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Sofia Menezes

environment · meio ambiente · clima · climate

Escreve sobre meio ambiente e clima, da Amazônia à transição energética, sempre com os pés no território.

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Ciclone coloca o Sul em alerta para chuva extrema; granizo já afeta 9,5 mil no RS

Um ciclone extratropical mantém a região Sul do Brasil em alerta para chuva extrema nesta semana, dias depois de um temporal de granizo que afetou 9.517 pessoas e danificou cerca de 2.200 casas no Rio Grande do Sul. O balanço é da Defesa Civil estadual, divulgado na tarde deste domingo (27), e não registra mortes nem desaparecidos.Santiago, na região central do estado, foi o município mais atingido, com 5.000 moradores afetados e cerca de mil imóveis danificados; no sábado (26), o granizo caiu em volume tal que cobriu as ruas e deixou o chão branco. Em Alegrete, na fronteira oeste, foram 2.000 pessoas afetadas e 700 casas danificadas, e Capão do Cipó e Catuípe somaram 820 e 800 afetados, respectivamente, segundo a Folha de S.Paulo. A tempestade entrou no estado pela fronteira oeste na tarde de sábado, com granizo em Barra do Quaraí e temporal em Uruguaiana no início da noite. Os veículos divergem sobre feridos: a Folha registrou uma pessoa ferida, dez desabrigadas e vinte desalojadas, todas em Alegrete; o G1, citando o mesmo balanço, informou que ninguém ficou ferido.Chuva de até 300 mm e risco de novas enchentesA preocupação agora são os próximos dias. Segundo a Folha, uma área de baixa pressão entre o norte da Argentina e o Paraguai empurra ar quente e úmido para o Rio Grande do Sul, e o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a Climatempo e a Defesa Civil mantêm alertas desde sexta-feira (25). A MetSul Meteorologia projeta acumulados de 100 mm a 200 mm até o fim de terça-feira (29) numa faixa que vai do oeste à serra gaúcha, com possibilidade de 200 mm a 300 mm em alguns municípios; o Portal iG cita risco de até 270 mm no estado. Na quarta-feira (30), um ciclone no Atlântico deve empurrar ar seco e frio e afastar a instabilidade. Entre as bacias que mais preocupam, a MetSul lista os rios Ibirapuitã, Santa Maria, Vacacaí, Ibicuí, Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí. A empresa lembra que, na onda de tempestades de 21 de setembro, que deixou seis mortos no estado, quatro vítimas morreram por excesso de chuva na Serra Gaúcha.O que as autoridades estão fazendoA Defesa Civil gaúcha alertou para granizo de grande porte e rajadas acima de 90 km/h na campanha e nas regiões oeste, das missões, noroeste, norte e centro. No domingo à noite, avisos de alerta permaneciam ativos no site do órgão. Segundo o Diário Gaúcho, o estado já enviou 30 alertas de alto risco por cell broadcast a celulares em 2026, três vezes mais que em todo o ano passado. Em Santiago, moradores fizeram fila para retirar lonas, e a Defesa Civil pediu que "não subam nos telhados" para fazer reparos. Em Porto Alegre, a Defesa Civil municipal pediu ao Tribunal Regional Eleitoral que retire os wind banners da propaganda eleitoral até terça-feira, por causa de ventos previstos de até 70 km/h, que podem causar acidentes.O quadro se repete numa primavera atípica. Uma massa de ar excepcionalmente quente no centro do continente, com máximas de 40ºC a 45ºC no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil, alimenta a formação de nuvens carregadas sobre o Sul, segundo a MetSul, que associa o cenário a um El Niño de intensidade recorde no Pacífico. O Inmet prevê chuva acima da média no Sul e no Sudeste em outubro.

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Onda de calor com alerta vermelho atinge 6 estados; Cuiabá pode chegar a 41°C

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso vermelho, o mais alto em uma escala que vai do amarelo ao laranja e ao vermelho, para a primeira onda de calor da primavera, com validade de sábado (26) até quarta-feira (30). O alerta cobre Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo em todo o território, além de partes de Mato Grosso, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Segundo o Inmet, os termômetros podem chegar a 41°C em Cuiabá no domingo (27) e na segunda-feira (28), a 40°C em Campo Grande na segunda e a 32°C na capital paulista no domingo.Como o calor chega ao Centro-SulUm dos motores do aquecimento é uma área de baixa pressão que deve se intensificar entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai e empurrar ar quente em direção ao sul do Brasil, do Paraguai e da Argentina, explicam os meteorologistas do Inmet. Em altitude, uma área de alta pressão sobre partes do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul faz o ar descer, comprimir e aquecer ainda mais. O resultado é o chamado "domo de calor": uma espécie de tampa atmosférica que prende o ar quente sobre a mesma região e dificulta a chegada de massas de ar mais frescas. Enquanto o padrão se mantiver, as temperaturas tendem a permanecer altas.Em São Paulo, onde o aviso foi acionado na quinta-feira (24), o sábado começa com nebulosidade e mínima de 16°C na região metropolitana, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da prefeitura. O sol aparece ao longo do dia e leva a máxima a 32°C, com umidade relativa perto de 45% e sem previsão de chuva. No litoral, a brisa marítima mantém o clima mais ameno: Santos varia de 17°C a 26°C e o Guarujá, de 20°C a 22°C, segundo a Climatempo. O interior paulista deve ser a região mais quente do estado.Primavera sob efeito do El NiñoA primavera, que começou em 22 de setembro e vai até 21 de dezembro, marca a transição entre a estação seca e a chuvosa no Brasil central. A estação deve ser influenciada pelo El Niño, que modifica os padrões de circulação atmosférica e pode alterar a distribuição das chuvas, segundo o Inmet. O instituto prevê a intensificação do fluxo de umidade vinda da Amazônia, que alimenta as chuvas do Centro-Oeste e do Sudeste, além de chuvas fortes com rajadas de vento, raios e eventual granizo na Região Sul. No outro extremo do país, o norte do Piauí e o noroeste do Ceará devem registrar um período mais seco que o normal. As temperaturas médias devem superar 28°C no Norte e no Nordeste e em pontos isolados do interior, quadro que favorece novas ondas de calor, desconforto térmico, alteração da umidade do solo e formação rápida de tempestades severas.O cenário tem componente global. Previsões do CPC/NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, divulgadas no início de agosto, apontam mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. O fenômeno recebe o nome de "super El Niño" quando a anomalia da temperatura da superfície do mar no Pacífico supera 2°C acima da média histórica, um patamar registrado apenas quatro vezes em cerca de 150 anos, em 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Pesquisadores da NOAA alertam que eventos mais intensos aumentam a probabilidade de impactos severos, embora não os garantam. Um boletim conjunto do Inmet, do CPTEC/Inpe e da Funceme prevê chuva acima da média no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, e em partes de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, e tempo mais seco no Norte, no Nordeste e em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.Ondas de calor costumam elevar o consumo de energia elétrica por causa do uso de ar-condicionado. Neste início de primavera, porém, o setor elétrico opera com folga: a Aneel acionou a bandeira verde para outubro, encerrando cinco meses de custo extra na conta de luz, noticiou a Agência Brasil. O aviso vermelho do Inmet vale até quarta-feira (30).

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Petrobras envia navio-sonda NS-43 ao Amapá e amplia exploração na Foz do Amazonas

A Petrobras confirmou nesta quarta-feira (23) que o navio-sonda NS-43 deixará a Bacia de Santos, onde opera no campo de Búzios, para perfurar três novos poços na costa do Amapá. Os poços ficam no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, onde a estatal já encontrou petróleo no poço Morpho, a cerca de 175 quilômetros do litoral do estado.Antes de navegar para o norte, a embarcação passará por uma limpeza do casco para retirar a bioincrustação, os organismos fixados no aço. A perfuração dos três poços vizinhos, chamados de Manga, PAD Morpho e Crotalus, foi autorizada pelo Ibama em 4 de setembro. A chefe de engenharia da Petrobras, Renata Baruzzi, antecipou durante a feira Rio Oil & Gas, no Rio de Janeiro, que a perfuração do Morpho deve terminar em outubro e que os poços adjacentes devem começar a ser perfurados em janeiro, com a chegada do NS-43.A estatal anunciou o achado de petróleo no Morpho em 14 de agosto e ainda avalia a qualidade do óleo, segundo o g1. Se os resultados confirmarem a viabilidade comercial da área, a produção poderá começar em até sete anos, e a companhia precisará pedir uma nova licença ambiental ao Ibama para desenvolver os campos, segundo a Folha de Pernambuco.O que é a Margem EquatorialO bloco FZA-M-59 integra a Margem Equatorial, um trecho de 2.200 quilômetros da costa brasileira que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá, formado quando a América do Sul e a África se separaram. A Petrobras reservou US$ 2,5 bilhões para explorar a região entre 2026 e 2030. Das cinco bacias brasileiras dessa margem, apenas a Potiguar, no Rio Grande do Norte, já produz petróleo.A corrida à região tem espelho no estrangeiro. No mesmo conjunto geológico, a Guiana acumula, desde 2015, descobertas estimadas em quase 11 bilhões de barris de óleo equivalente recuperáveis só no bloco Stabroek, operado pela ExxonMobil, e o Suriname confirmou reservas no bloco 58. A Folha de Pernambuco observa que, se o potencial da Foz do Amazonas se confirmar, o achado pode ser comparado ao pré-sal, descoberto em 2006.

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El Niño pode provocar 451 mil mortes até fevereiro de 2027; Brasil é o 5º mais atingido

O Super El Niño pode provocar cerca de 451 mil mortes adicionais no mundo até fevereiro de 2027, em comparação com um ano normal, segundo projeção do Laboratório de Impactos do Clima (Climate Impact Lab) da Universidade de Chicago, publicada em setembro e divulgada no Brasil pelo Jornal Nacional. O Brasil aparece em quinto lugar entre os países mais afetados, com 13,3 mil mortes em excesso projetadas. Segundo a CNN Brasil, cerca de 8 mil desses óbitos se concentrariam apenas entre dezembro e fevereiro, quando o verão do Hemisfério Sul soma calor ao fenômeno.O ranking global é liderado pela Nigéria, com 31,4 mil mortes projetadas, seguida por Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,5 mil) e Índia (15,8 mil). O Metrópoles reporta que o Sahel africano deve somar 66,8 mil mortes adicionais e que o Sudeste Asiático deve registrar outras 19,4 mil nas Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja. Para dar uma escala, o total global equivale a cerca de 65 vezes as 6,8 mil pessoas mortas ou desaparecidas nas enchentes recentes no Nepal. O estudo calculou a relação entre temperatura e mortalidade em 24.378 regiões do mundo, comparando as temperaturas previstas com a média de 1996 a 2025. Os números são projeções de mortalidade em excesso, e não uma contagem de mortes já ocorridas.El Niño é o aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial. Segundo o g1, o fenômeno se intensifica rapidamente, o número de dias de calor tórrido deve aumentar 44% em relação a um ano normal e o pico está previsto para o fim de 2026. A CNN Brasil acrescenta que a temperatura média global deve ficar 1,2°C acima do normal nos próximos meses. O climatologista Theodore Keeping, do Imperial College London, explica que o fenômeno modifica os padrões climáticos locais, o que afeta a produção de alimentos e pode definir se as populações enfrentarão inundações ou estresse térmico extremo. "É um multiplicador de riscos, e esperamos ver impactos na saúde em todo o mundo", disse Teresa Zakaria, chefe da Unidade de Redução de Riscos, Operações Humanitárias e Mudanças Climáticas da OMS. Entre as ameaças listadas pelo g1 estão doenças causadas pelo calor, problemas respiratórios, desnutrição, cólera e enfermidades transmitidas por mosquitos, como malária e dengue.O alerta já está no campo brasileiroNo Brasil, o fenômeno já produz efeitos concretos. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), há mais de 90% de probabilidade de o evento ser classificado como muito forte entre setembro e novembro, exatamente o início da estação chuvosa. No Sul de Minas Gerais, um dos principais polos cafeeiros do país, uma tempestade com granizo atingiu Varginha e municípios vizinhos em 15 de setembro, com 22,6 milímetros de chuva em uma hora. A Associação dos Sindicatos Rurais do Sul de Minas (Assul) estima cerca de 200 propriedades atingidas e perdas iniciais de pelo menos R$ 50 milhões. O climatologista Ruibran dos Reis, diretor regional da Climatempo em Belo Horizonte, afirma que o El Niño está estabelecido desde meados de maio e que a temperatura do Pacífico equatorial já está 2,7 graus acima do normal, o que, segundo ele, pode ter influenciado o temporal.Os danos ainda estão sendo medidos. A cooperativa Cooxupé informou ao Metrópoles Minas que técnicos estão em campo para dimensionar as perdas, e um levantamento da Emater-MG citado pela reportagem mostra que o Sul de Minas concentrou 66% das perdas climáticas registradas no café de sequeiro. Em julho, o Sistema Faemg/Senar calculava que apenas 30% da colheita havia sido concluída na região. Em Belo Horizonte, a Defesa Civil iniciou treinamentos para o período chuvoso 2026/27, segundo o Metrópoles. O cenário ecoa o alerta de Keeping: as mesmas chuvas irregulares que atingem o cinturão cafeeiro pressionam a produção de alimentos da qual dependem mercados e mesas no mundo inteiro.Parte das mortes pode ser evitadaParte das mortes projetadas pode ser evitada com medidas de adaptação ao calor, segundo Michael Greenstone, cofundador do Climate Impact Lab e professor da Universidade de Chicago. "Este relatório permite que os tomadores de decisão vejam exatamente onde ações emergenciais podem ser tomadas agora para salvar dezenas de milhares de vidas nos próximos meses", afirmou. O documento lista medidas como sistemas de alerta precoce de calor, centros de resfriamento e pontos de hidratação, proteção de trabalhadores expostos ao calor e reforço da capacidade dos sistemas de saúde."Há muito tempo, conseguimos prever os impactos das temperaturas nas colheitas, e agora podemos prever o impacto no pior cenário possível: a morte."disse Greenstone na divulgação do relatório, citado pelo Metrópoles. Para os pesquisadores, o Super El Niño funciona como um "cartão-postal do futuro": as temperaturas esperadas para os próximos meses se aproximam de patamares que o aquecimento global só deveria alcançar nas próximas duas décadas. O g1 e a CNN Brasil situam a janela central da projeção entre junho de 2026 e fevereiro de 2027; o Metrópoles reporta que o laboratório estende o cálculo por nove meses, até meados de 2027, e o próprio relatório admite que os efeitos sobre a mortalidade podem continuar depois do período analisado, sobretudo em regiões que entram no verão nos meses seguintes.

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Taquari e Caí atingem o pico da cheia e Guaíba passa de 2 m em Porto Alegre

Os rios Taquari e Caí atingiram nesta terça-feira (22) o pico de cheia nos vales do Rio Grande do Sul, e a onda de vazão seguiu para o Guaíba, que ultrapassou a marca de 2 metros em Porto Alegre na primeira noite da primavera. Segundo a MetSul Meteorologia, o Taquari estabilizou em 24,3 metros em Lajeado na tarde de terça, e o Caí fez seu pico de 14,3 metros na madrugada em São Sebastião do Caí, mais de 4 metros acima da cota de inundação. A empresa projeta que o Guaíba suba entre quarta (23) e sexta (25), com pico entre 2,35 e 2,55 metros.O temporal que atingiu o estado entre domingo (20) e segunda (21) deixou quatro mortos e 3.145 pessoas fora de casa, segundo dados da Defesa Civil estadual compilados pelo Brasil de Fato. O levantamento contabiliza 527.669 pessoas afetadas em 137 municípios com danos humanos ou materiais, além de 21 casas destruídas e 1.978 destelhadas. Os bombeiros encontraram em Caxias do Sul os corpos de um menino de 4 anos, arrastado dentro de um carro pela enxurrada, e de um homem levado pela água enquanto desobstruía um bueiro; as buscas seguem pela mãe da criança, de 43 anos. A quarta morte foi a de um motociclista que colidiu com um fio caído na pista em Pelotas.Alerta na capitalA Defesa Civil de Porto Alegre emitiu alerta de risco alto para possível elevação do Guaíba, com vigência das 8h de quarta (23) às 10h de sexta (25), informou o Sul 21. Nas ilhas da capital, as ruas começam a alagar quando o rio chega a 2,00 ou 2,10 metros, e a régua do Cais Mauá, ponto oficial de medição há 150 anos, marcava 2,02 metros no começo da noite de terça. A cota de inundação amplamente conhecida nesse ponto é de 3,00 metros, e a régua eletrônica foi a única estação de monitoramento que não saiu do ar na enchente de 2024, quando o Serviço Geológico Brasileiro calculou a cota máxima oficial do desastre. A MetSul avalia que não há risco para a parte não insular da cidade.No mapa estadual, a Defesa Civil mantém alerta de risco muito alto para inundação do Caí em Montenegro até a tarde de quarta, enquanto o rio já recua em São Sebastião do Caí, e registra limiares de inundação em Nova Palmira, no Caí, e em Igrejinha, no Paranhana. A previsão aponta riscos no Jacuí, entre Dona Francisca e Cachoeira do Sul, no Taquari a partir de Santa Tereza, no Caí a partir de Nova Palmira, em Caxias do Sul, e no Sinos, em Campo Bom. A subida veio de chuvas de até 200 mm na segunda na Serra e nos Campos de Cima da Serra. Cinco rios formam o Guaíba (Jacuí, Taquari, Caí, Sinos e Gravataí), e como choveu em todas as bacias todos contribuem para a elevação.Primavera sob El NiñoNo médio prazo, o alerta é de outra escala: a MetSul projeta chuva acima da média e tempestades mais frequentes na primavera, associadas a um El Niño que, segundo a firma, avança para um nível extremo jamais visto, com possibilidade de novas cheias no estado, sobretudo na segunda metade da estação. No curto prazo, a previsão é de tempo firme, com uma massa de ar frio mantendo o sol até sexta (25), o que deve ajudar os rios a baixar. O governo federal anunciou a liberação de R$ 64 milhões para amenizar efeitos do El Niño, segundo o GZH, que também registrou a inauguração, na terça, de uma praça de 2,6 mil metros quadrados no Quarto Distrito de Porto Alegre, projetada com drenagem e arborização para absorver chuva. A Defesa Civil orienta a população a evitar áreas inundáveis e a ligar para 190 ou 193 em emergências.

SMSofia Menezes
brazil

Temporal no RS deixa quatro mortos e uma desaparecida; alertas seguem até quarta

O temporal que varreu o Rio Grande do Sul na madrugada de segunda-feira (21), com chuvas torrenciais e rajadas que chegaram a 126,7 km/h, deixou quatro mortos e uma mulher desaparecida, segundo a Defesa Civil estadual. O balanço subiu ao longo da terça-feira (22), depois que o Corpo de Bombeiros localizou os corpos de um homem e de uma criança na Serra gaúcha, informam o G1 e a CNN Brasil. Os alertas de mau tempo valem até quarta-feira (23).A primeira morte foi confirmada pela Polícia Civil em Pelotas: um motociclista morreu ao colidir com um fio caído sobre a rua. Os demais casos ocorreram em Caxias do Sul, na Serra. Na localidade de Parada Cristal, um veículo foi arrastado pela enxurrada; um homem foi resgatado, mas uma adolescente de 13 anos, uma criança de 4 anos e uma mulher de 43 anos desapareceram. No bairro De Lazzer, um homem que limpava uma galeria de águas pluviais também foi arrastado pela correnteza. Com os corpos localizados até terça, restava apenas a mulher de 43 anos como desaparecida, e os bombeiros seguem nas buscas.Estragos em quase 200 municípiosNa segunda, a Defesa Civil estadual contabilizava 119 municípios com ocorrências e 485.170 pessoas afetadas, além de 701 desalojados, 101 desabrigados, 1.009 casas destelhadas, 273 danificadas e 18 destruídas. O número de cidades atingidas, que era de 64 no primeiro balanço divulgado pela Agência Brasil, com 49 delas atingidas sobretudo pelos ventos, chegou a 194 em levantamento posterior, quando a Defesa Civil passou a contabilizar 1.099 pessoas fora de suas casas, 728 delas desabrigadas, reporta a CNN Brasil.Os estragos variam forte de um ponto a outro do estado. Caxias do Sul registrou 159,4 milímetros de chuva em um único dia. Em Hulha Negra, as rajadas atingiram 126,7 km/h, e no município do Rio Grande, 113,7 km/h, segundo a Defesa Civil Municipal. Em Nova Santa Rita, 400 casas perderam o telhado e a prefeitura suspendeu as aulas. Em Igrejinha, o Rio Paranhana chegou à cota de 3,5 metros, estágio de atenção, e mais de 100 casas ficaram destelhadas. Pelotas amanheceu com telhados arrancados e árvores caídas.Risco segue até quarta-feiraO Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) emitiu alerta de grande perigo para tempestades no estado, com chuva acima de 60 mm por hora ou 100 mm por dia, ventos superiores a 100 km/h e possibilidade de granizo. A previsão da Defesa Civil é de mais 50 a 80 mm em 12 horas no Norte, nos Vales e na Serra, e de tempestades com rajadas acima de 90 km/h no Noroeste, no Norte e no Nordeste gaúcho até quarta (23). O centro de monitoramento do órgão aponta elevação de arroios e rios na bacia do Guaíba, com risco de alagamentos, enxurradas e extravasamentos.A região de maior risco é o Vale do Taquari, uma das áreas mais castigadas pelas enchentes de 2024. Ali, oito municípios (Arroio do Meio, Lajeado, Encantado, Santa Tereza, Cruzeiro do Sul, Roca Sales, Muçum e Estrela) receberam alertas por Cell Broadcast, mensagem direta ao celular, e mapas oficiais das manchas de inundação. A Defesa Civil orienta que ninguém retorne a áreas evacuadas antes da liberação dos órgãos oficiais e que os moradores levem os animais domésticos ao sair de casa. É mais um episódio de extremos climáticos em um estado que acumula grandes enchentes desde 2023; os alertas diretos ao celular fazem parte da resposta montada depois da tragédia de 2024.

SMSofia Menezes
Politics

Meio ambiente some da campanha eleitoral; 91% dos eleitores pedem propostas climáticas

A pauta ambiental desapareceu da disputa presidencial de 2026, a menos de duas semanas do primeiro turno, em um ano de enchentes e ciclones no Sul e no Sudeste e de risco de seca extrema no Norte. A constatação é da Folha de S.Paulo, que analisou nesta segunda-feira (21) os programas de governo dos seis principais candidatos e concluiu que apenas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traz propostas à altura do desafio climático.Enquanto o tema não aparece nos palanques, os eleitores dizem querer vê-lo. Pesquisa Ipsos encomendada pelo Observatório do Clima, coalizão da sociedade civil, ouviu 1.800 brasileiros de todas as regiões entre 17 e 20 de agosto: 91% consideram importante que os candidatos apresentem propostas de enfrentamento das mudanças climáticas, e para 62% o tema é muito importante, segundo reportagem do portal ((o))eco. Para 87%, o fenômeno já provoca secas, chuvas intensas e ondas de calor, e 79% defendem priorizá-lo mesmo que isso tenha custos econômicos.País sob alerta climáticoAs urnas abrem em 4 de outubro, depois de meses de extremos. Na madrugada desta segunda-feira (21), um temporal despejou chuva forte, raios, granizo e rajadas de 106 km/h sobre Porto Alegre, segundo a MetSul Meteorologia, que mantinha alerta de vendavais destrutivos e risco de tornados no Rio Grande do Sul e estimava que uma frente fria e uma área de baixa pressão levassem chuva e temporais a 11 estados. A Folha destaca ainda o risco de uma nova seca extrema no Norte, e a MetSul registra condições de Super El Niño no Pacífico, com secas se agravando em vários países da América do Sul. No hemisfério norte, recordes de temperatura e enchentes como as do Nepal e do Tibete completam, segundo o jornal, o quadro de desregulação do clima.Programas vagos e um voto verde sem candidatoNos programas de governo, o vazio se repete. Segundo a Folha, para os outros cinco presidenciáveis, Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), a questão climática aparece de forma vaga, sem detalhes sobre pontos centrais como a redução das emissões de gases de efeito estufa. O jornal associa o silêncio à crise institucional em torno do Supremo Tribunal Federal (STF), que domina a cobertura da campanha."A pesquisa mostra que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática, mas infelizmente não é o que está acontecendo. A maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes para o tema. Um dos candidatos, inclusive, é um negacionista convicto", diz Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, defende que a preocupação se converta em voto: "Em plena crise climática, não dá para aceitar negacionistas, declarados ou disfarçados, nem no Executivo, nem no Legislativo". Na academia, a professora de sociologia ambiental da Unicamp Leila da Costa Ferreira, ouvida pela Folha, lembra que pesquisas já demonstraram que os fenômenos extremos influenciam o voto. "As chuvas, os eventos extremos, etc., fazem parte do nosso cotidiano e isso tem que estar na boca dos candidatos a presidente do Brasil", diz.Os sinais de demanda existem fora das pesquisas de opinião. Na Amazônia, análise da InfoAmazonia publicada na sexta-feira (18) cruzou dados eleitorais e demográficos e identificou que zonas eleitorais com mais evangélicos e brancos tendem a votar em candidatos contrários à agenda climática. No levantamento do Ipsos, as mudanças climáticas lideram entre os problemas ambientais, com 35% das menções, à frente da gestão de resíduos (21%) e da poluição do ar (15%), e 90% consideram muito importante que o poder público se dedique à proteção do meio ambiente. O que falta, na leitura de Ferreira, é um candidato que leve a questão ao cotidiano das pessoas.

SMSofia Menezes
Corruption

Governador da Bahia usou em campanha helicóptero ligado a ex-sócio de Vorcaro

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), usou um helicóptero durante um compromisso de campanha que a Polícia Federal vincula ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master. A informação é da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (20). Segundo o jornal, a aeronave é a mesma que Lima disponibilizou ao senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.O elo baiano do caso MasterLima, que é de Salvador, criou o Credcesta em 2018, negócio de crédito consignado que alcançou 24 estados e 176 municípios. Ele foi preso em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero, que apura fraudes em carteiras de crédito que o Banco Master vendeu ao BRB, banco público controlado pelo Distrito Federal, e cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, segundo reconstituição da Folha republicada pelo portal Farol da Bahia. Vorcaro, hoje ex-dono do Master, é alvo do inquérito da PF cujo sigilo foi levantado pelo ministro do STF André Mendonça.No inquérito, a PF sustenta que Lima colocou aeronaves à disposição de Wagner e de familiares do senador em mais de uma ocasião. Em outubro de 2023, o empresário organizou um encontro com Wagner em uma ilha de sua propriedade em Salvador e enviou o prefixo da aeronave e o horário do voo, segundo os investigadores."Na ocasião, Augusto Lima coloca aeronave particular à disposição de Jaques Wagner e de pessoas de sua família para realização do deslocamento entre Salvador e a ilha indicada."A PF lista outras vantagens investigadas como propina: ingressos de camarote de R$ 63.339 para familiares de Wagner em um show em Los Angeles, em junho de 2023, comprados pela Reag Investimentos, gestora ligada a João Carlos Mansur que depois foi alvo da Operação Carbono Oculto e liquidada pelo Banco Central; a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões; e repasses de R$ 3,5 milhões à empresa da nora do senador. À reportagem da Folha, Wagner disse que conheceu Lima em ambiente institucional, que se tornaram amigos e que a venda da estatal Ebal, privatizada por R$ 15 milhões em 2018, quando ele era secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, foi um bom negócio para o estado.Aeronaves como moedaO episódio na Bahia se liga a um padrão descrito pela PF no caso Master: aeronaves tratadas como forma de pagamento. Segundo o G1, o relatório aponta que contratos de cerca de R$ 131 milhões com o Banco Master e de R$ 50 milhões com a Viking Participações, empresa de Vorcaro, ambos com o escritório da advogada Viviane Barci, mulher do ministro do STF Alexandre de Moraes, poderiam ser quitados com a entrega de cotas de um jato Embraer Legacy 650 e de um helicóptero Airbus EC 155 B1, aeronaves ligadas à Prime Aviation, empresa de táxi aéreo da qual Vorcaro era sócio.A PF apura se as vantagens recebidas por Wagner têm relação com a atuação dele no Senado em temas de interesse do Master. A defesa de Lima negou irregularidades e afirmou que as diligências eram desnecessárias, porque o empresário já estava havia seis meses à disposição das autoridades. A reportagem da Folha chega a menos de um mês das eleições gerais de outubro, com Jerônimo Rodrigues em campanha pela reeleição no maior estado do Nordeste.

