arrow_backVoltar
EnvironmentEconomy

ONS aciona plano emergencial e determina cortes de geração por excesso de energia

bookmark_borderSalvar
SMPor Sofia Menezes•24 de agosto de 2026•Fontes: InfoMoney

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou neste domingo (23) o Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, mecanismo emergencial utilizado quando a produção de eletricidade supera a demanda do Sistema Interligado Nacional (SIN). É a segunda vez em 2026 que o operador determina cortes de geração para conter o excedente de energia no país.

Segundo a Agência Brasil, a medida foi aplicada das 11h às 13h30, sem impacto para os consumidores, afetando apenas as distribuidoras. O plano prevê a restrição da geração de usinas chamadas de Tipo 3, conectadas às redes de distribuição — grupo que inclui pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa e empreendimentos eólicos e solares de menor porte. O ONS também reduziu a produção das usinas sob seu controle direto e havia comunicado previamente as distribuidoras para que se preparassem para os cortes, já que não controla diretamente os ativos ligados às suas redes.

A intervenção resulta da combinação entre a forte geração da micro e minigeração distribuída — sobretudo a solar fotovoltaica — e a menor demanda típica dos fins de semana. Aos domingos e feriados, o consumo cai enquanto os sistemas solares seguem produzindo nas horas de maior incidência de luz, o que reduz a chamada carga líquida, parcela da demanda que precisa ser atendida pelas usinas controladas pelo ONS, segundo a CNN Brasil. O problema, portanto, não é a falta de energia, mas o excesso de oferta em determinados horários.

Segundo acionamento do ano

O primeiro acionamento de 2026 ocorreu em 7 de junho, no feriado prolongado de Corpus Christi, quando o ONS solicitou o gerenciamento de 1.000 megawatts (MW) entre 10h e 14h. O plano emergencial foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2025 e é tratado como último recurso, acionado apenas depois de esgotadas as demais alternativas de equilíbrio entre geração e consumo. Em agosto de 2025, no Dia dos Pais, o excesso de energia quase provocou uma sobrecarga no sistema: a geração distribuída chegou a representar 37,6% da demanda nacional, e o operador cortou 98,5% da geração eólica e solar centralizada para evitar um apagão.

Estudos do próprio ONS citados pela CNN Brasil apontam que a capacidade instalada de micro e minigeração distribuída no país já supera 43 gigawatts (GW); a Agência Brasil fala em cerca de 50 GW. Para o operador, o crescimento acelerado dessas fontes torna a operação mais complexa, porque parte da energia produzida não pode ser observada nem controlada diretamente.

Na quinta-feira (20), o ONS anunciou que prepara um sistema para desligar automaticamente parte da geração distribuída em situações críticas. Batizado de Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag), o mecanismo prevê cortes de até 3 GW, divididos em três estágios de 1 GW, e só seria acionado após esgotadas as demais alternativas de controle. Um projeto-piloto deve ser realizado até o fim de 2026 em uma distribuidora, com implementação possível em 2027. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) informou que as distribuidoras seguirão as orientações do ONS, mas pediu critérios mais detalhados para definir os cortes, de modo a dar segurança operacional e jurídica aos geradores.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar