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Corais de Galápagos mostram El Niño 36,5% mais intenso que na era pré-industrial

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SMPor Sofia Menezes•29 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo

O El Niño, fenômeno que no Brasil costuma estar associado a secas no Norte e no Nordeste e a chuvas acima da média no Sul, está se intensificando com o aquecimento global. É o que indica um estudo publicado nesta quinta-feira (27) na revista Science, segundo reportagem da Folha de S.Paulo: a variabilidade do fenômeno é ao menos 36,5% maior do que no período pré-industrial.

A conclusão parte da análise geoquímica de corais do arquipélago de Galápagos, no Pacífico equatorial do Equador, um arquivo natural com um milênio de registros climáticos. A pesquisa foi liderada por Julia Cole, professora da Universidade de Michigan e especialista em paleoclimatologia. Segundo a Folha, o trabalho confirma o que dados observacionais recentes já sugeriam: o El Niño também é impactado pela mudança climática provocada sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás natural.

Um arquivo de mil anos

Assim como bolhas de ar presas em geleiras e anéis de árvores, os corais e seus fósseis guardam informações sobre o clima de outras eras. A equipe de Cole estimou as temperaturas da superfície do oceano em Galápagos nos últimos mil anos e comparou os resultados com medições feitas a partir de outros corais do Pacífico. A localização ajuda: o arquipélago fica no Pacífico equatorial oriental, perto da região em que o El Niño é monitorado por padrão científico.

Para verificar se a variabilidade observada podia ser explicada por causas naturais, os pesquisadores rodaram simulações com 12 modelos climáticos. O resultado apontou uma disparada da variabilidade nas últimas quatro décadas, incompatível com a oscilação natural esperada. A relação entre aquecimento global e El Niño era presumida havia anos, mas de difícil comprovação, por falta de registros remotos e pela grande variabilidade natural do próprio fenômeno. O uso de fósseis de corais permitiu contornar esse obstáculo.

O que muda para o Brasil

O El Niño favorece de secas a inundações e, segundo a Folha, promete eventos extremos no restante de 2026 e em 2027. No Brasil, isso costuma significar estiagens mais severas em regiões como a bacia amazônica e o Semiárido nordestino, e excesso de chuva no Sul, cenário que pesa sobre agricultura, geração de energia hidrelétrica e defesa civil.

A confirmação de que a ação humana intensifica o fenômeno dá aos pesquisadores uma base mais sólida para refinar projeções climáticas. Para órgãos de monitoramento e gestores públicos, o estudo reforça a necessidade de tratar os extremos associados ao El Niño não como exceção, mas como tendência crescente em um planeta mais quente.

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