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El Niño chega a patamar 'muito forte' e divide o Brasil entre chuva recorde e seca

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SMPor Sofia Menezes•18 de setembro de 2026•Fontes: CNN Brasil, Instituto ClimaInfo

A temperatura das águas do Pacífico Equatorial chegou a +2,0°C acima da média em 14 de setembro, patamar que classifica o El Niño como "muito forte", segundo o boletim divulgado na quarta-feira (16) pelo Instituto ClimaInfo e reportado pela CNN Brasil. A NOAA, agência de oceano e atmosfera dos Estados Unidos, calcula uma probabilidade de mais de 90% de o fenômeno permanecer nesse patamar entre setembro e janeiro. Os efeitos já dividem o país: a cidade de São Paulo vive o setembro mais chuvoso de sua história, enquanto o rio Branco, em Roraima, corre abaixo das mínimas históricas.

Chuva recorde no Sul e no Sudeste

Em 14 dias, o Mirante de Santana, na capital paulista, registrou 253,8 mm, o setembro mais chuvoso desde 1943, quando as medições começaram, e três vezes a média do mês inteiro, segundo o INMET. As estações de Bragança Paulista, Registro e Iguape já superaram seus recordes para o mês. A CNN Brasil reportou dois mortos e um desaparecido no estado de São Paulo, onde Eldorado, no Vale do Ribeira, ficou completamente alagada. O boletim do ClimaInfo, citando as Defesas Civis estaduais, contabiliza ao menos oito mortos na Grande São Paulo e quatro no Paraná, onde mais de 21 mil pessoas foram afetadas em 76 municípios. A Defesa Civil de São Paulo atribui os temporais ao El Niño, e um novo ciclone extratropical pode trazer temporais a nove estados a partir de domingo (20).

A perspectiva é de mais chuva na mesma direção. O Painel El Niño, mantido pelo INPE e outros órgãos federais, prevê precipitação acima da média no Sul e em parte de São Paulo até novembro. No Rio Grande do Sul, o excesso de água no solo pode chegar a 150 mm em outubro, segundo o boletim. No restante do Sudeste, a chuva deve ficar acima da média em São Paulo, com temporais isolados no norte de Minas Gerais e no Espírito Santo.

Seca no Norte e no Nordeste

No Norte, o efeito é o oposto. O rio Branco baixou 22 cm em uma semana e chegou a 93 cm em Boa Vista, abaixo das mínimas históricas para o período e 250 cm abaixo do nível registrado na mesma data de 2016. Em Caracaraí, o rio também está na mínima histórica da estação. O Serviço Geológico do Brasil vê chance muito pequena de recuperação nos próximos meses: em julho e agosto choveu apenas 45% do esperado na bacia. O governo de Roraima decretou emergência por 180 dias. Na maior parte da Amazônia a vazante segue dentro do padrão, mas acelerou: o Purus caiu 120 cm em Beruri, o Solimões 111 cm em Manacapuru e o Negro 104 cm em Manaus.

Segundo o INMET, o cenário de seca deve persistir no Norte e no Nordeste até novembro. No Nordeste, o déficit de água no solo deve alcançar 150 mm no Ceará, no centro-norte do Piauí e no oeste do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas.

O El Niño é um fenômeno natural, que aquece o Pacífico e desorganiza a circulação de ventos e chuvas, mas ocorre sobre um planeta mais quente. O índice da NOAA já desconta o aquecimento de fundo do oceano tropical, de modo que os 2 graus medidos são do fenômeno em si. Cientistas ouvidos pelo ClimaInfo lembram que estudos de atribuição ainda precisam confirmar o peso do El Niño em cada evento, mas uma atmosfera mais úmida tende a intensificar as chuvas extremas. Enquanto isso, a resposta pública segue em duas frentes: Roraima mantém seu decreto de emergência e o painel do INPE monitora as bacias, ainda que os registros federais de população afetada, alimentados pelos municípios, costumem chegar dias ou semanas depois dos eventos.

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