A temperatura média da superfície dos oceanos atingiu 21,1°C no sábado (22), o dia mais quente já registrado nos mares do planeta, segundo o serviço Copernicus de mudanças climáticas da União Europeia. A marca supera o recorde anterior, de 21,09°C, estabelecido em março de 2024, informou a Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (24).
De acordo com o Copernicus, é o maior valor desde 1979, quando o conjunto de dados ERA5, que remonta a 1940, passou a ser considerado mais confiável para medir a temperatura da superfície do mar com a ajuda de satélites. Segundo os técnicos do serviço, o novo recorde está alinhado ao aquecimento de longo prazo dos oceanos e à emergência do El Niño, fenômeno natural cíclico que deve intensificar as anomalias climáticas no segundo semestre deste ano e em 2027.
"Os oceanos estão sob um estresse cada vez maior. O El Niño está adicionando calor ao sistema, e isso ocorre em um contexto de décadas de aquecimento causado pelo homem", afirmou Samantha Burgess, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), que opera o Copernicus.
Segundo Burgess, as consequências já são visíveis: o número de dias de ondas de calor marítimas no mundo mais do que triplicou desde o início dos anos 1990, com pressão crescente sobre ecossistemas marinhos e as comunidades que dependem deles. Águas mais quentes transferem calor e umidade para a atmosfera, o que eleva a chance e a intensidade de temporais. Os oceanos também absorvem cerca de 25% das emissões de dióxido de carbono geradas pela atividade humana, sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás natural, e o aquecimento reduz essa capacidade de absorção.
Sequência de recordes
O recorde de sábado ocorre após meses de calor excepcional nos mares. Segundo a MetSul, até o fim de julho a temperatura média da superfície dos oceanos, excluídas as regiões polares, acumulava mais de 50 dias consecutivos em níveis recordes para a época do ano, em torno de 21°C. O próprio Copernicus já havia registrado, também em julho, as maiores temperaturas da superfície do mar já medidas para o mês. A MetSul destaca que o fortalecimento do El Niño no Pacífico Equatorial contribui para o cenário, embora não explique sozinho o calor observado, com extensas ondas de calor marinhas também no Atlântico Norte, no Índico e no Mediterrâneo, onde a água se aproximava dos 30°C em alguns trechos.
A marca de sábado chama a atenção por ocorrer em agosto, observa a reportagem da Folha: o recorde anterior datava de março de 2024, no fim do verão do Hemisfério Sul. Os oceanos cobrem cerca de 71% da superfície da Terra e absorvem mais de 90% do excesso de calor provocado pelos gases de efeito estufa, o que os torna o principal regulador térmico do planeta, segundo a MetSul.