Os 25% dos estudantes brasileiros de maior nível socioeconômico tiveram desempenho 96 pontos superior ao dos 25% mais pobres em ciências no Pisa 2025, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes aplicado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Os dados foram divulgados na terça-feira (8) e fazem parte da edição em que as ciências receberam a análise mais detalhada.
Segundo a Folha de S.Paulo, a média dos mais desfavorecidos ficou em 380 pontos, e a dos mais favorecidos, em cerca de 476, patamar próximo ao da média da OCDE na área, de 482. A média geral do Brasil em ciências foi de 409. A distância de 96 pontos entre os quartos extremos supera a média observada entre os países da organização, de 85 pontos, embora fique abaixo do caso mais extremo do grupo: na Alemanha a diferença chega a 125 pontos, a maior entre os países da OCDE com dados disponíveis, enquanto no Canadá é de 59.
Para dimensionar a diferença, a Folha lembra que uma variação de 20 pontos no Pisa equivale a cerca de um ano de aprendizagem. Nessa régua, os 96 pontos que separam os extremos brasileiros correspondem a quase cinco anos de escolaridade entre dois grupos de alunos com a mesma idade, de 15 anos.
Como os grupos são definidos
O Pisa não classifica os estudantes pela renda familiar. A OCDE usa o índice ESCS, que combina a escolaridade e a ocupação dos pais ou responsáveis com os recursos disponíveis em casa, como livros, espaço para estudar e acesso à internet. Quando o relatório fala nos 25% mais ricos e nos 25% mais pobres, compara quartos dessa escala composta, e não faixas de salário.
A prova foi aplicada a cerca de 760 mil estudantes de 15 anos matriculados em escolas de 91 países e economias. No Brasil, participaram 30.140 alunos; 72,4% deles estudavam em escolas estaduais e 84,7% estavam na 1ª ou na 2ª série do ensino médio, segundo o Poder360. São dados finais, publicados no relatório do ciclo 2025, e não estimativas preliminares.
Como ler o número
Em ciências, os 409 pontos do Brasil são o maior resultado da série apresentada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), ainda que a Folha aponte que o valor fica próximo ao de 2015, de 401 pontos, sem variação significativa na última década. Três cuidados ajudam a interpretar a diferença entre os grupos:
- ao comparar manchetes, confira qual média da OCDE está em uso: 482 pontos, dos 38 países membros, ou 486, a média comparável das tendências históricas, calculada com 23 países desde 2000;
- "ricos" e "pobres" são quartos do índice ESCS, e médias nacionais escondem diferenças entre estados e redes de ensino;
- os relatórios completos estão abertos ao público na OCDE e nos dados brasileiros apresentados pelo Inep.