SMSofia Menezes
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Lula: empresas de data center terão de investir em energia renovável própria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (19), em ato de campanha em Santa Catarina, que o governo não vai permitir que a energia elétrica produzida no Brasil sirva apenas para abastecer data centers. Duas semanas antes do primeiro turno das eleições, ele disse que as empresas que quiserem se instalar no país terão de construir usinas próprias para alimentar seus centros de processamento de dados.Ao defender o Redata, regime de incentivos fiscais sancionado na terça-feira (15), Lula estimou investimentos da ordem de R$ 500 bilhões e disse que o país tem tudo para virar um grande polo do setor por ser abundante em energia renovável. "Não vamos deixar que a energia produzida vá somente para o data center, quem quiser vir pra cá terá que investir na construção em energia renovável", disse o presidente, em declaração divulgada pela Agência Estado. No mesmo discurso, ele citou a sanção da Lei de Minerais Críticos e disse que o Brasil conhece apenas 30% do próprio território e já é a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás da China.O texto sancionado no Palácio do Planalto, porém, é mais flexível do que a fala de campanha: permite que a energia chegue aos data centers por contratos de fornecimento ou por geração própria. As empresas habilitadas também precisam reservar ao menos 10% da capacidade de processamento e armazenamento ao mercado brasileiro e investir no mínimo 2% do valor dos equipamentos comprados com o benefício em pesquisa e desenvolvimento. Em troca, ficam suspensos quatro tributos federais na compra de equipamentos por até cinco anos. Segundo as contas do próprio governo, a renúncia fiscal deve alcançar R$ 5,2 bilhões neste ano e cair para cerca de R$ 1 bilhão em cada um dos dois exercícios seguintes.Definição de "baixa emissão" segue em disputaO maior nó energético do programa ainda está aberto. Uma emenda aprovada no Senado trocou a exigência de fontes "limpas" ou "renováveis" por "renováveis ou de baixa emissão", expressão que pode abrir caminho para o gás natural. No Ministério de Minas e Energia, fontes afirmam que o gás entra com certeza; na Fazenda, uma fonte que acompanhou o desenho da política garantiu à agência Eixos que os técnicos vão "lutar até fim para barrar o gás". Estados do Nordeste, como Pernambuco e Sergipe, e distribuidoras de gás defendem a inclusão. Os setores de eólica e de armazenamento em baterias trabalham contra, por temer perder espaço para as novas cargas de consumo.Uma portaria interministerial vai definir os parâmetros técnicos. Entre as opções discutidas estão excluir o gás, aceitá-lo integralmente ou permitir seu uso condicionado a compensações, como compra de créditos de carbono, biometano e captura e armazenamento de carbono. "É um debate em curso hoje dentro do governo para amadurecer qual o alcance da expressão de baixo carbono", disse Rafael Dubeux, assessor especial do ministro da Fazenda.Pressão global por energiaA corrida por eletricidade para inteligência artificial é global. A equipe econômica do governo calcula que a maior parte dos dados e das aplicações de IA consumidos no Brasil ainda é processada no exterior, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresenta o Redata como forma de repatriar esse fluxo. Um mapeamento da CNI em 2025 colocou data centers, ao lado de minerais críticos, satélites e energia, entre os setores em que investidores americanos queriam ampliar presença no Brasil, movimento ligado ao redesenho das cadeias de suprimento para reduzir a dependência da China. No campo ambiental, quem aderir ao regime terá de divulgar relatórios com o consumo de água e as fontes de energia usadas, justamente o ponto que organiza ambientalistas apontam ao criticar a expansão desses centros, que funcionam 24 horas por dia e exigem refrigeração constante.

SMSofia Menezes
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Lula chama Margem Equatorial de possível 'novo pré-sal' e alerta sobre Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira (18) que a Margem Equatorial brasileira, fronteira petrolífera em alto-mar na costa norte do país, tem potencial para se tornar um novo pré-sal e que o petróleo encontrado na região parece ser de qualidade ainda melhor. Em um evento de segurança pública em uma base da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no Rio de Janeiro, o presidente, candidato à reeleição, afirmou que o país precisa proteger suas riquezas naturais do interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por petróleo, minerais críticos e terras raras.Foi ao comparar as duas frentes petrolíferas do país que Lula ancorou a descoberta em números. Segundo a InfoMoney, ele afirmou:"Temos petróleo na Margem Equatorial a 175 quilômetros da costa do Amapá. O pré-sal está a 300 quilômetros. Nós temos de tomar conta porque o Trump está aí, está atrás de minerais críticos e de petróleo."O pré-sal, reservas ultraprofundas localizadas sob uma extensa camada de sal no fundo do oceano, no litoral do Sudeste, produz petróleo de alta qualidade e responde por grande parte da produção brasileira de petróleo e gás, segundo o G1. "Lá há petróleo... possivelmente o novo pré-sal. Parece ser de mais qualidade", disse Lula, em fala citada pelo G1, com informações da Reuters.O campo de Morpho, na costa do AmapáA comparação feita pelo presidente se apoia em fatos recentes. A Petrobras anunciou a descoberta de petróleo no campo de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, dentro da Margem Equatorial, e já recebeu licença do Ibama, o órgão federal de licenciamento ambiental, para ampliar a exploração em poços próximos. Para Lula, a defesa desses recursos entra na mesma conta da disputa global por insumos como os minerais usados em tecnologia e energia. "O Trump está atrás de minerais críticos, petróleo e terras raras. Não, isso aqui é nosso", afirmou, sob aplausos da plateia, formada majoritariamente por agentes de segurança.Tensão com WashingtonO discurso acontece em meio ao desgaste entre os dois governos. Na mesma ocasião, Lula voltou a rejeitar a classificação, pelo governo Trump, de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. "Não aceito a ideia de que as facções de bandidos são terroristas, como diz o Trump", declarou. O evento, segundo a InfoMoney, lançou ações integradas de segurança pública no Rio, ocasião em que o presidente também tratou o policiamento de fronteiras como questão de soberania nacional. Sobre o petróleo, Lula disse que o governo precisará fazer grandes investimentos para garantir o controle dessas riquezas em um país de dimensões continentais. Enquanto isso, a exploração avança pela via regulatória, com a licença do Ibama autorizando a Petrobras a ampliar a perfuração em poços vizinhos ao de Morpho, na foz do rio Amazonas.

SMSofia Menezes
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MPF e DPU querem consulta ao povo Anacé antes do data center do TikTok no Ceará

O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) ajuizaram uma ação civil pública para exigir que o povo indígena Anacé seja consultado antes da operação do Data Center Pecém, conhecido como data center do TikTok, em construção em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza. Segundo o G1, os órgãos defendem que o empreendimento não entre em operação sem a consulta prévia, a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) e medidas de avaliação e monitoramento dos impactos.Os dois órgãos listam efeitos sobre o consumo de água e energia e sobre o ruído na região. "Na região, comunidades do entorno dependem de poços para abastecimento de água", afirmaram o MPF e a DPU em nota. Além da consulta livre, prévia e informada, prevista na Convenção 169 da OIT, a ação pede testes de bombeamento, validação do modelo hidrogeológico, um programa integrado de impacto hídrico e energético e a divulgação periódica de indicadores de eficiência elétrica, hídrica e de ruído, como detalha o Mobile Time. Os mesmos pedidos haviam sido recomendados em maio à Omnia WN Holding, responsável pelas obras, por meio da Semace, o órgão ambiental do Ceará. Como as respostas "não demonstraram o cumprimento integral dos pontos considerados centrais", segundo os próprios órgãos, a questão foi levada à Justiça. A ação pede ainda que a Semace não emita a licença de operação e, se emitir, que a atividade seja suspensa até o julgamento final. O estado do Ceará e a prefeitura de Caucaia também respondem ao processo."O empreendimento fica próximo à área que coincide parcialmente com a Terra Indígena Anacé, em processo de estudo pela Funai. Para a DPU, reuniões informativas não substituem a consulta livre, prévia e informada", dizem MPF e DPU em nota.Setenta hectares a dois quilômetros do lagamarO projeto ocupa 70 hectares no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, dentro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, no limite entre São Gonçalo do Amarante e Caucaia. Fica a cerca de dois quilômetros da Área de Proteção Ambiental do Lagamar do Cauípe, onde vivem os Anacé. Foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro de 2025 por Shou Zi Chew, diretor-executivo do TikTok. O G1 situa o investimento acima de R$ 580 bilhões e a capacidade inicial em 200 MW, o que faria do Pecém o maior data center de cliente único do Brasil e o primeiro voltado à exportação, já que processará dados de usuários de outros países. O Mobile Time acrescenta que a potência instalada prevista é de 300 MW, com 120 geradores a diesel, subestação elétrica e captação de água subterrânea para resfriamento.Segundo o Mobile Time, a região tem histórico de seca, e entidades como a Coalizão Direitos na Rede e o Idec já haviam alertado para a pressão sobre os poços que abastecem as comunidades vizinhas do lagamar.As respostasEm nota, a Omnia afirma que "possui todas as licenças e autorizações ambientais válidas" e que mantém "amplo diálogo" com comunidades da região, mas diz ainda não ter sido citada formalmente na ação. A Procuradoria-Geral do Estado do Ceará informou que o empreendimento "vem sendo conduzido observando a legislação aplicável" e que apresentará sua defesa em juízo. Procurado pelo Mobile Time, o TikTok não respondeu.O caso chega à Justiça em meio à corrida global por data centers para inteligência artificial, que amplia a demanda por água e energia em lugares onde esses recursos já são disputados. No Cauípe, a água subterrânea que refrigerará servidores de usuários de outros países é a mesma que alimenta os poços das comunidades do entorno. O resultado da ação vai indicar como a consulta prévia prevista na Convenção 169 da OIT será aplicada a esse novo ciclo de expansão digital no Brasil.

SMSofia Menezes
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Petróleo avança no litoral do Amapá e coloca manguezais e corais raros em alerta

A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, e a autorização do Ibama para a Petrobras perfurar mais três poços no bloco FZA-M-59 consolidam o avanço do petróleo na Bacia da Foz do Amazonas. A nova fronteira opera em frente a um dos litorais mais sensíveis do planeta, que reúne o maior corredor contínuo de manguezais do mundo e o Grande Sistema de Recifes da Amazônia, e o licenciamento já é alvo de questionamentos do Ministério Público Federal (MPF).A Petrobras anunciou a descoberta em 14 de agosto. O poço foi perfurado em águas profundas, num ponto em que o mar chega a 2.886 metros. Segundo o Ibama, a campanha licenciada prevê quatro poços, com o Morpho como principal e três contingenciais, e atividades entre 2025 e 2029. Segundo o G1, a estatal planeja investir US$ 2,5 bilhões em 15 poços na Margem Equatorial até 2030 e levou uma amostra do óleo, descrito como leve, ao Rio de Janeiro para análise, enquanto testa o potencial comercial da jazida.O que dizem MPF e IbamaO MPF voltou a cobrar explicações do Ibama em pedido confirmado em 2 de setembro. Para o órgão, há divergência entre o que a autarquia declarou em audiência na Justiça Federal e o que consta nos documentos administrativos: em abril de 2025, representantes do instituto afirmaram que a atividade seria pontual, com duração de cerca de seis meses; em resposta recente, o Ibama informou que o projeto prevê quatro poços e operações até 2029. Para o MPF, a contradição compromete a transparência do processo e dificulta a avaliação de riscos, porque uma operação que se estende por anos no mar pode gerar impactos acumulados sobre a fauna marinha, a pesca artesanal e o modo de vida de comunidades tradicionais. O pedido foi encaminhado pelo grupo de apoio socioambiental do ministério público (Gapovoss) ao presidente do Ibama, Jair Schmitt. Em nota, o Ibama afirmou que conduz o licenciamento com rigor técnico, que o estudo de impacto (EIA/Rima) e o Plano de Emergência Individual contemplam todas as fases das operações e que as recomendações do MPF já estão integradas ao processo.Manguezais, corais e correntes pouco conhecidasDo Amapá ao Maranhão, a costa forma a maior faixa ininterrupta de manguezais do mundo, com espécies como o mangue-vermelho (Rhizophora mangle) e o mangue-seriba (Avicennia germinans). O ecossistema funciona como berçário da pesca que sustenta comunidades locais, barra a erosão e armazena grandes volumes de carbono. Entre 70 e 220 metros de profundidade fica o Grande Sistema de Recifes da Amazônia, documentado em 2016: um conjunto mesofótico raro, com mais de 40 espécies de corais e 60 de esponjas, que prospera sob a água turva despejada pelo Rio Amazonas."Se a gente vier a ter um problema ambiental, é muito mais difícil fazer a limpeza, porque a maior parte da nossa costa é composta por manguezais e floresta de várzea", disse à Rede Amazônica Valdenira dos Santos, doutora em Geologia e Geofísica Marinha. Segundo a pesquisadora, a costa amapaense tem características hidrodinâmicas únicas, com sensibilidade ambiental no nível máximo (índice 10), correntes que chegam a 2 metros por segundo, marés que atuam de forma perpendicular ao litoral e um vazio de dados sobre as correntes litorâneas. Ela também aponta um risco cotidiano que antecede o petróleo: navios-tanque passam todos os dias pelo Canal do Norte, entrada da hidrovia do Amazonas, e o estado não tem um plano de contingência regional. "No Amapá temos uma dependência direta da água superficial para o abastecimento das nossas cidades", afirmou.Em nota ao G1, o Greenpeace Brasil avaliou que a viabilidade econômica "não apaga os riscos ambientais, climáticos e sociais" da Margem Equatorial. A organização lembrou que, no leilão da ANP em 2025, 19 blocos foram arrematados na Foz do Amazonas e aguardam licenciamento, enquanto outros 36 seguem em estudo, o que amplia os riscos cumulativos de operações simultâneas. Para a ONG, defender uma transição justa no cenário internacional e abrir novas frentes de exploração de combustíveis fósseis no país são caminhos incompatíveis. Enquanto a Petrobras avalia o potencial comercial da jazida, dos Santos aponta outro gargalo: o Amapá tem capacidade instalada mínima para estudos marinhos e escassez de mão de obra qualificada para produzir os dados que a costa exige.

SMSofia Menezes
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El Niño chega a patamar 'muito forte' e divide o Brasil entre chuva recorde e seca

A temperatura das águas do Pacífico Equatorial chegou a +2,0°C acima da média em 14 de setembro, patamar que classifica o El Niño como "muito forte", segundo o boletim divulgado na quarta-feira (16) pelo Instituto ClimaInfo e reportado pela CNN Brasil. A NOAA, agência de oceano e atmosfera dos Estados Unidos, calcula uma probabilidade de mais de 90% de o fenômeno permanecer nesse patamar entre setembro e janeiro. Os efeitos já dividem o país: a cidade de São Paulo vive o setembro mais chuvoso de sua história, enquanto o rio Branco, em Roraima, corre abaixo das mínimas históricas.Chuva recorde no Sul e no SudesteEm 14 dias, o Mirante de Santana, na capital paulista, registrou 253,8 mm, o setembro mais chuvoso desde 1943, quando as medições começaram, e três vezes a média do mês inteiro, segundo o INMET. As estações de Bragança Paulista, Registro e Iguape já superaram seus recordes para o mês. A CNN Brasil reportou dois mortos e um desaparecido no estado de São Paulo, onde Eldorado, no Vale do Ribeira, ficou completamente alagada. O boletim do ClimaInfo, citando as Defesas Civis estaduais, contabiliza ao menos oito mortos na Grande São Paulo e quatro no Paraná, onde mais de 21 mil pessoas foram afetadas em 76 municípios. A Defesa Civil de São Paulo atribui os temporais ao El Niño, e um novo ciclone extratropical pode trazer temporais a nove estados a partir de domingo (20).A perspectiva é de mais chuva na mesma direção. O Painel El Niño, mantido pelo INPE e outros órgãos federais, prevê precipitação acima da média no Sul e em parte de São Paulo até novembro. No Rio Grande do Sul, o excesso de água no solo pode chegar a 150 mm em outubro, segundo o boletim. No restante do Sudeste, a chuva deve ficar acima da média em São Paulo, com temporais isolados no norte de Minas Gerais e no Espírito Santo.Seca no Norte e no NordesteNo Norte, o efeito é o oposto. O rio Branco baixou 22 cm em uma semana e chegou a 93 cm em Boa Vista, abaixo das mínimas históricas para o período e 250 cm abaixo do nível registrado na mesma data de 2016. Em Caracaraí, o rio também está na mínima histórica da estação. O Serviço Geológico do Brasil vê chance muito pequena de recuperação nos próximos meses: em julho e agosto choveu apenas 45% do esperado na bacia. O governo de Roraima decretou emergência por 180 dias. Na maior parte da Amazônia a vazante segue dentro do padrão, mas acelerou: o Purus caiu 120 cm em Beruri, o Solimões 111 cm em Manacapuru e o Negro 104 cm em Manaus.Segundo o INMET, o cenário de seca deve persistir no Norte e no Nordeste até novembro. No Nordeste, o déficit de água no solo deve alcançar 150 mm no Ceará, no centro-norte do Piauí e no oeste do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas.O El Niño é um fenômeno natural, que aquece o Pacífico e desorganiza a circulação de ventos e chuvas, mas ocorre sobre um planeta mais quente. O índice da NOAA já desconta o aquecimento de fundo do oceano tropical, de modo que os 2 graus medidos são do fenômeno em si. Cientistas ouvidos pelo ClimaInfo lembram que estudos de atribuição ainda precisam confirmar o peso do El Niño em cada evento, mas uma atmosfera mais úmida tende a intensificar as chuvas extremas. Enquanto isso, a resposta pública segue em duas frentes: Roraima mantém seu decreto de emergência e o painel do INPE monitora as bacias, ainda que os registros federais de população afetada, alimentados pelos municípios, costumem chegar dias ou semanas depois dos eventos.

SMSofia Menezes
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Lula sanciona lei dos data centers, mas energia trava expansão da IA no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (15) o Redata, o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center, que zera tributos federais como PIS/Pasep, Cofins e IPI sobre equipamentos usados para implantar, manter ou ampliar centros de processamento de dados no país. O setor recebeu a sanção como um avanço para a infraestrutura de inteligência artificial no Brasil, mas empresas e órgãos do próprio governo apontam a disponibilidade de energia elétrica como o principal obstáculo à expansão.Segundo o G1, o texto foi aprovado no Senado em 1º de setembro e substitui uma medida provisória editada em setembro de 2025, que perdeu a validade em fevereiro deste ano sem ser votada pelo Congresso. A proposta é do então deputado José Guimarães (PT-CE), hoje ministro. Pela estimativa do governo citada pela revista Veja, a suspensão de tributos representa uma renúncia fiscal de R$ 5,2 bilhões em 2026, valor que deve cair para cerca de R$ 1 bilhão nos dois anos seguintes.Os benefícios têm contrapartidas. Para aderir ao regime, as empresas terão de destinar ao menos 10% da capacidade de processamento e armazenamento de dados ao mercado brasileiro, investir no mínimo 2% do valor dos equipamentos adquiridos em pesquisa, desenvolvimento e inovação e garantir o fornecimento de energia, por contratos de compra ou geração própria. A aposta é econômica e de soberania digital: dados da Anatel citados pela Veja mostram que cerca de 60% da carga digital brasileira é processada fora do país, e uma estimativa do Ministério da Fazenda aponta que processar dados no Brasil chega a ser 30% mais caro do que no exterior.O gargalo da energiaO presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Thiago Prado, disse à Folha de S.Paulo que há mais de 56 gigawatts em pedidos de acesso à rede elétrica feitos por data centers, volume equivalente a um quinto da capacidade instalada de geração do país. Ele considera que muitos dos pedidos não sairão do papel, e a EPE conversa com investidores para medir o estágio real de cada projeto antes de propor ampliações na transmissão. O calendário é o problema: no Brasil, uma linha de transmissão leva cerca de cinco anos para ser implementada, enquanto um grande data center é construído em cerca de três anos. A saída abrupta de um consumidor desse porte da rede pode gerar distúrbios com risco de apagões regionais.A capacidade instalada hoje está concentrada no Sudeste. Segundo Rogério Gachet, CEO da Eletronet, 96% da capacidade de data centers do país está na região, e áreas com energia e terrenos disponíveis começam a ser consideradas como alternativas. O próprio Redata prevê recursos para programas de desenvolvimento industrial e tecnológico com atenção especial às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A sanção foi bem recebida pela Axia Energia, controladora da Eletronet, mas a empresa cobrou avanço em outra frente: "Mas continuamos tendo que avançar em outros aspectos, como aspectos regulatórios da energia, de maneira geral", disse à Folha o vice-presidente de tecnologia e inovação, Juliano Dantas.Demanda global e regras ambientais"O gargalo não está mais em aplicações, está em energia", afirmou Marcio Aguiar, diretor da Nvidia na América Latina. Flávio Loução, sócio da consultoria Deloitte citado pela Folha, estima que os data centers consumirão 565 TWh no mundo em 2026, alta de 26% sobre 2025, chegando a 702 TWh em 2027, com os servidores de inteligência artificial respondendo por mais da metade desse volume. Com matriz elétrica majoritariamente renovável e energia barata, o Brasil divide com o Chile o posto de destino mais atraente da América do Sul para esses investimentos, segundo Loução, com a vantagem de não conviver com terremotos. A lei também cobra do setor pelo lado ambiental: as empresas terão de publicar relatórios com o índice de eficiência hídrica (WUE) e as fontes de energia usadas nas instalações. Falta regulamentar o que contará como energia de baixo carbono, incluindo a discussão sobre o gás natural, e como serão os mecanismos de compensação de emissões. "Não temos posição fechada ainda sobre compensação", afirmou o secretário-executivo da Fazenda, Ceron, ao G1.

SMSofia Menezes
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Google anuncia maior compra de remoção de carbono de sua história, com início no RS

O Google anunciou nesta quarta-feira (16) a maior compra de remoção de carbono da história da companhia. O acordo com a Terradot, empresa que atua no Brasil e nos Estados Unidos e da qual o Google é investidor, começa nos arrozais do Rio Grande do Sul. Somadas, as duas frentes do projeto chegam a 2 milhões de toneladas de CO2 equivalente até 2040, sobre mais de 200 mil hectares de lavoura. O valor da transação não foi divulgado.Uma frente rápida, uma permanenteA parte com prazo mais curto vai até 2030: 1 milhão de toneladas de CO2 equivalente em emissões de metano evitadas nos arrozais gaúchos. Segundo a Folha de S.Paulo, a Terradot vai ajudar produtores do Rio Grande do Sul a adotar a técnica de umedecimento e secagem alternados, que drena periodicamente os campos e reduz tanto a formação de metano quanto o uso de água. Como observa a CNN Brasil, esse número corresponde a emissões evitadas, convertidas em CO2 equivalente, e será verificado separadamente da segunda frente.A segunda frente, até 2040, é a remoção efetiva de 1 milhão de toneladas de CO2 com pó de rocha vulcânica, principalmente basalto, espalhado sobre o solo agrícola. A chuva transforma o CO2 do ar em ácido carbônico, que reage com os minerais da rocha e forma bicarbonato, molécula estável que desce ao lençol freático e chega ao oceano. Segundo a Terradot, o carbono fica fora da atmosfera por mais de 10 mil anos, o que classifica o método como permanente.Por que o Rio Grande do Sul e o que vem depoisAs empresas dizem que o estado reúne as condições ideais: solos tropicais, clima quente e úmido, arroz irrigado e jazidas de basalto próximas. O arroz pesa na conta global do metano, porque os campos alagados respondem por 10% a 12% das emissões mundiais do gás, segundo estimativa citada pela Reuters. Uma molécula de metano aquece o planeta tanto quanto cerca de 30 moléculas de CO2, mas permanece na atmosfera cerca de dez anos, contra até um século do dióxido de carbono. Por isso, segundo as companhias, o projeto é o maior de intemperismo acelerado de rochas já anunciado no mundo e o primeiro nessa escala a combinar o corte de um superpoluente com remoção durável."Embora a maioria das soluções climáticas se concentre em horizontes de curto ou longo prazo, nossa parceria com a Terradot abordará os dois cronogramas simultaneamente", afirmou o Google, em comunicado.O modelo foi desenhado para ser replicado. O Brasil cultiva mais de 1,5 milhão de hectares de arroz, e a Terradot planeja projetos-piloto em outros países produtores, como Índia e Vietnã, ainda em 2026, com expansão comercial a partir de 2028. "Com este novo modelo, cada tonelada de remoção atende ao mesmo padrão rigoroso e entrega impacto climático mais rápido do que nunca", disse James Kanoff, CEO da Terradot, em nota. O preço segue como obstáculo: segundo a Reuters, um contrato anterior da empresa, de 90 mil toneladas, saiu perto de US$ 300 por tonelada, e a Terradot admite que o novo projeto não chegou aos US$ 100 que muitos desenvolvedores consideram necessários para ampliar o mercado. Quanto da receita dos créditos ficará com os produtores gaúchos também não foi informado. Em 2024, o Google já havia comprado 200 mil toneladas de créditos da Terradot e investido na empresa.Para o Google, o acordo responde a um balanço que piorou. Como a Folha mostrou, as emissões da companhia subiram 18% em 2025 e chegaram a 14,4 milhões de toneladas de CO2 equivalente, consequência direta da inteligência artificial e da demanda por energia em data centers. Desde 2019, a poluição cresceu 80%, e a meta de neutralidade de carbono até 2030, definida em 2021, ficou mais distante. A conta pode ser ainda maior, porque a empresa usa a métrica de "emissões baseadas na ambição", que exclui atividades consideradas periféricas. Os 2 milhões de toneladas do acordo, somando as duas frentes, equivalem a cerca de 14% do que o Google emitiu apenas em 2025.

SMSofia Menezes
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Brasil registra 26 assassinatos de ambientalistas em 2025 e sobe ao 2º lugar no mundo

O Brasil registrou 26 assassinatos de defensores da terra e do meio ambiente em 2025, mais que o dobro dos 12 homicídios contabilizados em 2024. Com a alta, o país subiu do 4º para o 2º lugar no ranking mundial da ONG Global Witness, divulgado nesta quarta-feira (16), e voltou à posição que ocupava em 2022 e 2023.Ao todo, pelo menos 124 defensores foram assassinados no mundo em 2025, o que eleva para 2.375 o total de mortes e desaparecimentos documentados desde 2012, quando a organização com sede em Londres começou a publicar o levantamento anual, batizado neste ano de Collective power. A América Latina concentrou 85% dos casos, ou 105 homicídios. A Colômbia lidera pelo quarto ano seguido, com 39 mortes, seguida pelo Brasil; juntos, os dois países responderam por 52% dos assassinatos do ano passado. Honduras e Filipinas tiveram 12 casos cada, o México 10 e a Guatemala 8.Terra em disputaQuase todos os casos brasileiros documentados em 2025 tiveram como causa principal a disputa por terra, segundo o relatório: sete estavam ligados a territórios indígenas e 14 a agricultores familiares. Rondônia e Pará, dois estados amazônicos, responderam juntos por metade das mortes. Na região, comunidades tradicionais sofrem a pressão do avanço das fronteiras agrícola e extrativista."A falta de resolução sobre os seus direitos fundiários deixam povos indígenas e pequenos agricultores expostos à grilagem de terras, intimidação e violência", afirma Gabriella Bianchini, chefe de parcerias da Global Witness.A alta aconteceu no mesmo ano em que o Brasil sediou, em Belém, a COP30, a cúpula do clima das Nações Unidas, que teve participação indígena recorde e incluiu compromissos sobre direitos territoriais.Proteção coletivaEssas comunidades, no entanto, não são passivas. "Elas estão se organizando, recorrendo à lei e desenvolvendo as suas próprias estratégias para defender seus territórios e seus direitos", diz Bianchini. O relatório documenta mecanismos de proteção coletiva, como patrulhas territoriais, sistemas de alerta precoce e redes de monitoramento comunitário. No mundo, 44 pessoas indígenas foram assassinadas em 2025, entre elas sete integrantes de guardas indígenas; no Peru, comunidades kakataibo mantêm uma guarda indígena para patrulhar suas terras contra o crime organizado e o cultivo ilegal de coca.Em escala global, disputas por terra estiveram associadas a mais da metade dos assassinatos de 2025. A mineração foi ligada a 11 mortes, a exploração madeireira a oito e o agronegócio a seis, e mais de um terço dos casos envolveram organizações criminosas ou pistoleiros. "Os defensores são os olhos e os ouvidos do mundo no terreno. É graças a eles que sabemos quando ecossistemas estão sendo destruídos, onde florestas são derrubadas ou rios poluídos", escreve Toby Hill, investigador e autor principal do relatório.

