O Copom (Comitê de Política Monetária) abriu nesta terça-feira (15), na sede do Banco Central, em Brasília, sob o comando de Gabriel Galípolo, a reunião que o mercado financeiro aposta que terminará no quinto corte seguido da taxa básica de juros do país. A expectativa consensual, reportada pela Folha de S.Paulo, é de redução de 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A decisão sai na noite desta quarta-feira (16) e é a última do comitê antes das eleições presidenciais.
A leitura de que há espaço para seguir afrouxando vem do cenário doméstico. Desde o encontro de agosto, segundo a Folha, os economistas ganharam convicção de que a atividade econômica desacelera e a inflação cede. No Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda (14), a mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 ficou em 13,75%, um número que o mercado lê como sinal de que este pode ser o último corte do ciclo. O mesmo boletim trouxe o IPCA de 2026 recuando de 5% para 4,9%, ainda bem acima do centro da meta de inflação, que é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Na contramão do resto do mundo
Enquanto Brasília se prepara para cortar, os principais bancos centrais apertam. Na mesma quarta-feira, o Fed, em Washington, deve elevar os juros dos Estados Unidos da faixa de 3,5% a 3,75% para algo entre 3,75% e 4%. Na semana passada, o Banco Central Europeu, em Frankfurt, subiu sua taxa de depósito em 0,25 ponto, para 2,5%, e crescem as apostas de que o Banco do Japão, em Tóquio, eleve a própria taxa de 1% para 1,25%. O motor comum é a guerra no Oriente Médio, que devolveu o petróleo a cotações acima de US$ 100 e pressionou a inflação global. Ainda assim, os economistas ouvidos pela Folha avaliam que o cenário externo não deve alterar o plano do BC de cortar a Selic pela quinta vez seguida.
Cautela no comunicado e críticas ao ritmo
Relatórios do Itaú BBA, do C6 Bank, da Suno Research e do Daycoval, consultados pela Exame, apontam o corte de 0,25 ponto como o cenário mais provável, com a atenção concentrada no tom do comunicado. O Itaú BBA projeta decisão unânime e estima que o modelo do próprio BC mantenha a projeção de inflação em 3,2% no primeiro trimestre de 2028, horizonte relevante do comitê, com balanço de riscos assimétrico para cima. O C6 Bank revisou sua projeção para a Selic no fim de 2026, de 14% para 13,75%, e espera a taxa mantida nas reuniões restantes do ano. Para o economista-chefe da casa, Felipe Salles, a comunicação deve ser cautelosa:
"O Comitê deve justificar a continuidade da calibração dos juros diante da projeção de inflação ao redor da meta no horizonte relevante. No entanto, as expectativas de inflação acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem ainda uma política monetária contracionista."
Há quem considere o ritmo excessivo. Para Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central, o comitê é guiado por uma crença muito forte de que os juros atuais são altos o bastante para provocar uma contração muito grande da economia adiante, avaliação que ele chama de equivocada. Na visão dele, o colegiado não deveria continuar cortando a Selic se quiser assegurar a convergência da inflação à meta.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, vê o lado doméstico mais favorável do que nos meses anteriores, com a inflação corrente em queda e a atividade perdendo ritmo. Se a mediana do Focus se confirmar, este é o último corte antes de o país escolher o próximo presidente, e a pergunta que resta ao comitê é se sustenta a taxa em 13,75% nas reuniões que faltam no ano.