O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está na lista de investigados pela Polícia Federal no inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão é do ministro André Mendonça, de 22 de julho. O nome do candidato veio a público nesta sexta-feira (11), depois que o relator levantou parte do sigilo a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin. O caso segue parcialmente sob sigilo.
Segundo o G1, a PF apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção que, em tese, teriam sido praticadas por Flávio no contexto do financiamento do filme junto a Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A Procuradoria-Geral da República foi consultada e não se opôs à abertura do inquérito. Mendonça determinou que o caso fosse remetido à PF para a realização de diligências que não dependem de autorização judicial.
De acordo com a Folha de S.Paulo, Flávio negociou diretamente com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 10 milhões, cerca de R$ 61 milhões, para a produção do longa. O valor foi revelado pelo site The Intercept. Procurado pela reportagem nesta sexta, o candidato não respondeu. Em declarações anteriores, negou irregularidades e afirmou que o filme tem apenas recursos privados. A Folha registra que Vorcaro está preso e é investigado por uma fraude bilionária contra o sistema financeiro brasileiro.
Frentes paralelas
O financiamento de Dark Horse é examinado em dois inquéritos no STF. O de Mendonça apura os repasses feitos por Vorcaro: as circunstâncias, a origem do dinheiro, o montante exato e o destino final dos recursos. Investigadores suspeitam que parte do valor não tenha sido usada na produção. O segundo, sob relatoria do ministro Flávio Dino, verifica se a produtora Go Up Entertainment usou emendas parlamentares para bancar o filme. Há ainda um inquérito da Polícia Civil de São Paulo sobre um contrato de mais de R$ 150 milhões entre a Go Up e a prefeitura, para pontos de wi-fi em bairros da periferia, que não foi cumprido integralmente.
Nessa segunda frente, a PF cumpriu na quinta-feira (10) a Operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Entre os 29 alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL) e Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up e fundadora do Instituto Conhecer Brasil, que recebeu R$ 2 milhões em emendas destinadas pelo deputado. Dino proibiu os investigados de deixar o país e de manter contato entre si. Frias chamou a operação de "cortina de fumaça" em período eleitoral e disse ter documentos que comprovam a licitude de sua atuação. "Levaram celular, documentos, computador. Ninguém foi preso", reclamou.
Agora, a PF segue com as diligências que não dependem de autorização judicial. O restante do material sobre o financiamento do filme permanece sob sigilo, e novas revelações dependem da decisão de Mendonça sobre o levantamento do segredo. A divulgação do nome do candidato chega a menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial.