O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu declarar guerra ao que chamou de "narcoterrorismo" e acusou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) de protegerem o ministro Alexandre de Moraes. As declarações foram feitas nesta quinta-feira (17), durante uma motociata de campanha em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, segundo o G1.
O candidato chegou de avião à cidade e discursou de cima de um trio elétrico, após o grupo passar pelas principais ruas e avenidas. O ato terminou em frente a um estádio de futebol. Flávio se comprometeu a classificar facções criminosas e milícias como organizações terroristas e a intensificar o combate a esses grupos.
"Eu vou resgatar esse Brasil de verdade. A partir de janeiro do ano que vem, pode escrever aí. Eu vou declarar guerra ao narcoterrorismo. (...) E os seus dias estão contados, porque, a partir do ano que vem, ou vocês serão presos ou vocês vão ser neutralizados pelas nossas polícias", disse.
Em outro trecho do discurso, Flávio usou a palavra "nojo" ao falar do julgamento que discute a validade de um relatório da Polícia Federal (PF) envolvendo Moraes. Ele afirmou que o ministro "não tem mais condições" de seguir no tribunal e disse que vai nomear novos ministros para a corte.
"Eu, como presidente da república, vou ter direito a quatro vagas. Pra colocar lá homens e mulheres, que sejam contra as drogas, que sejam contra o aborto, que respeitem a Constituição, que não usem a caneta pra perseguir adversários do governo de plantão. Só que não vão ser quatro, vão ser cinco, porque Alexandre de Moraes não tem mais condições de continuação no ministro do STF", afirmou.
Julgamento de Moraes no STF
O mérito do caso, ou seja, se o plenário vai abrir uma investigação contra Moraes, ainda não começou a ser analisado. Na sessão de terça-feira (15), os ministros discutiram uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes e Flávio Dino, que previa reunir os processos do caso, redistribuir a relatoria por sorteio e abrir prazo para a manifestação da Procuradoria-Geral da República. Após o pedido de vista de Dino, o placar terminou em 4 votos a 3 para manter separadas as análises das condutas de Moraes, na relação com o empresário Daniel Vorcaro, e do ministro André Mendonça, na condução do relatório do caso Master. Dino tem até 90 dias, prazo que se encerra em dezembro, para devolver o processo ao plenário.
As promessas feitas na Bahia seguem o plano de segurança pública "Brasil Sem Medo", apresentado por Flávio em junho, em São Paulo, conforme o Poder360. O pacote reúne 12 medidas, entre elas o enquadramento de facções como organizações narcoterroristas, a redução da maioridade penal, presídios federais inspirados no modelo de El Salvador e um sistema nacional de reconhecimento facial. No mesmo ato em Vitória da Conquista, o candidato classificou de "ilegal" o reajuste de 15% no Bolsa Família anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chamou a medida de "ato de desespero", segundo reportagem da Reuters. "O Bolsa Família está garantido, ninguém vai tocar nesse benefício de vocês", disse.
Do sudoeste baiano, Flávio seguiu para Brasília, para outros pontos da agenda de campanha. O primeiro turno da eleição presidencial acontece em 4 de outubro. No STF, a definição sobre a abertura de investigação contra Moraes depende do retorno do processo pelo relator, com prazo até dezembro.