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Pesquisa brasileira avança para levar terapia CAR-T contra o câncer ao SUS

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PCPor Paula Cardoso•29 de agosto de 2026•Fontes: The Conversation, Folha de S.Paulo

A terapia celular com linfócitos geneticamente modificados, conhecida como CAR-T, tem apresentado resultados consistentes no tratamento de tumores hematológicos resistentes a outras terapias. Dados publicados no periódico científico Blood Advances mostram que, em pacientes com linfoma difuso de grandes células B refratário, a taxa de sobrevida global em três anos subiu de 10% para 59% com o uso de CAR-T, enquanto a sobrevida livre de progressão passou de 6% para 48%. Antes dessa abordagem, a sobrevida mediana para esses quadros era de aproximadamente seis meses, com apenas 7% de remissão completa.

O pesquisador Martín Hernán Bonamino, chefe do Programa de Terapia Celular e Gênica do Instituto Nacional de Câncer (INCA), explicou em artigo publicado pelo The Conversation e repercutido pela Folha de S.Paulo que a técnica reposiciona o sistema imunológico para atacar alvos tumorais específicos. Contudo, o custo elevado das versões comerciais importadas, que ultrapassa a faixa de R$ 2 milhões por paciente, ainda restringe o acesso quase que exclusivamente ao setor privado de saúde.

Para viabilizar a oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS), centros de pesquisa nacionais desenvolvem plataformas próprias de produção. Iniciativas no INCA, na Universidade de São Paulo (USP), na Universidade de Brasília (UnB) e no Hospital Israelita Albert Einstein buscam dominar a tecnologia de vetores virais e métodos de manufatura local, com o objetivo de reduzir custos e evitar a dependência de fornecedores externos.

Apesar dos números positivos nos ensaios clínicos, a incorporação em larga escala na rede pública ainda depende de etapas regulatórias formais. Os protocolos nacionais seguem em avaliação e expansão de fases clínicas junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que significa que o tratamento não está disponível de forma imediata em todos os postos de atendimento oncológico do país.

Especialistas recomendam que pacientes diagnosticados com leucemias ou linfomas refratários conversem diretamente com a equipe médica de referência. O caminho mais seguro envolve checar se o quadro atende aos critérios para inclusão em ensaios clínicos autorizados no Brasil ou seguir as linhas terapêuticas convencionais já estabelecidas pelo SUS enquanto a produção pública é estruturada.

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