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PF suspeita que Toffoli é beneficiário de fundo com dinheiro de Vorcaro em paraíso fiscal

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A Polícia Federal suspeita que o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tenha figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, fundo de investimento em participações que recebeu ao menos R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e cujos ativos foram remetidos para uma holding registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal no Caribe. A suspeita está em reportagem da revista piauí publicada na quinta-feira (10), assinada por Breno Pires, com base em relatório sigiloso da corporação enviado à corte, e teve detalhes repassados pela Folha de S.Paulo e pelo Correio Braziliense.

Como o dinheiro teria chegado ao Caribe

O documento, identificado como Informações de Polícia Judiciária de Análise nº 893171/2026, tem quase 200 páginas, foi assinado por quatro delegados e foi elaborado a partir do conteúdo do celular de Vorcaro apreendido no fim de 2025, segundo o Correio Braziliense. Ele chegou ao STF há cerca de sete meses, entregue ao presidente da corte, ministro Edson Fachin, e submetido à análise dos demais ministros. Na leitura dos investigadores, os indícios convergem para o ministro.

"Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos."

Segundo as reportagens, o Arleen comprou parte das cotas da Maridt, empresa dos irmãos do ministro ligada ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro, e da qual o próprio Toffoli admite fazer parte do quadro societário. O fundo passou ao empresário Alberto Leite, dono da FS Security e amigo do ministro; a Folha data a compra em fevereiro de 2025. Um mês depois, o regulamento foi alterado para permitir aplicações no exterior e, em dezembro, os ativos seguiram para a holding Égide I, nas Ilhas Virgens Britânicas. Mensagens do celular de Vorcaro citadas pelo Correio Braziliense mostram apreensão com atrasos nos aportes: o banqueiro mobilizou o cunhado Fabiano Zettel e o ex-ministro Fábio Faria para destravar os recursos e, após falar com Toffoli, disse que a demora o deixou "em situação ruim". Em mensagens do fim de 2025, ele orientou a formalização da transferência do fundo a Leite e pediu uma minuta de contrato "sem nome".

O que é fato e o que é hipótese

Constam do relatório os movimentos financeiros: o aporte de ao menos R$ 35 milhões de Vorcaro, a mudança de regulamento e a remessa dos ativos ao Caribe ao longo de 2025. Já o vínculo entre o fundo e Toffoli é apresentado como hipótese. O próprio documento registra ao menos 12 encontros presenciais entre o ministro e o banqueiro entre o fim de 2023 e o início de 2025, além de 167 ligações por aplicativo entre os dois aparelhos, e admite que o caso demanda aprofundamento analítico, sem conclusões definitivas. Em reunião sigilosa, segundo o Correio Braziliense, os ministros da corte concluíram que o relatório não levava a nada e o arquivaram; o gabinete de Toffoli afirma que a decisão está em trânsito em julgado.

Procurado pela revista piauí, o gabinete do ministro negou irregularidades. Em nota, afirmou que Toffoli "jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior", que ele "jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas" e que nunca teve amizade com Vorcaro. O mesmo relatório também sustenta a suspeita, já noticiada, de que o banqueiro tentou influenciar um voto do ministro em ação sobre precatórios do setor sucroalcooleiro.

Para quem acompanha o caso, dois pontos práticos. O relatório que embasa a suspeita sobre o Arleen integra o material sigiloso do caso Master: nesta semana o STF retirou o sigilo de apenas parte dos autos e, segundo a piauí, dos dois relatórios sobre relações de ministros com Vorcaro apenas um foi tornado público. E, arquivado o caso, essa linha só pode ser retomada se surgirem elementos novos, decisão que compete à própria corte. Suspeita policial não equivale a condenação.

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