A Arábia Saudita tem petróleo estocado para sustentar suas exportações por apenas cinco a sete dias a partir do porto de Yanbu, no Mar Vermelho, caso não consiga retomar em breve o bombeamento de seu principal oleoduto, paralisado desde sexta-feira (11) depois de ataques com drones. A estimativa é de compradores e negociantes sauditas ouvidos pela agência Reuters neste domingo (13), em reportagem publicada pelo G1. O oleoduto Leste-Oeste atravessa o deserto da Península Arábica e leva cerca de 4 milhões de barris por dia, o equivalente a 4% do suprimento global, dos campos do leste até o Mar Vermelho.
Yanbu pode armazenar cerca de 35 milhões de barris, segundo estimativas do setor citadas pela Reuters. O reino também mantém estoques nos portos egípcios de Ain Sukhna, no Mar Vermelho, com capacidade para 18 milhões de barris, e Sidi Kerir, no Mediterrâneo, com 20 milhões. As quatro fontes da indústria ouvidas pela agência disseram que os tanques não estão cheios e que as reservas acabarão se o duto não voltar a operar. O escritório de mídia do governo saudita e o ministério da Energia não responderam aos pedidos de comentário, e Riade não detalhou a extensão dos danos nem um prazo para o retorno.
Gargalos de uma guerra
Nos últimos seis meses, o Leste-Oeste funcionou como rota de escape do reino: com o Estreito de Ormuz fechado pela guerra entre Estados Unidos e Irã, contexto descrito pela CNN Brasil, a tuberação poupou a Arábia Saudita da paralisia que atingiu as exportações de seus vizinhos. Os fluxos via Ormuz, que somavam cerca de 22 milhões de barris diários para todo o Oriente Médio antes da guerra, caíram para entre 6 milhões e 9 milhões, segundo fontes do setor. Na sexta-feira (11), combatentes Houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, tomaram a ilha de Perim, na entrada do Mar Vermelho, um dia após ocuparem a cidade portuária de Mocha, segundo a CNN Brasil. A ilha divide o estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada da rota do canal de Suez.
As cifras de produção já mostram o aperto. A Arábia Saudita informou à Opep que produziu 6,2 milhões de barris diários em agosto, contra 10,9 milhões em fevereiro, antes do início da guerra. A Agência Internacional de Energia (AIE), que coordena as políticas de energia dos países ocidentais, disse na sexta-feira (11) que o suprimento saudita caiu em agosto ao menor nível em mais de três décadas e que a oferta mundial deve recuar 5,7 milhões de barris por dia neste ano, cerca de 6%.
Reparos e diplomacia
As estimativas sobre o duto divergem. Uma das fontes da Reuters afirmou que os reparos podem levar de cinco a seis semanas; outra disse que o problema pode ser corrigido antes, com retomada parcial do bombeamento durante os trabalhos. No plano militar, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman pediu, em duas ligações na quinta-feira (10), que o presidente dos EUA, Donald Trump, atacasse os Houthis, e o americano teria recusado, contou uma fonte à CNN Brasil. Em nota, a Casa Branca afirmou:
"Os Estados Unidos estão focados em proteger nossos interesses centrais de segurança nacional, como garantir a liberdade de navegação no Mar Vermelho, ao mesmo tempo em que capacitamos nossos parceiros regionais a assumir a liderança no gerenciamento e na resolução dos desafios de segurança regionais."
Uma nova queda nos fluxos sauditas agravaria uma escassez que já levou os preços dos combustíveis a níveis recordes, estimulou a inflação ao redor do mundo e elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA aos níveis mais altos desde a crise financeira de 2008, segundo o G1. Para os compradores globais, o prazo decisivo agora é o dos tanques de Yanbu: entre cinco e sete dias, no máximo, antes que a maior exportadora de petróleo do mundo precise recorrer aos estoques menores que mantém no Egito.