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Governador da Bahia usou em campanha helicóptero ligado a ex-sócio de Vorcaro

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SMPor Sofia Menezes•20 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1, Farol da Bahia, BP Money

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), usou um helicóptero durante um compromisso de campanha que a Polícia Federal vincula ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master. A informação é da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (20). Segundo o jornal, a aeronave é a mesma que Lima disponibilizou ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.

O elo baiano do caso Master

Lima, que é de Salvador, criou o Credcesta em 2018, negócio de crédito consignado que alcançou 24 estados e 176 municípios. Ele foi preso em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero, que apura fraudes em carteiras de crédito que o Banco Master vendeu ao BRB, banco público controlado pelo Distrito Federal, e cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, segundo reconstituição da Folha republicada pelo portal Farol da Bahia. Vorcaro, hoje ex-dono do Master, é alvo do inquérito da PF cujo sigilo foi levantado pelo ministro do STF André Mendonça.

No inquérito, a PF sustenta que Lima colocou aeronaves à disposição de Wagner e de familiares do senador em mais de uma ocasião. Em outubro de 2023, o empresário organizou um encontro com Wagner em uma ilha de sua propriedade em Salvador e enviou o prefixo da aeronave e o horário do voo, segundo os investigadores.

"Na ocasião, Augusto Lima coloca aeronave particular à disposição de Jaques Wagner e de pessoas de sua família para realização do deslocamento entre Salvador e a ilha indicada."

A PF lista outras vantagens investigadas como propina: ingressos de camarote de R$ 63.339 para familiares de Wagner em um show em Los Angeles, em junho de 2023, comprados pela Reag Investimentos, gestora ligada a João Carlos Mansur que depois foi alvo da Operação Carbono Oculto e liquidada pelo Banco Central; a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões; e repasses de R$ 3,5 milhões à empresa da nora do senador. À reportagem da Folha, Wagner disse que conheceu Lima em ambiente institucional, que se tornaram amigos e que a venda da estatal Ebal, privatizada por R$ 15 milhões em 2018, quando ele era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, foi um bom negócio para o estado.

Aeronaves como moeda

O episódio na Bahia se liga a um padrão descrito pela PF no caso Master: aeronaves tratadas como forma de pagamento. Segundo o G1, o relatório aponta que contratos de cerca de R$ 131 milhões com o Banco Master e de R$ 50 milhões com a Viking Participações, empresa de Vorcaro, ambos com o escritório da advogada Viviane Barci, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, poderiam ser quitados com a entrega de cotas de um jato Embraer Legacy 650 e de um helicóptero Airbus EC 155 B1, aeronaves ligadas à Prime Aviation, empresa de táxi aéreo da qual Vorcaro era sócio.

A PF apura se as vantagens recebidas por Wagner têm relação com a atuação dele no Senado em temas de interesse do Master. A defesa de Lima negou irregularidades e afirmou que as diligências eram desnecessárias, porque o empresário já estava havia seis meses à disposição das autoridades. A reportagem da Folha chega a menos de um mês das eleições gerais de outubro, com Jerônimo Rodrigues em campanha pela reeleição no maior estado do Nordeste.

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