O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, pressionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a se afastar do caso do Banco Master e a não participar da sessão da corte que vai analisar o relatório que aponta o ministro Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A revelação é da Folha de S.Paulo. A sessão está prevista para a terça-feira (15).
Segundo interlocutores do tribunal ouvidos pela Folha, Fachin cogitou, nos últimos dias, determinar por medida judicial o afastamento de Gonet do caso. Ele mudou de rumo ao concluir que seria melhor um gesto do próprio procurador. Os dois conversaram por cerca de meia hora na tarde de quinta-feira (10), no gabinete da presidência do STF. Pessoas a par das tratativas afirmam que Fachin sugeriu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) seja representada na sessão de terça por outro procurador. Uma das opções aventadas foi o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand.
Por que o caso alcança a PGR
O relatório que retrata Moraes como interlocutor de Vorcaro, dono do extinto Banco Master, também traz menções ao chefe da PGR. Na investigação policial, há diálogos em que o advogado Ciro Soares encaminha ao banqueiro mensagens atribuídas ao procurador-geral. Em outros trechos, Vorcaro pede a Moraes que acione Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para barrar uma operação contra a instituição financeira. Ainda segundo as apurações, o filho de Gonet pediu ao banqueiro para ir a um evento custeado por ele em Londres, com despesas pagas.
Gonet nega irregularidade. Em conversas com sua equipe nos últimos dias, relatadas pela Folha, ele negou ter relação próxima com Vorcaro e disse que Moraes jamais pediu interferência em investigações sobre o Master. Integrantes do órgão que trabalham diretamente com o procurador-geral afirmam que ele conhecia o advogado Ciro Soares e o tratava de forma amigável por ser esse o seu estilo.
O que vem a seguir
A sessão de terça integra a crise aberta no STF pelas investigações do Master, que já envolvem Fachin, Moraes, o relator André Mendonça, a PGR e a cúpula da Polícia Federal. Nos bastidores, a avaliação é de que a ausência de Gonet é especialmente relevante caso o órgão opte por manifestação oral no plenário. Moraes encaminhou nesta sexta-feira (11) ofício a Fachin em que fala em "escolha seletiva" no desigilo parcial determinado por Mendonça e pede o julgamento conjunto das duas petições do caso, segundo o G1. Fachin ainda define o rito do julgamento.