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Häagen-Dazs encerra distribuição no Brasil após quase 30 anos

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ANPor André Nakamura•26 de agosto de 2026•Fontes: G1 Economia, BBC News Brasil

A Häagen-Dazs vai deixar de ser distribuída no Brasil depois de quase 30 anos de operação no país. A decisão é da General Mills, multinacional americana dona da marca de sorvetes premium, e foi confirmada em comunicado divulgado nesta semana, segundo a BBC News Brasil e o G1.

A companhia atribui a saída a um "plano de reformulação de portfólio", anunciado em março de 2026. Naquele mês, a General Mills já havia vendido suas operações de alimentos no Brasil, incluindo as marcas Yoki e Kitano, para o Grupo 3Corações, especializado em cafés, por R$ 800 milhões. A Häagen-Dazs, cujos sorvetes são importados, principalmente da França, ficou fora desse negócio e agora perde de vez seu canal de distribuição no país.

Os números explicam o desinteresse. Entre 2021 e 2025 a marca ficou estacionada na quinta posição do mercado brasileiro de sorvetes, com 2% de participação, enquanto o setor como um todo cresceu de R$ 14,7 bilhões para R$ 20,3 bilhões ao ano no mesmo período, de acordo com a consultoria Euromonitor. Hoje o mercado é liderado pela The Magnum Ice Cream, dona de Kibon, Ben & Jerry's, Magnum e Cornetto, com 24% de participação em valor, seguida por Nestlé (7%), Jundiá (3%) e Creme Mel (2%), conforme dados citados pela reportagem da BBC.

Especialistas ouvidos pela BBC e pelo G1 apontam quatro fatores por trás da retirada: a reestruturação global da General Mills, que prioriza marcas americanas de maior escala como Betty Crocker e Cheerios; a mudança no consumo do brasileiro, que passou a comprar menos volume mas produtos mais caros; o fechamento das oito lojas próprias da marca em 2018, o que a afastou do contato direto com o consumidor; e a falta de investimento em inovação num mercado premium que ficou mais disputado com a chegada de redes como Bacio di Latte, Borelli, La Basque e Heladeria Havanna.

"O negócio de sorvetes exige toda uma logística de distribuição, de cadeia congelada, que é mais onerosa mesmo para as grandes empresas", diz Cecília Russo Troiano, sócia da Troiano Branding, à BBC. Um diretor de rede de supermercados paulista, que não quis se identificar, relatou à reportagem que parou de vender a marca há um ano e meio por problemas nos freezers e negociação comercial considerada ruim, substituindo-a pela Bacio di Latte.

O que muda na ponta

Para os distribuidores e pontos de venda que ainda carregavam a marca, o efeito prático é a busca por substitutos, movimento que já vem ocorrendo, segundo relatos colhidos pela BBC. Para o consumidor brasileiro, a saída da pioneira do segmento premium encerra um ciclo iniciado em 1997 e reforça uma tendência já em curso: o público compra menos sorvete, mas prioriza qualidade, um comportamento que o professor Eduardo Halpern, da ESPM, associa também à disseminação de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e similares, hoje presentes em 25% a 30% dos lares do país, segundo pesquisa da NielsenIQ citada pela BBC.

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