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Google anuncia maior compra de remoção de carbono de sua história, com início no RS

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SMPor Sofia Menezes•18 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, Terradot, Folha de S.Paulo

O Google anunciou nesta quarta-feira (16) a maior compra de remoção de carbono da história da companhia. O acordo com a Terradot, empresa que atua no Brasil e nos Estados Unidos e da qual o Google é investidor, começa nos arrozais do Rio Grande do Sul. Somadas, as duas frentes do projeto chegam a 2 milhões de toneladas de CO2 equivalente até 2040, sobre mais de 200 mil hectares de lavoura. O valor da transação não foi divulgado.

Uma frente rápida, uma permanente

A parte com prazo mais curto vai até 2030: 1 milhão de toneladas de CO2 equivalente em emissões de metano evitadas nos arrozais gaúchos. Segundo a Folha de S.Paulo, a Terradot vai ajudar produtores do Rio Grande do Sul a adotar a técnica de umedecimento e secagem alternados, que drena periodicamente os campos e reduz tanto a formação de metano quanto o uso de água. Como observa a CNN Brasil, esse número corresponde a emissões evitadas, convertidas em CO2 equivalente, e será verificado separadamente da segunda frente.

A segunda frente, até 2040, é a remoção efetiva de 1 milhão de toneladas de CO2 com pó de rocha vulcânica, principalmente basalto, espalhado sobre o solo agrícola. A chuva transforma o CO2 do ar em ácido carbônico, que reage com os minerais da rocha e forma bicarbonato, molécula estável que desce ao lençol freático e chega ao oceano. Segundo a Terradot, o carbono fica fora da atmosfera por mais de 10 mil anos, o que classifica o método como permanente.

Por que o Rio Grande do Sul e o que vem depois

As empresas dizem que o estado reúne as condições ideais: solos tropicais, clima quente e úmido, arroz irrigado e jazidas de basalto próximas. O arroz pesa na conta global do metano, porque os campos alagados respondem por 10% a 12% das emissões mundiais do gás, segundo estimativa citada pela Reuters. Uma molécula de metano aquece o planeta tanto quanto cerca de 30 moléculas de CO2, mas permanece na atmosfera cerca de dez anos, contra até um século do dióxido de carbono. Por isso, segundo as companhias, o projeto é o maior de intemperismo acelerado de rochas já anunciado no mundo e o primeiro nessa escala a combinar o corte de um superpoluente com remoção durável.

"Embora a maioria das soluções climáticas se concentre em horizontes de curto ou longo prazo, nossa parceria com a Terradot abordará os dois cronogramas simultaneamente", afirmou o Google, em comunicado.

O modelo foi desenhado para ser replicado. O Brasil cultiva mais de 1,5 milhão de hectares de arroz, e a Terradot planeja projetos-piloto em outros países produtores, como Índia e Vietnã, ainda em 2026, com expansão comercial a partir de 2028. "Com este novo modelo, cada tonelada de remoção atende ao mesmo padrão rigoroso e entrega impacto climático mais rápido do que nunca", disse James Kanoff, CEO da Terradot, em nota. O preço segue como obstáculo: segundo a Reuters, um contrato anterior da empresa, de 90 mil toneladas, saiu perto de US$ 300 por tonelada, e a Terradot admite que o novo projeto não chegou aos US$ 100 que muitos desenvolvedores consideram necessários para ampliar o mercado. Quanto da receita dos créditos ficará com os produtores gaúchos também não foi informado. Em 2024, o Google já havia comprado 200 mil toneladas de créditos da Terradot e investido na empresa.

Para o Google, o acordo responde a um balanço que piorou. Como a Folha mostrou, as emissões da companhia subiram 18% em 2025 e chegaram a 14,4 milhões de toneladas de CO2 equivalente, consequência direta da inteligência artificial e da demanda por energia em data centers. Desde 2019, a poluição cresceu 80%, e a meta de neutralidade de carbono até 2030, definida em 2021, ficou mais distante. A conta pode ser ainda maior, porque a empresa usa a métrica de "emissões baseadas na ambição", que exclui atividades consideradas periféricas. Os 2 milhões de toneladas do acordo, somando as duas frentes, equivalem a cerca de 14% do que o Google emitiu apenas em 2025.

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