O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou de 72 para 84 meses o prazo máximo de financiamento de veículos pelo programa Move Brasil, voltado a taxistas, motoristas de aplicativo e cooperativas de táxi. A mudança foi aprovada em reunião extraordinária do colegiado nesta quinta-feira (27), segundo o G1 e a Folha de S.Paulo.
Na prática, o prazo maior permite dividir o valor financiado em mais parcelas, o que reduz a prestação mensal paga pelo motorista. O programa mantém a carência de até seis meses para o pagamento do valor principal, período em que o beneficiário não precisa começar a quitar essa parte da dívida. O teto de preço do veículo elegível, antes de R$ 150 mil, subiu para R$ 200 mil. Segundo a Folha, a elevação do teto já havia sido anunciada pelo governo em 20 de agosto; o G1 apresentou a medida junto com o novo prazo.
Cobertura de 88% do mercado e juros abaixo da média
Com base nos emplacamentos de 2025, o Ministério da Fazenda calcula que o teto anterior alcançava cerca de 63% do mercado analisado. Com a inclusão dos carros entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, outras 486 mil unidades passam a poder ser financiadas pelo critério de preço, e a cobertura sobe para aproximadamente 88%, de acordo com levantamento citado pelo G1.
Criado em junho por medida provisória, o Move Brasil tem juros fixados pelo CMN em 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres, informou a Folha. A taxa média de financiamento de automóveis no mercado é de 28% ao ano, conforme dados monitorados pelo governo.
Podem participar motoristas de aplicativo com cadastro ativo há pelo menos 12 meses e ao menos 100 corridas na mesma plataforma, sem somar corridas feitas em aplicativos diferentes, como Uber e 99. Taxistas precisam de licença e registro ativos nos órgãos de trânsito, além de regularidade fiscal. O interessado faz o cadastro no site gov.br/movebrasil, recebe a resposta em até cinco dias úteis e, se aprovado, busca o financiamento na concessionária ou no banco onde já tem conta. O carro precisa ser de montadora habilitada no programa Mover, lista que inclui Volkswagen, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM, e ser enquadrado como sustentável: flex, híbrido ou híbrido a etanol.
A ampliação das condições ocorre em meio à baixa procura pelo programa. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou no dia 20 que os bancos públicos têm participado mais das operações, enquanto os privados demonstram menos apetite. "Estamos sempre em contato para entender por que, mesmo com a garantia do governo, [o Move Brasil] não tem tido a adesão que a gente inicialmente esperava", disse ele, segundo o G1. Na quarta-feira (26), a chinesa BYD informou que os modelos King, Song Pro, Song Pro Flex e Atto 2 passaram a poder ser financiados pelo programa, depois que montadoras pediram ao governo a inclusão de novos modelos, de acordo com a Folha.
Para as montadoras, o teto de R$ 200 mil e o prazo maior abrem espaço para vender versões mais caras a um público que usa o carro como ferramenta de trabalho. Para os motoristas, a prestação fica mais leve no mês, mas a dívida se estende por até sete anos e o total de juros pagos cresce com o prazo, ainda que a taxa do programa seja menos da metade da média de mercado.