O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso vermelho, o mais alto em uma escala que vai do amarelo ao laranja e ao vermelho, para a primeira onda de calor da primavera, com validade de sábado (26) até quarta-feira (30). O alerta cobre Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo em todo o território, além de partes de Mato Grosso, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Segundo o Inmet, os termômetros podem chegar a 41°C em Cuiabá no domingo (27) e na segunda-feira (28), a 40°C em Campo Grande na segunda e a 32°C na capital paulista no domingo.
Como o calor chega ao Centro-Sul
Um dos motores do aquecimento é uma área de baixa pressão que deve se intensificar entre o norte da Argentina e o oeste do Paraguai e empurrar ar quente em direção ao sul do Brasil, do Paraguai e da Argentina, explicam os meteorologistas do Inmet. Em altitude, uma área de alta pressão sobre partes do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul faz o ar descer, comprimir e aquecer ainda mais. O resultado é o chamado "domo de calor": uma espécie de tampa atmosférica que prende o ar quente sobre a mesma região e dificulta a chegada de massas de ar mais frescas. Enquanto o padrão se mantiver, as temperaturas tendem a permanecer altas.
Em São Paulo, onde o aviso foi acionado na quinta-feira (24), o sábado começa com nebulosidade e mínima de 16°C na região metropolitana, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da prefeitura. O sol aparece ao longo do dia e leva a máxima a 32°C, com umidade relativa perto de 45% e sem previsão de chuva. No litoral, a brisa marítima mantém o clima mais ameno: Santos varia de 17°C a 26°C e o Guarujá, de 20°C a 22°C, segundo a Climatempo. O interior paulista deve ser a região mais quente do estado.
Primavera sob efeito do El Niño
A primavera, que começou em 22 de setembro e vai até 21 de dezembro, marca a transição entre a estação seca e a chuvosa no Brasil central. A estação deve ser influenciada pelo El Niño, que modifica os padrões de circulação atmosférica e pode alterar a distribuição das chuvas, segundo o Inmet. O instituto prevê a intensificação do fluxo de umidade vinda da Amazônia, que alimenta as chuvas do Centro-Oeste e do Sudeste, além de chuvas fortes com rajadas de vento, raios e eventual granizo na Região Sul. No outro extremo do país, o norte do Piauí e o noroeste do Ceará devem registrar um período mais seco que o normal. As temperaturas médias devem superar 28°C no Norte e no Nordeste e em pontos isolados do interior, quadro que favorece novas ondas de calor, desconforto térmico, alteração da umidade do solo e formação rápida de tempestades severas.
O cenário tem componente global. Previsões do CPC/NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, divulgadas no início de agosto, apontam mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. O fenômeno recebe o nome de "super El Niño" quando a anomalia da temperatura da superfície do mar no Pacífico supera 2°C acima da média histórica, um patamar registrado apenas quatro vezes em cerca de 150 anos, em 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Pesquisadores da NOAA alertam que eventos mais intensos aumentam a probabilidade de impactos severos, embora não os garantam. Um boletim conjunto do Inmet, do CPTEC/Inpe e da Funceme prevê chuva acima da média no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, e em partes de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, e tempo mais seco no Norte, no Nordeste e em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste.
Ondas de calor costumam elevar o consumo de energia elétrica por causa do uso de ar-condicionado. Neste início de primavera, porém, o setor elétrico opera com folga: a Aneel acionou a bandeira verde para outubro, encerrando cinco meses de custo extra na conta de luz, noticiou a Agência Brasil. O aviso vermelho do Inmet vale até quarta-feira (30).