SMSofia Menezes
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Chuvas de sete dias no Paraná afetam 22 mil pessoas e deixam 4 mortos e 2 desaparecidos

Sete dias de chuvas intensas afetaram 22.176 pessoas no Paraná, deixaram quatro mortos e dois desaparecidos, segundo o boletim divulgado pela Defesa Civil do estado na manhã desta terça-feira (15). As chuvas começaram na quarta-feira (9) e provocaram estragos em 80 municípios, com cidades alagadas e trechos de rodovias interditados. O número de afetados inclui quem teve estragos em casa ou ficou sem energia elétrica, água ou comunicações.O estado registrou 3.022 casas danificadas e 18 destruídas. Ao menos 2.587 pessoas deixaram as próprias casas: 2.182 ficaram desalojadas, em residências de parentes ou amigos, e 405 desabrigadas, em abrigos públicos. O maior contingente está em União da Vitória, cidade do sul do estado cortada pelo Rio Iguaçu. A prefeitura estima ao menos 1,8 mil pessoas desalojadas e 400 em abrigos. O rio, cujo nível normal é de 3,5 metros, chegou a 6,275 metros na tarde de segunda (14) e começou a baixar lentamente; às 8h desta terça estava em 6,267 metros, conforme o monitoramento da Copel, a companhia paranaense de energia.Mortes e desaparecidosTrês das quatro vítimas moravam em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. Segundo o g1, uma família foi soterrada enquanto dormia na manhã de quinta-feira (10), após um barranco desabar sobre a casa: Kauan da Silva Contador, de 21 anos, sua companheira Jaqueline Gabriela de Lima Andrade, de 20, e o filho dela, Vinícius Hendrick de Lima Machado, de 5. Os corpos foram encontrados na mesma cama, e o Corpo de Bombeiros aponta que uma parede e o telhado caíram com o impacto do desabamento.A quarta vítima estava em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. O corpo de um homem foi localizado na segunda (14) às margens do Rio Ribeira pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná, com apoio de uma moto aquática de resgate e de um barco de rafting, informou a CNN Brasil. A suspeita é que ele tenha desaparecido ao tentar atravessar de carro uma ponte submersa; o veículo foi achado dentro do rio e um homem que estava com ele segue desaparecido. Em Tunas do Paraná, também na região metropolitana, um morador da comunidade das Pacas desapareceu no fim da tarde, depois de sair de casa para consertar canos de água de uma nascente. O caminho exigia a travessia de uma ponte tomada pela correnteza; a própria comunidade iniciou as buscas, com apoio do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost).Resposta do Estado e alerta climáticoDesde sexta-feira (11), o Gabinete de Gestão Integrada do governo do Paraná funciona no Centro Integrado de Comando e Controle Regional, em Curitiba, para centralizar informações e coordenar as equipes. O secretário da Segurança Pública, Hudson Teixeira, afirmou que "todos os esforços e recursos estão sendo empregados para mitigar os efeitos dos eventos climáticos que atingiram o Paraná nos últimos dias". Na rede rodoviária, seguia interditado principalmente o trecho entre Curitiba e Adrianópolis, no Vale do Ribeira, que liga o Paraná a São Paulo; a Polícia Rodoviária Federal mantém um mapa com as condições em tempo real.O desastre ocorre em um setembro de chuvas acima da média em várias cidades do Paraná, conforme o g1, e enquanto órgãos federais alertam para um El Niño de intensidade muito forte. O Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Inmet com parceiros como a ANA, o Cemaden e a Defesa Civil nacional, aponta 100% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027 e prevê chuvas acima da média, cheias de rios e deslizamentos na região Sul, onde o solo já está mais úmido que em episódios anteriores do fenômeno. O boletim não relaciona este episódio em particular ao El Niño. Mesmo assim, classifica o Sul como a região mais exposta aos impactos na primavera e no verão.

SMSofia Menezes
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Médicos descartam tratamento curativo para tumor do cacique Raoni, de 94 anos

O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, líder indígena conhecido mundialmente pela defesa da Amazônia, está com um tumor no sistema digestivo e a equipe médica que o acompanha descartou tratamento com intenção de cura. O diagnóstico foi anunciado pelo Instituto Raoni na noite de segunda-feira (14) e detalhado em reportagem do G1. Desde a cirurgia de emergência a que foi submetido em junho, em São Paulo, o cacique recebe cuidados paliativos.Segundo o comunicado do instituto, reproduzido pela agência Reuters, os primeiros sinais de agravamento surgiram há alguns meses, com dores abdominais persistentes que levaram à primeira hospitalização. Exames de imagem revelaram um tumor em estágio avançado. No dia 19 de junho, Raoni foi transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde passou por uma cirurgia para desobstruir o intestino.O diagnóstico é de adenocarcinoma pouco diferenciado, o tipo mais comum de tumor maligno do aparelho digestivo, que nasce nas glândulas que revestem o tubo digestivo. O termo "pouco diferenciado" descreve células que perderam boa parte da aparência e da organização das células saudáveis, característica associada a comportamento mais agressivo, explica o G1. A lesão está na altura do duodeno, a primeira porção do intestino delgado. Como a coleta de tecido foi evitada em junho pelo risco de sangramento, a confirmação veio do exame anatomopatológico do tumor retirado na cirurgia. O órgão de origem do câncer, porém, segue indefinido.Por que a cura foi descartadaComo o tumor não podia ser removido, a equipe da Unifesp fez uma gastroenteroanastomose, procedimento que cria um novo trajeto no sistema digestivo para que os alimentos contornem a área bloqueada. "Quando a massa é muito grande, nem sempre dá para saber qual foi o epicentro. Podia ser estômago, pâncreas, intestino", diz ao G1 o cirurgião Pedro Luiz Bertevello, doutor pela Universidade de São Paulo e especialista em cirurgia oncológica da Beneficência Portuguesa. Diante de uma doença avançada e de um paciente frágil demais para uma investigação mais ampla, localizar o ponto inicial tornou-se inviável e pouco decisivo para o tratamento.O oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas, resume o raciocínio clínico: "A biologia da doença é o que define as possibilidades de tratamento e o prognóstico". O objetivo agora, segundo o Instituto Raoni, é outro: cuidar do líder em vez de combater o tumor. No comunicado, o instituto lista o que a equipe busca:"O objetivo passa a ser controlar a dor e outros sintomas, reduzir desconfortos, preservar a autonomia possível, garantir alimentação e hidratação adequadas, prevenir complicações, oferecer acompanhamento médico e de enfermagem e proporcionar a melhor qualidade de vida possível."O instituto afirma ainda que a prioridade é garantir os cuidados "com segurança, conforto e dignidade, respeitando sua cultura, sua língua, suas decisões e a presença de seus familiares e de seu povo". Aos 94 anos, Raoni é há décadas uma das vozes mais conhecidas da defesa dos povos indígenas e da floresta no mundo. Apareceu ao lado de presidentes e papas e, nos anos 1980, juntou-se ao músico Sting em campanhas internacionais pela preservação da Amazônia, trajetória que fez dele um rosto permanente do debate climático global.

SMSofia Menezes
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Copom deve cortar Selic para 13,75% na última reunião antes das eleições

O Copom (Comitê de Política Monetária) abriu nesta terça-feira (15), na sede do Banco Central, em Brasília, sob o comando de Gabriel Galípolo, a reunião que o mercado financeiro aposta que terminará no quinto corte seguido da taxa básica de juros do país. A expectativa consensual, reportada pela Folha de S.Paulo, é de redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A decisão sai na noite desta quarta-feira (16) e é a última do comitê antes das eleições presidenciais.A leitura de que há espaço para seguir afrouxando vem do cenário doméstico. Desde o encontro de agosto, segundo a Folha, os economistas ganharam convicção de que a atividade econômica desacelera e a inflação cede. No Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda (14), a mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 ficou em 13,75%, um número que o mercado lê como sinal de que este pode ser o último corte do ciclo. O mesmo boletim trouxe o IPCA de 2026 recuando de 5% para 4,9%, ainda bem acima do centro da meta de inflação, que é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.Na contramão do resto do mundoEnquanto Brasília se prepara para cortar, os principais bancos centrais apertam. Na mesma quarta-feira, o Fed, em Washington, deve elevar os juros dos Estados Unidos da faixa de 3,5% a 3,75% para algo entre 3,75% e 4%. Na semana passada, o Banco Central Europeu, em Frankfurt, subiu sua taxa de depósito em 0,25 ponto, para 2,5%, e crescem as apostas de que o Banco do Japão, em Tóquio, eleve a própria taxa de 1% para 1,25%. O motor comum é a guerra no Oriente Médio, que devolveu o petróleo a cotações acima de US$ 100 e pressionou a inflação global. Ainda assim, os economistas ouvidos pela Folha avaliam que o cenário externo não deve alterar o plano do BC de cortar a Selic pela quinta vez seguida.Cautela no comunicado e críticas ao ritmoRelatórios do Itaú BBA, do C6 Bank, da Suno Research e do Daycoval, consultados pela Exame, apontam o corte de 0,25 ponto como o cenário mais provável, com a atenção concentrada no tom do comunicado. O Itaú BBA projeta decisão unânime e estima que o modelo do próprio BC mantenha a projeção de inflação em 3,2% no primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante do comitê, com balanço de riscos assimétrico para cima. O C6 Bank revisou sua projeção para a Selic no fim de 2026, de 14% para 13,75%, e espera a taxa mantida nas reuniões restantes do ano. Para o economista-chefe da casa, Felipe Salles, a comunicação deve ser cautelosa:"O Comitê deve justificar a continuidade da calibração dos juros diante da projeção de inflação ao redor da meta no horizonte relevante. No entanto, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista."Há quem considere o ritmo excessivo. Para Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central, o comitê é guiado por uma crença muito forte de que os juros atuais são altos o bastante para provocar uma contração muito grande da economia adiante, avaliação que ele chama de equivocada. Na visão dele, o colegiado não deveria continuar cortando a Selic se quiser assegurar a convergência da inflação à meta.Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, vê o lado doméstico mais favorável do que nos meses anteriores, com a inflação corrente em queda e a atividade perdendo ritmo. Se a mediana do Focus se confirmar, este é o último corte antes de o país escolher o próximo presidente, e a pergunta que resta ao comitê é se sustenta a taxa em 13,75% nas reuniões que faltam no ano.

SMSofia Menezes
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Setembro de 2026 já é o mais chuvoso em São Paulo desde 1943

A cidade de São Paulo vive o setembro mais chuvoso da série histórica iniciada em 1943. Até as 9h desta segunda-feira (14), a estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Mirante de Santana, na zona norte da capital, havia acumulado 253,8 milímetros de chuva no mês, segundo dados do órgão divulgados pela Agência SP. O volume equivale a três vezes a média climatológica de 83,3 milímetros para todo o mês de setembro.O acumulado superou o recorde anterior, de 1983, quando o Mirante de Santana mediu 243,1 milímetros. Na sequência do ranking aparecem 1993, com 206,7 milímetros, 2015, com 201,7 milímetros, e 1957, com 197,2 milímetros. A marca caiu em ritmo acelerado: às 9h de sábado (12) o mês ainda somava 198,2 milímetros, e outros 55,6 milímetros caíram sobre a mesma estação nas 48 horas seguintes. Entre sexta (11) e sábado, o posto registrou 75,4 milímetros em 24 horas, o maior volume do país no período, segundo o Inmet, apurou o G1. Setembro é hoje o segundo mês mais chuvoso de 2026 na estação, atrás apenas de janeiro, que acumulou 256,4 milímetros.Chuva recorde alcança o estadoOs números altos não ficam restritos à capital. Entre os dias 1º e 13 de setembro, Campinas acumulou 257,2 milímetros, 3,1 vezes a média mensal da região (83,7 milímetros) e o maior setembro desde o início da série local, em 1961, superando a marca de 1976, de 183,3 milímetros. Em Registro, no Vale do Ribeira, os 185,3 milímetros até o dia 13 colocam o mês em terceiro lugar na série iniciada em 1961. Em São José dos Campos (161 milímetros), na Baixada Santista (232,7 milímetros) e em Bauru (118,8 milímetros), os volumes também superam com folga as médias climatológicas, segundo a Agência SP. Na capital, os temporais causaram alagamentos e deixaram desaparecidos, relatou o G1; no estado, houve enchentes, alagamentos e desmoronamentos, com mortes, de acordo com o InfoMoney. Famílias do Vale do Ribeira e da região de Itapeva já receberam ajuda do governo estadual por causa das chuvas.O papel do El NiñoA Defesa Civil estadual atribui as chuvas intensas ao El Niño, fenômeno natural ligado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico junto à linha do Equador, que altera a circulação atmosférica e redistribui umidade e temperatura em várias regiões do planeta. O climatologista José Antônio Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), avalia que o fenômeno já está estabelecido e segue se fortalecendo. Na leitura dele, um El Niño forte não garante por si só um verão com mais temporais severos: chuvas intensas, vendavais e tornados podem ocorrer com ou sem o fenômeno."Na região do Pacífico Equatorial onde se forma, o aquecimento já passou de 1,8 grau Celsius de anomalia e, quando chegar a 2, isso significaria um El Niño muito forte, o que está previsto para final deste ano e início do próximo", diz Marengo.O que está sendo feitoDesde sexta-feira (11), um Gabinete de Crise funciona em formato presencial na sede da Defesa Civil estadual, com representantes do governo, das concessionárias de energia, água e gás, do DER, das agências reguladoras (Arsesp, SP Águas e Artesp), do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária. O órgão monitora a situação por radares e satélites, com equipes mobilizadas em todo o estado, e a população pode receber alertas gratuitos por SMS enviando o CEP ao número 40199; em emergências, os canais são o 193 e o 199. "Números como esses mostram por que o monitoramento não pode parar. A informação e a percepção de risco são o que permite à população se proteger neste período. Prevenção é o que salva vidas", afirma o coronel Araújo Monteiro, coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil. Antes do pico da temporada, o estado também adiantou a entrega de kits de resposta a emergências e treinamentos para equipes municipais, com etapas da Operação Chuvas de Verão em Piracicaba, segundo o veículo local Piranot.A previsão da Climatempo é de que a chuva comece a diminuir na terça-feira (15), com as nuvens reduzindo apenas na quinta (17). O meteorologista da Defesa Civil estadual William Minhoto alerta que o recorde ainda pode crescer: "Como setembro ainda está em andamento e há previsão de novos episódios de chuva nos próximos dias, o acumulado mensal poderá aumentar até o fim do período, ampliando o atual recorde", diz. Mesmo com o afastamento gradual do sistema a partir de quarta (16), o solo encharcado mantém o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, principalmente em áreas vulneráveis, e a entrada de ar mais frio de origem polar deve manter as temperaturas abaixo dos 20 graus Celsius na capital nesta semana.

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Paralisação de oleoduto na Arábia Saudita ameaça retirar 4% da oferta global

A Arábia Saudita tem petróleo estocado para sustentar suas exportações por apenas cinco a sete dias a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, caso não consiga retomar em breve o bombeamento de seu principal oleoduto, paralisado desde sexta-feira (11) depois de ataques com drones. A estimativa é de compradores e negociantes sauditas ouvidos pela agência Reuters neste domingo (13), em reportagem publicada pelo G1. O oleoduto Leste-Oeste atravessa o deserto da Península Arábica e leva cerca de 4 milhões de barris por dia, o equivalente a 4% do suprimento global, dos campos do leste até o Mar Vermelho.Yanbu pode armazenar cerca de 35 milhões de barris, segundo estimativas do setor citadas pela Reuters. O reino também mantém estoques nos portos egípcios de Ain Sukhna, no Mar Vermelho, com capacidade para 18 milhões de barris, e Sidi Kerir, no Mediterrâneo, com 20 milhões. As quatro fontes da indústria ouvidas pela agência disseram que os tanques não estão cheios e que as reservas acabarão se o duto não voltar a operar. O escritório de mídia do governo saudita e o ministério da Energia não responderam aos pedidos de comentário, e Riade não detalhou a extensão dos danos nem um prazo para o retorno.Gargalos de uma guerraNos últimos seis meses, o Leste-Oeste funcionou como rota de escape do reino: com o Estreito de Ormuz fechado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, contexto descrito pela CNN Brasil, a tuberação poupou a Arábia Saudita da paralisia que atingiu as exportações de seus vizinhos. Os fluxos via Ormuz, que somavam cerca de 22 milhões de barris diários para todo o Oriente Médio antes da guerra, caíram para entre 6 milhões e 9 milhões, segundo fontes do setor. Na sexta-feira (11), combatentes Houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, tomaram a ilha de Perim, na entrada do Mar Vermelho, um dia após ocuparem a cidade portuária de Mocha, segundo a CNN Brasil. A ilha divide o estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada da rota do canal de Suez.As cifras de produção já mostram o aperto. A Arábia Saudita informou à Opep que produziu 6,2 milhões de barris diários em agosto, contra 10,9 milhões em fevereiro, antes do início da guerra. A Agência Internacional de Energia (AIE), que coordena as políticas de energia dos países ocidentais, disse na sexta-feira (11) que o suprimento saudita caiu em agosto ao menor nível em mais de três décadas e que a oferta mundial deve recuar 5,7 milhões de barris por dia neste ano, cerca de 6%.Reparos e diplomaciaAs estimativas sobre o duto divergem. Uma das fontes da Reuters afirmou que os reparos podem levar de cinco a seis semanas; outra disse que o problema pode ser corrigido antes, com retomada parcial do bombeamento durante os trabalhos. No plano militar, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu, em duas ligações na quinta-feira (10), que o presidente dos EUA, Donald Trump, atacasse os Houthis, e o americano teria recusado, contou uma fonte à CNN Brasil. Em nota, a Casa Branca afirmou:"Os Estados Unidos estão focados em proteger nossos interesses centrais de segurança nacional, como garantir a liberdade de navegação no Mar Vermelho, ao mesmo tempo em que capacitamos nossos parceiros regionais a assumir a liderança no gerenciamento e na resolução dos desafios de segurança regionais."Uma nova queda nos fluxos sauditas agravaria uma escassez que já levou os preços dos combustíveis a níveis recordes, estimulou a inflação ao redor do mundo e elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA aos níveis mais altos desde a crise financeira de 2008, segundo o G1. Para os compradores globais, o prazo decisivo agora é o dos tanques de Yanbu: entre cinco e sete dias, no máximo, antes que a maior exportadora de petróleo do mundo precise recorrer aos estoques menores que mantém no Egito.

SMSofia Menezes
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Relatório do MPF aponta ouro ilegal, escravidão e CV em garimpos do Amazonas

Um relatório do Gaeco, grupo especial do Ministério Público Federal (MPF) contra o crime organizado no Amazonas, obtido pelo g1, reúne investigações que apontam uma rede de crimes em garimpos do estado: mais de 290 quilos de ouro extraído ilegalmente em dois casos, 56 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão, uso de mercúrio e cianeto e danos ambientais estimados em mais de R$ 1,7 bilhão. O documento cobre as atividades do grupo entre julho de 2025 e junho de 2026 e foi encaminhado ao Conselho Superior do MPF, com análise da subprocuradora-geral da República Samantha Chantal Dobrowolski.Os dois maiores casosO maior volume de ouro aparece na Operação Jurupari. Segundo a denúncia, uma organização criminosa extraiu pelo menos 219 quilos do metal ao longo de cerca de três anos, em estimativa classificada pelo MPF como conservadora, com danos ambientais calculados em R$ 1,5 bilhão. Empresas e terceiros davam aparência de legalidade às operações e ocultavam a origem do ouro, o elo pelo qual o metal ilegal da Amazônia entra em cadeias de comercialização que parecem regulares aos compradores. Em abril de 2026, o Gaeco apresentou duas denúncias do caso. Entre os denunciados está o tenente-coronel do Exército Abimael Alves Pinto: em áudio obtido com quebra de sigilo telefônico, ele avisava garimpeiros de uma operação na região de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Amazonas com Venezuela e Colômbia. O g1 informou não ter localizado a defesa do militar.A outra investigação, a Operação Barões do Filão, mirou o chamado Filão do Abacaxis, dentro da Floresta Nacional de Urupadi, em Maués, no sul do Amazonas, região que o MPF descreve como uma das áreas de garimpo mais rentáveis da América Latina. Segundo a procuradoria, o grupo operou entre abril de 2023 e agosto de 2025, extraiu cerca de 71,1 quilos de ouro de propriedade da União sem licença alguma e movimentou R$ 258,6 milhões, identificados em relatórios de inteligência financeira do Coaf. Treze pessoas foram denunciadas e a Justiça Federal recebeu a denúncia. O documento do Gaeco registra:"A partir dos elementos técnicos reunidos nos autos, verificou-se a usurpação de aproximadamente 71,1 quilos de ouro, além da submissão de 56 trabalhadores a condições análogas à escravidão e a ocorrência de danos socioambientais e patrimoniais no valor mínimo estimado de R$ 267 milhões."Cerca de 8,5 quilos de mercúrio foram despejados na bacia do rio Abacaxis e convertidos em metilmercúrio, forma mais tóxica do elemento, incorporada à cadeia alimentar. O MPF estima risco de contaminação crônica para cerca de 67 mil pessoas da região. Os trabalhadores, segundo relatório do Ministério do Trabalho e Emprego, eram mantidos isolados na floresta, em alojamentos de lona, sem água potável, em turnos de 24 horas de trabalho por 24 de descanso; 50 dos 56 localizados foram formalmente enquadrados em condição análoga à escravidão. O garimpo contava com estrutura de segurança armada permanente, e diligências apreenderam fuzil, submetralhadora, espingarda, revólver e mais de 400 munições, além de cerca de 140 gramas de ouro sem documentação. Segundo o g1, um investigado tentou destruir celulares com um martelo antes da entrada dos agentes.Repressão e Comando VermelhoA apuração nasceu da Operação Déjà Vu, de 2023, contra o tráfico interestadual de drogas, e se desdobrou em quatro ações na área: Aurum, Mineração Obscura, Mineração Obscura 2 e Barões do Filão. As operações foram coordenadas pela Polícia Federal com apoio da PRF, da Força Nacional, da Abin, do MTE, do MPT, do ICMBio e da Funai, e os mandados, segundo a PF, chegaram a Itaituba e Novo Progresso (PA), Sinop (MT), Porto Velho (RO) e Regeneração (PI). No lançamento da Barões do Filão, em agosto de 2025, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 74 milhões em bens. Imagens da PF mostram dragas de garimpo ilegal destruídas no interior do Amazonas. Na ação penal, os acusados respondem por usurpação de bens da União, organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, redução à condição análoga à de escravo, crimes ambientais e posse ilegal de arma. O trabalho é do Gaeco junto ao 2º Ofício da Amazônia Ocidental, unidade do MPF especializada em mineração ilegal nos estados do Amazonas, Rondônia, Roraima e Acre.Além dos garimpos, o relatório detalha a atuação do Comando Vermelho no Amazonas, em investigações separadas das do ouro. Em fevereiro de 2026, o Gaeco denunciou 13 pessoas por tráfico transnacional de drogas, organização criminosa, lavagem de capitais, sonegação fiscal e uso de documento falso; segundo o MPF, os recursos eram depositados em contas de "laranjas" e parte era convertida em criptoativos enviados a carteiras digitais na rede Tron. A denúncia aponta Alan Sérgio Martins Batista, conhecido como "Alan Índio", como integrante de posição de destaque da facção no estado, membro do chamado Conselho Permanente, com influência sobre integrantes que atuavam em diferentes zonas de Manaus. Já a Operação Roque, de novembro de 2025, investigou o núcleo jurídico do Comando Vermelho: quatro advogados foram presos e denunciados por pertencimento à organização criminosa. O relatório cita ainda a Operação Brazilian Cricket entre as apurações do período.

SMSofia Menezes
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SP tem a maior chuva do Brasil em 24 horas e setembro já é o 4º mais chuvoso desde 1943

A estação do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Mirante de Santana, na Zona Norte de São Paulo, registrou 75,4 milímetros de chuva entre as 9h de sexta-feira (11) e as 9h deste sábado (12). Segundo o Inmet, foi o maior volume acumulado em 24 horas registrado no país no período, e a Defesa Civil de São Paulo confirmou o recorde. O temporal causou alagamentos na capital e deixou dois homens desaparecidos em Jandira, na Grande São Paulo.Com a chuva, o acumulado de setembro no Mirante de Santana, onde a série histórica da cidade começou em 1943, chegou a 198,2 mm em apenas 12 dias. O número coloca o mês na quarta posição entre os setembros mais chuvosos já medidos na estação. À frente de 2026 estão 1983, com 243,1 mm, 1993, com 206,7 mm, e 2015, com 201,7 mm, segundo dados do Inmet compilados pela CNN Brasil. Como o mês ainda não terminou e há previsão de novas chuvas, o ranking pode mudar até 30 de setembro. Neste ano, só janeiro choveu mais na estação, com 256,4 mm, segundo o G1.Enchentes e desaparecidos na Grande São PauloPor volta da 1h de sábado, dois homens, de 32 e 33 anos, foram arrastados pela correnteza de um rio durante uma enchente na Avenida Antônio Bardella, no bairro Jardim São Luiz, em Jandira. Segundo o boletim de ocorrência registrado na Delegacia de Jandira, um deles estava na área alagada quando o outro e a irmã dele, de 32 anos, tentaram resgatá-lo. A correnteza levou os três, e a mulher só conseguiu sair da água depois de se agarrar a árvores na margem. Ela foi encaminhada para atendimento médico e perdeu contato com os dois homens. O Corpo de Bombeiros faz buscas com apoio da Defesa Civil Municipal.Entre 0h e 13h20 de sábado, o Corpo de Bombeiros registrou 48 chamadas ligadas à chuva e ao vento na capital e na Região Metropolitana: 20 de enchentes, 16 de quedas de árvores e 12 de desabamentos. Na Marginal do Tietê, principal via expressa da cidade, pistas foram bloqueadas por alagamentos ao longo do sábado, e o rio chegou a correr risco de transbordar, segundo reportaram o Estadão e a UOL.Umidade da Amazônia sustenta os temporaisAnalistas da Climatempo atribuem o volume recorde a três fatores, em explicação publicada pela CNN Brasil: uma frente fria no feriado de 7 de setembro deixou 35,6 mm entre os dias 5 e 6; a partir de 9 de setembro, uma área de baixa pressão sobre o Paraguai e o Sul do Brasil empurrou uma nova frente fria na sexta, com instabilidade avançando do Paraná para São Paulo; e o jato de baixos níveis, corrente de ar quente e úmido que vem da Amazônia, canalizou umidade para São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul e sustentou a formação de nuvens carregadas. Ou seja: parte da água que alagou a maior cidade do Brasil atravessou o continente desde a floresta amazônica.A Defesa Civil do Estado mantém monitoramento por radares e satélites, com equipes mobilizadas para atender ocorrências, e recomenda que a população evite áreas alagadas ou com correnteza, não tente atravessar vias inundadas e procure local seguro durante temporais. "Números como esses mostram por que o monitoramento não pode parar. A informação e a percepção de risco são o que permite à população se proteger neste período. Prevenção é o que salva vidas", afirmou o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Araújo Monteiro. Alertas gratuitos chegam por SMS com o envio do CEP da localidade para o número 40199; em emergência, os telefones são 193, do Corpo de Bombeiros, e 199, da Defesa Civil.A previsão segue ruim no curto prazo. Para este domingo (13), a Climatempo indica chuva durante todo o dia e à noite na capital, com temperaturas entre 14°C e 16°C. A instabilidade deve persistir até segunda-feira (14), perder força a partir de terça (15), e uma massa de ar frio de origem polar na costa do Sudeste deve manter as temperaturas abaixo de 20°C até 17 de setembro.

