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Ministério da Saúde pede à Conitec avaliação de canetas emagrecedoras no SUS

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PCPor Paula Cardoso•24 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

O Ministério da Saúde pediu nesta quinta-feira (24) que a Conitec avalie a incorporação ao SUS (Sistema Único de Saúde) dos medicamentos para obesidade à base de semaglutida e liraglutida, conhecidos como canetas emagrecedoras. Segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, o ministro Alexandre Padilha enviou ofício à comissão para que a oferta desses tratamentos a pacientes com obesidade seja analisada. O G1 confirma o protocolo do pedido.

O que está confirmado, por enquanto, é apenas o início da avaliação. A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) assessora o ministério na decisão sobre quais medicamentos e procedimentos serão financiados pela rede pública. Depois do parecer técnico, o processo ainda passa por consulta pública antes da decisão final. Não há prazo definido, e a aprovação não é garantida.

Por que o pedido saiu agora

Dois fatores mudaram em relação às avaliações anteriores, segundo o próprio ministério. A semaglutida e a liraglutida perderam a proteção de patente, e 25 canetas já têm registro no país, das quais 14 foram aprovadas em 2026, entre versões produzidas nacionalmente e genéricos. Além disso, a entrada de novas marcas reduziu em cerca de 70% o preço desses medicamentos em menos de um ano. Avaliações anteriores da Conitec apontavam impacto de bilhões de reais ao longo de cinco anos, dependendo do número de pacientes incluídos e do tempo de tratamento.

Hoje, o SUS não oferece medicamentos para obesidade de forma ampla. Existe apenas um projeto-piloto iniciado em junho, em Porto Alegre (RS), que acompanha cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou com indicação de cirurgia bariátrica. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que as canetas seriam disponibilizadas pela rede pública, mas reconheceu que ainda faltavam etapas técnicas.

A demanda potencial é grande. Dados do Ministério da Saúde mostram que a proporção de adultos com obesidade no país subiu de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024. Mesmo com uma eventual recomendação favorável da Conitec, a chegada dos medicamentos aos pacientes ainda dependerá da definição de quem poderá recebê-los, em quais condições e de onde virão os recursos para financiar o tratamento.

Na prática, nada muda de imediato para quem é atendido pelo sistema público: as canetas continuam disponíveis apenas no mercado privado, e o piloto de Porto Alegre atende um grupo limitado e já definido. O processo ficará aberto à participação na consulta pública, etapa em que qualquer pessoa pode enviar contribuições antes da decisão final. Pessoas com obesidade devem manter o acompanhamento regular nos serviços de saúde, já que os critérios de um eventual acesso pelo SUS ainda não existem.

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