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Governo retoma negociação com os EUA e teme tarifaço permanente

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MRPor Marina Rocha•31 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, Brasil de Fato

O governo Lula retoma nesta segunda-feira (31) as negociações comerciais com os Estados Unidos com auxiliares céticos quanto à possibilidade de um acordo. A equipe do presidente teme que o tarifaço se torne permanente caso o impasse se prolongue, segundo a Folha de S.Paulo.

A rodada de conversas será virtual, por volta das 14h30 de Brasília, entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e Jamieson Greer, do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O encontro foi confirmado pelo ministério depois do telefonema entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na sexta-feira (21), quando os dois presidentes concordaram com a necessidade de retomar o diálogo, relata o Brasil de Fato.

O precedente de aço e alumínio

Um representante do governo lembrou à Folha que as barreiras comerciais sobre aço e alumínio foram impostas em 2018, no primeiro mandato de Trump, e que Joe Biden, seu sucessor, nada fez para revogá-las. Parte do Palácio do Planalto receia que o cenário se repita com a sobretaxa de 25%, aplicada com base em práticas comerciais do Brasil apontadas como injustas pelos americanos.

Em julho, os Estados Unidos estabeleceram sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações brasileiras. As medidas combinadas atingem 23,1% das exportações brasileiras para o mercado americano, segundo o Brasil de Fato. O governo recorreu à Organização Mundial do Comércio e mantém em análise medidas de reciprocidade. Ainda assim, Márcio Elias Rosa defende que a negociação seja a prioridade.

O telefonema e a eleição

O telefonema de 21 de agosto descongelou a relação entre os dois países, na avaliação de um integrante da equipe de Lula. Ele disse à Folha que a ligação levou representantes da Casa Branca a procurar o Planalto e que, sem ela, apenas uma proposta vantajosa aos EUA teria destravado as conversas. A ligação foi facilitada novamente por grandes empresários com interlocução direta com o gabinete de Trump. Em 2025, a Folha mostrou que Joesley Batista, dono da JBS, teve papel fundamental no encontro entre os presidentes do Brasil e dos EUA.

Segundo auxiliares, Lula pediu que o Brasil permaneça na mesa de negociação e tente fechar um acordo. A tese de que um estado frequente de embate com Trump beneficia o petista na disputa de outubro não é consenso no governo. Parte dos assessores avalia que o presidente sairia fortalecido com um entendimento econômico entre os dois países, embora as expectativas de acordo antes da eleição sejam baixas. A reunião de segunda-feira tem caráter técnico e não contará com Lula nem Trump. Os próximos passos dependem das conversas entre Rosa e Greer até o pleito presidencial de outubro.

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