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Flávio usou em SP apartamento que pertenceu a cunhado de Vorcaro, diz piauí

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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) usou durante a campanha, na primeira quinzena de agosto, um apartamento em São Paulo que pertenceu até fevereiro a Fabiano Zettel, cunhado e apontado como principal operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A revelação é da revista piauí, publicada nesta quarta-feira (16). O imóvel fica no edifício l'Adresse, na Vila Nova Conceição, um dos bairros mais caros da capital paulista.

Segundo a revista, o senador ficou alguns dias no apartamento de 158,87 m². No período, reuniu-se com a equipe para fechar as últimas estratégias da campanha, gravou vídeos para o horário eleitoral, que começou a ser exibido no dia 16 de agosto, cumpriu agenda na Faria Lima e participou de podcasts. O comitê ficava na Avenida República do Líbano, a cinco minutos de carro, para onde ele se deslocava para gravar as lives de quinta-feira. Policiais legislativos à paisana fizeram varreduras nas áreas comuns do prédio durante sua permanência.

Da mão do operador para a de um amigo

Zettel comprou o imóvel em 17 de abril de 2025 por R$ 5,5 milhões, valor condizente com o mercado. Em 10 de fevereiro de 2026, menos de dez meses depois, vendeu-o por R$ 3,5 milhões à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa do advogado Willer Tomaz, amigo de longa data do candidato. O negócio, revelado pela Folha de S.Paulo e confirmado pela piauí, representou perda nominal de R$ 2 milhões, cerca de 36% do valor pago. A transferência foi registrada em cartório em 4 de março, depois de o STF ter determinado o bloqueio dos bens de Zettel e no mesmo dia em que ele foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero.

Repórteres da piauí foram ao edifício e ouviram moradores e uma funcionária da escola onde os carros da Polícia Legislativa eram estacionados. Todos confirmaram a presença de Flávio e a movimentação dos agentes. Uma influenciadora que viveu no apartamento quando o imóvel ainda era de Zettel disse que o empresário, que também foi pastor da Igreja Batista da Lagoinha, frequentava o local em suas passagens por São Paulo. Moradores incomodados com as varreduras pediram ao síndico as imagens das câmeras e foram informados de que as gravações haviam sido apagadas acidentalmente. O síndico não respondeu às perguntas da revista sobre o apagamento.

Versões em conflito

As respostas dadas à reportagem divergem da apuração. Tomaz negou por telefone que Flávio tivesse usado seu imóvel. Um dia depois, em nota, afirmou não conhecer Zettel nem Vorcaro e negou qualquer "relação pessoal, comercial ou societária" com os dois. Não respondeu diretamente se o candidato usou o apartamento. A assessoria de Flávio afirmou que ele se hospedou apenas em hotéis da região e não respondeu qual teria sido o uso do imóvel pelo candidato.

Zettel é figura central das investigações do Caso Master. Segundo a Polícia Federal, empresas em seu nome eram usadas em operações controladas por Vorcaro, e um relatório policial afirmou estar "cabalmente constatado" que ele era interposta pessoa do ex-banqueiro. Ele também aparece nas tratativas de financiamento de "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro; a cronologia reunida pela PF mostra Zettel envolvido nas operações enquanto Flávio cobrava e acompanhava repasses de Vorcaro. Tomaz, alvo de busca e apreensão em agosto na Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos do INSS, não é investigado no Caso Master, segundo a apuração da revista. Ainda segundo a piauí, o advogado ajudou Flávio a articular indicações para tribunais superiores, e interlocutores relatam que foi na casa dele que o candidato conheceu o ministro do STF Kassio Nunes Marques.

A reportagem chega a 18 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e no meio da crise aberta no STF pelo Caso Master. Nem a campanha de Flávio Bolsonaro nem Willer Tomaz responderam à pergunta central da apuração: se o candidato usou, durante a campanha, o apartamento que pertenceu ao operador de Vorcaro.

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