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Houthis atacam instalações de energia na Arábia Saudita; 73 feridos e ameaça de escalada

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SMPor Sofia Menezes•9 de setembro de 2026•Fontes: Valor Econômico, G1

Rebeldes houthis do Iêmen atacaram nesta terça-feira (8) quatro cidades e instalações de energia do sul da Arábia Saudita. Os ataques deixaram ao menos 73 feridos, entre eles mulheres e crianças, e provocaram incêndios que suspenderam temporariamente as operações em estruturas energéticas do reino, segundo autoridades sauditas. Um porta-voz militar do grupo disse que uma ampla operação militar em território saudita será anunciada, sinalizando uma nova escalada do conflito no Golfo.

Com drones e mísseis, os houthis atingiram uma base aérea em Khamis Mushait e alvos ligados à estatal Saudi Aramco nas cidades de Abha, Najran, na fronteira com o Iêmen, e Jazan, porto do Mar Vermelho que abriga uma grande refinaria e uma usina de energia, informou a Valor Econômico. O Ministério da Energia da Arábia Saudita confirmou que instalações no sul foram atingidas e ficaram com as atividades suspensas, com equipes de bombeiros e emergência mobilizadas para conter os incêndios. "As autoridades competentes estão lidando com as repercussões dos ataques", afirmou o ministério, que prometeu medidas para garantir a segurança dos trabalhadores e a continuidade das operações. Na segunda-feira (7), o Financial Times já havia informado que instalações da Aramco em Jazan tinham sido atingidas; a informação não foi confirmada de forma independente, e a empresa não comentou.

Coalizão promete resposta

O porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, coronel Turki al-Malki, classificou a ofensiva como uma "escalada perigosa" e prometeu retaliação. "A coalizão tomará todas as medidas operacionais necessárias para deter essa milícia terrorista", afirmou. O porta-voz houthi Yahya Saree acusou Riad de intensificar a guerra com ataques aéreos ao Iêmen e disse que o grupo responderá. Os ataques ocorreram horas depois de os houthis acusarem a Arábia Saudita de bombardear uma prisão na província de Jawf, no norte do Iêmen, em um ataque que, segundo os rebeldes, deixou sete mortos, incluindo uma criança, relato que não pôde ser verificado de forma independente. A imprensa controlada pelo grupo também relatou quatro ataques aéreos sauditas no distrito de Jubah, a leste de Sanaa. Segundo a Valor Econômico, a ofensiva está entre as maiores contra a Arábia Saudita desde que Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra o Irã, em fevereiro.

Petróleo perto de US$ 100

O barril de Brent, principal referência internacional do petróleo, subia mais de 2% nesta terça-feira, para mais de US$ 99, patamar não visto desde julho, segundo a Valor Econômico. Os ataques ao sudoeste saudita podem agravar o impacto econômico global da guerra ao interromper o fornecimento de energia do Oriente Médio para além do Estreito de Ormuz, que está bloqueado. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo passava pelo estreito. Os Estados Unidos tentam ampliar o fluxo de petróleo aos mercados escoltando embarcações pela rota.

No Iêmen, a Organização Internacional para as Migrações informou que mais de 18,5 mil pessoas deixaram suas casas nos últimos três dias por causa dos confrontos ao longo da costa oeste do país. A guerra civil começou em 2014, quando os houthis tomaram a capital, Sanaa, e se ampliou em 2015 com a intervenção da coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita. Uma trégua de quatro anos acabou na prática nas últimas semanas, e o grupo anunciou em julho um bloqueio naval contra o reino. Segundo a ONU, o conflito já deixou ao menos 150 mil mortos e uma das maiores crises humanitárias do mundo, com milhões de pessoas dependentes de ajuda internacional.

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