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Em sabatina, Haddad promete câmeras corporais contínuas e descarta reestatizações em SP

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MRPor Marina Rocha•24 de agosto de 2026•Fontes: G1

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi sabatinado nesta segunda-feira (24) pelo UOL e pela Folha de S.Paulo, na série de entrevistas dos dois veículos com os postulantes ao Palácio dos Bandeirantes. Na conversa, o ex-ministro da Fazenda prometeu fazer as câmeras corporais da Polícia Militar funcionarem sem interrupção, descartou reestatizar serviços privatizados na gestão atual e afirmou que a letalidade policial dobrou sob Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição.

Câmeras corporais e letalidade policial

Conforme o G1, Haddad afirmou: "Eu vou colocar as câmeras corporais para funcionar ininterruptamente. Eu acho que ele comprou as câmeras, que foi uma boa coisa, mas essa coisa do cara desligar quando quer, não dá." O modelo em vigor foi alterado após acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em maio de 2025 e não prevê gravação contínua: os equipamentos podem ser ligados manualmente pelo policial ou acionados à distância pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). Organizações sociais e de direitos humanos criticam o formato porque ocorrências podem deixar de ser filmadas quando não há acionamento.

O petista disse ainda que a letalidade da polícia dobrou no governo Tarcísio e criticou a falta de investimento em inteligência, tecnologia e análise de dados. "Isso não vai acontecer com os BOs sendo feitos da maneira que são, burocratizados, sem que você trabalhe os dados dos BOs para orientar o patrulhamento nas ruas", declarou. Segundo Haddad, menos de 5% dos crimes cometidos no estado chegam à identificação dos autores e à condenação.

Reestatização e contratos

Questionado sobre as privatizações tocadas por Tarcísio, Haddad negou que vá reestatizar concessões, informou o Poder360. "Reestatizar é uma coisa muito complicada, porque os contratos são feitos com uma amarração tal, que às vezes sai mais caro reestatizar do que impor à concessionária regras mais justas com o consumidor", declarou, na posição que o UOL resumiu em manchete com a frase "Melhor trocar gestor". O candidato prometeu, em vez disso, fazer um "pente fino" nos contratos da atual gestão e afirmou que Tarcísio, como ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro entre 2019 e 2022, "assinou contratos prejudiciais ao Tesouro Nacional". Ele citou a revisão de contratos da malha ferroviária feita com acompanhamento do TCU e disse que sua gestão na Fazenda identificou R$ 4 bilhões devidos pela Vale, valor que, segundo ele, já foi pago.

Cracolândia e Polícia Federal

Sobre a Cracolândia, Haddad rebateu a versão da prefeitura e do governo estadual de que o problema acabou. "Eu convido as pessoas a dar uma caminhada no Brás, depois das 8h, 9h da noite, para ver se a Cracolândia acabou", disse, citando ainda concentrações de usuários em Itaquera, na Marginal Tietê e na Marginal Pinheiros. O candidato defendeu uma abordagem sanitária, com tratamento, abrigo e reinserção no trabalho, na linha do programa De Braços Abertos, criado em 2014 quando era prefeito da capital, e pregou divisão de tarefas: ao estado caberia combater o tráfico, e às prefeituras tratar os dependentes.

Haddad também comentou as suspeitas de vazamento de dados sigilosos na investigação que envolve Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. Ele disse confiar na Polícia Federal como instituição, mas afirmou que a população não pode ser ingênua a ponto de achar que "a polarização não atravessa as instituições", e elogiou o ministro André Mendonça, do STF, por determinar a apuração dos vazamentos. A propaganda eleitoral gratuita em São Paulo começa na sexta-feira (28); segundo o TRE-SP, Tarcísio terá 6 minutos e 20 segundos diários de TV e rádio, contra 2 minutos e 40 segundos de Haddad, informou o G1.

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