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Editoriais de Estadão, Folha e O Globo pedem saída de Moraes do STF

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Os editoriais dos três principais jornais do país pediram a saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). O Estado de S. Paulo e a Folha de S.Paulo defenderam a saída na terça-feira (1º) e O Globo aderiu na quarta-feira (2). O gatilho foi a divulgação, no dia 1º, de um relatório de 218 páginas da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Segundo a CNN Brasil e o Poder360, o relator do caso Master no STF, ministro André Mendonça, retirou o sigilo do documento na terça. O material reúne mensagens, contratos e registros de encontros extraídos do celular de Vorcaro. A PF apontou indícios de pelo menos seis encontros entre Vorcaro e Moraes entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Em uma das mensagens, o ex-banqueiro pergunta se deveria deixar o Brasil dois dias antes de ser preso. Ele também pediu a Moraes que conversasse com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Os pedidos dos jornais

O Estadão publicou em 1º de setembro o editorial "Moraes tem de deixar o Supremo". Para o jornal, "investigar resolve apenas parte da crise", diante do "peso de um ministro cuja permanência compromete a autoridade da própria Corte". O texto sustenta que a investigação ainda precisa esclarecer se houve tentativa de interferência nas apurações ou compartilhamento de informações sigilosas. Nesta quinta-feira (3), o jornal voltou ao tema no editorial "Um apelo ao que resta do Supremo", em que pede aos ministros que manifestem "sem medo seu horror diante do colapso moral que ameaça o STF".

A Folha publicou na noite de terça o editorial "A Moraes cabe a renúncia". O jornal classificou as mensagens, os encontros e os contratos entre empresas ligadas ao Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, como uma "torrente de situações abomináveis". "Não há mais lugar no STF para Alexandre de Moraes. Se o ministro não renunciar, restará ao Senado, por meio de um processo de impeachment", escreveu o jornal.

"Enquanto o ministro permanecer na sua cadeira, a desonra e o descrédito se acumularão sobre o tribunal. A atitude mais digna e rápida seria a renúncia do magistrado. Ela pouparia as instituições nacionais de um desgaste desnecessário e longo."

O Globo publicou na quarta o editorial "Alexandre de Moraes precisa deixar o STF". "Será uma vergonha se, mais uma vez, o STF tentar proteger um de seus membros diante de tantas evidências", escreveu o jornal. Segundo a CNN Brasil, O Globo cobrou que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, convoque com urgência o plenário e repudiou o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) de anulação do relatório da PF. "Se Moraes ou Gonet insistirem em impedir seus pares de julgar o parecer da PGR, estará claro o desejo de esconder tudo. Equivalerá a uma confissão de culpa, situação em que o melhor seria renunciarem ao cargo", registrou o jornal.

O que vem a seguir

Fachin classificou as revelações como um momento de "especial gravidade" e afirmou que anunciará "medidas cabíveis" nos próximos dias. O plenário do STF precisa examinar o parecer da PGR, que pede a nulidade da investigação conduzida por Mendonça. Se a Corte não agir, os jornais apontam o Senado como instância seguinte, já que o impeachment de ministros do STF é julgado pela Casa. Moraes não havia se manifestado publicamente sobre as mensagens até a manhã desta quinta, segundo o Poder360. O relatório da PF não é conclusivo e outros aparelhos apreendidos na operação ainda podem ser examinados. Faltam 31 dias para o 1º turno da eleição presidencial.

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