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Flávio Bolsonaro faz primeira visita ao Nordeste com centrão ausente

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MRPor Marina Rocha•26 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo

A primeira agenda de campanha de Flávio Bolsonaro no Nordeste expôs o isolamento político do candidato do PL à Presidência na região, considerada decisiva para o resultado da eleição. Segundo a Folha de S.Paulo, o presidenciável foi recepcionado nesta terça-feira (25) em Maceió apenas por políticos e militantes de direita, viu aliados de outros partidos evitarem o palanque e apostou no apoio de líderes religiosos para tentar ampliar sua base na região.

A falta de apoio mais amplo chamou atenção justamente em Alagoas, estado do vice na chapa de Flávio, o deputado Alfredo Gaspar. Segundo aliados do candidato ouvidos pela reportagem, a dificuldade reflete o cenário que a candidatura bolsonarista enfrenta em todo o Nordeste por causa da popularidade do presidente Lula (PT) na região. A estratégia da campanha, segundo esses aliados, é trabalhar agora por alianças que só devem se tornar públicas em um eventual segundo turno.

O histórico eleitoral recente ajuda a explicar a cautela. Em 2022, Lula venceu a eleição nacional com uma vantagem de apenas 2,1 milhões de votos sobre o então presidente Jair Bolsonaro (PL), resultado fortemente influenciado pela margem de 12,5 milhões de votos que o petista obteve no Nordeste. Diante desse cenário, a campanha de Flávio Bolsonaro tenta reduzir a diferença na região com o apoio de governadores eleitos já no primeiro turno, em estados onde enfrentam candidatos apoiados pelo PT.

Neutralidade tática na primeira fase

Segundo a Folha, o plano da campanha prevê que, nesta primeira etapa, candidatos do centrão e do centro-direita coligados ao PL permaneçam neutros na disputa presidencial, para não arriscar perder votos do eleitorado lulista, sobretudo no interior dos estados. Só numa segunda fase, já com as disputas estaduais decididas, esses aliados devem atuar abertamente contra Lula e o PT.

Por essa razão, o PL apoiou candidaturas a governos estaduais e ao Senado sem exigir reciprocidade pública imediata. É o caso de ACM Neto (União Brasil) na Bahia, de Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e de Joel Rodrigues (PP) no Piauí. O partido também apoia Raquel Lyra (PSD) em Pernambuco, mesmo sem expectativa de declaração de voto futura. Na Bahia, ACM Neto rivaliza com o governador Jerônimo Rodrigues (PT) mas declarou apoio a Ronaldo Caiado (PSD) para a Presidência, evitando um confronto direto com Lula. Como a disputa estadual baiana tende a se decidir no primeiro turno, aliados de Flávio e de Neto afirmam que a promessa é que o político baiano se engaje na campanha nacional após a eleição local.

A reportagem da Folha é, até o momento, a única fonte disponível sobre os detalhes dessa agenda em Maceió; outros veículos ainda não publicaram cobertura própria do episódio.

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