Uma operação conjunta da Polícia Federal, do Ibama, do ICMBio e da Força Nacional identificou novas áreas de garimpo ilegal de ouro em Curionópolis e Eldorado dos Carajás, no sudeste do Pará. Divulgada na quarta-feira (26) como uma nova etapa da Operação Extractio II, a ação flagrou extração ilegal inclusive em áreas situadas sob grandes linhas de transmissão do Sistema Interligado Nacional, a rede que distribui energia elétrica pelo país, segundo informações dos órgãos federais reportadas pelo G1.
A degradação foi localizada durante o mapeamento de novos pontos de extração na região de Carajás no sábado (22) e na terça-feira (25). As equipes encontraram escavações, terra remexida e grandes áreas alagadas em locais antes ocupados por floresta. Em um dos pontos, o garimpo avançou até as margens de rios. Segundo os órgãos envolvidos, a presença de garimpos sob linhas de transmissão não é um caso isolado: estruturas do tipo já foram identificadas em diferentes pontos da região.
Rios que abastecem comunidades
Em Curionópolis, a fiscalização se concentrou em uma área às margens do Rio Novo e do Rio Sereno, cursos d'água importantes para as comunidades locais e que fazem parte da bacia do Itacaiúnas, no sudeste paraense. Ali foram constatados danos ambientais provocados pela extração mineral. Já na zona rural de Eldorado dos Carajás, nas proximidades da Vila 17 de Abril, os agentes encontraram uma grande área de extração ilegal e estruturas improvisadas usadas pelos trabalhadores.
As duas frentes da operação desativaram grande parte da estrutura dos garimpos. Foram destruídos 26 motores estacionários, duas escavadeiras e 12 acampamentos, além de cerca de 7 mil litros de óleo diesel inutilizados. As equipes também apreenderam uma arma de fogo, duas motosserras e três motocicletas.
A região de Carajás abriga uma das maiores províncias minerais do mundo e convive há anos com a pressão do garimpo ilegal de ouro, atividade que degrada a floresta amazônica e contamina rios que sustentam comunidades ribeirinhas. Segundo os órgãos federais, o objetivo da operação é conter a degradação da floresta e impedir que a atividade siga comprometendo igarapés e rios da bacia do Itacaiúnas. O monitoramento continua em outros pontos do território de Carajás.
Até o momento, as informações disponíveis sobre a operação vêm do balanço divulgado pelos órgãos federais e reportado pelo G1, única fonte localizada sobre o caso. Não há, até aqui, confirmação de prisões ou estimativa oficial do volume de ouro extraído nas áreas desativadas.