SMSofia Menezes
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Ciclone extratropical põe nove estados em alerta; PR, SP e MS têm risco de tornado

Um ciclone extratropical em formação sobre a região Sul deixou nove estados do Centro-Sul do Brasil sob aviso de tempestade nesta quinta-feira (10), com rajadas que podem superar os 100 km/h e risco de tornado no Paraná, no sul e sudoeste de São Paulo e no extremo sul do Mato Grosso do Sul, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) e a Climatempo.Onde o perigo é maiorOs avisos do Inmet alcançam Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O nível de grande perigo, o mais alto da escala do instituto, vale para o extremo norte do Rio Grande do Sul, o centro-oeste de Santa Catarina e do Paraná e o extremo sul do Mato Grosso do Sul, com previsão de mais de 100 mm de chuva por dia, ventos acima de 100 km/h e risco de alagamentos e queda de árvores. No Paraná, o g1 informou que 265 municípios estavam sob alerta vermelho de tempestade.No estado de São Paulo, o Inmet manteve alerta laranja, de perigo, para o litoral ao menos até o fim da manhã desta quinta, com chuva de 30 a 60 mm por hora ou de 50 a 100 mm por dia e risco de alagamentos, deslizamentos de encostas e transbordamento de rios, segundo a Folha de S.Paulo. Na região metropolitana da capital, o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) previu muitas nuvens e chuva ao longo de todo o dia.Como o sistema se organizaSegundo a Climatempo, a instabilidade vem da combinação de um cavado, área alongada de baixa pressão associada a correntes de vento que ajudam a formar nuvens de tempestade, com um sistema de baixa pressão no interior da América do Sul, ligado ao ciclone extratropical que se forma no Sul do país. Nuvens muito carregadas devem se organizar em supercélulas em áreas do Paraná, no extremo sul do Mato Grosso do Sul e no sul e sudoeste paulistas entre esta quinta e a sexta (11), quando uma nova frente fria se aproxima da região e pode intensificar o quadro. No Paraná, o risco de tornado é maior no norte e no oeste do estado.À Folha, Josélia Pegorim, meteorologista da Climatempo, explicou o fenômeno:"As supercélulas são nuvens cumulonimbus especiais, que podem gerar tornados, microexplosões e rajadas de vento intensas, acima dos 90 km/h. Uma supercélula é chamada de mesociclone quando adquire um movimento giratório."A MetSul, empresa gaúcha de meteorologia, havia classificado a semana como de alto risco, com uma onda de tempestades e um ciclone intenso, e estima que a chuva em São Paulo pode chegar ao triplo da média de setembro. O sistema se forma dias depois de o Rio Grande do Sul registrar quatro dias seguidos de frio abaixo de zero, com a menor temperatura do ano, de quase -7 graus, no dia 7. O Inmet segue atualizando os avisos ao longo desta quinta.

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Área preservada da Amazônia registra alta de mais de 3 °C em temperaturas extremas

Uma área de mais de 700 mil km² no centro-norte da Amazônia, quase o tamanho do Chile, registrou alta de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas extremas da estação seca desde 1981. O número vem do estudo "Rapid increase of climate extremes reveals new areas of concern in Amazonia", publicado na quinta-feira (10) na revista Communications Earth & Environment, do grupo Nature, e assinado por 53 cientistas internacionais, entre eles brasileiros e especialistas do Painel Científico da Amazônia. A equipe é liderada pela Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e teve parceria do WWF.Na região afetada, uma das mais preservadas da bacia, o aquecimento avançou a pelo menos 0,75 °C por década, mais de três vezes o ritmo da temperatura média anual da floresta, de cerca de 0,21 °C por década nas últimas quatro décadas. Para medir a mudança, os pesquisadores dividiram toda a bacia em células de 11 km e analisaram dados de temperatura e chuva de alta resolução coletados entre 1981 e 2023. No conjunto da floresta, o 95º percentil das temperaturas máximas no período mais seco subiu 0,49 °C por década, segundo o resumo do artigo. Durante a estação seca, 10% da bacia já sofre altas de extremos de calor de pelo menos 0,75 °C por década.Uma mudança desigual na florestaO sul da Amazônia continua como a região que mais esquenta na média. É no centro-norte, porém, distante do arco do desmatamento que avança pela fronteira agrícola do sul e do leste da floresta, em estados como Pará e Mato Grosso, que os extremos de calor e o déficit hídrico crescem mais rápido. A área afetada concentra floresta intacta, savanas naturais e territórios indígenas e, por isso, era tratada como uma das zonas mais resilientes do bioma. Segundo reportagem de Luciana Constantino, da Agência Fapesp publicada pela Folha de S.Paulo, o resultado indica que o fenômeno tem origem tanto na perda de floresta, principal fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil, quanto nas mudanças climáticas globais. "As taxas de mudança nos extremos climáticos são muito maiores do que as taxas de mudança do clima médio na Amazônia, e as regiões mais afetadas também são diferentes para os extremos e para o clima médio", afirmou Nathália Carvalho, pesquisadora do Lancaster Environment Centre, em comunicado. O autor principal do trabalho, Jos Barlow, professor da Lancaster University, explicou o alcance da análise:"Nós nos interessamos mais pelas coisas quando estão no ponto mais quente e mais seco, porque é quando as altas temperaturas podem causar mais dano. Isso já foi avaliado no sul da Amazônia, que tem uma estação seca em grande parte parecida, mas nunca na Amazônia inteira, que inclui regiões ao norte do Equador com um período de seca diferente."Em anos recentes, períodos de calor e seca extremos provocaram na Amazônia incêndios sem precedente, mortalidade de árvores em larga escala e mortes localizadas de animais, entre elas ondas de morte de botos, além da redução de populações de aves, segundo o artigo e o WWF. A preocupação imediata é o El Niño deste ano, esperado como o mais intenso já registrado, que pode submeter a floresta novamente a temperaturas elevadas e secas extremas dois anos após a grande estiagem de 2024, reportou a Folha.Medidas e financiamentoO estudo pede cortes rápidos nas emissões globais de gases de efeito estufa, prevenção de incêndios, contenção do desmatamento e da degradação florestal e mais investimento em adaptação. Cerca de 17% da floresta já foi desmatada, e o Global Tipping Points Report de 2025, produzido com participação do WWF, calcula que uma perda entre 20% e 25% pode ser suficiente para disparar a transformação do bioma em um estado degradado. No dia 3 de setembro, o governo britânico anunciou compromisso com o Tropical Forest Forever Facility (TFFF), mecanismo internacional criado para financiar conservação e adaptação em florestas tropicais."Os extremos climáticos em rápido aumento revelados por este estudo mostram a urgência de uma ação global sobre as mudanças climáticas para proteger ecossistemas vitais como a Amazônia. As novas regiões de risco também demonstram a necessidade de apoiar outras medidas, incluindo o fim do desmatamento e o apoio a mecanismos como o Tropical Forest Forever Facility, se quisermos evitar pontos de virada críticos e o colapso ambiental."A declaração é de Mike Barrett, conselheiro científico-chefe do WWF-UK. Para a organização, o compromisso britânico com o TFFF, anunciado na semana passada, chega em bom momento e precisa vir acompanhado de medidas que retirem das cadeias de abastecimento do Reino Unido os produtos ligados ao desmatamento.

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Desmatamento cai 19% no Cerrado em agosto, mas sobe 12% na Amazônia, aponta Inpe

Os alertas de desmatamento no Cerrado caíram 19% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. Foram perdidos 238 km² de vegetação nativa, contra 294 km² um ano antes. Na Amazônia, o movimento foi inverso: os alertas subiram 12%, de 319 km² para 358 km². Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), divulgados em evento em São Paulo nesta sexta-feira (11), data em que se celebrou o Dia do Cerrado.O Deter é um sistema de alerta rápido: capta evidências de supressão da vegetação para orientar ações de fiscalização em tempo quase real. Os números oficiais de desmate vêm de outro sistema do instituto, o Prodes, mais preciso e divulgado uma vez por ano. Agosto cai no auge da estação seca amazônica, período em que julho, agosto e setembro concentram a maior parte do desmate, porque a vegetação seca facilita a derrubada. No Cerrado, a seca começa antes, em maio, e costuma durar mais.Acumulado do ano segue em quedaNo ano, a tendência continua de queda nos dois biomas. De janeiro a agosto, o Cerrado perdeu 3.810 km², redução de 7% (7,1%, segundo levantamento do portal Piauí Hoje sobre os mesmos dados do Inpe). A Amazônia acumula 2.041 km², queda de 31%. Somados, os dois biomas perderam quase 6.000 km² em oito meses, área próxima à de Brasília (5.760 km²) e cerca de quatro vezes a da cidade de São Paulo (1.521 km²).O ranking estadual mostra onde está a pressão. Na Amazônia, lideram o desmate o Pará (704 km²), o Mato Grosso (611 km²) e o Amazonas (347 km²). No Cerrado, os maiores totais estão no Maranhão (1.025 km²), no Piauí (420 km²) e de novo em Mato Grosso (414 km²), estado que abriga os dois biomas. O total do Cerrado é quase o dobro do registrado na Amazônia.Lei mais permissiva e peso da fiscalizaçãoAs dinâmicas do desmate também são distintas, segundo a Folha de S.Paulo, que primeiro publicou os dados de agosto. Na Amazônia, a supressão se concentra em terras públicas não destinadas e em áreas protegidas invadidas; no Cerrado, ela ocorre sobretudo em propriedades privadas. A legislação ambiental é mais permissiva no segundo caso: o Código Florestal permite desmatar até 80% da área de um imóvel rural no Cerrado, ou 65% em regiões de transição para a floresta amazônica. Na Amazônia, o limite legal é de 20%.O próprio Deter existe para alimentar a repressão: os alertas servem para orientar operações de fiscalização. Onde a inspeção foi reforçada, a queda foi maior. No Piauí, onde o Cerrado ocupa 53% do território, a redução no acumulado do ano foi a maior entre os estados, de 52,1% (de 877,91 km² para 420,11 km²), resultado que o Piauí Hoje atribui ao aumento da fiscalização e ao uso de tecnologia pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do estado (Semarh). A conta tem alcance global: o carbono liberado pela vegetação derrubada entra no balanço de emissões que o Brasil reporta em seus compromissos climáticos internacionais.

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Petróleo fecha a US$ 107,63, maior nível desde maio, e pressiona combustíveis no Brasil

O barril de Brent, referência internacional do petróleo, subiu 6,3% nesta quinta-feira (10) e fechou a US$ 107,63, depois de superar os US$ 108 ao longo do pregão. Segundo o g1, é o maior nível desde maio. Desde o início de julho, quando era negociado abaixo de US$ 72, o barril acumula alta superior a 49%, e o Valor Investe calcula que a disparada já chega a 77% no acumulado do ano.O estopim do dia foi a tomada de Moca, cidade portuária no sudoeste do Iêmen, pelos Houthis, grupo aliado do Irã. A área funciona como rota alternativa para o transporte de petróleo da Arábia Saudita, que vinha ampliando as exportações pelo Mar Vermelho depois da guerra com o Irã, como nota o O Globo. O conflito entre Estados Unidos e Irã já havia prejudicado o fluxo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, e com mais um ponto de escoamento afetado cresceu o temor de queda na oferta global. O jornal lembra ainda que o barril não fechava tão alto desde maio, pouco antes de uma trégua na região e da assinatura, em junho, de um protocolo de acordo entre Irã e Estados Unidos para pôr fim à guerra.Pressão nos EUA e nas bolsasNas principais praças do mundo, o petróleo a US$ 107 afastou investidores de risco, segundo o O Globo. No Brasil, o movimento foi inverso: o dólar comercial caiu a R$ 5,10 e o Ibovespa fechou em alta de 1,42%, em dia de peso eleitoral. A conta preocupa o governo do presidente Donald Trump. Segundo o g1, o petróleo mais caro pressiona a inflação e os juros americanos ao encarecer combustíveis e produtos transportados até as lojas, a dois meses das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro. Na quarta-feira (9), Trump afirmou que os preços do petróleo provavelmente não vão cair antes da votação.Brasil corta tributos e amplia subsídiosA resposta brasileira veio na mesma semana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou na quarta-feira (9) um decreto que amplia o subsídio da gasolina de R$ 0,44 para R$ 0,63 por litro e zera os tributos sobre o etanol hidratado, com redução de R$ 0,19 por litro. O governo também publicou uma medida provisória que autoriza subvenção de R$ 1 por litro para o diesel. O benefício se soma ao subsídio de R$ 1,12, válido até 26 de setembro; nesse período, o total chega a R$ 2,12 por litro.A Petrobras informou que deixará de aplicar o desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A, a versão pura vendida pelas refinarias às distribuidoras antes da mistura com etanol. O preço médio da gasolina A para as distribuidoras passa a R$ 3,05 por litro e, segundo a companhia, a redução líquida nos postos será de R$ 0,19 por litro.O quadro que motivou a corrida do governo aparece na pesquisa semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP): entre 30 de agosto e 5 de setembro, a gasolina custava, em média, R$ 6,51 por litro nos postos do país; o diesel S-10, R$ 6,88; e o etanol hidratado, R$ 3,95. Os cortes de tributos devem aliviar a bomba de combustível, mas um alívio durável depende de uma trégua que, na avaliação de Trump, não deve chegar antes de novembro.

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NOAA eleva a 97% a chance de El Niño muito forte a partir de setembro

A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), agência climática do governo dos Estados Unidos, elevou para 97% a probabilidade de o El Niño atingir o patamar de muito forte a partir do início da primavera, no fim de setembro. O número está na atualização do boletim ENSO divulgada nesta quinta-feira (10) pelo Centro de Previsão Climática (CPC) e foi reportada pela Folha de S.Paulo.A agência calcula ainda 93% de chance de a temperatura da superfície do Pacífico equatorial permanecer no nível muito alto até janeiro, o que vem sendo chamado de Super El Niño. Na previsão do mês passado, a probabilidade de um evento muito forte a partir de setembro era de 93%."No trimestre de outubro a dezembro de 2026, há 75% de probabilidade de um evento histórico, que superaria a intensidade dos eventos anteriores de El Niño registrados desde 1950", diz o boletim.Águas já aquecem acima de 3°C na costa do PeruNa régua técnica da NOAA, esse cenário histórico corresponde a um índice relativo de três meses (RONI) igual ou superior a +2,5°C na região central do Pacífico equatorial. As medições de agosto já mostram o aquecimento em curso: as anomalias de temperatura da superfície do mar superaram +3°C no Pacífico equatorial leste. Na região Niño 1+2, ao largo do Peru e do Equador, a água chegou a +3,4°C acima da média; na Niño 3, a +2,5°C; e na Niño 3.4, a área central que define oficialmente o fenômeno, a +1,8°C. Abaixo da superfície, a coluna oceânica chega a estar 10°C mais quente que o normal.A MetSul Meteorologia, consultoria com sede no Rio Grande do Sul, observa que pelo índice tradicional ONI a anomalia semanal na Niño 3.4 já está em +2,7°C. Pelo mesmo critério, nenhum evento da era moderna cruzou tão cedo a marca de +2°C: isso aconteceu na semana de 8 de julho deste ano, contra 3 de setembro de 1997, 16 de setembro de 2015 e 24 de novembro de 1982. Modelos de clima dos Estados Unidos e da Europa, sintetizados pela consultoria, apontam pico entre novembro e dezembro, com anomalia perto de +4°C, patamar jamais observado em 170 anos de registros.Alerta mantido, impactos sem garantiaO El Niño começou em junho e é definido pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico na linha do Equador, próximo à costa do Peru, o oposto da La Niña. As categorias seguem a anomalia de temperatura: entre 0,5°C e 1°C o evento é fraco; entre 1°C e 1,5°C, moderado; entre 1,5°C e 2°C, forte; e acima de 2°C, muito forte.A NOAA mantém em vigor o "El Niño Advisory", seu alerta formal para o fenômeno, e ressalta que um evento de grande magnitude aumenta a chance de impactos compatíveis com o El Niño, sem garantia de que ocorram nem de que sejam mais graves que o normal. Os efeitos já aparecem em outras latitudes: a Indonésia enfrenta seca extrema que favorece incêndios florestais, segundo a Folha, que publica imagem de bombeiros combatendo o fogo em Palembang, na província de Sumatra do Sul. A próxima atualização do boletim da NOAA está marcada para 8 de outubro.

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Modelos apontam pico do El Niño de 2026 perto de +4°C, patamar jamais observado

O modelo de clima dos Estados Unidos e o europeu ECMWF convergem, nas atualizações da primeira semana de setembro, para um pico do El Niño de 2026 entre novembro e dezembro, com anomalia de temperatura da superfície do mar em torno de +4°C na região Niño 3.4, no Pacífico equatorial central. A análise é da MetSul Meteorologia, divulgada nesta quinta-feira (10). No mesmo dia, a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, dos Estados Unidos) elevou para 97% a chance de o fenômeno alcançar o patamar muito forte já no fim de setembro, contra 93% na projeção do mês passado, segundo a Folha de S.Paulo.O último boletim semanal da NOAA mede +2,7°C de anomalia na região Niño 3.4 pelo índice ONI, o usado oficialmente para definir o fenômeno. Valores iguais ou superiores a +2°C configuram um El Niño muito forte, popularmente chamado de Super El Niño. A agência americana adotou neste ano um segundo índice, o RONI, que desconta o aquecimento de longo prazo dos oceanos tropicais; por esse critério, a anomalia é de +1,8°C, na faixa de evento forte. O fenômeno começou em junho, com o aquecimento acima da média das águas do Pacífico na linha do Equador, próximo à costa do Peru.Um setembro sem precedentes no PacíficoEm comparação histórica, nunca um setembro encontrou o Pacífico tão quente. Na primeira semana do mês, a anomalia era de 1,6°C em 2023, 1,7°C em 2015, 2,1°C em 1997 e 0,6°C em 1982, segundo levantamento da MetSul com dados da NOAA. O maior valor semanal já medido em um El Niño foi 3,0°C, na semana de 18 de novembro de 2015, seguido por 2,6°C na semana de 29 de dezembro de 1982. Em 2026, a marca de +2°C foi cruzada já na semana de 8 de julho. Em 1982 isso só ocorreu em 24 de novembro, em 1997 em 3 de setembro e em 2015 em 16 de setembro.A velocidade do desenvolvimento é o que mais impressiona os meteorologistas que acompanham o fenômeno, segundo Luiz F. Nachtigall, meteorologista da MetSul e autor da análise. Se o pico próximo de +4°C se confirmar, o episódio superaria por larga margem os picos de todos os eventos do século 20 e entraria em território jamais observado em 170 anos de medições.Probabilidades e ressalvas da NOAAA NOAA calcula em 93% a probabilidade de a temperatura do Pacífico equatorial permanecer no patamar muito alto até janeiro. Para o trimestre de outubro a dezembro, atribui 75% de chance a um evento histórico."No trimestre de outubro a dezembro de 2026, há 75% de probabilidade de um evento histórico, que superaria a intensidade dos eventos anteriores de El Niño registrados desde 1950."O comunicado da agência prevê que o El Niño continue se intensificando até o fim do ano e faz uma ressalva: um evento dessa magnitude aumenta a probabilidade de impactos típicos do fenômeno, mas não garante que as consequências sejam mais graves que o normal. Os efeitos já aparecem. A Indonésia enfrenta seca extrema que facilita incêndios florestais e sufoca o país com fumaça; em Palembang, na província de Sumatra do Sul, bombeiros combatiam frentes de fogo nesta semana. O acompanhamento continua, com atualizações mensais dos modelos e boletins semanais da NOAA sobre a temperatura do Pacífico.

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Houthis atacam instalações de energia na Arábia Saudita; 73 feridos e ameaça de escalada

Rebeldes houthis do Iêmen atacaram nesta terça-feira (8) quatro cidades e instalações de energia do sul da Arábia Saudita. Os ataques deixaram ao menos 73 feridos, entre eles mulheres e crianças, e provocaram incêndios que suspenderam temporariamente as operações em estruturas energéticas do reino, segundo autoridades sauditas. Um porta-voz militar do grupo disse que uma ampla operação militar em território saudita será anunciada, sinalizando uma nova escalada do conflito no Golfo.Com drones e mísseis, os houthis atingiram uma base aérea em Khamis Mushait e alvos ligados à estatal Saudi Aramco nas cidades de Abha, Najran, na fronteira com o Iêmen, e Jazan, porto do Mar Vermelho que abriga uma grande refinaria e uma usina de energia, informou a Valor Econômico. O Ministério da Energia da Arábia Saudita confirmou que instalações no sul foram atingidas e ficaram com as atividades suspensas, com equipes de bombeiros e emergência mobilizadas para conter os incêndios. "As autoridades competentes estão lidando com as repercussões dos ataques", afirmou o ministério, que prometeu medidas para garantir a segurança dos trabalhadores e a continuidade das operações. Na segunda-feira (7), o Financial Times já havia informado que instalações da Aramco em Jazan tinham sido atingidas; a informação não foi confirmada de forma independente, e a empresa não comentou.Coalizão promete respostaO porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, coronel Turki al-Malki, classificou a ofensiva como uma "escalada perigosa" e prometeu retaliação. "A coalizão tomará todas as medidas operacionais necessárias para deter essa milícia terrorista", afirmou. O porta-voz houthi Yahya Saree acusou Riad de intensificar a guerra com ataques aéreos ao Iêmen e disse que o grupo responderá. Os ataques ocorreram horas depois de os houthis acusarem a Arábia Saudita de bombardear uma prisão na província de Jawf, no norte do Iêmen, em um ataque que, segundo os rebeldes, deixou sete mortos, incluindo uma criança, relato que não pôde ser verificado de forma independente. A imprensa controlada pelo grupo também relatou quatro ataques aéreos sauditas no distrito de Jubah, a leste de Sanaa. Segundo a Valor Econômico, a ofensiva está entre as maiores contra a Arábia Saudita desde que Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, em fevereiro.Petróleo perto de US$ 100O barril de Brent, principal referência internacional do petróleo, subia mais de 2% nesta terça-feira, para mais de US$ 99, patamar não visto desde julho, segundo a Valor Econômico. Os ataques ao sudoeste saudita podem agravar o impacto econômico global da guerra ao interromper o fornecimento de energia do Oriente Médio para além do Estreito de Ormuz, que está bloqueado. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passava pelo estreito. Os Estados Unidos tentam ampliar o fluxo de petróleo aos mercados escoltando embarcações pela rota.No Iêmen, a Organização Internacional para as Migrações informou que mais de 18,5 mil pessoas deixaram suas casas nos últimos três dias por causa dos confrontos ao longo da costa oeste do país. A guerra civil começou em 2014, quando os houthis tomaram a capital, Sanaa, e se ampliou em 2015 com a intervenção da coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita. Uma trégua de quatro anos acabou na prática nas últimas semanas, e o grupo anunciou em julho um bloqueio naval contra o reino. Segundo a ONU, o conflito já deixou ao menos 150 mil mortos e uma das maiores crises humanitárias do mundo, com milhões de pessoas dependentes de ajuda internacional.

SMSofia Menezes
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Lula cria 4 reservas de 669 mil hectares no sul do Amazonas e amplia parque no Piauí

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira (8), no Palácio do Planalto, decretos que criam quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) na região de influência da BR-319, no sul do Amazonas. As novas unidades somam cerca de 669 mil hectares e a solenidade marcou o Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro. No mesmo evento, outro decreto ampliou em 7.192 hectares o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, que passa a 13.502 hectares.Segundo a Agência Brasil e a Gazeta da Amazônia, as novas reservas e suas áreas são:RDS Tupana Igapó-Açu I, em Borba, com 114.076 hectares;RDS Tupana Igapó-Açu II, em Beruri e Tapauá, com 422.100 hectares;RDS Canaã, em Careiro e Autazes, com 109.607 hectares;RDS Mirari, em Humaitá, com 22.775 hectares, voltada à proteção de ambientes florestais e aquáticos.A categoria admite o uso sustentável dos recursos naturais pelos moradores e visa proteger a biodiversidade e os modos de vida agroextrativistas das comunidades locais. Somadas à ampliação no Piauí, as medidas protegem cerca de 676 mil hectares. O jornal manauara A Crítica registrou que os decretos autorizam a criação das unidades na área de influência da estrada.A resposta do governo para a BR-319A BR-319 liga Manaus a Porto Velho, foi promessa de campanha de Lula na eleição de 2022 e ainda tem trechos não asfaltados, com preocupação de entidades socioambientais quanto à obra, segundo a A Crítica. Na cerimônia, o presidente apresentou as demarcações como a condição para resolver o que chamou de "celeuma" em torno da estrada:"Nós encontramos um jeito de fazer, demarcando aquilo que for necessário demarcar, exigindo a responsabilidade do governo federal, estadual, de cada ente federado para que a gente pudesse dizer ao mundo: vamos construir uma estrada moderna que vai poder escoar a produção de dois estados brasileiros, uma estrada exemplo para o mundo."O pacote liga a infraestrutura aos mercados da floresta em pé. O Serviço Florestal Brasileiro assinou os contratos de concessão das Unidades de Manejo Florestal II e III da Floresta Nacional de Humaitá, por 40 anos, sobre 162,7 mil hectares. Com eles se conclui a concessão das três unidades da Flona, que somam 200,9 mil hectares sob manejo sustentável. Segundo a Gazeta da Amazônia, os contratos preveem investimentos de R$ 240 milhões, produção legal de 2,54 milhões de metros cúbicos de madeira em 30 anos e geração de 339 empregos diretos e 678 indiretos. O Brasil chega a 29 contratos federais de concessão florestal, sobre 1,75 milhão de hectares.Dinheiro público e políticaO BNDES anunciou aportes na mesma cerimônia. O Fundo Amazônia destinará R$ 50,5 milhões, a fundo perdido, ao projeto Naturezas Quilombolas, executado pela Fundação Guamá em 60 meses, para a gestão territorial e ambiental de mais de 16 territórios quilombolas na Amazônia Legal. Segundo a Gazeta da Amazônia, o Fundo Clima aprovou R$ 180 milhões para a recuperação ecológica de mais de 10 mil hectares na APA Triunfo do Xingu, no Pará, e a iniciativa Floresta Viva receberá R$ 5,3 milhões para editais de restauração na bacia do Xingu, entre Pará e Mato Grosso. Para Lula, a proteção completa só virá quando a sociedade perceber o lucro do turismo em áreas preservadas, porque ela "vai ter o dinheiro suficiente para justificar que a floresta em pé é mais rentável que uma floresta derrubada ou queimada", disse, segundo a Agência Brasil.O evento também teve peso político. Foi o primeiro discurso de Lula desde o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; sobre o caso, o presidente não falou, segundo a Folha de S.Paulo. Ao lado do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e do vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa (PSB), Lula criticou a política ambiental do governo Jair Bolsonaro (PL): "Para destruir não precisa nem ter reunião, só precisa um salafrário qualquer que não gosta da questão ambiental assumir o governo". Serafim Corrêa afirmou que o Amazonas mantém 97% da floresta preservada, mas que "o povo preserva a floresta, mas sente a ausência do Estado". Lula viaja nesta quarta-feira (9) ao Piauí, para agenda oficial e de campanha, onde a ampliação do parque de Sete Cidades, em Brasileira e Piracuruca, busca proteger espécies ameaçadas e favorecer o turismo.

