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Brasil vai rastrear diabetes tipo 5, forma da doença associada à desnutrição

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O Brasil vai começar a rastrear pacientes com diabetes tipo 5, uma forma pouco conhecida da doença associada a quadros de desnutrição. A iniciativa, inédita na saúde brasileira e, em grande medida, também no mundo, foi confirmada pela SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) nesta quarta-feira (26), durante um congresso no Rio de Janeiro, segundo a Folha de S.Paulo. Os primeiros alvos serão as regiões Norte e Nordeste, que concentram o maior número de brasileiros em insegurança alimentar e desnutrição.

O que é o diabetes tipo 5

A condição foi descrita há mais de 70 anos e já teve outros nomes, como diabetes tropical e diabetes tipo J, porque o primeiro caso foi registrado na Jamaica, em 1955. Em 2025, a Federação Internacional de Diabetes (IDF) reconheceu a nova classificação, na prática uma renomeação do chamado diabetes relacionado à desnutrição. A doença atinge sobretudo adolescentes e adultos jovens muito magros, com índice de massa corporal abaixo de 18,5 a 19, e é mais comum em países de baixa e média renda, como Índia, Tailândia, Uganda, Etiópia e Nigéria, segundo a SBD.

O maior risco hoje é a confusão com o diabetes tipo 1, que também surge cedo na vida e em pessoas de baixo peso. O mecanismo, porém, é outro. No tipo 1, uma reação autoimune interrompe a produção de insulina pelo pâncreas, e o paciente pode desenvolver cetoacidose, emergência que torna o sangue ácido e pode levar à morte. No tipo 5, a desnutrição calórico-proteica na vida intrauterina ou na primeira infância reduz as células produtoras do hormônio, mas o organismo preserva uma reserva pequena de insulina. Por isso, explica a SBD, esses pacientes não desenvolvem cetoacidose e costumam precisar de doses menores do hormônio. "Convencionou-se de forma unânime chamar esse diabetes de tipo 5 porque ele é diferente de todos os demais catalogados até hoje: ocorre em pessoas muito magras, comumente abaixo de 30 anos e que vão precisar de uma reposição menor de insulina", disse à Folha a médica Hermelinda Pedrosa, vice-presidente da IDF e membro da SBD.

O que está confirmado e o que ainda é hipótese

O anúncio do rastreamento é o fato concreto até agora. O restante segue em aberto. Não existem dados de prevalência do tipo 5 no Brasil. "Talvez existam casos, mas possivelmente estejam rotulados como DM1 por causa da sobreposição de características, como a idade precoce de aparecimento do diabetes e o baixo IMC", afirma o médico Fernando Valente, diretor da SBD, em texto publicado pela entidade. A suspeita ouvida pela Folha é que um número relevante de brasileiros tratados como tipo 1 tenha, na verdade, o tipo 5, o que expõe o paciente a tratamento inadequado. Estudos internacionais indicam que a condição é mais frequente em homens da zona rural, que muitas vezes não chegam ao diagnóstico correto e acumulam complicações como cegueira, problemas renais e cardíacos e amputações de membros inferiores.

A SBD já mantém em seu site um formulário de rastreamento do tipo 5 voltado a profissionais de saúde, baseado no algoritmo proposto pela IDF, com critérios clínicos para identificar casos suspeitos. A federação também criou um grupo de trabalho para desenvolver, no prazo de dois anos, critérios formais de diagnóstico e diretrizes terapêuticas para a doença.

Para o paciente, a orientação prática é direta. Quem tem menos de 30 anos, é muito magro e convive com um diagnóstico de diabetes, sobretudo se houve desnutrição na infância, pode levar o assunto à próxima consulta. O diagnóstico correto muda o manejo: além de insulina em doses menores, o tratamento do tipo 5 inclui reposição adequada de calorias, proteínas e micronutrientes. Nenhuma mudança de medicação deve ser feita por conta própria; o ajuste cabe ao médico que acompanha o caso.

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