O Ministério da Defesa terá o sexto maior orçamento do governo federal em 2027. A previsão está no projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) encaminhado nesta semana ao Congresso Nacional, que reserva cerca de R$ 148 bilhões para a pasta. O tema foi citado repetidamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um contexto de tensões internacionais e de atritos com os Estados Unidos, segundo o G1. A reportagem é ilustrada com imagens de um exercício militar de proteção da Amazônia, em Boa Vista (RR).
Do total previsto, R$ 108 bilhões vão para pessoal e encargos sociais, incluindo militares da ativa, inativos e pensionistas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. Outros R$ 21,7 bilhões são despesas correntes, e R$ 12,7 bilhões ficam para investimentos, cerca de 8,6% do orçamento da pasta. Segundo o G1, os recursos da Defesa superam, somadas, as dotações de 17 ministérios, entre eles Justiça e Segurança Pública (R$ 27,5 bilhões), Transportes (R$ 19,4 bilhões) e Ciência e Tecnologia (R$ 15,9 bilhões). Dados do Portal da Transparência, da Controladoria-Geral da União (CGU), registram 365 mil militares ativos, 268 mil pensionistas e 91 mil militares reformados no país.
Lula tem defendido gastos maiores com defesa nos últimos meses. Em junho, afirmou que ampliaria as verbas porque "está cheio de maluco no mundo" e disse não querer guerra, mas também não querer "ser pego de surpresa". Em julho, declarou que as Forças Armadas precisam estar "preparadas" e citou o interesse de Estados Unidos, Rússia e China em terras raras e minerais críticos. O G1 relaciona o tema à guerra no Oriente Médio e à decisão americana de classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas.
Em agosto, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, avaliou que o Brasil não teria condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos em um eventual cenário de invasão.
"Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão", disse Múcio, em evento, arrancando risadas dos presentes.
Para onde vai o dinheiro
No orçamento de investimentos, o novo PAC prevê R$ 10,2 bilhões para 16 projetos da Defesa em 2027. A maior dotação individual é do projeto FX-2, dos caças Gripen: R$ 2,89 bilhões para aeronaves, armamentos, suporte e componentes associados, no contrato com a fabricante sueca Saab, conforme a Revista Fórum. Vêm ainda R$ 571,8 milhões para o cargueiro KC-390, da Embraer, com mais uma aeronave prevista para 2027, e R$ 337,6 milhões para modernizar os A-29 Super Tucano.
Na Marinha, o programa nuclear recebe R$ 1,4 bilhão, incluindo o Labgene, em Iperó (SP), protótipo em terra da planta de propulsão do futuro submarino nuclear brasileiro. O submarino em si tem cerca de R$ 400 milhões orçados (R$ 388,8 milhões na proposta). Até maio deste ano, o programa já consumia R$ 5,8 bilhões de um total de R$ 22,6 bilhões, com término previsto para 2037. As fragatas Classe Tamandaré terão R$ 900 milhões para a construção de quatro navios.
No Exército, destacam-se R$ 1,02 bilhão para o programa Forças Blindadas, com 116 viaturas previstas para 2027, e R$ 671,4 milhões para o sistema ASTROS-FOGOS, de foguetes e mísseis. O projeto MICLA, de mísseis de longo alcance, recebe R$ 11 milhões. O Sisfron, de monitoramento de fronteiras, terá R$ 467 milhões, e a aviação do Exército com drones, R$ 520 milhões.
O próximo passo é no Congresso Nacional. A Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização definirá a relatoria da LOA 2027, e o texto precisa ser aprovado pelas duas Casas para que o orçamento entre em vigor em 1º de janeiro de 2027.