SMSofia Menezes
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Desmatamento na Amazônia reduz chuvas na bacia do Iguaçu, aponta estudo da UFPR

A derrubada da floresta na Amazônia está associada à queda das chuvas na bacia do rio Iguaçu, no Paraná, segundo um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) publicado em julho na revista científica Brazilian Journal of Biology. Os pesquisadores cruzaram dados de perda de vegetação do Inpe e do Imazon com registros de 64 estações pluviométricas entre janeiro de 2011 e dezembro de 2023. A análise encontrou correlação entre os períodos de maior desmatamento na Amazônia e os menores volumes de chuva na bacia paranaense.A área estudada é central para a economia do estado. A bacia do Iguaçu abrange as regiões Leste, Sul, Sudoeste e Oeste do Paraná, cobre 35 municípios e concentra cerca de 60% da produção de grãos e 23% da pecuária, segundo a pesquisa. Nela estão cinco grandes reservatórios que respondem por cerca de 41% da geração hidrelétrica do Paraná, com base em dados da Copel e da Agência Nacional de Águas (ANA) apresentados no trabalho.Como a floresta alimenta as chuvas do SulA ligação entre a floresta e o Sul do país é o transporte de umidade pela atmosfera, fenômeno conhecido como rios voadores: a floresta libera vapor d'água que corre em corredores até regiões distantes. A pesquisa indica que cerca de 40% da chuva que chega ao Paraná tem relação com a umidade originária da região amazônica, explica a pesquisadora Ana Carolina da Silva, uma das autoras."A Amazônia não é um sistema isolado da região Norte do país; ela afeta toda a América do Sul, inclusive o Paraná. Quanto maior for o desmatamento observado na Amazônia, menores tenderão a ser os volumes de chuva registrados no estado."Segundo reportagem do Portal Amazônia baseada em conteúdo da Agência Bori, a perda florestal disparou a partir de 2020 e chegou a 2.095 km² em um único mês, em julho de 2021. Para a autora, a pressão humana pesou mais que o clima: a redução da efetividade da fiscalização ambiental foi mais relevante para o avanço do desmatamento do que as condições climáticas do período, marcado em parte pela La Niña. Em 2020, a Amazônia registrou mais de 222 mil focos de incêndio, alta de 120% sobre a média dos anos anteriores.O alerta para lavouras e usinasQuando a chuva falha, o prejuízo aparece rápido nas lavouras da bacia. Soja, milho, trigo e cevada são as culturas mais expostas, e a estiagem em fases críticas do ciclo reduz volume e qualidade da colheita, explica Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Em eventos extremos, agricultores registram quedas de 10% a 20% na produtividade, e uma seca prolongada pode deixar a soja 15% a 25% abaixo da meta de 3.500 kg a 4.000 kg por hectare. No ciclo 2021/2022, uma estiagem entre dezembro e janeiro derrubou a produção estadual de soja em cerca de 50%.O estudo não atribui toda seca do Paraná ao desmatamento amazônico. O estado tem clima diverso e sofre a entrada frequente de massas de ar, lembra Kowalski, e o trabalho aponta uma correlação entre os dois fenômenos. O caminho proposto pelos pesquisadores é frear a derrubada da floresta no Norte e integrar o planejamento agrícola e energético à conservação, tratando a cobertura amazônica como parte da segurança hídrica do Sul. "Os dados sugerem que essa região do Paraná vai ter, se isso continuar acontecendo, fortes impactos na produção de energia e no abastecimento de água", afirma Ana Carolina.

SMSofia Menezes
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Avião de carga da Amazon sai da pista em Miami, atinge carros e deixa ao menos 5 mortos

Pelo menos cinco pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas depois que um avião de carga da Amazon saiu da pista ao pousar no Aeroporto Internacional de Miami, na Flórida, no domingo (6). O Boeing 767-300 ultrapassou o fim da pista, atingiu veículos em uma via que passa ao lado do aeroporto e pegou fogo por volta das 14h no horário local (15h de Brasília), segundo o condado de Miami-Dade e a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA).Três dos cinco feridos estavam em estado grave e dois foram hospitalizados com ferimentos leves, segundo autoridades do condado. O chefe do Corpo de Bombeiros de Miami-Dade, Ray Jadallah, afirmou que algumas pessoas ficaram presas dentro dos veículos atingidos e que o piloto e o copiloto também ficaram presos na aeronave. Mais de 60 unidades do Corpo de Bombeiros responderam à ocorrência, e horas depois as equipes ainda trabalhavam para conter um vazamento de combustível. As autoridades não informaram de imediato se os mortos estavam nos veículos ou no avião. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostravam uma densa fumaça preta subindo da aeronave.Voo saiu de Porto RicoO cargueiro pertence à rede aérea da Amazon, o Amazon Air, e era operado pela 21 Air, empresa de transporte de carga com sede na Carolina do Norte. Segundo dados do site de rastreamento Flightradar24, citados pela BBC Brasil, a aeronave, um Boeing 767 de 32 anos construído para passageiros e convertido em cargueiro em 2015, havia decolado do Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em San Juan, Porto Rico, e estava a 112 nós (207 km/h) ao sair da pista. O site também registrava tempestades e rajadas de vento em Miami no momento do pouso, condições que devem ser examinadas pelos investigadores. O avião parou perto de um estacionamento que atende um armazém da Amazon e, apesar do incêndio, permanecia praticamente intacto, ao lado de dois caminhões, segundo a InfoMoney.O aeroporto fechou todas as pistas e determinou uma paralisação total das operações em solo. Cerca de 250 voos registravam atrasos no fim da tarde, segundo o site FlightAware. A rota entre San Juan e Miami integra a malha de carga que abastece o comércio eletrônico da Amazon nos Estados Unidos e no Caribe.Investigação e reaçõesO Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) informou que enviará uma equipe a Miami, liderada pela presidente do órgão, Jennifer Homendy, para apurar as causas do acidente, que seguem desconhecidas. A porta-voz da Amazon, Kelly Nantel, afirmou que a empresa "está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades locais para entender exatamente o que aconteceu". A prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, disse que seu gabinete acompanha a situação de perto."Neste momento, nosso foco está em todas as pessoas envolvidas e em garantir que nossos socorristas tenham tudo o que precisam. Divulgaremos atualizações à medida que soubermos mais", disse a prefeita.

SMSofia Menezes
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Cassiterita ilegal da Amazônia: esquema de R$ 200 milhões ligado a gigantes de tecnologia

Um esquema de ao menos R$ 200 milhões, movimentado entre 2020 e 2025 com cassiterita extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima, e do Parque Nacional dos Campos Amazônicos teria abastecido a cadeia de fornecimento de gigantes globais como Apple, Microsoft, Amazon, Sony, Disney e PepsiCo. A conclusão está em documentos sigilosos da Operação Forja de Hefesto, da Polícia Federal, e em apurações do Ministério Público Federal (MPF) obtidos com exclusividade pelo jornal O Globo, que abriu neste fim de semana a série "Ouro Invisível" sobre minerais ilegais da Amazônia.No centro da acusação está a White Solder, fundidora de estanho com sede em Ribeirão Preto (SP) e unidades em Manaus (AM) e Ariquemes (RO), que se apresenta como uma das maiores produtoras do mundo. A denúncia do MPF, aceita pela juíza Mirna Brenda Magalhães Salmázio, da 4ª Vara Federal Criminal de Boa Vista, tornou réus quatro empresas e seis pessoas, entre elas o sócio-administrador Alessandro Saccoman Torrente, além da própria White Solder, da Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin), de Ariquemes, da Cataratas Poços Artesianos e da TARP Táxi Aéreo. A fundidora já tinha sido alvo da mesma operação da PF em 2023, sob suspeita de comprar minério de origem ilegal. Segundo a apuração, a Coopertin emitia notas e guias falsas para simular que a cassiterita vinha de minas autorizadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM): 97,6% dos créditos da cooperativa em um período de cinco meses foram parar na White Solder, o equivalente a R$ 166,3 milhões, empregados para dar aparência legal a ouro e a mais de 525 toneladas de cassiterita. A contabilidade apreendida pela PF registrou o escoamento dessas mais de 525 toneladas apenas entre maio e agosto de 2021.Do garimpo ao balanço das multinacionaisFundida em lingotes nas unidades de Rondônia, a cassiterita perdia as características físicas que poderiam indicar sua origem e, com papéis regulares, entrava no mercado formal. Os procuradores cruzaram relatórios de auditoria apresentados pela própria White Solder com a base da SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, e constataram que a fundidora figurava como fornecedora formal de estanho nos balanços de companhias listadas em bolsas americanas. Além das tecnológicas, a série cita Starbucks, Caterpillar, Colgate-Palmolive, Victoria's Secret e Levi's. Dez multinacionais com atuação no Brasil foram notificadas em investigação cível por falhas nos mecanismos de verificação socioambiental e de direitos humanos. O MPF pediu R$ 1,7 bilhão em indenização por danos ambientais, patrimoniais e morais coletivos de toda a cadeia, da extração à comercialização, e sustenta que cabe às grandes compradoras provar a origem legítima do estanho. O metal solda componentes eletrônicos, de celulares a chips de inteligência artificial.O procurador André Luiz Porreca, do 2º Ofício da Amazônia Ocidental, que responde por Roraima, Rondônia e Acre, explicou ao jornal como chegou ao valor:"Eu estou pedindo esses valores com base em casos análogos. Meus critérios foram, em síntese, gravidade dos fatos, sofisticação do esquema criminoso, capacidade econômica dos infratores e tempo de duração da atividade ilícita."Rastro na florestaNa Terra Indígena Yanomami, a extração operava com escavadeiras, bombas de sucção, aeronaves e pistas clandestinas. No Parque Nacional dos Campos Amazônicos, na divisa de Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, uma vistoria de 2024 identificou acampamentos clandestinos e áreas degradadas: imagens do Censipam apontam 193 hectares de floresta devastados e 15 pistas de pouso ilegais no parque e em sua zona de amortecimento. Dario Kopenawa, presidente da Associação Hutukara Yanomami, disse à reportagem que a demanda por cassiterita segue impulsionando invasões, mesmo depois das operações de remoção de garimpeiros. Peritos da PF identificaram ainda, em rejeitos do beneficiamento, monazita, ilmenita e columbita, fontes de terras raras, nióbio e tântalo, minerais estratégicos que passaram a ser aproveitados pela rede conforme crescia a demanda internacional.Procurada, a White Solder não respondeu até a publicação. A empresa Amazon negou relação comercial direta com a fundidora e disse reforçar mecanismos de verificação junto a fornecedores, e a Disney informou que não foi citada no inquérito; as defesas dos demais acusados negam envolvimento. A fundidora ostentava selos internacionais, como o LME Brand, da Bolsa de Metais de Londres, e o aval do Responsible Minerals Initiative, e anunciava certificações de clientes como Sony e Panasonic, segundo a Repórter Brasil. O ponto fraco apontado pelas autoridades é a rastreabilidade: a ANM admitiu que não existe sistema nacional capaz de acompanhar a cassiterita da extração à indústria, e o Serviço Geológico do Brasil informou que estudos como os que começam a ser feitos para o ouro ainda não existem para o minério.

SMSofia Menezes
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Ambientalistas e setor de infraestrutura cobram rapidez do STF na lei do licenciamento

Organizações ambientalistas e representantes do setor de infraestrutura chegaram à mesma exigência, cada um pelo seu motivo: o STF (Supremo Tribunal Federal) precisa se pronunciar com rapidez sobre a constitucionalidade de trechos da nova lei do licenciamento ambiental, em vigor desde fevereiro. Segundo a Folha de S.Paulo, que ouviu os dois lados, a demora do tribunal gera insegurança jurídica para empreendimentos e órgãos ambientais.O Supremo havia colocado na pauta de agosto o julgamento de três ADIs (ações diretas de inconstitucionalidade) e de uma ADC (ação declaratória de constitucionalidade) sobre o tema. O plenário retirou o caso da agenda após a apresentação de uma nova ação, e não há data prevista para retomá-lo, informa a Folha. Na sessão de 12 de agosto, os ministros julgaram ações sobre a Moratória da Soja, mas o licenciamento ficou de fora, segundo o portal ((o))eco.O que a lei mudouA Lei Geral do Licenciamento Ambiental (15.190/25) foi aprovada em 2025, depois de o Congresso Nacional derrubar 56 dos 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dias após a COP30, em Belém, segundo o ((o))eco. O texto criou a Licença por Adesão e Compromisso, em que o empreendedor declara que cumprirá parâmetros oficiais sem análise técnica prévia, com fiscalização por amostragem, e a Licença Ambiental Especial, para empreendimentos considerados estratégicos, incluída em última hora pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que citou obstáculos ao crescimento do país. Críticos apelidaram a norma de "PL da Devastação".De acordo com o ((o))eco, a lei também amplia dispensas de licenciamento, prevê renovações automáticas e autoriza estados e municípios a montar listas próprias de atividades fora do controle. Uma das dispensas cobre obras de manutenção e melhoramento de infraestrutura preexistente, inclusive rodovias já pavimentadas, trecho que, na avaliação do portal, foi escrito para a pavimentação da BR-319, entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO). Especialistas ouvidos pelo portal estimam pressão adicional de desmatamento no Arco do Desmatamento, que já avança sobre o sul do Amazonas.Licenças emitidas e efeito retroativoNo setor, a preocupação é ver licenças já emitidas alteradas ou revertidas. Ronei Glanzmann, CEO do MoveInfra, associação que reúne EcoRodovias, Hidrovias do Brasil, Motiva, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo, resume:"Temos uma lei que está em vigor, os investimentos estão sendo feitos e alguns empreendimentos estão fazendo licenciamento por adesão e compromisso, como a lei prevê, e outras intervenções com dispensa de licenciamento, como obras de manutenção, também previstas na lei. O grande problema é se houver uma mudança nisso, como é que ficam os efeitos retroativos dessas decisões."Entre ambientalistas, o pedido de agilidade vem do Observatório do Clima, rede de mais de cem entidades que ajudou a elaborar uma das ADIs protocoladas em dezembro de 2025. Para o assessor de políticas públicas da rede, Fábio Ishisaki, a demora "é prejudicial para os negócios, porque fica uma insegurança jurídica do que vai ou não valer" e gera dúvida sobre como os órgãos ambientais vão aplicar a lei.Outros atores entraram na disputa: o PSOL e a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) protocolaram ação própria em janeiro, e em 12 de agosto mais de 30 organizações religiosas, entre elas a CNBB e a Confederação Israelita do Brasil, enviaram carta aberta aos ministros em defesa das salvaguardas da Constituição, segundo o ((o))eco. Há precedente no tribunal: em 2022, o STF declarou inconstitucional o licenciamento simplificado para atividades de impacto médio. Enquanto o caso não volta à pauta, a lei segue aplicada, licenças continuam a ser emitidas com base nela e a resposta sobre o efeito retroativo das decisões fica nas mãos dos ministros.

SMSofia Menezes
Environment

Ibama autoriza Petrobras a perfurar três novos poços na Foz do Amazonas

O Ibama autorizou a Petrobras a perfurar três novos poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas, região ambientalmente sensível ao largo da costa amazônica brasileira. A decisão foi assinada na quinta-feira (3) pelo presidente do órgão ambiental, Jair Schmitt, segundo documento visto pela agência Reuters e reportado pela Folha de S.Paulo e pelo G1. A licença exige que a estatal apresente ao Ibama um cronograma atualizado do projeto de perfuração no prazo de 30 dias após o recebimento da autorização.Os três poços servem para determinar se a recente descoberta de petróleo pela Petrobras na região é comercialmente viável. O pedido de perfuração foi protocolado em agosto. No primeiro poço perfurado no bloco FZA-M-59, a estatal já encontrou indícios de petróleo. Segundo o G1, a previsão é de que a produção no local possa começar em até sete anos.Peso políticoA autorização reforça a ofensiva da Petrobras na Foz do Amazonas. Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente da estatal, Magda Chambriard, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, visitaram a sonda NS-42, que explora petróleo na região, segundo a Folha.Questionamentos do MPFA operação enfrenta cobranças do Ministério Público Federal (MPF). O órgão pede que o Ibama esclareça divergências nas informações prestadas sobre o licenciamento do bloco FZA-M-59. Em audiência na Justiça Federal em abril de 2025, representantes do Ibama afirmaram que a atividade seria pontual, com duração de cerca de seis meses. Em resposta posterior ao MPF, o instituto informou que o projeto prevê uma campanha de perfuração de quatro poços, com atividades entre 2025 e 2029.Para o MPF, a divergência compromete a transparência do processo e dificulta a avaliação dos possíveis impactos ambientais. O órgão aponta que uma operação que se estende por vários anos pode provocar impactos acumulados sobre a fauna marinha, a pesca artesanal e o modo de vida de comunidades tradicionais da costa amazônica, e quer que Schmitt explique por que o Ibama apresentou versões diferentes sobre a duração e o planejamento da perfuração.

SMSofia Menezes
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Reino Unido anuncia £ 400 milhões para fundo de florestas tropicais criado pelo Brasil

O governo do Reino Unido anunciou nesta quinta-feira (3) a intenção de aportar £ 400 milhões (cerca de US$ 540 milhões, ou R$ 2,7 bilhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo criado pelo Brasil e lançado na COP30, a conferência climática da ONU realizada em Belém, no Pará, em novembro de 2025. Segundo o g1, o aporte será feito por meio de um empréstimo e ainda depende da conclusão das regras de governança e operação do fundo e de uma avaliação final do governo britânico.Como o fundo funcionaO TFFF busca recompensar financeiramente países que mantêm suas florestas tropicais em pé. Diferentemente de mecanismos baseados em doações diretas, combina recursos públicos e privados: o capital é investido, e os rendimentos são distribuídos entre os investidores e os países que protegem suas florestas, de acordo com o desempenho em conservação. Os países que receberem recursos não terão de devolver o dinheiro, segundo o governo britânico, citado pelo g1.Com o anúncio britânico, o total comprometido com o TFFF chega a US$ 7,3 bilhões (R$ 37,6 bilhões), segundo a Folha de S.Paulo. Para manter o aporte da Noruega, de US$ 3 bilhões (R$ 15,3 bilhões), o fundo precisa alcançar US$ 10 bilhões (R$ 51,2 bilhões) até o final do ano, o equivalente a captar cerca de US$ 2,7 bilhões nos próximos quatro meses.Reino Unido como investidorA contribuição britânica ficou abaixo dos compromissos de outros países europeus: a Alemanha confirmou € 1 bilhão (R$ 5,9 bilhões) e a França aprovou € 500 milhões (R$ 2,9 bilhões), de acordo com a Folha. A decisão do Reino Unido de emprestar, e não doar, permite recuperar os recursos investidos, segundo o comunicado de seu Departamento de Segurança Energética."Com o investimento britânico no TFFF, o empréstimo será reembolsado, ao mesmo tempo que continuará apoiando ações em favor do clima e da natureza. Isso demonstra a nova abordagem do Reino Unido para o financiamento climático, atuando como investidor, em vez de doador", diz o comunicado do governo britânico.Como condição para o aporte, o Reino Unido também quer participar das estruturas de decisão e supervisão do fundo, informa o g1. Para Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, o compromisso chega em "momento decisivo" e pode ser "um estímulo para que outros países avancem também". Ele destaca que o fundo inclui povos indígenas e comunidades locais como parte central da solução, o que, na avaliação da organização, pode transformar a conservação em uma agenda de desenvolvimento.

SMSofia Menezes
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Novo rompimento de lago no Tibete ameaça resgates no Nepal; mortos sobem a 543

As autoridades do Nepal ordenaram nesta sexta-feira (28) que as equipes de resgate que procuram sobreviventes das enchentes no Himalaia buscassem locais seguros, depois do rompimento, no Tibete, de um lago formado pelos deslizamentos recentes. O incidente elevou o risco de novas enxurradas e suspendeu temporariamente as operações, segundo a Folha de S.Paulo, com informações das agências AFP e Reuters. O balanço do desastre, ainda preliminar, chegou a 543 mortos.Do total, 538 mortes foram registradas no Nepal, conforme balanço da polícia divulgado na manhã desta sexta, e 5 no lado chinês, de acordo com a imprensa estatal da China. Mais de 1.400 pessoas seguem desaparecidas. Os números de vítimas não são centralizados em uma única fonte e são divulgados separadamente pelos dois lados da fronteira.O lago que cedeu na manhã desta sexta no Tibete é um dos formados pelo represamento de água após o deslizamento que originou a tragédia. O Exército do Nepal informou que o nível da água subiu cerca de 60 centímetros após o alerta, e a polícia nepalesa pediu que todos os socorristas se protegessem. Do lado chinês, equipes de resgate também foram retiradas para áreas seguras. Horas depois, a mídia estatal chinesa afirmou que o risco de inundação estava sob controle, e as buscas foram retomadas.O colapso da geleira e o alerta do climaA tragédia começou na quarta-feira (26), quando parte de uma geleira se desprendeu do monte Langtang Lirung, no lado nepalês da fronteira, próximo ao rio Lhende, segundo análise das autoridades ouvida pela BBC News Brasil. A massa de gelo, rochas e lama bloqueou temporariamente o rio Lhende Khola e, quando o bloqueio cedeu, uma onda avançou pelos vales estreitos da região, soterrando casas, derrubando pontes e destruindo usinas de energia na rota que liga Katmandu, capital do Nepal, a Lhasa, no Tibete. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou a registrar um tremor de magnitude 4,4 momentos antes da enxurrada, mas depois se corrigiu: o evento sísmico, equivalente a magnitude 5,2, foi consequência do próprio colapso glacial ao atingir o fundo do vale, e não sua causa. A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas foram afetadas, e caminhões com ajuda humanitária ficaram impedidos de chegar às áreas atingidas.Cientistas ligam a sequência de eventos ao aquecimento global. Basanta Raj Adhikari, diretor do Centro de Estudos de Desastres da Universidade Tribhuvan, no Nepal, disse à BBC que há risco de uma segunda e de uma terceira ondas de inundação e que pesquisadores nepaleses discutem a situação com colegas na China. "A mudança climática realmente está acontecendo", afirmou. Simon Cook, professor da Universidade de Dundee, na Escócia, especializado em glaciologia, explicou que o aquecimento pode estar degradando o permafrost, o solo permanentemente congelado que ajuda a manter encostas de montanha unidas, o que tornaria ambientes de alta montanha mais instáveis. Ele citou eventos semelhantes nos últimos anos no Himalaia, na Suíça e nas Dolomitas, na Itália.Com lagos represados dos dois lados da fronteira ainda sob risco de rompimento, equipes de monitoramento seguem acompanhando o nível dos rios na região de Langtang. Os pesquisadores ressalvam que a sequência exata do colapso ainda precisa ser confirmada por análises de imagens de satélite. Enquanto isso, as buscas por mais de 1.400 desaparecidos prosseguem em meio à lama, agora sob vigilância constante de novos alertas vindos do lado tibetano.

SMSofia Menezes
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Câmeras registram do início ao fim o linchamento que matou ciclista em Copacabana

Câmeras de segurança registraram do início ao fim a perseguição que terminou no linchamento e na morte de Cláudio Rafael Landeiro, de 37 anos, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, na noite de 11 de agosto. As gravações, divulgadas pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo (23), foram obtidas pela Folha de S.Paulo e indicam ao menos sete pessoas envolvidas ou presentes em diferentes momentos da sequência. Cláudio foi morto sob a suspeita de ter roubado uma bicicleta que, segundo a investigação da Polícia Civil, pertencia à irmã dele.A cronologia montada a partir das imagens mostra que Cláudio deixou a vila onde morava em Botafogo, também na zona sul, às 22h26, e chegou às 22h54 a uma loja de conveniência na esquina das ruas Barata Ribeiro e Belford Roxo. Segundo o relato de um funcionário aos investigadores, ele entrou para pedir um cigarro, mas desistiu ao saber que precisaria pagar, e ficou do lado de fora, encostado na parede. Às 23h21 chegou o segurança Davi Santos Machado, que questionou se a bicicleta era dele. Às 23h23, o funcionário da loja prendeu o veículo com um cadeado junto a galões de água, enquanto Davi o fotografava. Às 23h33, os dois chegaram a apertar as mãos, mas, segundo a investigação, Davi teria então chamado outro segurança pelo celular. Às 23h37, Jorge Luiz Ricardo Dias atravessou a Barata Ribeiro carregando a bicicleta, acompanhado de Davi e Cláudio, e saiu pedalando.As agressões ocorreram na rua Felipe de Oliveira. Segundo a CNN Brasil, dois homens com mochilas de entrega de aplicativo chegaram de bicicleta e um terceiro apareceu com um pedaço de madeira. O ataque durou quase nove minutos: a análise das gravações feita pela Folha contabilizou 63 golpes com pedaços de madeira, enquanto a contagem da polícia citada pela CNN aponta pelo menos 30 pauladas, além de socos e chutes. Cláudio não reagiu. Depois que ele caiu desacordado, os agressores mexeram nos bolsos da vítima e um deles fotografou a cena. O grupo levou a bicicleta e deixou Cláudio na calçada sem pedir socorro.O Corpo de Bombeiros foi acionado e levou o ciclista ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas ele não resistiu. Segundo informações repassadas à família, a morte ocorreu por traumatismo craniano e hemorragia interna.O andamento da investigaçãoO caso é investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Dias depois do crime, Davi Santos Machado foi flagrado por câmeras de segurança pedalando a bicicleta da vítima até a 12ª DP, em Copacabana, onde prestou depoimento e negou participação nas agressões. Na quinta-feira (20), ele se apresentou novamente, desta vez na 53ª DP, em Mesquita, e admitiu envolvimento no caso, segundo a CNN Brasil. Além de Davi e Jorge Luiz, a polícia identificou como participantes o segurança Felipe Eduardo dos Santos e homens que trabalhavam como entregadores de aplicativo na região.Quatro suspeitos foram presos, e a polícia ainda tenta localizar um quinto envolvido, segundo o G1. O caso reacendeu o debate sobre linchamentos no Brasil, que se repetem em grandes cidades e muitas vezes partem de acusações falsas. Em análise publicada nesta sexta-feira (28), o Brasil de Fato relacionou o episódio à circulação de discursos de ódio e de "justiça com as próprias mãos". Para a polícia, as imagens que percorrem quase todo o crime, da abordagem na loja de conveniência aos nove minutos de agressão, são agora a principal peça para responsabilizar cada um dos envolvidos.

