arrow_backVoltar
anvisamedicinepublic-healthdiabetes

Anvisa aprova dois genéricos de liraglutida para obesidade e diabetes tipo 2

bookmark_borderSalvar
PCPor Paula Cardoso•9 de setembro de 2026•Fontes: G1, Agência Brasil

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou dois registros de medicamentos genéricos à base de liraglutida, princípio ativo usado em canetas injetáveis para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. As autorizações foram concedidas à farmacêutica brasileira EMS e publicadas nesta terça-feira (8) no Diário Oficial da União. Os produtos terão concentração de 6 mg/mL, em solução injetável de aplicação subcutânea.

Segundo a Agência Brasil, os dois registros estão ligados a canetas que a EMS já comercializa: o Olire, indicado para controle de peso em adultos e adolescentes, e o Lirux, voltado ao gerenciamento da glicemia. O G1 lembra que as duas canetas foram aprovadas pela Anvisa em dezembro de 2024 e começaram a chegar às farmácias em agosto de 2025.

O que muda com o registro

A mudança é de categoria regulatória. Registrados como genéricos, os produtos podem ser vendidos pelo nome do princípio ativo, liraglutida, sem vínculo obrigatório a uma marca comercial. No documento oficial, os medicamentos aparecem como "genérico, registro clone": um procedimento simplificado que a Anvisa usa quando o novo produto tem a mesma composição, fabricante e linha de produção de um medicamento que já passou pela análise completa da agência, o chamado medicamento matriz. Neste caso, as matrizes são justamente Olire e Lirux, e as diferenças ficam restritas a nome, rótulo e informações legais da embalagem.

Para entrar na categoria de genérico, a exigência é que o produto tenha o mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, via de administração e indicação do medicamento de referência, e que demonstre equivalência para poder substituí-lo. Os novos registros preveem embalagens com um, dois, três, cinco e até dez carpules de 3 mL, o pequeno reservatório que se encaixa na caneta aplicadora.

Preço e data de lançamento ainda não existem

Aqui está o limite do anúncio. A aprovação não significa que as versões genéricas estarão nas prateleiras logo: conforme o G1, a EMS ainda precisa definir o lançamento e os preços de comercialização. No Brasil, os preços máximos dos medicamentos são regulados pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), e a regra atual limita o preço de fábrica de um genérico a 65% do valor autorizado para o medicamento de referência. Isso não garante uma queda proporcional no balcão, porque o preço final varia com impostos, descontos dos laboratórios e política comercial das redes de farmácias.

Há referências para dimensionar o mercado. Quando lançou Olire e Lirux, em 2025, a EMS anunciou preços sugeridos a partir de R$ 307,26 por caneta. A liraglutida está há anos no Brasil e é também o princípio ativo do Saxenda, indicado para controle de peso, e do Victoza, usado no diabetes tipo 2, ambos da Novo Nordisk. A substância é um agonista do receptor de GLP-1, a mesma classe da semaglutida, presente em Ozempic e Wegovy, e imita um hormônio intestinal que participa do controle da glicose e do apetite. Uma diferença prática em relação às canetas mais recentes: a liraglutida é aplicada todos os dias, enquanto semaglutida e tirzepatida têm apresentações de uso semanal.

Para quem usa ou pretende usar esses medicamentos, o que é possível afirmar hoje: os genéricos aprovados são equivalentes às matrizes já avaliadas pela Anvisa, mas ainda não têm data de chegada às farmácias nem preço anunciado. As duas indicações são distintas, uma voltada à obesidade e outra ao diabetes tipo 2, com esquemas de dose próprios. Segundo o G1, a venda exige receita, que fica retida na farmácia. A orientação continua sendo a de sempre: converse com quem prescreve antes de trocar de apresentação ou de dose, e compre apenas com receita, em farmácia.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar