A Polícia Federal aponta que emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias (PL-SP) podem ter alimentado um esquema de desvio de dinheiro envolvendo advogados, ex-secretários do gabinete e a produtora do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a Folha de S.Paulo, documento da corporação cita peculato, fraude e lavagem de dinheiro entre os crimes investigados.
O documento sinaliza que R$ 2 milhões em emendas entregues aos projetos "Lutando pela Vida", esportivo, e "Jovem Empreendedor", de letramento digital, podem ter sido desviados. O caminho teria sido o repasse do Instituto Conhecer Brasil (ICB), que recebeu os recursos, para empresas ligadas a ex-secretários ou advogados do parlamentar. O esquema, segundo a PF, incluiria ainda gastos da cota parlamentar, doações de campanha e desvios que chegaram à Go Up, produtora de "Dark Horse".
O elo com o filme
A Go Up e o ICB são ligados à empresária Karina Gama, produtora do filme e alvo de buscas. As empresas dela também receberam verbas de outros parlamentares e de órgãos públicos, como a Prefeitura de São Paulo, segundo a Folha. O financiamento veio de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master e preso em Brasília. O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) admitiu ter intermediado as negociações e cobrado pagamentos de Vorcaro, que repassou cerca de R$ 61 milhões ao projeto antes de ser preso, segundo o G1.
Relatórios do Coaf, citados na investigação, mostram que a Go Up movimentou R$ 19 milhões entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período das gravações em São Paulo. A produtora recebeu R$ 750 mil da NTT Brasil, do grupo de Heric Dias, cujas empresas receberam R$ 700 mil do ICB, e R$ 645,4 mil do próprio Frias, de rendimentos mensais de R$ 44.008,52. "Chama a atenção a coincidência temporal das gravações com o período da referida comunicação (10/11/2025 a 30/12/2025), bem como a natureza das despesas, que envolvem hotel de alto padrão e refeições", diz o relatório da PF.
Videoaulas e tatames
A operação foi autorizada em 10 de setembro pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), que derrubou o sigilo da ação. No projeto "Jovem Empreendedor 4.0", que recebeu R$ 1 milhão em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a auditoria da CGU apurou que R$ 300 mil pagaram 24 videoaulas publicadas meses após o fim do convênio. Em vistoria de 1º de julho, dez delas somavam apenas sete visualizações. O ministério rejeitou a prestação de contas. No projeto esportivo, o G1 relata compra de quimonos, uniformes e tatames não entregues.
Karina Gama nega irregularidades. "Investigação não é acusação, muito menos condenação", diz sua defesa. Frias, candidato à reeleição, nega irregularidades no exercício do mandato e chama a operação de "cortina de fumaça" em meio às eleições de 2026. O inquérito segue sob Dino no STF e ainda não gerou denúncia. O deputado disputa a reeleição nas urnas de outubro.