SMSofia Menezes
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Frente fria deve derramar até 200 mm de chuva com granizo no Sul por três dias

Uma frente fria associada a um cavado deve trazer três dias seguidos de temporais ao Sul do Brasil, com acumulados que podem superar 200 milímetros de chuva no Planalto Sul e no Litoral Sul de Santa Catarina entre esta sexta-feira (28) e domingo (30). A previsão, da meteorologista Ana Maria Pereira Nunes, da Meteored, inclui ainda risco de granizo, raios e vendavais no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e em parte do Paraná, segundo o índice de previsão extrema do modelo do Centro Europeu (ECMWF). O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocou 518 cidades da região Sul sob alerta de perigo nesta sexta e sábado, com previsão de chuva entre 30 e 60 mm por hora, ventos de 60 a 100 km/h e queda de granizo. O aviso cobre áreas como a região serrana e o Vale do Itajaí, em Santa Catarina, a região metropolitana de Porto Alegre e o Nordeste gaúcho, e o Centro-Sul, Sudoeste e Sudeste do Paraná. O órgão lista risco de corte de energia, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos. Na Grande Florianópolis, no Grande Oeste e no Vale do Itajaí, a Defesa Civil de Santa Catarina prevê volumes entre 100 e 150 mm, com risco de alagamentos e enxurradas. Rios sob risco de cheia A MetSul Meteorologia reforçou nesta sexta um alerta especial de alto risco de enchente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, válido até segunda-feira (31). Segundo o boletim, os rios de maior risco no estado gaúcho são o Uruguai, o Jacuí, o Taquari e o Caí, porque a chuva mais forte deve cair nos Campos de Cima da Serra, onde essas bacias nascem. Em Porto Alegre, há alta probabilidade de o Guaíba superar a cota de alerta de 2,50 metros na semana que vem, com alagamentos nas ilhas e possíveis desligamentos de energia por segurança no bairro Arquipélago. A MetSul também alerta que uma massa de ar frio com vento Sul forte, prevista para os dias 4 e 5 de setembro, pode represar o Guaíba justamente quando o nível já estiver alto. O episódio é alimentado por um rio atmosférico, um corredor que canaliza umidade da região amazônica para o Sul, o que explica a longa duração da instabilidade, segundo a MetSul. O Rio Grande do Sul ainda convive com as marcas das enchentes históricas de maio de 2024, que deixaram dezenas de mortos e cidades inteiras sob água, o que torna qualquer previsão de chuva excessiva motivo de atenção redobrada das autoridades. Nesta sexta, o Uruguai, país vizinho na mesma bacia, já registrou granizo de grande tamanho perto da fronteira, informou a MetSul. Calor e ar seco no restante do país Enquanto o Sul enfrenta temporais, o Sudeste e o Centro-Oeste entram em um período de calor e umidade baixa, segundo o g1. A Defesa Civil de São Paulo prevê calor intenso até segunda-feira, com máximas de até 40°C no interior e 36°C na capital paulista. O Inmet, porém, não classifica o período como onda de calor, porque o critério do órgão exige temperaturas ao menos 5°C acima da média por cinco dias consecutivos, e uma nova frente fria deve derrubar os termômetros a partir de terça-feira (1º). No Centro-Oeste, Cuiabá deve registrar cerca de 40°C nesta sexta, com chance de chegar a 41°C nos próximos dias. A umidade do ar pode ficar entre 12% e 20% em Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e partes de Mato Grosso nas horas mais quentes, condição que favorece a propagação de queimadas, alerta a Climatempo. A Defesa Civil de Santa Catarina recomenda que a população evite se abrigar perto de árvores e postes durante vendavais, não atravesse ruas alagadas ou pontes submersas e busque locais protegidos longe de janelas durante os temporais.

SMSofia Menezes
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Adolescente é apreendido após atacar professor com canivete em aula em Manaus

Um adolescente de 14 anos foi apreendido após atacar um professor com um canivete durante uma aula de reforço em um colégio particular de Manaus. O caso ocorreu na tarde de quarta-feira (26) no bairro Adrianópolis, na zona centro-sul da capital amazonense, e foi gravado por uma câmera de monitoramento instalada na sala de aula, segundo a Folha de S.Paulo.A Polícia Civil do Amazonas investiga o caso como ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio, informou a Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai) ao G1. O jovem foi levado à delegacia na quinta-feira (27), prestou depoimento e, após autorização judicial, foi encaminhado à Unidade de Internação Provisória, onde permanece. Em cumprimento a um mandado de busca e apreensão, a polícia recolheu a mochila do adolescente, onde estavam um canivete, uma faca e o celular pessoal. Segundo o delegado Luiz Rocha, responsável pelo caso, o canivete foi a arma usada no ataque.O professor, identificado como Vinícius Siqueira Figueiredo, de 23 anos, foi atingido por nove golpes no pescoço, nos braços e nas pernas. Ele foi levado ao Hospital de Pronto-Socorro 28 de Agosto e depois transferido para um hospital particular de Manaus, onde permanece estável, sem risco de morte, mas sob observação. Em entrevista ao portal Rios de Notícias, o professor relatou sequelas do ataque: "Não consigo movimentar direito minha perna". Ele será ouvido pela polícia após receber alta médica.A motivação do ataque ainda é desconhecida. O delegado Luiz Rocha informou que testemunhas e parentes do adolescente já foram ouvidos e que o celular do jovem será encaminhado à perícia. "Temos algumas diligências a cumprir para a gente tentar chegar à motivação real dos fatos", disse Rocha, segundo a Folha. O adolescente não explicou o que o levou a cometer o ataque.Sindicato cobra respostaO caso reacendeu em Manaus o debate sobre a segurança dentro das escolas, tema que segue no centro das políticas públicas no Brasil após uma série de ataques a escolas nos últimos anos. Segundo o portal Radar Amazônico, o sindicato da categoria cobrou uma resposta das autoridades amazonenses ao episódio. A Polícia Civil informou que não divulgará mais detalhes para não interferir nas investigações, e o Tribunal de Justiça do Amazonas não respondeu ao contato da Folha sobre a constituição de defesa pelo adolescente ou sua família.

SMSofia Menezes
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ANM embarga barragem da Vale em Itabirito 8 meses após saída de emergência

A Agência Nacional de Mineração (ANM) determinou nesta sexta-feira (28) o embargo imediato da barragem Maravilhas II, da Vale, localizada na Mina do Pico, em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União oito meses depois de a estrutura deixar o nível 1 de emergência, em janeiro. Segundo o g1, que noticiou o caso, a mineradora fica proibida de depositar rejeitos na barragem, que estava ativa quando a medida foi determinada. Atividades de manutenção, segurança e regularização continuam permitidas.De acordo com a ANM, o embargo não decorre de uma nova anomalia na estrutura. O problema é documental: os estudos apresentados pela Vale não consideravam a situação da barragem depois das obras de reforço concluídas no local, o que deixou desatualizados tanto o estudo que simula uma ruptura quanto o Plano de Ação de Emergência para Barragens de Mineração (PAEBM), o protocolo que orienta a resposta a um eventual colapso e a proteção das comunidades de Itabirito. Na última fiscalização presencial, feita em 13 de julho, os técnicos da agência não identificaram sinais de comprometimento imediato da segurança.Por causa da irregularidade, a estrutura foi reclassificada para nível de alerta. A ANM ressalva que essa classificação é diferente dos níveis de emergência e não indica risco imediato à estabilidade. Para que o embargo seja suspenso, a Vale terá de atualizar o estudo de ruptura hipotética e o PAEBM e se submeter a uma nova avaliação da agência para verificar a conformidade e a operacionalidade do plano.Obra de reforço havia encerrado a emergência em janeiroA Vale informou que o nível 1 de emergência da Maravilhas II foi encerrado em 9 de janeiro, após a conclusão, em outubro de 2025, de obras de reforço que, segundo a empresa, melhoraram as condições de estabilidade e atenderam à legislação. A estrutura recebeu então uma Declaração de Condição de Estabilidade (DCE) positiva, documento técnico que atesta a estabilidade da barragem. Na ocasião, a mineradora afirmou que Maravilhas II era a 23ª estrutura da empresa a deixar algum nível de emergência desde 2022. Procurada pelo g1 sobre o embargo, a Vale ainda não havia respondido até a publicação desta reportagem.Minas Gerais concentra a maior parte das barragens de rejeito de minério de ferro do país e vive sob vigilância reforçada desde os rompimentos de Mariana, em 2015, e de Brumadinho, em 2019, este em uma barragem da própria Vale, que matou 270 pessoas. O caso de Itabirito mostra o regime atual de fiscalização atuando nos dois sentidos: a agência retirou a estrutura da emergência quando as obras foram concluídas e voltou a intervir quando a documentação deixou de refletir a realidade da barragem. O desfecho depende agora da velocidade com que a Vale atualiza os estudos e comprova, perante a ANM, que o plano de emergência que protege a população de Itabirito corresponde à estrutura que existe hoje no complexo do Pico.

SMSofia Menezes
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Funai pede anulação de licença para Belo Sun minerar ouro na Volta Grande do Xingu

A área técnica da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) pediu a suspensão ou a anulação da licença de instalação do Projeto Volta Grande, da mineradora Belo Sun, tido como o maior empreendimento de ouro a céu aberto do Brasil. A mina ficaria na Volta Grande do Xingu, no Pará, o mesmo trecho de rio já impactado pela hidrelétrica de Belo Monte.O posicionamento consta de um ofício da Diretoria de Gestão Ambiental e Territorial (Digat), datado de 7 de agosto e enviado à Procuradoria Federal Especializada junto à Funai. O documento, revelado pela Agência Pública e ao qual a Folha de S.Paulo também teve acesso, foi produzido no âmbito da tentativa de conciliação conduzida pelo TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que analisa o caso. A posição reverte o entendimento adotado pelo órgão indigenista durante o governo Jair Bolsonaro (PL).Comunidades fora dos estudosO principal argumento da Funai é que os estudos de impacto que embasaram a licença ignoram comunidades indígenas que podem ser atingidas pela mineração. Em levantamento feito após compromisso assumido na conciliação, o órgão identificou 20 comunidades e aldeias em situações fundiárias distintas: seis na Reserva Indígena Jericoá, ainda em processo de constituição; cinco com reivindicações territoriais registradas na Funai; e nove fora de terras indígenas demarcadas. A inclusão na lista não significa que todas serão consideradas afetadas. Segundo a Funai, os estudos ainda precisam determinar os impactos sobre cada grupo e delimitar a área de influência do empreendimento.A Digat também aponta falhas técnicas: divergências sobre a captação de água do rio Xingu, a ausência de definição consolidada da estrutura de beneficiamento do minério e o fato de a licença revalidada pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas) não contemplar a barragem de rejeitos nem a Cava Ouro Verde, uma das áreas de extração previstas. Segundo o advogado Diogo Cabral, do Movimento Xingu Vivo para Sempre, o projeto prevê uma barragem de rejeitos com capacidade para 35 milhões de metros cúbicos e o processamento do minério com cianeto nas proximidades do rio."Tais aspectos evidenciam a existência de informações essenciais ainda não suficientemente esclarecidas, comprometendo a adequada avaliação dos impactos sobre o componente indígena e a realização de consulta informada às comunidades potencialmente afetadas", afirma a nota técnica da Funai.A relação da mina com Belo Monte é outro ponto de atrito. A própria Norte Energia, concessionária da hidrelétrica, já apontou incompatibilidades entre os dois empreendimentos, com riscos à qualidade e à vazão da água e aos peixes no trecho de vazão reduzida do Xingu, e chegou a pedir a reavaliação do licenciamento da mina diante do que chamou de conflito entre as atividades. A Funai agora cobra da Semas uma resposta a essas preocupações e exige que a Belo Sun produza uma Avaliação de Impactos Cumulativos, que some os efeitos da mina aos da usina sobre os povos indígenas da Volta Grande.A licença de instalação foi restabelecida em fevereiro por decisão monocrática do desembargador Flávio Jardim, do TRF-1, e revalidada pela Semas em abril, sem a anuência da Funai. Cabral contesta a possibilidade de as pendências serem resolvidas por condicionantes futuras: "permite que questões que deveriam ser resolvidas antes da autorização fiquem para depois", disse ele à Agência Pública. O desfecho do caso, agora em análise no TRF-1, deve indicar até que ponto a legislação brasileira de licenciamento e a Convenção 169 da OIT, que obriga a consulta prévia e informada aos povos indígenas, serão de fato aplicadas a grandes projetos de mineração na Amazônia.

SMSofia Menezes
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Indígena kulina de recente contato está desaparecido há 3 meses após soltura em Manaus

Nube Oma Kulina, indígena de 24 anos de um povo de recente contato do médio rio Juruá, no Amazonas, está desaparecido há três meses depois de ser solto de um presídio em Manaus, a cerca de 1.200 km em linha reta de sua aldeia. O caso foi revelado nesta sexta-feira (28) pela Folha de S.Paulo, único veículo que reportou o episódio até o momento. Nube estava preso preventivamente em uma delegacia de Envira, município da região do médio Juruá, no sul do Amazonas, quando a Justiça determinou sua transferência para a capital. Segundo a Folha, o alvará de soltura tem data de 28 de maio e o carimbo do CDPM II (Centro de Detenção Provisória de Manaus), com o registro de "liberado" e a assinatura do indígena em letra de forma. Desde então, familiares nas aldeias, organizações indígenas, a Justiça, o Ministério Público e a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) não têm notícia de seu paradeiro. Soltura sem aviso à Funai e à família A soltura ocorreu sem comunicação do sistema penitenciário estadual aos defensores públicos, aos familiares e à Funai, segundo a reportagem. Em casos envolvendo indígenas de recente contato, essa notificação é necessária porque eles geralmente não falam português, não conhecem a dinâmica de uma cidade do porte de Manaus, capital com cerca de 2 milhões de habitantes, e não têm parentes nem redes de apoio na região. Diante do silêncio, a Defensoria Pública do Amazonas pediu explicações formais ao governo do estado sobre a prisão, a transferência e a soltura. Um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento foi registrado em uma delegacia de Manaus, a partir de iniciativas da Defensoria e da Funai. Os madihas kulinas, etnia de Nube, são classificados pela Funai como povo de recente contato. Mantêm um sistema cultural próprio nas aldeias do médio Juruá, não dominam o português e têm dificuldade de lidar com a vida urbana. A Constituição brasileira e a Convenção 169 da OIT, ratificada pelo país, preveem proteção especial aos povos indígenas, inclusive no contato com o sistema de Justiça. O governo do Amazonas não respondeu aos questionamentos da Folha, enviados por email e por WhatsApp entre terça (25) e sexta-feira (28). A reportagem também tentou contato com as duas unidades prisionais ligadas ao caso, o CDPM II e o presídio de Puraquequara, mas os telefones não atendem. Até a publicação desta reportagem, nenhum órgão estadual havia explicado as circunstâncias da soltura nem informado sobre buscas pelo indígena.

SMSofia Menezes
Economy

Superoferta de energia solar obriga ONS a desligar usinas pela 2ª vez em 2026

O Brasil já tem 4,6 milhões de consumidores que também são micro ou minigeradores de energia, cerca de 5% do total, e a expansão dessa "energia de telhado" começa a pressionar o sistema elétrico. No domingo (23), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou que as distribuidoras cortassem cerca de 1 gigawatt (GW) de geração entre 11h e 13h30, para evitar que o excesso de oferta sobrecarregasse o Sistema Interligado Nacional (SIN). Foi a segunda vez no ano que o plano emergencial foi acionado, segundo o g1 e a Agência Brasil.O primeiro acionamento ocorreu em 7 de junho, durante o feriado prolongado de Corpus Christi, quando o operador pediu o gerenciamento de 1.000 megawatts entre 10h e 14h. A energia solar e a eólica são fontes intermitentes: dependem de condições naturais que nem sempre coincidem com o consumo. Nos fins de semana, quando a atividade comercial e industrial cai, a geração dos painéis pode superar a demanda. Como a eletricidade não pode ser armazenada em larga escala, o ONS precisa equilibrar oferta e consumo a cada instante.O risco já se materializou antes. No Dia dos Pais de 2025, a geração distribuída chegou a representar 37,6% da demanda nacional e o excesso de energia quase provocou uma sobrecarga no sistema. Para evitar um apagão que poderia atingir vários estados, o ONS reduziu hidrelétricas e termelétricas ao mínimo e cortou 98,5% da geração eólica e solar centralizada, segundo a Agência Brasil. Mesmo com essas medidas, sobra energia em determinados horários, e os cortes viraram rotina. Os alvos são as usinas Tipo 3, que não são despachadas diretamente pelo operador, como pequenas centrais hidrelétricas, usinas a biomassa e parques eólicos e solares de menor porte, desligadas por meio das distribuidoras."O ONS tende a reduzir a geração hídrica ao mínimo, a térmica ao mínimo, mas, mesmo assim, tem mais geração do que consumo e vai cortando. Corta eólica, corta solar, centralizada", explicou ao g1 Roberto Brandão, diretor técnico-científico do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Subsídios pesam na conta de luzPor trás do avanço está o desenho de incentivos do setor. O Marco Legal da Geração Distribuída, sancionado em 2022, garantiu até 2045 o benefício de não pagar integralmente pelo uso da rede de distribuição a quem solicitou a conexão até janeiro de 2023. Quem aderiu depois entrou em regras de transição, com cobrança gradual pelo uso da infraestrutura. Segundo Clauber Leite, diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+ Transição Energética, os subsídios viabilizaram a transformação da matriz, mas viraram peso na tarifa: a Aneel estimou a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) em R$ 52,7 bilhões para 2026, com cerca de R$ 47,8 bilhões pagos diretamente pelos consumidores na conta de luz. "A parte ligada à expansão da GD e a outros subsídios é o ponto mais sensível do debate, porque transfere custos para consumidores que, muitas vezes, não têm condições de instalar painéis", afirmou ele ao g1.Prejuízos e a resposta do operadorOs cortes têm custo para quem investiu. A consultoria Volt Robotics estimou que, em 2025, os prejuízos com os cortes na geração solar e eólica somaram R$ 6,5 bilhões. Para Joisa Dutra, do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura (Cebi) da Fundação Getúlio Vargas, o excesso de energia compromete o retorno dos investimentos e, em alguns casos, pode dificultar o cumprimento de obrigações assumidas por investidores.Diante do cenário, o ONS anunciou em 20 de agosto que prepara o Esquema Regional de Alívio de Geração, um sistema para desligar automaticamente parte da geração distribuída em situações críticas, com capacidade de corte de até 3 GW divididos em três estágios, acionado só depois de esgotadas as demais alternativas. Um projeto-piloto deve ser testado até o fim de 2026 em uma distribuidora e, se funcionar, a implementação avança em 2027. A geração distribuída soma hoje cerca de 50 GW de capacidade instalada no país. A Abradee, associação que reúne as distribuidoras, informou que as empresas seguirão as orientações do ONS, mas pediu critérios mais claros para os cortes, de modo a dar segurança operacional e jurídica aos geradores.

SMSofia Menezes
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Cemaden prevê ao menos seis ondas de calor no Brasil até o fim do ano sob El Niño

O Brasil deve enfrentar ao menos seis ondas de calor até o fim do ano, sob o efeito de um El Niño que pode se tornar um dos mais intensos já registrados. A previsão consta de uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) baseada em 47 anos de registros de temperatura. O número pode ser ainda maior: no último El Niño, entre 2023 e 2024, o país viveu nove ondas de calor entre agosto e dezembro, o maior total da série histórica iniciada em 1979 e mais que o dobro da média nacional, de quatro episódios.Pelo critério usado na pesquisa, uma onda de calor ocorre quando, por pelo menos três dias seguidos, as temperaturas máximas e mínimas ficam excepcionalmente acima do normal, sem alívio nem durante a noite. "Essa é uma média, mas vimos no último El Niño o país viver nove ondas de calor, com dias extremamente quentes", afirmou ao G1 a pesquisadora Mabel Calim Costa, doutora em ciências do Sistema Terrestre e autora do levantamento no Cemaden. "Com as temperaturas dos oceanos subindo, pode ser que o cenário seja ainda mais intenso e isso traz consequências para o país."Ondas mais frequentes e mais extensasO estudo aponta uma mudança de comportamento do calor extremo no território. Nos anos 1980 e 1990, os episódios eram raros e concentrados em regiões específicas, como o Nordeste. A partir de 2010, e de forma mais acentuada depois de 2020, as ondas passaram a ocorrer com mais frequência e a cobrir o país inteiro ao mesmo tempo. "A gente percebe que a onda de calor passa a afetar todo o país, e isso é uma questão porque estamos falando de calor adicional em áreas já quentes e em áreas que não têm resiliência para enfrentar temperaturas tão altas", disse Mabel. Em 2024, mais de 6 milhões de brasileiros enfrentaram pelo menos 150 dias de calor extremo, segundo levantamento do G1.A intensidade prevista tem origem no Pacífico equatorial. O El Niño atual foi declarado oficialmente em junho e vem ganhando força com rapidez. Segundo a MetSul, o modelo do Met Office, o serviço meteorológico do Reino Unido, projeta temperaturas superiores a 3°C acima da média na região Niño 3.4 do Pacífico, patamar que colocaria o episódio na categoria de Super El Niño e o faria superar os grandes eventos de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016. O serviço britânico estima ainda que 2027 pode superar 2024 como o ano mais quente já medido no planeta.O gatilho imediato das ondas costuma ser a formação de áreas de alta pressão que ficam paradas sobre uma região por vários dias, bloqueando a formação de nuvens e a chegada de chuva e prendendo no lugar uma massa de ar seco e quente. Sem chuva, a umidade do solo se esgota, o que intensifica o aquecimento e pode reforçar quadros de seca já existentes. Com o planeta mais quente, cada episódio desse tipo gera picos mais extremos do que geraria décadas atrás. Para setembro, os mapas de previsão já mostram quase todo o Brasil em tons de laranja e vermelho, com temperaturas que podem chegar a 3°C acima da média, segundo o G1.Seca severa em 157 cidadesO calor tende a agravar a seca. Pelo Índice Integrado de Seca, produzido pelo Cemaden para o governo federal, 157 cidades já estão em seca severa, a maioria no Norte e no Nordeste. O Tocantins concentra 50 municípios nessa condição, e a Bahia, 18. "As regiões mais afetadas vão ser o Norte e o Nordeste, já estamos vendo registros de chuva inferior ao esperado nessas regiões", afirmou a pesquisadora Ana Paula Cunha, especialista em secas do Cemaden.Também cresce o risco de incêndios. Um levantamento conjunto do CPTEC/Inpe, do Inmet e da Funceme classifica os municípios brasileiros por nível de risco de fogo, cruzando dados de atividade humana, como tendência e acúmulo de focos de calor. Junto com os alertas emitidos pelo Cemaden, esse monitoramento é hoje a base para que estados e municípios se preparem para os episódios de calor extremo, seca e queimadas que o El Niño deve intensificar nos próximos meses.

SMSofia Menezes
Environment

Operação federal flagra garimpo ilegal de ouro sob linhas de transmissão no Pará

Uma operação conjunta da Polícia Federal, do Ibama, do ICMBio e da Força Nacional identificou novas áreas de garimpo ilegal de ouro em Curionópolis e Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará. Divulgada na quarta-feira (26) como uma nova etapa da Operação Extractio II, a ação flagrou extração ilegal inclusive em áreas situadas sob grandes linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional, a rede que distribui energia elétrica pelo país, segundo informações dos órgãos federais reportadas pelo G1.A degradação foi localizada durante o mapeamento de novos pontos de extração na região de Carajás no sábado (22) e na terça-feira (25). As equipes encontraram escavações, terra remexida e grandes áreas alagadas em locais antes ocupados por floresta. Em um dos pontos, o garimpo avançou até as margens de rios. Segundo os órgãos envolvidos, a presença de garimpos sob linhas de transmissão não é um caso isolado: estruturas do tipo já foram identificadas em diferentes pontos da região.Rios que abastecem comunidadesEm Curionópolis, a fiscalização se concentrou em uma área às margens do Rio Novo e do Rio Sereno, cursos d'água importantes para as comunidades locais e que fazem parte da bacia do Itacaiúnas, no sudeste paraense. Ali foram constatados danos ambientais provocados pela extração mineral. Já na zona rural de Eldorado dos Carajás, nas proximidades da Vila 17 de Abril, os agentes encontraram uma grande área de extração ilegal e estruturas improvisadas usadas pelos trabalhadores.As duas frentes da operação desativaram grande parte da estrutura dos garimpos. Foram destruídos 26 motores estacionários, duas escavadeiras e 12 acampamentos, além de cerca de 7 mil litros de óleo diesel inutilizados. As equipes também apreenderam uma arma de fogo, duas motosserras e três motocicletas.A região de Carajás abriga uma das maiores províncias minerais do mundo e convive há anos com a pressão do garimpo ilegal de ouro, atividade que degrada a floresta amazônica e contamina rios que sustentam comunidades ribeirinhas. Segundo os órgãos federais, o objetivo da operação é conter a degradação da floresta e impedir que a atividade siga comprometendo igarapés e rios da bacia do Itacaiúnas. O monitoramento continua em outros pontos do território de Carajás.Até o momento, as informações disponíveis sobre a operação vêm do balanço divulgado pelos órgãos federais e reportado pelo G1, única fonte localizada sobre o caso. Não há, até aqui, confirmação de prisões ou estimativa oficial do volume de ouro extraído nas áreas desativadas.

SMSofia Menezes
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Corais de Galápagos mostram El Niño 36,5% mais intenso que na era pré-industrial

O El Niño, fenômeno que no Brasil costuma estar associado a secas no Norte e no Nordeste e a chuvas acima da média no Sul, está se intensificando com o aquecimento global. É o que indica um estudo publicado nesta quinta-feira (27) na revista Science, segundo reportagem da Folha de S.Paulo: a variabilidade do fenômeno é ao menos 36,5% maior do que no período pré-industrial.A conclusão parte da análise geoquímica de corais do arquipélago de Galápagos, no Pacífico equatorial do Equador, um arquivo natural com um milênio de registros climáticos. A pesquisa foi liderada por Julia Cole, professora da Universidade de Michigan e especialista em paleoclimatologia. Segundo a Folha, o trabalho confirma o que dados observacionais recentes já sugeriam: o El Niño também é impactado pela mudança climática provocada sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás natural.Um arquivo de mil anosAssim como bolhas de ar presas em geleiras e anéis de árvores, os corais e seus fósseis guardam informações sobre o clima de outras eras. A equipe de Cole estimou as temperaturas da superfície do oceano em Galápagos nos últimos mil anos e comparou os resultados com medições feitas a partir de outros corais do Pacífico. A localização ajuda: o arquipélago fica no Pacífico equatorial oriental, perto da região em que o El Niño é monitorado por padrão científico.Para verificar se a variabilidade observada podia ser explicada por causas naturais, os pesquisadores rodaram simulações com 12 modelos climáticos. O resultado apontou uma disparada da variabilidade nas últimas quatro décadas, incompatível com a oscilação natural esperada. A relação entre aquecimento global e El Niño era presumida havia anos, mas de difícil comprovação, por falta de registros remotos e pela grande variabilidade natural do próprio fenômeno. O uso de fósseis de corais permitiu contornar esse obstáculo.O que muda para o BrasilO El Niño favorece de secas a inundações e, segundo a Folha, promete eventos extremos no restante de 2026 e em 2027. No Brasil, isso costuma significar estiagens mais severas em regiões como a bacia amazônica e o Semiárido nordestino, e excesso de chuva no Sul, cenário que pesa sobre agricultura, geração de energia hidrelétrica e defesa civil.A confirmação de que a ação humana intensifica o fenômeno dá aos pesquisadores uma base mais sólida para refinar projeções climáticas. Para órgãos de monitoramento e gestores públicos, o estudo reforça a necessidade de tratar os extremos associados ao El Niño não como exceção, mas como tendência crescente em um planeta mais quente.

