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Fundo de Trump Jr. financia elo de cadeia de terras raras no sul de Minas

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Um fundo que tem Donald Trump Jr. como sócio financia o elo final de uma cadeia de terras raras que começa no sul de Minas Gerais. Segundo a Folha de S.Paulo, a mineradora australiana Meteoric Resources já enviou amostras do Projeto Caldeira, nos municípios de Andradas, Caldas e Poços de Caldas, à processadora canadense Ucore Rare Metals. A Ucore pretende separar os elementos em uma fábrica no estado americano da Luisiana e abastecer a fabricante de ímãs Vulcan Elements, que recebeu aporte do fundo 1789 Capital em agosto de 2025.

A rota do minério

A rota desenhada pelas empresas tem três etapas. A Meteoric extrai o minério e produz o carbonato misto de terras raras em Minas. A Ucore recebe o material em Alexandria, na Luisiana, e separa a mistura em óxidos individuais, como neodímio, praseodímio e disprósio. A Vulcan compra esses óxidos para fabricar ímãs na Carolina do Norte, usados em drones, satélites, equipamentos militares e carros elétricos, segundo a Folha.

Os acordos que amarram a cadeia já foram assinados, embora ainda sem força de contrato definitivo. Em agosto de 2024, Meteoric e Ucore firmaram um memorando que prevê o fornecimento de pelo menos 3.000 toneladas anuais de óxidos de terras raras, com mais de 900 toneladas de neodímio e praseodímio, 24 toneladas de disprósio e 6 toneladas de térbio, segundo comunicado da mineradora. Em 16 de março deste ano, Ucore e Vulcan assinaram outro memorando, com fase de testes de amostras já em andamento e fornecimento comercial previsto a partir de 2027, segundo a Ucore.

"A missão da Vulcan Elements sempre foi construir uma cadeia doméstica de fornecimento de ímãs de terras raras que impulsione os Estados Unidos rumo ao século 21 e permita a próxima era de inovação e segurança nacional. Juntos, estamos reconstruindo um setor central para o crescimento econômico e a segurança nacional", afirmou o presidente-executivo da Vulcan, John Maslin, no anúncio do acordo com a Ucore.

Os números atuais são de escala piloto. Em comunicado ao mercado australiano de 11 de junho, a Meteoric informou que a unidade em Minas processou 43 toneladas de minério e produziu mais de 200 quilos de concentrado, com extração média de 71% dos elementos usados na fabricação de ímãs. Segundo a empresa, o projeto reúne 78 títulos minerários em 19,2 mil hectares e tem 1,6 bilhão de toneladas de material a investigar. A projeção é operar por mais de 20 anos, com média de 12,5 mil toneladas anuais de óxidos. A exploração comercial não começou: em maio, a mineradora pediu a licença de instalação para avançar na implantação.

Dinheiro público americano e regra brasileira

Do lado americano, a Vulcan conta com apoio do governo. Em 2025, o Pentágono comunicou um compromisso condicional de empréstimo de US$ 620 milhões (R$ 3,2 bilhões) à empresa, segundo a Folha. A Ucore descreve o negócio como parte de uma parceria de US$ 1,4 bilhão entre a Vulcan e o governo americano, que inclui os departamentos de Guerra e Comércio, para erguer em Benson, na Carolina do Norte, uma fábrica com capacidade de 10 mil toneladas de ímãs por ano, descrita pela Ucore como a maior do mundo fora da China. A organização jornalística ProPublica revelou em maio que o pedido para acelerar a análise do financiamento partiu de Peter Navarro, assesor da Casa Branca e amigo de Trump Jr. Na ocasião, o filho do presidente, o 1789 Capital e o Pentágono negaram que a relação política tenha influenciado a decisão.

No Brasil, o desenho da cadeia esbarra em regra nova. A lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras, oriunda do PL 2.780/2024 e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prevê análise federal de acordos internacionais de fornecimento que possam afetar a segurança econômica ou geopolítica do país. Segundo a Folha, como o memorando entre Meteoric e Ucore é anterior à sanção, a aplicação da nova regra a um eventual contrato definitivo pode ser questionada pelo governo.

Para o sul de Minas, o efeito imediato é a corrida por licenças e investimento. O projeto da Meteoric é dimensionado em cerca de US$ 450 milhões, segundo a publicação australiana The Pick, que acompanhou o avanço do empreendimento em março. A Folha aponta sete projetos de terras raras nas imediações da área de proteção ambiental da Pedra Branca, na mesma região. Para o consumidor final, a cadeia é invisível, mas o destino do minério é conhecido: os ímãs da Carolina do Norte entram em carros elétricos, eletrônicos e equipamentos de defesa, mercados hoje dependentes do processamento chinês. Se o material mineiro chegar às fábricas americanas em 2027, passa a existir uma fonte de fornecimento ocidental a esses setores.

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