O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, sinalizou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a intenção de dar andamento às acusações trocadas entre ministros nos últimos dias e levar os casos da crise envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça ao plenário da corte. A conversa ocorreu na sexta-feira (4), no Palácio do Planalto, segundo a Folha de S.Paulo.
O chefe do Judiciário demonstrou insatisfação com os meios escolhidos pelos colegas para seguir com as medidas de cada lado, relatou a Folha. Fachin disse a Lula e aos presentes que os assuntos são muito sérios e precisam ser tratados com o critério devido. Ele afirmou que não pretende deixar de apreciar nenhum dos temas levados a ele e que tomará o tempo necessário.
O encontro no Planalto
Participaram da conversa, além de Fachin e Lula, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. O grupo se reuniu antes de uma cerimônia de sanção de projetos relacionados ao Judiciário.
Um interlocutor a par do diálogo relatou à Folha um clima difícil, no início, entre Fachin e Gonet. O procurador-geral já pediu a anulação do relatório da Polícia Federal que incluiu o nome de Moraes no caso Master; Fachin, por sua vez, tem dito que ainda precisa de informações sobre as circunstâncias e os dados levantados. A crise no tribunal começou na terça-feira (1º), quando Mendonça determinou a retirada do sigilo de relatórios da PF que citavam Moraes, Gonet e o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues. Dias depois, Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação sobre a atuação do colega.
Discursos na solenidade
Na cerimônia, Fachin declarou, sem citar nomes, que a resposta à crise será "firme, proporcional e rigorosa", de acordo com o Poder360. "Os acontecimentos recentes demonstram o acerto e a urgência de três metas de nossa gestão: a adoção de um código de ética, o fim do inquérito das fake news e a modernização do sistema de Justiça", afirmou o ministro. Lula também discursou, criticou quem usa o cargo em benefício pessoal, sem citar Moraes, e prometeu: "Tenho certeza de que faremos no próximo ano uma discussão profunda no sistema Judiciário para que o povo possa continuar acreditando na Justiça".
O próximo passo é o plenário. Fachin se mostrou disposto a esclarecer as condutas e a marcar o debate final sobre a crise em sessão plenária do STF, segundo a Folha. Não há data definida. Lula, na conversa privada, defendeu que as respostas sejam dadas e que não deixem dúvidas à sociedade.