A Petrobras confirmou nesta quarta-feira (23) que o navio-sonda NS-43 deixará a Bacia de Santos, onde opera no campo de Búzios, para perfurar três novos poços na costa do Amapá. Os poços ficam no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, onde a estatal já encontrou petróleo no poço Morpho, a cerca de 175 quilômetros do litoral do estado.
Antes de navegar para o norte, a embarcação passará por uma limpeza do casco para retirar a bioincrustação, os organismos fixados no aço. A perfuração dos três poços vizinhos, chamados de Manga, PAD Morpho e Crotalus, foi autorizada pelo Ibama em 4 de setembro. A chefe de engenharia da Petrobras, Renata Baruzzi, antecipou durante a feira Rio Oil & Gas, no Rio de Janeiro, que a perfuração do Morpho deve terminar em outubro e que os poços adjacentes devem começar a ser perfurados em janeiro, com a chegada do NS-43.
A estatal anunciou o achado de petróleo no Morpho em 14 de agosto e ainda avalia a qualidade do óleo, segundo o g1. Se os resultados confirmarem a viabilidade comercial da área, a produção poderá começar em até sete anos, e a companhia precisará pedir uma nova licença ambiental ao Ibama para desenvolver os campos, segundo a Folha de Pernambuco.
O que é a Margem Equatorial
O bloco FZA-M-59 integra a Margem Equatorial, um trecho de 2.200 quilômetros da costa brasileira que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá, formado quando a América do Sul e a África se separaram. A Petrobras reservou US$ 2,5 bilhões para explorar a região entre 2026 e 2030. Das cinco bacias brasileiras dessa margem, apenas a Potiguar, no Rio Grande do Norte, já produz petróleo.
A corrida à região tem espelho no estrangeiro. No mesmo conjunto geológico, a Guiana acumula, desde 2015, descobertas estimadas em quase 11 bilhões de barris de óleo equivalente recuperáveis só no bloco Stabroek, operado pela ExxonMobil, e o Suriname confirmou reservas no bloco 58. A Folha de Pernambuco observa que, se o potencial da Foz do Amazonas se confirmar, o achado pode ser comparado ao pré-sal, descoberto em 2006.