O Grupo Gennius, controlador das redes Habib's, Ragazzo e Tendall Grill, teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo na terça-feira (25 de agosto). Segundo a petição inicial apresentada ao tribunal paulista, a companhia declarou um passivo de R$ 265,2 milhões. O processo judicial abrange 178 pessoas jurídicas da holding e dois produtores rurais integrados à cadeia direta de fornecimento de carne, farinha e laticínios da rede.
O endividamento do grupo concentra-se em compromissos bancários e operacionais sem garantia real. De acordo com os autos do processo, R$ 241,7 milhões correspondem a dívidas com bancos e fornecedores de mercadorias. Os débitos trabalhistas somam R$ 22,3 milhões, enquanto micro e pequenas empresas detêm R$ 1,15 milhão a receber. Antes de recorrer ao pedido formal, o grupo manteve uma tutela de mediação preventiva de 60 dias aberta em junho de 2026, mas as tratativas com instituições financeiras não resultaram em acordo extrajudicial.
A operação do Grupo Gennius funciona com forte integração vertical: reúne atividades agropecuárias, cozinhas centrais, logística própria e uma rede de atendimento formada por 119 lojas do Habib's, 26 unidades do Ragazzo e seis churrascarias Tendall. Conforme relatado pela empresa à Justiça, o custo de manutenção dessa estrutura sofreu forte compressão com a elevação da taxa básica de juros (Selic), que encareceu a rolagem dos empréstimos bancários e drenou o fluxo de caixa para despesas financeiras.
Além da pressão dos juros, as alterações na rotina urbana pesaram sobre os resultados das lojas de rua e praças de alimentação. O avanço do trabalho remoto reduziu o fluxo de clientes nos restaurantes físicos dos centros urbanos. Embora as plataformas de delivery tenham mantido o volume de vendas durante e após a pandemia, as taxas de intermediação cobradas pelos aplicativos reduziram a margem operacional de cada refeição comercializada.
As lojas continuam funcionando normalmente enquanto o grupo elabora o plano de reestruturação a ser submetido aos credores. Para os pecuaristas e produtores rurais que abastecem a cadeia, o processo judicial posterga o recebimento de faturas vencidas e aperta a liquidez nas entregas futuras. Na outra ponta, o consumidor habitual deve continuar encontrando as unidades abertas, mas a marca terá o desafio de recompor margens operacionais sem perder o apelo de preço acessível que sustenta a sua base de clientes.