SMSofia Menezes
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RS entra em alerta para chuva acima de 250 mm e risco de inundação no Taquari e no Caí

O Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Rio Grande do Sul e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) colocaram o estado em alerta nesta quinta-feira (27) para uma sequência de tempestades que deve durar até segunda-feira (31). Os acumulados podem superar 250 milímetros nos Vales, na Serra e no Nordeste entre sexta-feira e segunda, e há risco de inundação nas áreas baixas da bacia do rio Taquari, a partir de Encantado, e do rio Caí, a partir de São Sebastião do Caí, segundo o G1.A instabilidade começa nesta quinta, com chuva forte e queda de granizo principalmente na região Sul. Na sexta-feira (28), as tempestades avançam pela Costa Doce, pelo Centro, pela Região Metropolitana de Porto Alegre e pelo Litoral Médio, com até 150 milímetros em 24 horas. No fim de semana, a chuva mais intensa se concentra nos Vales, na Serra e no Nordeste, onde também são esperadas tempestades severas e ventos acima de 90 km/h. Em áreas do estado, as rajadas podem chegar a 100 km/h.Rios sob observaçãoO cenário hidrológico da Defesa Civil aponta cheias com extravasamento de arroios, enxurradas e alagamentos urbanos. Na metade Sul e Oeste do estado, devem subir os rios Quaraí, Ibirapuitã, Santa Maria, Jaguarão e Camaquã, além dos arroios Grande e São Lourenço, do canal São Gonçalo e das lagoas Mirim e dos Patos. Na metade Norte, a previsão de elevação vale para os rios Paranhana, Sinos, Gravataí, Maquiné, Três Forquilhas, Passo Fundo, Várzea e afluentes do Taquari. Por ora, os rios gaúchos oscilam entre os limiares de atenção e de normalidade.O alerta mobiliza um estado que ainda se recupera das enchentes de maio de 2024, as piores de sua história, quando o Vale do Taquari ficou entre as regiões mais castigadas. Desta vez, as estruturas de proteção reconstruídas desde então começaram a ser acionadas antes mesmo da chuva: a GaúchaZH reportou o fechamento de um dique emergencial na região do aeroporto de Porto Alegre e informou que o presidente Lula cancelou uma agenda no estado por causa do mau tempo. No site da Defesa Civil estadual, dois alertas laranja para tempestade com granizo e vento na região Sul estavam ativos nesta quinta. O Inmet, por sua vez, publicou avisos de perigo e de perigo potencial com previsão de até 100 milímetros de chuva por dia e risco de corte de energia no Sudoeste, no Centro e na Região Metropolitana.As autoridades orientam a população a não se abrigar debaixo de árvores durante rajadas de vento, a não estacionar veículos perto de torres de transmissão ou placas de propaganda e, se possível, a desligar aparelhos elétricos. A Defesa Civil atende pelo telefone 199 e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.

SMSofia Menezes
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Inmet emite alerta de umidade crítica abaixo de 15% em nove estados

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu avisos meteorológicos especiais para índices de umidade relativa do ar abaixo de 15% em nove estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste e Norte. A faixa de secura severa atinge o Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e partes do interior de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Maranhão, com registros térmicos elevados e ar comparável ao de regiões desérticas.As medições das estações automáticas indicam que a bacia do rio Araguaia e o vale do São Francisco enfrentam os índices mais severos, onde a umidade pode oscilar entre 12% e 20% durante as tardes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), taxas inferiores a 20% representam situação de emergência sanitária, elevando internações por crises respiratórias e desidratação aguda em hospitais regionais de cidades como Goiânia, Cuiabá e Montes Claros.O fenômeno decorre da persistência de um bloqueio atmosférico continental sobre a porção central da América do Sul. A massa de ar seco e quente impede o avanço de frentes frias vindas do sul e bloqueia a chegada de umidade da Amazônia, intensificando a evapotranspiração do solo em um ciclo conectado às mudanças nos padrões de circulação atmosférica global.Prevenção a incêndios e orientações de saúdePara conter o avanço das queimadas em vegetação nativa e pastagens, o Prevfogo, vinculado ao Ibama, e brigadas estaduais reforçaram a fiscalização e a proibição do uso do fogo na agricultura. Órgãos da Defesa Civil estadual recomendam reforçar a hidratação constante, evitar a prática de exercícios físicos ao ar livre entre 10h e 17h e manter recipientes com água ou toalhas umedecidas em ambientes fechados.Postos de saúde municipais nas capitais e no interior ampliaram o atendimento de triagem para pacientes com asma e bronquite. As previsões do Inmet indicam que o padrão de bloqueio deve continuar pelos próximos dias, exigindo cautela contínua de moradores e produtores rurais até a primeira formação de instabilidades que permita a volta gradual das chuvas.

SMSofia Menezes
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Onda de calor deve atingir cinco estados com até 47°C; São Paulo entra em alerta

Uma onda de calor deve levar temperaturas de até 47°C a pelo menos cinco estados brasileiros neste fim de semana, segundo previsão do serviço meteorológico Meteored divulgada nesta quinta-feira (27). Em São Paulo, a Defesa Civil estadual emitiu alerta para o período entre sexta-feira (28) e segunda-feira (31), com máximas próximas de 40°C no interior.O pico do calor é esperado para o domingo (30), quando uma extensa área entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, deve registrar máximas entre 46°C e 47°C, segundo a Meteored. No mesmo período, o norte do Paraná, o norte e o oeste de São Paulo e o Triângulo Mineiro, no oeste de Minas Gerais, podem enfrentar temperaturas de até 45°C.Alerta em São PauloNo estado de São Paulo, as condições mais severas estão previstas para as regiões norte e noroeste, onde a umidade relativa do ar pode ficar abaixo de 12% durante as tardes, informou a Defesa Civil. Nas demais áreas paulistas, a previsão indica temperaturas entre 30°C e 35°C, com umidade próxima ou inferior a 20%, combinação que, segundo o órgão, trará desconforto térmico intenso e ressecamento do ambiente.O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Rinaldo de Araujo Monteiro, deve se reunir com representantes dos municípios paulistas para apresentar o cenário meteorológico e alinhar ações preventivas. O órgão alerta que a vegetação ressecada no auge da estação seca aumenta a possibilidade de queimadas e permite que focos de fogo se espalhem com rapidez, sobretudo em áreas rurais. Entre as orientações estão não usar fogo para limpar terrenos, não queimar lixo e não jogar bitucas de cigarro em rodovias ou áreas de vegetação. Quem identificar fumaça ou princípio de incêndio deve acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199.Além do calor, grande parte do Brasil registra níveis muito baixos de umidade relativa do ar, e a combinação entre tempo seco e temperaturas elevadas deve aumentar a sensação térmica em várias regiões, segundo a previsão. A Defesa Civil paulista recomenda atenção especial com crianças, idosos e animais, hidratação frequente, ambientes ventilados e umidificados e redução da exposição ao sol e de exercícios físicos nos horários mais quentes.O episódio chega no fim do inverno, quando o Centro-Oeste e o interior do Sudeste acumulam meses sem chuva significativa e o risco de fogo na vegetação atinge o ponto mais alto do ano. Projeções climáticas indicam que eventos de calor extremo como este devem se tornar mais frequentes e intensos com o aquecimento global, o que pressiona governos a adaptar protocolos de saúde e de prevenção de incêndios.

SMSofia Menezes
asia

Rompimento de geleira no Himalaia inunda vilarejos e mobiliza resgate no Nepal

O rompimento de uma geleira de alta montanha provocou uma enxurrada de lama e pedras que atingiu vilarejos no distrito de Solukhumbu, na cordilheira do Himalaia, no Nepal. A força das águas da bacia do rio Bhote Koshi arrastou moradias, pontes e parte da infraestrutura básica de comunidades locais, deixando dezenas de feridos e forçando a evacuação imediata de moradores e turistas que percorriam as trilhas da região do monte Everest.Tropas do Exército do Nepal e integrantes da Polícia Armada foram mobilizados com helicópteros e equipes terrestres para prestar socorro na aldeia de Thame e em povoados vizinhos. Segundo a CNN Brasil e autoridades de segurança nepalesas, as forças de resgate retiraram dezenas de feridos e resgataram 31 turistas estrangeiros ilhados nos corredores de montanha, transferindo os casos mais graves para hospitais em Katmandu.Aquecimento global e risco iminente nos valesAvaliações preliminares divulgadas por equipes técnicas e pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha indicam que o evento se tratou de uma inundação por transbordamento de lago glacial, fenômeno conhecido pela sigla GLOF. O aumento acelerado das temperaturas globais intensifica o degelo das geleiras no Himalaia, acumulando volumes perigosos de água em lagos represados por barreiras frágeis de morena rochosa que se rompem sem aviso prévio.Enquanto equipes militares concentram esforços na distribuição de mantimentos, lonas e atendimento médico emergencial nas encostas de Solukhumbu, especialistas em clima defendem a instalação urgente de redes de alerta precoce e obras de drenagem controlada nos lagos glaciais nepaleses. O fortalecimento do monitoramento por satélite e o investimento em infraestrutura resiliente são apontados como os passos necessários para evitar novas tragédias nas comunidades do alto Himalaia.

SMSofia Menezes
Federal Police

PF investiga trabalho escravo e dano ambiental de R$ 179 milhões no AM

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a Operação Correntes do Capital para desarticular um esquema de grilagem, desmatamento ilegal e exploração de mão de obra em condições análogas à escravidão em Manicoré, município situado na bacia do rio Madeira, no sul do Amazonas. A ação cumpre mandados de busca e apreensão e ordens de bloqueio de bens e valores emitidos pela 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária da Seção Judiciária do Amazonas.Segundo a corporação, o grupo criminoso atuava na invasão sistemática de florestas públicas federais para abrir clareiras ilegais, gerando um prejuízo ecológico estimado em mais de R$ 179 milhões. As apurações tiveram início após agentes de fiscalização resgatarem cerca de 50 trabalhadores submetidos a condições degradantes no acampamento da frente de desmate.A exploração de mão de obra vulnerável atua como motor financeiro para o avanço da fronteira agropecuária predatória na Amazônia, barateando a derrubada da mata primária antes da apropriação do solo para pastagens e especulação imobiliária. A prática alimenta cadeias produtivas que pressionam os compromissos climáticos internacionais do país ao converter ecossistemas protegidos em passivos ambientais.De acordo com as investigações da PF, os envolvidos podem responder por crimes de organização criminosa, redução a condição análoga à de escravo, desmatamento clandestino, invasão de terras públicas da União, falsidade ideológica e corrupção. A Justiça Federal determinou o congelamento do patrimônio financeiro dos alvos para garantir a futura reparação dos danos à bacia amazônica e a quitação das verbas trabalhistas devidas aos resgatados.O avanço da repressão policial e a apreensão de bens buscam asfixiar a estrutura financeira dos grileiros, mas órgãos de controle e especialistas ambientais apontam que a contenção definitiva exige a presença permanente de fiscais em campo, a destinação oficial das terras públicas não destinadas no sul do Amazonas e a ampliação da rastreabilidade fundiária na região.

SMSofia Menezes
energy

Geração solar distribuída supera 50 GW no Brasil e desafia estabilidade da rede

A capacidade instalada de micro e minigeração distribuída (MMGD), impulsionada principalmente por painéis solares em telhados e pequenas usinas, ultrapassou a marca de 50 gigawatts (GW) no Brasil. O volume representa quase um quinto de todo o parque gerador nacional, estimado em cerca de 260 GW pelo setor elétrico. A rápida expansão de placas fotovoltaicas, que se espalha desde os telhados residenciais da Grande São Paulo até as propriedades rurais na bacia do rio São Francisco em Minas Gerais e na Bahia, acelerou a transição energética do país, mas impôs um teste de estresse inédito à infraestrutura de transmissão e distribuição.Segundo análise da economista e ex-diretora da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) Joisa Dutra, publicada na Folha de S.Paulo, o volume real pode ser ainda maior. Uma nota técnica do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) calcula que instalações solares não registradas, operando à revelia das concessionárias em circuitos rurais e periféricos de estados como Goiás e Mato Grosso, somaram até 14,6 GW adicionais em 2025.Cortes emergenciais e novos esquemas de alívioA injeção massiva de energia solar durante as horas de sol forte, combinada com períodos de baixo consumo nos fins de semana e feriados, gera sobreoferta e ameaça desequilibrar a frequência da rede. Para evitar apagões e proteger os circuitos, o ONS voltou a acionar nos últimos dias esquemas de corte preventivo em usinas de geração distribuída do tipo 3 conectadas às redes locais. O mecanismo já havia sido utilizado de forma emergencial no feriado de Corpus Christi.Para lidar com a frequência desses episódios, o operador do sistema planeja testar ainda este ano o Esquema Regional de Alivio de Geração (ERAG). O protocolo permitirá desconectar de forma automática e escalonada a produção de fazendas solares remotas em situações críticas de sobreoferta. A ferramenta busca adaptar para a geração de eletricidade a mesma lógica do corte de cargas (ERAC), já consagrado na contenção de blecautes em centros urbanos.Impacto tarifário e desafios regulatóriosAlém da complexidade técnica de equilibrar a rede física, o crescimento descontrolado da geração própria expõe distorções econômicas. Conforme apontam especialistas do setor regulatório, o modelo atual transfere parte significativa dos custos de manutenção das linhas e dos subsídios setoriais para os consumidores convencionais, sobretudo famílias de baixa renda e moradores de áreas periféricas que não dispõem de capital ou espaço físico para instalar placas solares nos telhados.Para garantir que a descarbonização não aprofunde disparidades econômicas, órgãos reguladores e distribuidoras discutem a modernização do marco tarifário, a introdução de tarifas horárias mais dinâmicas e o incentivo a sistemas de armazenamento com baterias em subestações regionais, passos necessários para integrar a energia limpa de forma equilibrada em todo o território brasileiro.

SMSofia Menezes
climate

Seca no Amazonas: empresas cobram até R$ 9,7 mil por contêiner e comerciantes contestam

Duas das maiores companhias de navegação do mundo, a Mediterranean Shipping Company (MSC) e a CMA CGM, anunciaram no início de agosto a cobrança de uma taxa de até US$ 1.900 (cerca de R$ 9.785) por contêiner destinado a Manaus, no Amazonas. A cobrança, conhecida como Low Water Surcharge (LWS) ou "taxa da pouca água", começaria a valer na primeira semana de setembro, segundo comunicados das empresas. A Associação Comercial do Amazonas (ACA) contestou a medida e protocolou uma petição na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Segundo a associação, as regras da agência só permitem a cobrança quando o Rio Negro atinge 17,7 metros. Na quarta-feira (26), o nível do rio estava em 24,93 metros, bem acima do limite. Regras e fiscalização O Acórdão nº 459, publicado pela Antaq em 2025, determina que a taxa seja cobrada apenas com aviso prévio de no mínimo 30 dias, detalhando o fato gerador, os serviços abrangidos, a base de cálculo, o período de aplicação e informações sobre contêineres, custos e fiscalização. A agência informou no dia 13 de agosto que aumentaria as ações operacionais para reduzir impactos sobre o transporte de passageiros e cargas durante a seca, mas ressaltou que a comunicação prévia das empresas não representa autorização ou regularidade da cobrança. O g1 entrou em contato com a MSC e a CMA CGM, mas não obteve resposta até a publicação. A Antaq também não respondeu à reportagem sobre as autorizações das duas empresas. Seca avança no estado A estiagem já afeta parte dos 62 municípios do Amazonas. Em 19 de agosto, a prefeitura de Humaitá, no sul do estado, decretou situação de emergência por causa da seca no Rio Madeira, que dificulta a manutenção de serviços públicos essenciais. O decreto, porém, não é reconhecido pela Defesa Civil estadual. Segundo o órgão, até quarta-feira apenas São Paulo de Olivença, no Alto Solimões, estava em situação de emergência. Outros 14 municípios estavam em alerta e 10 em atenção. O 32º Boletim de Alerta Hidrológico do Serviço Geológico Brasileiro (SGB), publicado em agosto, aponta que as chuvas abaixo da média histórica intensificaram a vazante dos rios da Bacia Amazônica. Apesar da redução, a maioria das estações monitoradas pelo SGB ainda permanece dentro da normalidade para esta época do ano. O fenômeno, que se repete a cada ano, ganhou força nas últimas estações secas e pressiona a logística de abastecimento de Manaus, que depende do transporte fluvial para receber mercadorias de outras regiões do Brasil e do exterior.

SMSofia Menezes
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Ciclone extratropical põe o Sul em alerta por cinco dias, com até 200 mm de chuva no RS

Um ciclone extratropical que começa a se formar nesta quinta-feira (27) sobre o Atlântico Sul deve manter o Sul do Brasil sob alerta por pelo menos cinco dias seguidos, com acumulados de chuva que podem passar de 200 mm na metade norte do Rio Grande do Sul até segunda-feira (31). A previsão, divulgada pela Meteored e detalhada em alerta da MetSul Meteorologia, indica uma sequência de temporais associada à passagem de uma frente fria, com risco de alagamentos, deslizamentos de terra e cheias de rios no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.De acordo com o ND Mais, o Rio Grande do Sul concentra os maiores volumes, com 200 mm previstos para o estado. Em Santa Catarina, a faixa de fronteira com o território gaúcho pode superar 100 mm, e o Paraná deve somar cerca de 60 mm. O ritmo da chuva também preocupa: o sul gaúcho pode registrar volumes altos já nesta quinta, o sábado (29) deve acumular mais de 100 mm na metade sul do estado, e o domingo (30) tende a ser o dia mais crítico no norte, com potencial de 150 mm em 24 horas.Para a MetSul, o episódio será de longa duração porque um rio atmosférico, um corredor que transporta umidade da região amazônica para o Sul do continente, vai abastecer a chuva por vários dias. No alerta assinado pela meteorologista Estael Sias, os maiores acumulados, de 100 mm a 250 mm até o fim de segunda-feira, são esperados em regiões como o Alto Uruguai, o Planalto Médio, a Serra, os Aparados e o Litoral Norte gaúchos. Com esse volume, devem subir com força os rios Uruguai, Jacuí, Taquari, Sinos, Caí e Gravataí. Como vários deles deságuam no norte da Lagoa dos Patos, o Guaíba, em Porto Alegre, pode entrar em cheia na semana que vem, com alta probabilidade de inundações nas ilhas da capital.Chuva acima da média avança pelo Centro-SulA partir de segunda-feira, a frente fria começa a avançar sobre o Centro-Oeste e o Sudeste. A previsão semanal do modelo ECMWF, analisada pela Meteored, indica chuva acima da média em grande parte do país entre 31 de agosto e 7 de setembro. Os maiores desvios, de 60 mm a 90 mm acima da climatologia, são esperados no oeste de Santa Catarina e do Paraná; anomalias de 30 mm a 60 mm se estendem do norte gaúcho ao Paraná, e volumes acima do normal também devem atingir grande parte de Mato Grosso do Sul, o sul de Goiás, São Paulo, o Rio de Janeiro e o sul de Minas Gerais. Na quinta-feira da semana que vem (3), um novo sistema frontal começa a se formar e pode manter o tempo instável no Centro-Sul até pelo menos 7 de setembro.Defesa Civil mobilizada e memória de 2024A Defesa Civil de Santa Catarina já reagiu com avisos especiais. O boletim nº 152/2026, assinado pelo meteorologista Augusto Pereira, alerta para temporais com rajadas de vento e granizo entre sexta (28) e sábado (29), sob efeito de uma frente semi-estacionária; outro aviso prevê mar agitado no litoral catarinense até sexta-feira. O órgão mantém previsões atualizadas para cinco dias e um sistema de alerta em tempo real, com mensagens por SMS à população. No Rio Grande do Sul, a previsão acende atenção redobrada sobre bacias como as do Taquari e do Jacuí, devastadas pelas enchentes históricas de maio de 2024, e o acompanhamento dos boletins oficiais será decisivo nos próximos dias, sobretudo em áreas ribeirinhas e encostas.

SMSofia Menezes
inflation

IPCA-15 tem deflação de 0,40% em agosto, puxada pela energia elétrica

A prévia da inflação oficial do Brasil registrou deflação de 0,40% em agosto, a primeira desde agosto de 2025 (-0,14%), puxada pela queda da conta de luz. O IPCA-15, divulgado nesta quarta-feira (26) pelo IBGE, teve o menor resultado desde agosto de 2022, quando marcou -0,73%. Em julho, o indicador havia subido 0,06%, e agora acumula alta de 4,24% em 12 meses.A energia elétrica residencial foi o item de maior peso na queda: recuou 6,25% e retirou sozinha 0,26 ponto percentual do índice. O movimento veio do Bônus de Itaipu, desconto creditado nas faturas de agosto dos consumidores e vinculado à usina hidrelétrica binacional de Itaipu, no rio Paraná, na fronteira com o Paraguai. Segundo a CNN Brasil, o crédito vale apenas para este mês e não se repetirá em setembro.A coleta de preços foi feita entre 16 de julho e 14 de agosto em 11 localidades, da região metropolitana de Belém, na foz do Amazonas, a Porto Alegre, no extremo sul, passando por Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e Goiânia. Cinco dos nove grupos pesquisados tiveram deflação: habitação (-1,41%), transportes (-1,00%), alimentação e bebidas (-0,57%), vestuário (-0,20%) e comunicação (-0,02%). As passagens aéreas caíram 13,30% e os combustíveis 1,43%, com recuos de 3,63% no etanol, 1,23% na gasolina e 0,71% no óleo diesel. A alimentação em casa ficou 0,97% mais barata, com tomate (-27,38%), batata-inglesa (-25,14%), cenoura (-17,05%) e café moído (-2,31%) à frente das quedas.Na direção oposta, despesas pessoais (0,66%), educação (0,46%) e saúde (0,40%) seguiram em alta. Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,52% para 4,24% e voltou a ficar abaixo do teto da meta, de 4,5%, ainda que distante do centro de 3%. O número veio abaixo do esperado pelo mercado, que projetava queda de 0,30% no mês e de 4,34% em 12 meses, segundo o InfoMoney.Alívio pontual e risco climáticoAnalistas ouvidos pela CNN Brasil classificam o alívio como pontual. Parte dele veio de fatores temporários, como o bônus na conta de luz, ou voláteis, como as passagens aéreas, e os núcleos de inflação não mostraram melhora relevante. Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, avalia que o resultado deixa o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mais confortável para cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual em setembro:"O corte de 0,25 ponto em setembro parece mais provável e a situação fica mais confortável. Mas qualquer coisa além disso não consegue ser justificada pelo indicador de hoje."A equipe de estratégia de inflação da Warren Investimentos, formada por Andréa Angelo, Laís Camargo e Júlia Freitas, fez uma leitura ainda mais cautelosa. Segundo as economistas, núcleos e serviços subjacentes vieram mais pressionados em alguns componentes, e um El Niño intenso pode adicionar cerca de 0,40 ponto percentual ao IPCA de 2026 e mais 0,20 ponto no primeiro trimestre de 2027. A inflação anualizada dos serviços intensivos em mão de obra segue acima de 7%, segundo a instituição. Para Inhasz, a desinflação só será considerada estrutural quando os serviços arrefecerem, os núcleos caírem e a difusão dos reajustes perder força.O IPCA cheio de agosto, que abrange 16 localidades, será divulgado em 11 de setembro. O boletim Focus do Banco Central, publicado na segunda-feira (24), indica que o mercado espera deflação de 0,18% no índice cheio do mês.

SMSofia Menezes
deforestation

Brasil apresenta à ONU meta para recuperar 163 mil km² de terras até 2030

O Brasil submeteu nesta terça-feira (25) às Nações Unidas, pela primeira vez, sua meta nacional de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês). O compromisso, anunciado pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, prevê recuperar e restaurar mais de 163 mil km² de áreas degradadas até 2030, com ações que somam ao todo 3,67 milhões de km², o equivalente a 43,1% do território nacional, segundo a Folha de S.Paulo.A apresentação ocorreu durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, capital da Mongólia, encontro que começou em 17 de agosto e termina nesta sexta-feira (28) com representantes de 197 países signatários da convenção, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O Brasil devia esse compromisso desde 2018, quando a COP13 pediu aos países que elaborassem planos voluntários sobre o tema.Segundo o MMA, a meta reúne 17 submetas distribuídas em três frentes: recuperar terras já degradadas, reduzir processos de degradação em curso e evitar novas perdas. Das 163 mil km² a serem restauradas, o plano inclui recuperação de vegetação nativa, sistemas agroflorestais e ações dentro de unidades de conservação, Territórios Indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas. Outros 3,51 milhões de km² entram em ações de prevenção, conservação e manejo sustentável.O tamanho do desafio aparece nos próprios números oficiais: o Índice de Degradação da Terra aponta que cerca de 2,3 milhões de km², 28% do território brasileiro, já apresenta algum grau de degradação, e a linha de base da LDN identificou 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação em 2020. O MMA estima que 39 milhões de brasileiros vivem em 1.649 municípios localizados em áreas suscetíveis à desertificação ou no seu entorno. Um estudo de 2023 do Cemaden e do Inpe, citado pela Folha, mostra que as regiões brasileiras de clima semiárido cresceram, em média, 75 mil km² por década desde 1960, com a caatinga do norte da Bahia registrando a primeira área de clima árido do país, onde a evaporação supera a reposição de água das chuvas.Bacias hidrográficas sob pressãoEstudo da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), mencionado pelo MMA, projeta redução das vazões na maior parte das regiões hidrográficas do país, com quedas mais fortes no Norte e no Nordeste, incluindo as bacias do Tocantins-Araguaia, do Parnaíba e do São Francisco, que cobrem áreas do MATOPIBA, região de expansão do agronegócio. "Solos saudáveis sustentam a produção agropecuária, a segurança alimentar, a biodiversidade e a disponibilidade de água", afirmou Capobianco, segundo o MMA, ao lembrar que eventos climáticos extremos mais frequentes tornam a recuperação da terra também uma estratégia de resiliência para comunidades rurais.Para monitorar os compromissos, o governo reativou em 2024 a Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD), criada pela Lei 13.153/2015 mas que ficou sem funcionar por oito anos, segundo o MMA. A retomada, formalizada pelo Decreto 11.932, é o mecanismo que o governo aponta para acompanhar, a partir de agora, se as 17 submetas de restauração e prevenção avançam dentro do prazo estipulado para 2030.

SMSofia Menezes
climate

Número de mortos na enxurrada entre Nepal e Tibete salta para 157

O número de mortos na enxurrada que atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26) subiu de cerca de 19, no primeiro balanço divulgado horas após o desastre, para 157, segundo nova atualização da polícia do Nepal repassada pela BBC News Brasil. No país, outras 579 pessoas seguem desaparecidas. No lado tibetano, controlado pela China, as autoridades locais registraram 3 mortos e 265 desaparecidos, de acordo com o G1. Os números continuam sendo revisados à medida que equipes de resgate avançam por áreas de difícil acesso na cordilheira do Himalaia.A tragédia começou quando um grande volume de gelo e rocha, que segundo o Departamento de Meteorologia e Hidrologia do Nepal pode ter se desprendido de uma geleira no lado tibetano, bloqueou o curso do rio Lhende. O represamento formado por detritos rompeu horas depois, liberando uma onda de lama e água que desceu o vale do rio Trishuli, na fronteira entre os dois países, destruindo casas, pontes, estradas e instalações de energia. A força da correnteza atingiu o distrito de Nuwakot e a cidade de Rasuwa, além de Syabrubesi, ponto de partida da rota de trekking do Langtang, muito frequentada por turistas.Causa ainda em investigaçãoOs primeiros relatos apontavam um terremoto como gatilho da avalanche de gelo. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) chegou a registrar um tremor de magnitude 4,4 na região, mas horas depois se retratou: segundo a agência, "a energia sísmica foi, na verdade, gerada pelo próprio deslizamento de terra", e não o contrário. A pesquisadora de hidrologia do Imperial College Martha Day disse à BBC que, em terrenos íngremes e cobertos por geleiras como o do Himalaia, fenômenos perigosos costumam ocorrer em cadeia, com um aumentando a chance de outro acontecer. Cientistas ainda tentam reconstruir a sequência exata dos eventos usando imagens de satélite, mas as nuvens da estação de monções têm dificultado a análise.O episódio reacende a atenção sobre o derretimento acelerado das geleiras na região do Hindu Kush Himalaia, processo que cientistas associam à mudança climática, embora ainda seja cedo para determinar seu peso específico neste desastre, segundo o correspondente de meio ambiente da BBC World Service Navin Singh Khadka. A região é descrita por autoridades chinesas como a "caixa-d'água da Ásia", berço de rios como o Brahmaputra, o Indo e o Ganges, dos quais dependem centenas de milhões de pessoas rio abaixo.Resposta emergencial mobiliza milharesO gabinete do primeiro-ministro do Nepal, Balen Shah, informou que 1.697 militares foram mobilizados nas buscas, com outros 656 de prontidão. Seis helicópteros militares resgataram 94 pessoas ao longo do dia, cinco aeronaves civis resgataram outras 12, e equipes terrestres salvaram mais 27, segundo o comunicado oficial. Cães farejadores e quatro drones também foram enviados às áreas mais afetadas. A polícia informou que 28 policiais seguem desaparecidos apenas no distrito de Rasuwa. O governo orientou a população a evitar margens de rios e áreas de risco enquanto durarem as buscas, que devem continuar durante a madrugada.Do lado chinês, o presidente Xi Jinping determinou o reforço das operações de resgate na área de Gyirong, principal passagem terrestre entre o Tibete e o Nepal. A Índia enviou dez toneladas de ajuda humanitária ao país vizinho; em publicação nas redes sociais, o chanceler indiano, Subrahmanyam Jaishankar, disse que "a Índia está ao lado do Nepal e de seu povo". O Conselho de Turismo do Nepal soma 384 viajantes desaparecidos, sendo 341 estrangeiros, atingidos enquanto faziam trilhas na região. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às famílias das vítimas e aos governos do Nepal e da China; segundo o Itamaraty, não há registro de brasileiros entre os afetados até o momento.

