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Médicos descartam tratamento curativo para tumor do cacique Raoni, de 94 anos

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SMPor Sofia Menezes•18 de setembro de 2026•Fontes: G1, InfoMoney (Reuters)

O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, líder indígena conhecido mundialmente pela defesa da Amazônia, está com um tumor no sistema digestivo e a equipe médica que o acompanha descartou tratamento com intenção de cura. O diagnóstico foi anunciado pelo Instituto Raoni na noite de segunda-feira (14) e detalhado em reportagem do G1. Desde a cirurgia de emergência a que foi submetido em junho, em São Paulo, o cacique recebe cuidados paliativos.

Segundo o comunicado do instituto, reproduzido pela agência Reuters, os primeiros sinais de agravamento surgiram há alguns meses, com dores abdominais persistentes que levaram à primeira hospitalização. Exames de imagem revelaram um tumor em estágio avançado. No dia 19 de junho, Raoni foi transferido para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde passou por uma cirurgia para desobstruir o intestino.

O diagnóstico é de adenocarcinoma pouco diferenciado, o tipo mais comum de tumor maligno do aparelho digestivo, que nasce nas glândulas que revestem o tubo digestivo. O termo "pouco diferenciado" descreve células que perderam boa parte da aparência e da organização das células saudáveis, característica associada a comportamento mais agressivo, explica o G1. A lesão está na altura do duodeno, a primeira porção do intestino delgado. Como a coleta de tecido foi evitada em junho pelo risco de sangramento, a confirmação veio do exame anatomopatológico do tumor retirado na cirurgia. O órgão de origem do câncer, porém, segue indefinido.

Por que a cura foi descartada

Como o tumor não podia ser removido, a equipe da Unifesp fez uma gastroenteroanastomose, procedimento que cria um novo trajeto no sistema digestivo para que os alimentos contornem a área bloqueada. "Quando a massa é muito grande, nem sempre dá para saber qual foi o epicentro. Podia ser estômago, pâncreas, intestino", diz ao G1 o cirurgião Pedro Luiz Bertevello, doutor pela Universidade de São Paulo e especialista em cirurgia oncológica da Beneficência Portuguesa. Diante de uma doença avançada e de um paciente frágil demais para uma investigação mais ampla, localizar o ponto inicial tornou-se inviável e pouco decisivo para o tratamento.

O oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas, resume o raciocínio clínico: "A biologia da doença é o que define as possibilidades de tratamento e o prognóstico". O objetivo agora, segundo o Instituto Raoni, é outro: cuidar do líder em vez de combater o tumor. No comunicado, o instituto lista o que a equipe busca:

"O objetivo passa a ser controlar a dor e outros sintomas, reduzir desconfortos, preservar a autonomia possível, garantir alimentação e hidratação adequadas, prevenir complicações, oferecer acompanhamento médico e de enfermagem e proporcionar a melhor qualidade de vida possível."

O instituto afirma ainda que a prioridade é garantir os cuidados "com segurança, conforto e dignidade, respeitando sua cultura, sua língua, suas decisões e a presença de seus familiares e de seu povo". Aos 94 anos, Raoni é há décadas uma das vozes mais conhecidas da defesa dos povos indígenas e da floresta no mundo. Apareceu ao lado de presidentes e papas e, nos anos 1980, juntou-se ao músico Sting em campanhas internacionais pela preservação da Amazônia, trajetória que fez dele um rosto permanente do debate climático global.

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