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43,8 milhões de brasileiros já apostaram em bets, alta de 75,2% em oito meses

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PCPor Paula Cardoso•18 de setembro de 2026•Fontes: Brasil 247, Folha de S.Paulo, BNL Data

O número de brasileiros que já apostou em plataformas de apostas online, as chamadas bets, alcançou 43,8 milhões no fim de agosto, o equivalente a 27% da população adulta do país. Os dados são do Ministério da Fazenda, extraídos do Sigap, o sistema oficial que registra as apostas legais, e foram divulgados nesta sexta-feira (18) pela Folha de S.Paulo, com base em resposta a um pedido via Lei de Acesso à Informação (LAI) feito pelo site BNL Data. Em oito meses, o total subiu dos 25 milhões registrados no fim de 2025, um avanço de 75,2%.

Os números confirmam a expansão do hábito de apostar, mas uma distinção ajuda a ler o quadro com precisão. O total de 43,8 milhões conta quem apostou ao menos uma vez. Já o número de apostadores ativos, que depositam dinheiro todo mês, caiu 7,6% no primeiro semestre: foram 8,5 milhões por mês na média, contra 9,2 milhões em 2025. Parte da queda vem de restrições em vigor. Segundo a Fazenda, 5 milhões de pessoas estão bloqueadas das plataformas: 3 milhões de beneficiários de programas sociais, 474 mil inscritos no programa de renegociação de dívidas Desenrola Brasil e 854 mil que pediram autoexclusão.

Menos depósitos, mais retenção para as casas

A receita das plataformas autorizadas subiu 5,9% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, mesmo com os depósitos em queda, de R$ 99,2 bilhões para R$ 88,5 bilhões. O saldo negativo dos apostadores, a diferença entre o que depositaram e o que receberam em prêmios, somou R$ 20,2 bilhões entre janeiro e junho, contra R$ 19,1 bilhões um ano antes. Na conta da Folha, a receita das casas equivaleu a 22,8% dos depósitos, acima da retenção máxima de 15% prevista em lei e da taxa de 7% divulgada pelo próprio setor. Pelas regras vigentes, 88% do faturamento ficou com as empresas e 12% com a União e entidades beneficiadas; essa fatia sobe para 13% neste ano e 15% em 2028.

O perfil dos apostadores é majoritariamente masculino: os homens são 68,84% do grupo, e as mulheres, 31,16%. A maior faixa etária, com 29,07%, tem entre 31 e 40 anos. A movimentação segue o calendário do futebol. O pico do ano veio em janeiro, com 10,2 milhões de depositantes, no início dos campeonatos estaduais; o piso foi em abril, com 7,2 milhões, pouco antes do lançamento do Novo Desenrola Brasil; e a procura voltou a subir em junho, com o início da Copa do Mundo. "A quantidade de transações subiu, mas o valor depositado por pessoa não subiu significativamente", disse à Folha Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, empresa de pagamentos que atende o setor, sobre o período do mundial.

Governo avalia restrições

Em coletiva de imprensa na quinta-feira (17), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que as discussões do governo sobre possíveis restrições às plataformas e aos jogos online, como o tigrinho e o Aviator, têm como critério o efeito das apostas no orçamento das famílias. "Seguimos muito preocupados com o custo de vida e com preservar a renda das famílias brasileiras", afirmou.

Dois limites dos dados merecem registro. Eles cobrem apenas as 85 empresas autorizadas pelo governo e duas com permissão judicial, sem medir o jogo ilegal. E o universo de 43,8 milhões reúne quem já apostou alguma vez, não quem aposta hoje. Para quem quer reduzir ou parar de apostar, existe caminho previsto em regra: pedir autoexclusão diretamente às plataformas, recurso já usado por 854 mil pessoas, além do bloqueio automático que atinge beneficiários de programas sociais e inscritos no Desenrola Brasil. No acumulado do semestre, as casas retiveram mais do que devolveram em prêmios, e o dinheiro apostado sai da mesma renda que paga as contas da casa.

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