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Vorcaro nega à PF corrupção de servidores do Banco Central em depoimento de 4 horas

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PCPor Paula Cardoso•28 de agosto de 2026•Fontes: CNN Brasil, G1

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira (28) e negou que tenha havido corrupção envolvendo servidores do Banco Central. A oitiva foi feita por videoconferência a partir da carceragem da Papudinha, no Distrito Federal, onde ele está preso. Segundo a defesa, o depoimento durou quatro horas e meia. A sessão estava marcada para quinta-feira (27), mas foi adiada por problemas técnicos na conexão.

Vale separar o que está confirmado do que ainda é suspeita. O confirmado: o depoimento ocorreu, foi o primeiro interrogatório de Vorcaro desde sua prisão preventiva em março, e integra um inquérito que apura a relação do ex-banqueiro com os ex-supervisores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana. A suspeita, ainda sob investigação e sem conclusão formal, é de que os dois servidores tenham recebido vantagens financeiras e atuado em favor do Master enquanto o banco enfrentava uma crise de liquidez e passava por fiscalização.

O que a PF investiga

Segundo a Polícia Federal e o Banco Central, ouvidos pelo G1, há indícios de que os dois ex-supervisores tenham atuado para beneficiar Vorcaro em discussões internas sobre fiscalização, socorro financeiro e medidas que poderiam afetar o futuro da instituição. A CNN Brasil apurou que a PF investiga se os servidores funcionaram como "espiões" do banqueiro dentro da autoridade monetária, repassando informações privilegiadas. Vorcaro negou ter recebido esse tipo de informação.

Em nota divulgada após o depoimento, a defesa afirmou que esta foi a primeira oportunidade dada ao ex-banqueiro de responder diretamente aos questionamentos da investigação:

"Na ocasião, Daniel respondeu de forma clara e consistente a todos os questionamentos que lhe foram formulados, não deixando qualquer indagação sem esclarecimento. Restou demonstrado, em especial, que não houve qualquer ato de corrupção envolvendo os servidores mencionados na investigação em curso."

A nota diz ainda que Vorcaro mantém disposição para prestar esclarecimentos mais amplos, desde que lhe seja assegurada a possibilidade de colaborar. O ponto é relevante porque, segundo a CNN Brasil, o depoimento ocorreu após a rejeição formal de duas propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa, tanto pela PF quanto pela Procuradoria-Geral da República.

Prisões e liquidação do Master

Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Antes disso, já havia sido detido em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. O Banco Master, por sua vez, foi liquidado pelo Banco Central, medida que retirou a instituição do mercado.

Para o leitor acompanhar os próximos passos: o inquérito continua aberto, e a PF ainda pode ouvir outras testemunhas e analisar o conteúdo do depoimento desta sexta. A eventual abertura de uma nova negociação de colaboração premiada, que a defesa sinaliza desejar, dependeria de manifestação da PF e do Ministério Público Federal. Até lá, as acusações contra os ex-servidores e contra Vorcaro seguem no campo das suspeitas sob apuração, sem denúncia formal neste inquérito específico.

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