SMSofia Menezes
climate

El Niño reduz travessias no Canal do Panamá e governo declara emergência nacional

O Canal do Panamá, principal passagem marítima das Américas, vai reduzir novamente o número diário de navios autorizados a cruzar a via a partir de setembro. A decisão responde aos baixos níveis dos lagos artificiais que alimentam o sistema de eclusas, severamente afetados pela seca associada ao El Niño. No mesmo período, o governo do Panamá decretou estado de emergência nacional, com vigência prevista até junho de 2027, para responder aos impactos da estiagem e de tempestades fortes no país, conforme reportagens da MetSul Meteorologia, do canal panamenho Telemetro e do jornal O GLOBO. A Autoridade do Canal do Panamá informou que o limite diário de travessias cairá de 36 para 34 embarcações no dia 3 de setembro e para 32 navios no dia 15 de setembro, segundo dados divulgados pela MetSul. A administração da via não descarta novas restrições se as chuvas ficarem abaixo da média nas próximas semanas. Entre maio e agosto, o volume de precipitação na bacia hidrográfica do canal ficou 34% abaixo da média histórica, refletindo o déficit hídrico provocado pelo fenômeno climático. A escassez de água expõe uma vulnerabilidade social e econômica crítica na região: os mesmos reservatórios que movimentam as eclusas do canal abastecem aproximadamente metade da população panamenha, estimada em 4,2 milhões de habitantes. No setor produtivo, o Ministério de Desenvolvimento Agropecuário apresentou nesta semana à Assembleia Nacional a proposta orçamentária para 2027 com recursos direcionados a mitigar a seca no campo, informou o jornal La Estrella de Panamá. Disputa por vagas em leilão e pressão sobre a frota global A hidrovia é vital para o comércio global, respondendo por cerca de 5% do tráfego marítimo mundial e por aproximadamente 40% dos contêineres que se movimentam nos Estados Unidos. Entre os principais usuários da rota estão Estados Unidos, China, Japão, Chile e Coreia do Sul. Com as novas limitações, a fila de espera tende a crescer para os navios que não possuem reserva antecipada. Cerca de nove em cada dez embarcações utilizam o sistema de reservas, deixando poucas vagas diárias disputadas em leilões altamente concorridos. O valor dos lances nesses leilões disparou. O lance vencedor médio, que girava em torno de US$ 135 mil antes de conflitos no Oriente Médio, saltou para US$ 4 milhões em abril, quando uma empresa pagou a quantia para garantir a travessia de um navio. Nesta semana, o jornal La Prensa noticiou que uma operadora sul-coreana arrematou um lote por US$ 5,3 milhões, evidenciando o custo financeiro da escassez de calado no istmo. O atual El Niño, marcado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial central e leste, caminha para ser um dos mais intensos da história recente. Na América Central, Honduras declarou alerta de seca em 80% do território nacional. Em escala global, a temperatura média da superfície dos oceanos atingiu o recorde histórico de 21,10°C em 22 de agosto, segundo dados do serviço europeu Copernicus (C3S) divulgados pela MetSul. "O recorde é outro sinal claro de um oceano sob crescente estresse", afirmou Samantha Burgess, líder estratégica de clima do ECMWF. As novas restrições se somam a reduções de calado aplicadas nos últimos meses. Durante a seca de 2023, o número de travessias diárias caiu de 38 para 22, causando congestionamento prolongado. A Autoridade do Canal do Panamá monitora a evolução das chuvas até o final do ano para decidir se serão necessárias novas medidas de racionamento de água no sistema interoceânico.

SMSofia Menezes
climate

ONU escolhe rede brasileira Araticum como referência mundial de restauração

A ONU premiou nesta quarta-feira (26) a rede Araticum, articulação brasileira dedicada à restauração ecológica do cerrado, como um dos três exemplos mundiais de recuperação de ecossistemas degradados. O anúncio foi feito pelo Pnuma, o programa da ONU para o meio ambiente, e pela FAO, agência das Nações Unidas para alimentação e agricultura, durante a COP17, conferência da ONU de combate à desertificação realizada na Mongólia.O prêmio World Restoration Flagship (Referência Mundial em Restauração) também foi entregue a iniciativas no Sahel, na África, e na Arábia Saudita, regiões que, assim como o Brasil, enfrentam seca, desertificação e impactos das mudanças climáticas. Segundo a Folha de S.Paulo, é a segunda vez que um projeto brasileiro de restauração é escolhido no prêmio."Investir em terras saudáveis é uma das nossas defesas mais fortes contra essas ameaças", afirmou Inger Andersen, diretora-executiva do Pnuma. "As três iniciativas mostram que a restauração de ecossistemas traz benefícios significativos para todos, desde a segurança alimentar, novos empregos e maior resiliência para milhões de pessoas."De acordo com Andersen, o cerrado já perdeu mais da metade de sua vegetação nativa, em grande parte por causa da conversão de terras em larga escala. A destruição do bioma, disse ela, prejudica os povos indígenas, a biodiversidade, a produção de alimentos, a disponibilidade de água e a resiliência climática.Quem é a rede premiadaCriada em 2020, a Araticum (Articulação pela Restauração do Cerrado) monitora 27 mil hectares do bioma, com atuação no Distrito Federal e nos estados de Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, São Paulo e Tocantins. Entre as organizações que integram a rede está a Rede de Sementes do Cerrado, que atua em áreas como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.O trabalho combina regeneração natural, semeadura direta, restauração ecológica e sistemas agroflorestais com espécies nativas, com recuperação de áreas de floresta, savana e campo. Em seu site, a articulação se define como uma rede colaborativa e defende a restauração com base científica, saberes ancestrais e participação de povos e comunidades tradicionais.O reconhecimento da ONU também foi divulgado nesta quarta por organizações como o WWF Brasil e a Embrapa, que informou ser uma das apoiadoras da iniciativa.

SMSofia Menezes
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Inundação no Nepal e Tibete deixa ao menos 19 mortos e 384 desaparecidos

Uma enchente repentina atingiu nesta quarta-feira (26) a região montanhosa da fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, matando ao menos 19 pessoas e deixando 384 desaparecidas, segundo balanços preliminares divulgados pelas autoridades dos dois países e citados pelas agências Reuters e AFP. As águas destruíram estradas, pontes, casas e ao menos uma usina hidrelétrica na região do Himalaia.De acordo com o Conselho de Turismo do Nepal, os 384 desaparecidos incluem 291 estrangeiros, entre eles 105 cidadãos indianos. O administrador distrital Narendra Pariyar pediu que moradores das margens do rio Bhote Koshi se deslocassem para terrenos mais altos, alertando que pode haver muitas vítimas ou perda de bens. O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, afirmou que equipes da polícia e do Exército se uniram aos esforços de resgate.O distrito montanhoso de Rasuwa, que tem cerca de 50 mil habitantes, foi um dos mais atingidos. Segundo o porta-voz do Exército nepalês, Raja Ram Basnet, helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas de Syapru Besi e Timure porque o rio Bhote Koshi transbordou, e os pousos só serão possíveis quando o nível da água baixar. Imagens exibidas na televisão mostraram casas destruídas pela correnteza, carros à deriva e uma ponte metálica sendo levada pelas águas. Testemunhas relataram à Reuters que a enchente engoliu vilarejos inteiros.Deslizamento também atinge o lado chinêsNo condado de Gyirong, no Tibete, um deslizamento de terra atingiu uma passagem de fronteira entre os dois países, deixando vários desaparecidos, entre eles oito cidadãos sul-coreanos que trabalhavam em uma usina hidrelétrica. Segundo a agência de notícias oficial chinesa Xinhua, o deslizamento ocorreu do lado nepalês e atingiu um porto local, interrompendo estradas, comunicações e o fornecimento de energia na região de Shigatse. Autoridades chinesas disseram temer grandes perdas humanas.A profissional de saúde Tula Bahadur BK, moradora de Rasuwa, descreveu a cena à Reuters:Há devastação por toda parte. Os assentamentos próximos ao rio foram completamente destruídos. Cinco dos meus parentes estão desaparecidos.A causa da enchente ainda não foi confirmada, mas uma cheia semelhante no mesmo rio, registrada no ano passado, foi posteriormente atribuída ao esvaziamento repentino de um lago glacial, fenômeno comum em regiões montanhosas do Himalaia afetadas pelo derretimento de geleiras.

SMSofia Menezes
rondonia

PF destrói acampamento de extração ilegal de madeira em terra indígena de RO

A Polícia Federal (PF) realizou nesta terça-feira (25) uma operação para combater a extração ilegal de madeira na Terra Indígena Rio Mequéns, localizada no município de Parecis, em Rondônia, segundo informações do G1.Durante as investigações, os agentes encontraram e destruíram serrarias móveis, um acampamento usado pelos exploradores ilegais e uma motocicleta que estava no local, de acordo com a PF.A corporação informou que a ação foi desencadeada após análises de imagens de satélite, que permitiram identificar com precisão os pontos de exploração madeireira dentro da reserva indígena. A técnica tem sido usada com frequência por órgãos de fiscalização ambiental para localizar áreas de desmatamento em terras protegidas antes que as equipes cheguem ao local.A operação não contou apenas com a Polícia Federal: também participaram a Polícia Militar Ambiental, a Força Nacional de Segurança Pública e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), segundo o G1.Terras indígenas em Rondônia têm sido alvo recorrente de invasões para extração ilegal de madeira, uma atividade associada ao desmatamento na Amazônia e a conflitos com comunidades tradicionais. Até a publicação desta reportagem, a PF não havia divulgado se houve prisões durante a operação nem o volume de madeira encontrado no local.

SMSofia Menezes
climate

Mata Atlântica é apontada como primeira defesa climática contra o novo El Niño

A Fundação SOS Mata Atlântica aponta a floresta como a "primeira linha de defesa climática" do Brasil diante do novo El Niño que se forma no oceano Pacífico. A avaliação é de Luis Fernando Guedes Pinto, diretor-executivo da fundação, em coluna publicada na Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (26). Segundo ele, a Noaa (agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos) confirmou recentemente a formação do fenômeno e estima 63% de probabilidade de que ele atinja intensidade muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027.Guedes Pinto argumenta que a pergunta decisiva para o país não é apenas a intensidade do fenômeno, mas como seus efeitos vão encontrar um Brasil "profundamente desigual, urbanizado e vulnerável a enchentes, deslizamentos, secas e crises hídricas". Nesse cenário, afirma o diretor da SOS Mata Atlântica, a vegetação nativa que ainda resta ao longo da costa brasileira funciona como estrutura de proteção natural, ajudando a conter encostas, regular o regime de chuvas e manter a oferta de água em bacias que abastecem boa parte da população do país.Boletim oficial detalha riscos por regiãoDados independentes reforçam a gravidade do quadro. Segundo reportagem do portal Neo Mondo, o Centro de Previsão Climática da Noaa emitiu em 13 de agosto um alerta que foge do vocabulário habitual dos boletins: as anomalias de temperatura da superfície do mar já superam 2°C no Pacífico equatorial leste, e a agência projeta 69% de chance de um evento histórico no trimestre de outubro a dezembro, capaz de superar todos os El Niños registrados desde 1950. A probabilidade de um evento muito forte no segundo semestre passa de 90%, segundo o mesmo levantamento.No Brasil, o Boletim nº 2 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em 31 de julho por instituições como Inmet, Inpe, ANA, Cemaden e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, projeta efeitos opostos dentro do mesmo território: risco de chuva intensa e enchentes no Sul do país, e seca prolongada no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. O documento aponta situação crítica na Bacia do Paraguai e atraso na estação chuvosa da Amazônia Legal, com probabilidade de 100% de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027.O histórico recente ilustra o que está em jogo. Em 2024, o Rio Grande do Sul sofreu enchentes que mataram 181 pessoas, com perdas e danos avaliados em R$ 88,9 bilhões por Banco Interamericano de Desenvolvimento, Cepal e Banco Mundial, segundo dados citados pelo Neo Mondo. Episódios como esse têm levado governos, empresas e organizações ambientais a antecipar protocolos de resposta a desastres, em vez de apenas reagir depois que eles ocorrem.Para Guedes Pinto, a preservação e a restauração da Mata Atlântica, hoje reduzida a uma fração de sua cobertura original, devem ser tratadas como política de adaptação climática, e não apenas como pauta ambiental isolada. A Folha de S.Paulo foi a única fonte primária localizada com acesso direto à análise; outros veículos consultados corroboram de forma independente os números da Noaa e do painel oficial brasileiro sobre a intensidade e os riscos regionais do fenômeno.

SMSofia Menezes
energy

Sindicatos cobram do MME salvaguardas trabalhistas diante de possível caducidade da Enel em SP

Sindicatos do setor elétrico se reuniram nesta terça-feira (25) com o secretário nacional de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), João Daniel Cascalho, para discutir os impactos sobre os trabalhadores de uma possível caducidade da concessão da Enel em São Paulo, segundo reportagem da coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo. O encontro também tratou das incertezas sobre a renovação dos contratos da empresa no Rio de Janeiro e no Ceará.As entidades sindicais apontaram falta de clareza sobre o futuro das concessões e afirmaram que a ausência de previsibilidade pode afetar o planejamento das empresas, os investimentos no setor e a manutenção dos serviços prestados à população. Participaram da reunião o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Energia Elétrica do Norte e Nordeste Fluminense (STIEENNF), o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo (STIEESP), a Associação dos Eletricitários Aposentados de São Paulo (AEASP) e a vice-presidência da Associação dos Aposentados da Fundação Cesp (AAFC).Processo de caducidade em fase finalA discussão ocorre em meio ao avanço do processo administrativo aberto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em abril deste ano contra a Enel Distribuição São Paulo, que pode resultar na perda da concessão. Segundo o site especializado Canal Energia, a Aneel rejeitou em 24 de agosto um pedido de perícia feito pela distribuidora, o que levou o processo à fase final de instrução. A agência já havia negado, em 11 de agosto, um recurso da Enel contra a abertura do procedimento.O diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, afirmou em entrevista à imprensa que não cabe à agência analisar alternativas à penalidade de caducidade, já que essa decisão política é responsabilidade do poder concedente, representado pelo MME. Segundo ele, uma "solução negociada" mencionada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, passaria por uma eventual transferência de controle da concessão, mecanismo que já foi usado em casos anteriores, como a transferência da distribuidora de Goiás da Enel para o grupo Equatorial em 2022 e a da Amazonas Energia para o grupo Âmbar.Feitosa disse ainda esperar que o caso seja resolvido "o mais rápido possível", reconhecendo que a proximidade das eleições torna o cenário mais complexo. "As indefinições são ruins para o usuário final, são ruins para as empresas que precisam de previsibilidade dos seus investimentos", afirmou o diretor, segundo a InfoMoney.A Enel, por sua vez, tem afirmado publicamente que não pretende se desfazer da concessão em São Paulo e alega, em sua defesa apresentada à Aneel em maio, ter melhorado os indicadores operacionais da distribuidora. O desfecho do processo pode ter impacto direto sobre milhares de trabalhadores do setor elétrico paulista, o que motivou a cobrança dos sindicatos por garantias junto ao MME.

SMSofia Menezes
oceans

Oceanos têm o dia mais quente da história sob efeito do El Niño, aponta Copernicus

A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu 21,1°C no sábado (22), o dia mais quente já registrado nos mares do planeta, segundo o serviço Copernicus de mudanças climáticas da União Europeia. A marca supera o recorde anterior, de 21,09°C, estabelecido em março de 2024, informou a Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (24).De acordo com o Copernicus, é o maior valor desde 1979, quando o conjunto de dados ERA5, que remonta a 1940, passou a ser considerado mais confiável para medir a temperatura da superfície do mar com a ajuda de satélites. Segundo os técnicos do serviço, o novo recorde está alinhado ao aquecimento de longo prazo dos oceanos e à emergência do El Niño, fenômeno natural cíclico que deve intensificar as anomalias climáticas no segundo semestre deste ano e em 2027."Os oceanos estão sob um estresse cada vez maior. O El Niño está adicionando calor ao sistema, e isso ocorre em um contexto de décadas de aquecimento causado pelo homem", afirmou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), que opera o Copernicus.Segundo Burgess, as consequências já são visíveis: o número de dias de ondas de calor marítimas no mundo mais do que triplicou desde o início dos anos 1990, com pressão crescente sobre ecossistemas marinhos e as comunidades que dependem deles. Águas mais quentes transferem calor e umidade para a atmosfera, o que eleva a chance e a intensidade de temporais. Os oceanos também absorvem cerca de 25% das emissões de dióxido de carbono geradas pela atividade humana, sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás natural, e o aquecimento reduz essa capacidade de absorção.Sequência de recordesO recorde de sábado ocorre após meses de calor excepcional nos mares. Segundo a MetSul, até o fim de julho a temperatura média da superfície dos oceanos, excluídas as regiões polares, acumulava mais de 50 dias consecutivos em níveis recordes para a época do ano, em torno de 21°C. O próprio Copernicus já havia registrado, também em julho, as maiores temperaturas da superfície do mar já medidas para o mês. A MetSul destaca que o fortalecimento do El Niño no Pacífico Equatorial contribui para o cenário, embora não explique sozinho o calor observado, com extensas ondas de calor marinhas também no Atlântico Norte, no Índico e no Mediterrâneo, onde a água se aproximava dos 30°C em alguns trechos.A marca de sábado chama a atenção por ocorrer em agosto, observa a reportagem da Folha: o recorde anterior datava de março de 2024, no fim do verão do Hemisfério Sul. Os oceanos cobrem cerca de 71% da superfície da Terra e absorvem mais de 90% do excesso de calor provocado pelos gases de efeito estufa, o que os torna o principal regulador térmico do planeta, segundo a MetSul.

SMSofia Menezes
tocantins

Incêndios atingem fazendas em MT, TO e RO, e gado foge das chamas

O tempo seco e as altas temperaturas dos últimos dias favoreceram incêndios em áreas rurais de Mato Grosso, Tocantins e Rondônia, segundo o G1. Em Jangada, no Mato Grosso, o fogo atingiu áreas de plantação e de criação de animais, e um vídeo mostra o gado fugindo das chamas.No município mato-grossense, o incêndio causou prejuízos a dezenas de produtores rurais, e alguns precisaram deixar suas casas. Uma área de 120 hectares de cana-de-açúcar foi completamente destruída pelo fogo. Segundo o G1 Mato Grosso, o incêndio já durava quatro dias nesta terça-feira (25)."Tudo aquilo que a gente já fez, vai ter que fazer de novo. Foram duas áreas queimando ao mesmo tempo e a gente ficou sem poder fazer muita coisa", relatou Elizamara de Souza, gerente da usina atingida.De acordo com o Corpo de Bombeiros, rajadas de vento de cerca de 40 km/h e pastagens sujas ajudaram o fogo a avançar rapidamente. Na fazenda de Dogmar Rockenbach, mais de 40 vizinhos se uniram para impedir que as chamas tomassem a propriedade.Fogo em assentamento no Tocantins e área de preservação em RondôniaEm São Miguel do Tocantins, o incêndio destruiu 50 hectares de vegetação em um assentamento onde vivem 150 famílias de agricultores familiares. O combate às chamas durou mais de 24 horas e foi conduzido por agentes da Defesa Civil da região. Não houve registro de danos a propriedades nem de pessoas feridas.Em Rondônia, o fogo atingiu grandes proporções e alcançou propriedades rurais e uma área de preservação ambiental no município de Mirante da Serra. As causas do incêndio estão sendo investigadas.

SMSofia Menezes
Braskem

Quem é a Braskem, gigante petroquímica que pediu recuperação extrajudicial

A Braskem, maior petroquímica da América Latina, protocolou nesta segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões) em dívidas financeiras. O pedido foi distribuído na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo, segundo fato relevante enviado pela companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A petição contou com o apoio de credores que representam 39,6% dos créditos sujeitos à reestruturação, acima do mínimo de um terço exigido para o protocolo.Criada em 2002 a partir da integração de seis empresas petroquímicas ligadas ao grupo Odebrecht, a Braskem é controlada pela Novonor (antiga Odebrecht), que detém cerca de 38% do capital, e tem a Petrobras como segunda maior acionista, com cerca de 36%. A companhia tem sede em São Paulo e mantém 40 unidades industriais, 28 delas no Brasil, distribuídas por Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, além de plantas nos Estados Unidos, no México e na Alemanha. Líder na produção de resinas termoplásticas nas Américas, como polietileno, polipropileno e PVC, a empresa também é pioneira na fabricação de bioplástico em escala industrial e tem ações negociadas na B3, em Nova York e em Madri.Como funcionará a recuperação extrajudicialCom o protocolo, teve início um período de proteção de 90 dias, durante o qual os credores abrangidos ficam impedidos de cobrar judicialmente as dívidas e de adotar medidas de execução contra os ativos do grupo. Nesse intervalo, a Braskem tentará fechar o plano definitivo: até 31 de agosto deve apresentar um plano de negócios atualizado e uma proposta detalhada aos credores; reuniões presenciais entre executivos, acionistas e credores estão previstas para 9 de setembro; e até 9 de outubro as partes devem buscar um acordo sobre as principais condições comerciais. Para que o acordo vincule toda a dívida abrangida, a empresa precisa conquistar a maioria simples dos créditos sujeitos. O plano admite a conversão de parte dos créditos em ações, o que pode transformar credores em acionistas.A reestruturação alcança apenas dívidas financeiras sem garantia da Braskem S.A. e de cinco empresas do grupo no exterior. Obrigações com fornecedores, clientes e prestadores de serviço ficam de fora."A Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da Companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente, nos termos dos respectivos contratos", afirmou a Braskem, em nota.Em paralelo, a subsidiária mexicana Braskem Idesa pediu recuperação judicial nos Estados Unidos pelo mecanismo conhecido como Chapter 11. O plano da Braskem prevê um aporte de US$ 476 milhões (R$ 2,4 bilhões) para manter o controle da subsidiária.O que levou a Braskem à criseSegundo o G1, o pedido resulta da combinação de pressões financeiras acumuladas nos últimos anos. Uma delas é o custo do desastre geológico em Maceió, provocado pela exploração de sal-gema, que deixou o solo de bairros da capital alagoana instável. Mais de 14 mil imóveis foram desocupados e cerca de 60 mil pessoas foram afetadas. A Braskem já desembolsou mais de R$ 4,2 bilhões com indenizações, auxílios e realocação de moradores e comerciantes, e mantém R$ 3,24 bilhões reservados no balanço para custos futuros de reparação. Em junho, a Justiça Federal aceitou uma denúncia do Ministério Público Federal no caso, e as ações da companhia caíram quase 15% em um único pregão, segundo a CNN Brasil.O outro fator é a piora do mercado petroquímico global, que convive com excesso de oferta, em especial pela expansão da capacidade industrial da China, preços em queda e demanda fraca. Na Braskem, o custo dos produtos vendidos chegou a consumir cerca de 96% da receita líquida, informou a CNN Brasil.A reação do mercado foi imediata. As ações da Braskem caíam cerca de 6,1% nesta segunda-feira, cotadas a R$ 4,76 por volta das 15h15, segundo o G1. A B3 anunciou que os papéis ordinários (BRKM3) e preferenciais (BRKM5) serão excluídos de uma série de índices, entre eles o Ibovespa, o IBrX e o Small Caps, após o fechamento do pregão desta terça-feira (25), porque passarão a ser negociados sob a classificação de "Recuperação Extrajudicial". As ações continuarão listadas e poderão ser negociadas normalmente. "Quando a B3 tira uma empresa dessa cesta, todo mundo que segue o índice precisa vender aquele papel (...) porque o manual do fundo obriga", explicou ao G1 Matheus Matos, sócio da MA7 Capital.Com o pedido, a Braskem se soma a uma série de grandes companhias brasileiras que recorreram a mecanismos de recuperação em 2026, lembra a CNN Brasil: Casas Bahia e Lojas Marabraz pediram recuperação judicial, enquanto Raízen e GPA, dono do Pão de Açúcar, optaram pela via extrajudicial.

SMSofia Menezes
Environment

ONS aciona plano emergencial e determina cortes de geração por excesso de energia

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou neste domingo (23) o Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, mecanismo emergencial utilizado quando a produção de eletricidade supera a demanda do Sistema Interligado Nacional (SIN). É a segunda vez em 2026 que o operador determina cortes de geração para conter o excedente de energia no país.Segundo a Agência Brasil, a medida foi aplicada das 11h às 13h30, sem impacto para os consumidores, afetando apenas as distribuidoras. O plano prevê a restrição da geração de usinas chamadas de Tipo 3, conectadas às redes de distribuição — grupo que inclui pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e empreendimentos eólicos e solares de menor porte. O ONS também reduziu a produção das usinas sob seu controle direto e havia comunicado previamente as distribuidoras para que se preparassem para os cortes, já que não controla diretamente os ativos ligados às suas redes.A intervenção resulta da combinação entre a forte geração da micro e minigeração distribuída — sobretudo a solar fotovoltaica — e a menor demanda típica dos fins de semana. Aos domingos e feriados, o consumo cai enquanto os sistemas solares seguem produzindo nas horas de maior incidência de luz, o que reduz a chamada carga líquida, parcela da demanda que precisa ser atendida pelas usinas controladas pelo ONS, segundo a CNN Brasil. O problema, portanto, não é a falta de energia, mas o excesso de oferta em determinados horários.Segundo acionamento do anoO primeiro acionamento de 2026 ocorreu em 7 de junho, no feriado prolongado de Corpus Christi, quando o ONS solicitou o gerenciamento de 1.000 megawatts (MW) entre 10h e 14h. O plano emergencial foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025 e é tratado como último recurso, acionado apenas depois de esgotadas as demais alternativas de equilíbrio entre geração e consumo. Em agosto de 2025, no Dia dos Pais, o excesso de energia quase provocou uma sobrecarga no sistema: a geração distribuída chegou a representar 37,6% da demanda nacional, e o operador cortou 98,5% da geração eólica e solar centralizada para evitar um apagão.Estudos do próprio ONS citados pela CNN Brasil apontam que a capacidade instalada de micro e minigeração distribuída no país já supera 43 gigawatts (GW); a Agência Brasil fala em cerca de 50 GW. Para o operador, o crescimento acelerado dessas fontes torna a operação mais complexa, porque parte da energia produzida não pode ser observada nem controlada diretamente.Na quinta-feira (20), o ONS anunciou que prepara um sistema para desligar automaticamente parte da geração distribuída em situações críticas. Batizado de Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), o mecanismo prevê cortes de até 3 GW, divididos em três estágios de 1 GW, e só seria acionado após esgotadas as demais alternativas de controle. Um projeto-piloto deve ser realizado até o fim de 2026 em uma distribuidora, com implementação possível em 2027. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) informou que as distribuidoras seguirão as orientações do ONS, mas pediu critérios mais detalhados para definir os cortes, de modo a dar segurança operacional e jurídica aos geradores.

SMSofia Menezes