O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi o entrevistado desta sexta-feira (28) na série de sabatinas do Jornal Nacional com os candidatos à Presidência. A entrevista, conduzida por César Tralli e Renata Vasconcellos, foi transmitida ao vivo dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, logo após o telejornal. O senador respondeu a perguntas sobre urnas eletrônicas, o patrocínio do Banco Master ao filme sobre seu pai, a condenação de Jair Bolsonaro no STF e suas propostas para a economia.
Perguntado sobre as críticas que já fez ao sistema eletrônico de votação, Flávio garantiu que aceitará o resultado das urnas. "Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições. Eu estou concorrendo com essas regras", afirmou. Segundo a BBC News Brasil, o senador reconheceu ter falado "equivocadamente" ao dizer, em julho, que as urnas brasileiras seriam fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia negado a informação.
A relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ocupou parte central da sabatina. Flávio disse que o patrocínio de R$ 61 milhões ao filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, foi feito de "boa-fé" e comparou o aporte a outros investimentos do banqueiro. "É o mesmo tipo de relação privada de um banqueiro que investiu R$ 160 milhões para um programa do Luciano Huck aqui da Globo", disse, segundo a CNN Brasil. Pressionado a apresentar o contrato do patrocínio e a planilha de gastos, o candidato respondeu que "tudo já veio à tona pela imprensa" e que não há dinheiro público no filme. A Polícia Federal investiga se os recursos do banco foram de fato usados na obra.
Sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, Flávio chamou o julgamento no Supremo Tribunal Federal de "farsa" e disse que o pai foi julgado por "inimigos", citando os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, segundo a BBC News Brasil. "Eu sou o único candidato que pode recolocar as instituições no seu devido lugar", afirmou, sem detalhar como.
Ajuste fiscal e o irmão nos EUA
Na economia, o candidato prometeu fazer o ajuste fiscal sem mexer na Previdência nem na política de valorização do salário mínimo. "Não precisa fazer economia em cima dos aposentados", disse, de acordo com a Folha de S.Paulo. Ele defendeu corte de ministérios, de cargos comissionados e de impostos. "Vou fazer um governo enxuto, reduzir a quantidade de ministérios, cortar a burocracia, tesouraço nos impostos", afirmou. O senador não respondeu às perguntas sobre qual seria o patamar da dívida pública em seu governo, informou a Folha.
Flávio também comentou a atuação do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos. "Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas", disse, referindo-se ao agradecimento público de Eduardo a Donald Trump após o tarifaço de 2025 contra produtos brasileiros. Ele negou, porém, que o irmão tenha influenciado a decisão americana. "A decisão, quem tomou, foi o governo americano", afirmou, segundo a CNN Brasil.
A série do Jornal Nacional termina neste sábado (29), com a entrevista do escritor Augusto Cury. Foram convidados os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto. Na próxima semana, o instituto divulga um novo levantamento da disputa presidencial, que vai medir os efeitos da semana de sabatinas.