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Funcionários da Caixa votam nova proposta que pode encerrar greve nacional

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CFPor Camila Ferreira•21 de setembro de 2026•Fontes: Contraf-CUT, G1, Agência Brasil

Colados ao vidro de uma agência da Caixa em Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, os avisos de greve repetem desde 10 de setembro a mesma cena: portas fechadas, clientes encaminhados aos caixas eletrônicos e aos canais digitais, empregados parados. Nesta segunda-feira (21), é a vez desses mesmos funcionários decidirem, em assembleias eletrônicas realizadas em todo o país, se aceitam a nova proposta que o banco apresentou para renovar o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A votação, prevista para terminar às 18h, pode definir o fim ou a continuidade da greve nacional.

O centro da disputa é o Saúde Caixa, plano de saúde dos empregados, apontado pelas entidades sindicais como o maior impasse da negociação. A paralisação começou em 10 de setembro, depois que mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a oferta anterior, segundo a Contraf-CUT, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro. Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos trabalhadores votaram contra a proposta que a Caixa havia classificado como final, em assembleia encerrada às 23h de sexta-feira (11); na ocasião, o banco admitiu que poderia recorrer à Justiça do Trabalho por meio de dissídio coletivo, informou a Agência Brasil.

O que muda no Saúde Caixa

A nova proposta foi apresentada na madrugada de quinta-feira (17), ao fim de uma rodada de negociação iniciada na véspera em São Paulo. Pelo texto, a contribuição dos titulares passa a ser de 3,7% da remuneração-base a partir de 2027, com mensalidade de R$ 560 para dependentes diretos. Filhos entre 21 e 24 anos considerados dependentes indiretos pagarão R$ 660, e filhos de 24 a 27 anos, além de pais ou mães remanescentes, R$ 900. O limite de contribuição do grupo familiar, formado pelo titular e dependentes diretos, fica em 9%. Segundo o g1, o banco também reduziu de R$ 150 para R$ 120 a cobrança por consulta em pronto atendimento, manteve a isenção de coparticipação na telemedicina e aceitou a previsão de ao menos um empregado dedicado exclusivamente ao Saúde Caixa em cada gerência de pessoas.

Para as entidades sindicais, o principal avanço está no teto de participação da Caixa no custeio do plano, que sobe de 6,5% para 9% da folha de pagamento a partir de 2027, uma elevação de 2,5 pontos percentuais, ou 38,5% sobre o limite atual. Estimativa apresentada na negociação, citada pela Contraf-CUT, aponta cerca de R$ 1 bilhão adicionais por ano na capacidade de o banco financiar o plano. A confederação também menciona projeções atuariais de déficit de R$ 685 milhões em 2026 e de R$ 945 milhões em 2027; pela proposta, não haverá reajuste de mensalidades neste ano e a Caixa absorverá o resultado negativo.

Prêmios, remuneração variável e os dias parados

Fora do plano de saúde, a Caixa ajustou o programa de remuneração variável Super Caixa: a premiação inicial por habilitação sobe de 25% para 50% no segundo semestre deste ano, com mudanças nos critérios de avaliação e mais transparência nos painéis de resultados. Não haverá penalização ligada aos programas Figital e Genesys em 2026, que seguem em fase piloto antes da definição das regras para 2027, e o banco manteve a oferta de prêmio extraordinário de R$ 3 mil por empregado. Os sindicatos afirmam que a proposta preserva todas as cláusulas dos acordos coletivos e da convenção da categoria. Se o texto for aprovado, o dia de paralisação de 20 de agosto será abonado e os dias úteis de greve deverão ser compensados em até 180 dias.

Enquanto os empregados da Caixa decidem, o restante da categoria bancária já assinou convenção com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), com reposição da inflação pelo INPC e aumento real de 0,6% por dois anos, além de medidas de saúde mental, combate ao assédio e direito à desconexão, lembra o g1. No Banco do Brasil, a maioria das bases aprovou sua proposta no dia 11 e seguiu trabalhando, mas a paralisação permanecia em 18 bases sindicais até sábado (12), segundo a Agência Brasil. Se a nova oferta passar nas assembleias desta segunda, a expectativa das entidades é de encerramento da greve e implementação das medidas negociadas; se cair, o movimento continua por tempo indeterminado. Até o resultado, os avisos seguem no vidro da agência de Mogi das Cruzes, e é diante daquela porta fechada que se descobre se os guichês voltam a abrir.

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