estudantes de escolas com mais letramento financeiro mostraram maior probabilidade de apostar e menor controle sobre ganhos e perdas. Trata-se de uma associação observada em um único recorte, ainda sem comprovação de causalidade. Para o coordenador da pesquisa, Guilherme Lichand, professor da Stanford Graduate School of Education, as soluções centradas no comportamento individual tendem a falhar, porque os estudos científicos indicam que lembretes sobre perdas passadas, sugeridos pelas próprias plataformas, não funcionam.

"Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição", disse Lichand.

A presidente da frente parlamentar, deputada Tabata Amaral, declarou à Folha de S.Paulo: "Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira". As recomendações do levantamento são dirigidas a quem regula o setor: maior tributação sobre transações nas plataformas, restrição à publicidade e medidas de proteção específicas para menores de 18 anos. Para famílias e escolas, o dado mais acionável é a idade de início: se as apostas costumam começar por volta dos 11 anos, a conversa sobre o tema precisa acontecer antes do que muitos imaginam, e não apenas no ensino médio.

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