Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu na segunda-feira (14) ao ministro André Mendonça que derrubasse o sigilo dos registros que detalham a rede de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e preso em Brasília. Mendonça atendeu no mesmo dia e liberou o acesso à Petição 15.645, que reúne um relatório sobre os pagamentos.
O pedido de Fachin atendeu uma solicitação apresentada no domingo (13) pelo ministro Alexandre de Moraes. Segundo o G1, Moraes pediu o levantamento do sigilo antes da sessão desta terça-feira (15), marcada para discutir se a Corte deve apurar a relação dele com Vorcaro. Fachin encaminhou o pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou a favor, e só então solicitou a providência a Mendonça.
A manifestação da PGR é assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand. Ele afirmou que a procuradoria não havia se posicionado antes porque não tinha ciência de que o documento existia, e defendeu a retirada do sigilo.
"Como se trata de documento tido como relevante para que Ministro desse Tribunal possa compreender a totalidade dos fatores que o tema a ser debatido envolve, em coerência com as premissas do parecer anterior, a Procuradoria-Geral da República entende que também deve ser retirado o sigilo"
O que ficou público
O material liberado inclui relatórios de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) pedidos pela Polícia Federal durante as investigações do caso Master. O G1 informa que o STF já tornou públicos 53 procedimentos de apuração ligados ao caso. Segundo o Poder360, a petição revelada mostra o pedido da PF para investigar a relação dos pagamentos e a lista dos valores pagos por Vorcaro, com destaque para Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro. O vice-procurador-geral também cobrou do gabinete de Mendonça um esclarecimento sobre quais providências foram tomadas no inquérito.
Crise no tribunal
A disputa pelo sigilo acontece em meio à crise aberta pelo relatório da Polícia Federal encomendado por Mendonça a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro. O documento aponta possível relação entre Moraes e o ex-banqueiro. O G1 relata que a PF localizou 52 mensagens trocadas entre os dois de dezembro de 2023 a novembro de 2025 e que o relatório afirma que Moraes atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci, esposa do ministro. A PGR defende a anulação do relatório sob o argumento de que ele foi produzido sem comunicação prévia à Presidência do STF, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.
Na sessão de terça (15), o plenário debateu se o caso de Moraes seria julgado junto com o de Mendonça. O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Flávio Dino, com placar de 4 a 3 pelo julgamento separado, segundo o InfoMoney. O mérito continua pendente: os ministros ainda devem decidir se validam ou anulam o relatório da PF e se há elementos para abrir investigação contra Moraes ou arquivar o caso. O caso de Mendonça está pautado para 23 de setembro.