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PGR sugeriu apurar atuação de Flávio no Senado em defesa do Banco Master

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PCPor Paula Cardoso•11 de setembro de 2026•Fontes: Poder360, Folha de S.Paulo, BBC News Brasil, G1

Documentos da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal que ficaram públicos nesta sexta-feira (11) mostram que a PGR pediu apuração de possíveis propostas legislativas apresentadas ou apoiadas pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que pudessem interessar ao Banco Master e a seu fundador, Daniel Vorcaro. O mesmo material indica, segundo o jornal Folha, que Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, atuava como gestor do dinheiro arrecadado para o filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A sugestão consta de um parecer da PGR de 21 de junho, favorável à abertura de investigação contra Flávio pelo financiamento do filme, conforme noticiou primeiro o Poder360. O texto ficou público depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou na noite de quinta-feira (10) o fim do sigilo de parte do inquérito principal do caso Master, medida cumprida nesta sexta pelo relator, ministro André Mendonça.

"Proposições legislativas apresentadas ou endossadas pelo senador Flávio Nantes Bolsonaro e pelo deputado Mario Luis Frias no âmbito do Congresso Nacional, que possam ser de interesse do Banco Master ou de empresas a ele vinculadas, bem como aos seus controladores, em especial Daniel Bueno Vorcaro."

No parecer, a Procuradoria recomendou relacionar essas proposições às apurações. Em 22 de julho, Mendonça autorizou inquérito contra Flávio por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, entre outros possíveis crimes, informam o G1 e a BBC Brasil. A investigação sobre o senador segue sob sigilo, mas a autorização entrou no processo principal, agora público. O deputado Mario Frias (PL-SP), citado no mesmo trecho, foi alvo de operação da PF na quinta, em inquérito conduzido pelo ministro Flávio Dino.

O que os documentos dizem sobre os irmãos

Segundo a Folha, o material mostra que Flávio era interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas de investimento no filme, com encontros pessoais e cobranças reiteradas por pagamentos. Em relatório citado pelo jornal, a PF escreveu que o senador "não aparece apenas como terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, mas como interlocutor direto de Daniel Vorcaro". A reportagem também relata que a PF suspeita que parte dos recursos arrecadados tenha sido usada para pagar despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Segundo o G1, o responsável pelo fundo americano Havengate, usado nos repasses, é o advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo no país.

Os números conhecidos até aqui: Vorcaro repassou R$ 61 milhões aos produtores por meio do Havengate, e Flávio teria negociado US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época; a produtora diz ter gasto R$ 75,1 milhões. O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, firmou acordo de colaboração com a PGR e afirmou ter feito sete repasses ao fundo entre janeiro e setembro de 2025, num total de US$ 12,333 milhões, a pedido de Vorcaro e com valores pedidos por Flávio. O repasse de setembro, de US$ 1,666 milhão, contraria a versão do senador de que o último pagamento tinha ocorrido em maio de 2025.

Defesa e estágio das apurações

Flávio nega irregularidades. "Transparência total nesse assunto foi a melhor coisa que poderia acontecer", disse nesta sexta, em campanha no Amazonas, segundo a BBC Brasil. Segundo a mesma reportagem, ele afirmou que adversários vão tentar "fazer de tudo para desestabilizar e inventar coisas onde não tem". O Poder360 procurou o senador e o deputado Mario Frias para comentar a sugestão da PGR e não recebeu resposta até a publicação. Vorcaro está preso desde novembro de 2025 e é suspeito de fraude de R$ 12 bilhões no sistema financeiro, segundo a BBC.

O que está confirmado, até aqui, é o conteúdo dos documentos: a sugestão da PGR, a abertura do inquérito e os apontamentos sobre os dois irmãos. A suspeita de que Flávio tenha atuado no Congresso em defesa do Master, e a de que Eduardo geria os recursos do filme, ainda precisam de prova; não há denúncia contra nenhum deles. Os próximos passos cabem à PF e à PGR, que podem pedir arquivamento ou denunciar ao STF. As peças públicas do caso podem ser consultadas no site do tribunal; o inquérito sobre Flávio segue em sigilo. Antes de compartilhar trechos soltos de documentos, vale conferir a íntegra nas fontes oficiais.

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