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Greve dos Correios completa uma semana e trava encomendas em todo o país

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DSPor Diego Santana•18 de setembro de 2026•Fontes: O Povo, Folha de S.Paulo, g1

A greve dos Correios completa uma semana nesta quinta-feira (17) sem data para terminar, e as encomendas travaram. Relatos coletados pela Folha de S.Paulo apontam objetos entregues além do prazo, rastreamento parado e pedidos de reembolso do frete. Consumidores e pequenos vendedores seguem sem previsão de entrega, e queixas de atraso se acumulam no site Reclame Aqui.

A paralisação foi aprovada em assembleias na noite de quinta-feira (10) e começou a valer na sexta (11), com adesão de sindicatos de todo o país, informou a Findect (Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). As negociações terminaram sem acordo, depois de rodadas de conversa e de tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), segundo o g1.

O impasse central é o plano de saúde. A federação afirma que a empresa quer alterar o benefício; os Correios responderam que apresentaram proposta com 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo, reajuste de 100% do INPC a partir de 1º de agosto e manutenção da assistência à saúde. Para a categoria, o tema é decisivo.

"A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no TST. A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores", diz a Findect, em nota.

Lojistas sem rota de fuga

Quem vende colecionáveis sente o golpe no caixa. Mariana Greco Mantovani, de 20 anos, dona do perfil Sweet Wishes Store no Instagram, importa bonecas Monster High, Funko e cartas de Pokémon. Está com duas caixas paradas desde o início do mês, com cerca de oito pedidos de clientes presos dentro, e já registrou um pedido de reembolso, segundo a Folha. "Quando já estou com os itens aqui no Brasil, consigo recomendar que os clientes solicitem transporte por outra empresa, mas ao trazer os itens para cá, não temos outra opção sem ser os Correios", afirma. Se a encomenda é de algo muito específico, existe risco de o item ficar parado em casa: "Acaba sendo um grande prejuízo."

A regra do jogo protege quem compra. Pelo Código de Defesa do Consumidor, a responsabilidade pelo prazo de entrega é da loja virtual, mesmo quando o transporte é dos Correios: o comprador pode exigir a entrega, aceitar outro produto ou cancelar com devolução do valor. No envio contratado direto na estatal, o atraso devolve parte da tarifa de forma automática, de 5% a 15% nas modalidades PAC e Sedex, e 100% nos Sedex 10, Sedex 12 e Sedex Hoje, conforme o O Povo.

Empresa no vermelho, agências abertas

A greve pega os Correios em crise financeira. A empresa acumula 15 trimestres seguidos de prejuízo, com perda de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, aponta o g1, e aguarda um empréstimo de R$ 7 bilhões de um consórcio com Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul, depois dos R$ 12 bilhões recebidos no fim do ano passado. As agências seguem abertas, afirma a empresa, que roda o Plano de Continuidade de Negócios com remanejamento de equipes e de rotas; a Justiça determinou a manutenção de 80% dos funcionários em atividade, segundo o O Povo. O presidente do Sintect-PB, Tony Sérgio, afirmou ao g1 que, na prática, apenas os serviços administrativos internos funcionavam durante a paralisação.

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