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PF investiga trabalho escravo e dano ambiental de R$ 179 milhões no AM

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SMPor Sofia Menezes•27 de agosto de 2026•Fontes: G1

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a Operação Correntes do Capital para desarticular um esquema de grilagem, desmatamento ilegal e exploração de mão de obra em condições análogas à escravidão em Manicoré, município situado na bacia do rio Madeira, no sul do Amazonas. A ação cumpre mandados de busca e apreensão e ordens de bloqueio de bens e valores emitidos pela 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária da Seção Judiciária do Amazonas.

Segundo a corporação, o grupo criminoso atuava na invasão sistemática de florestas públicas federais para abrir clareiras ilegais, gerando um prejuízo ecológico estimado em mais de R$ 179 milhões. As apurações tiveram início após agentes de fiscalização resgatarem cerca de 50 trabalhadores submetidos a condições degradantes no acampamento da frente de desmate.

A exploração de mão de obra vulnerável atua como motor financeiro para o avanço da fronteira agropecuária predatória na Amazônia, barateando a derrubada da mata primária antes da apropriação do solo para pastagens e especulação imobiliária. A prática alimenta cadeias produtivas que pressionam os compromissos climáticos internacionais do país ao converter ecossistemas protegidos em passivos ambientais.

De acordo com as investigações da PF, os envolvidos podem responder por crimes de organização criminosa, redução a condição análoga à de escravo, desmatamento clandestino, invasão de terras públicas da União, falsidade ideológica e corrupção. A Justiça Federal determinou o congelamento do patrimônio financeiro dos alvos para garantir a futura reparação dos danos à bacia amazônica e a quitação das verbas trabalhistas devidas aos resgatados.

O avanço da repressão policial e a apreensão de bens buscam asfixiar a estrutura financeira dos grileiros, mas órgãos de controle e especialistas ambientais apontam que a contenção definitiva exige a presença permanente de fiscais em campo, a destinação oficial das terras públicas não destinadas no sul do Amazonas e a ampliação da rastreabilidade fundiária na região.

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