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Brasil registra 26 assassinatos de ambientalistas em 2025 e sobe ao 2º lugar no mundo

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SMPor Sofia Menezes•18 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, Global Witness

O Brasil registrou 26 assassinatos de defensores da terra e do meio ambiente em 2025, mais que o dobro dos 12 homicídios contabilizados em 2024. Com a alta, o país subiu do 4º para o 2º lugar no ranking mundial da ONG Global Witness, divulgado nesta quarta-feira (16), e voltou à posição que ocupava em 2022 e 2023.

Ao todo, pelo menos 124 defensores foram assassinados no mundo em 2025, o que eleva para 2.375 o total de mortes e desaparecimentos documentados desde 2012, quando a organização com sede em Londres começou a publicar o levantamento anual, batizado neste ano de Collective power. A América Latina concentrou 85% dos casos, ou 105 homicídios. A Colômbia lidera pelo quarto ano seguido, com 39 mortes, seguida pelo Brasil; juntos, os dois países responderam por 52% dos assassinatos do ano passado. Honduras e Filipinas tiveram 12 casos cada, o México 10 e a Guatemala 8.

Terra em disputa

Quase todos os casos brasileiros documentados em 2025 tiveram como causa principal a disputa por terra, segundo o relatório: sete estavam ligados a territórios indígenas e 14 a agricultores familiares. Rondônia e Pará, dois estados amazônicos, responderam juntos por metade das mortes. Na região, comunidades tradicionais sofrem a pressão do avanço das fronteiras agrícola e extrativista.

"A falta de resolução sobre os seus direitos fundiários deixam povos indígenas e pequenos agricultores expostos à grilagem de terras, intimidação e violência", afirma Gabriella Bianchini, chefe de parcerias da Global Witness.

A alta aconteceu no mesmo ano em que o Brasil sediou, em Belém, a COP30, a cúpula do clima das Nações Unidas, que teve participação indígena recorde e incluiu compromissos sobre direitos territoriais.

Proteção coletiva

Essas comunidades, no entanto, não são passivas. "Elas estão se organizando, recorrendo à lei e desenvolvendo as suas próprias estratégias para defender seus territórios e seus direitos", diz Bianchini. O relatório documenta mecanismos de proteção coletiva, como patrulhas territoriais, sistemas de alerta precoce e redes de monitoramento comunitário. No mundo, 44 pessoas indígenas foram assassinadas em 2025, entre elas sete integrantes de guardas indígenas; no Peru, comunidades kakataibo mantêm uma guarda indígena para patrulhar suas terras contra o crime organizado e o cultivo ilegal de coca.

Em escala global, disputas por terra estiveram associadas a mais da metade dos assassinatos de 2025. A mineração foi ligada a 11 mortes, a exploração madeireira a oito e o agronegócio a seis, e mais de um terço dos casos envolveram organizações criminosas ou pistoleiros. "Os defensores são os olhos e os ouvidos do mundo no terreno. É graças a eles que sabemos quando ecossistemas estão sendo destruídos, onde florestas são derrubadas ou rios poluídos", escreve Toby Hill, investigador e autor principal do relatório.

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