O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD, foi sabatinado pela TV Globo na noite de terça-feira (25), nos estúdios da emissora no Rio de Janeiro. Na entrevista conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, Caiado defendeu anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, um ajuste fiscal por emenda constitucional e a criação de uma polícia sul-americana. Ele foi o segundo entrevistado da série da Globo com seis presidenciáveis, segundo o G1 e a BBC News Brasil.
No primeiro bloco, Caiado prometeu enviar ao Congresso um projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, grupo que inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado e preso no caso. "Nós precisamos acabar com essa polarização, nós temos que pacificar o país. Ninguém aguenta mais essa situação", afirmou.
"Encaminharei, sim, ao Congresso Nacional um projeto para que haja uma anistia geral, ampla. Da mesma maneira, de uma forma especial, o Supremo concedeu uma anistia ao ex-presidente Lula", disse Caiado.
A comparação não corresponde ao que decidiu o Supremo Tribunal Federal. Como apontaram o G1 e a BBC, a Corte anulou as condenações de Lula na Operação Lava Jato ao entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos e que o então juiz Sergio Moro atuou de forma parcial. Não houve anistia.
Ajuste fiscal e corte de gastos
Caiado disse que encaminhará ao Congresso, no primeiro dia de um eventual governo, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita o crescimento das despesas federais à inflação mais 50% do crescimento do PIB. Perguntado sobre os cálculos da proposta, pediu paciência: "Um paciente foi atropelado por um ônibus. Quais são os pontos que você vai priorizar? Poxa, eu nem examinei o paciente. Calma." O candidato chamou o arcabouço fiscal vigente de "grande farsa" e defendeu uma reforma administrativa com cortes em todos os poderes. "Eu vou trabalhar em relação à reforma administrativa, o corte não só no Executivo, mas também no Legislativo, no Judiciário, no TCU, em todos os órgãos", afirmou, citando como alvos "salários extorsivos" e desvios de recursos de emendas parlamentares.
Polícia sul-americana e Previdência
Na segurança pública, Caiado defendeu a criação da Sulpol, uma força policial conjunta dos países da América do Sul inspirada na Europol. "O Brasil é a Disneylândia do narcotráfico", disse. Segundo o candidato, policiais de outros países poderiam operar em território brasileiro em casos de contrabando, armas, lavagem de dinheiro e drogas. Perguntado se autorizaria ações dos Estados Unidos no Brasil, respondeu: "Eu não tenho porque autorizá-los. Pra quê, se nós vamos tratar entre nós aqui. Somos dez países." O governo americano anunciou nas últimas semanas ações contra o narcotráfico na América Latina, e o governo Lula vê com preocupação a possibilidade de operações dos EUA em território nacional, informou a BBC.
Caiado também disse que fará uma reforma da Previdência, mas não respondeu se mudará a idade mínima de aposentadoria. Sobre tributos, afirmou que vai "revisitar" a reforma tributária, que atribuiu ao economista Bernard Appy, e defendeu reduzir a carga para autônomos e microempreendedores. Ele criticou a estimativa de alíquota de 28% para o novo Imposto sobre Valor Agregado e o Imposto Seletivo, chamado por ele de "imposto do pecado". Ao fim da sabatina, fez um apelo ao STF para abrir os sigilos das investigações sobre fraudes no INSS, o caso Master e a Operação Carbono Oculto, apurações que, segundo o G1, podem atingir as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro.
A série de sabatinas da Globo continua nesta quinta-feira (27), com o presidente Lula (PT). Nos próximos dias serão entrevistados Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante). As principais propostas apresentadas por Caiado, como a anistia e a PEC do teto de gastos, dependem de aprovação do Congresso caso ele seja eleito em outubro.