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Haddad nega contato com Vorcaro e admite frustração com Galípolo no BC

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MRPor Marina Rocha•14 de setembro de 2026•Fontes: Poder360, G1

O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (14) que nunca teve contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e figura central do escândalo que atravessa a eleição deste ano. Em entrevista ao vivo ao SP1, o telejornal da TV Globo em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda também admitiu frustração com a política monetária conduzida por Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.

"Eu nunca recebi o Daniel Vorcaro na minha vida. Nunca estive com ele no mesmo ambiente. Nunca recebi uma mensagem nem um telefonema dele. Nunca o procurei porque a minha equipe já havia alertado que o Daniel Vorcaro era um problema, um problema grave. A gente só não sabia a dimensão do problema. Nós estamos falando da maior fraude bancária do país: R$ 60 bilhões."

Questionado sobre os possíveis impactos eleitorais do caso, Haddad tentou associar o escândalo a políticos de direita. "Ele financiou a campanha do Tarcísio, financiou a campanha do Jair Bolsonaro. Ele tem negócios com três ex-ministros do Bolsonaro", afirmou. Segundo o G1, Vorcaro doou R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2022 e R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), principal adversário do petista na disputa pelo governo paulista.

Supervisão e sigilo

O candidato repetiu que a crise do Master nasceu de falhas de supervisão na gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. "Tem um problema grave no Banco Central, porque nasceu no Banco Central do Roberto Campos, indicado pelo Jair Bolsonaro, o banqueiro Daniel Vorcaro, e ele foi liquidado e preso na nossa gestão. Então nós fizemos o dever de casa, de tirar de circulação uma pessoa muito grave", declarou. O Poder360 registrou a mesma fala.

Haddad defendeu a abertura dos sigilos dos inquéritos antes da votação de outubro. "A Justiça não pode sonegar informação do cidadão. Abre tudo. Quem tiver que responder, responda. Quem tiver que pagar por alguma coisa, pague, independentemente de partido político", disse. O apresentador do SP1 citou o senador Jaques Wagner (PT-BA), que aparece entre os nomes mencionados no contexto das investigações. Haddad manteve que a regra vale para todos os partidos.

Frustração com Galípolo

Sobre a economia, Haddad disse que juros de 14% com inflação de 4% "não se justificam". Perguntado se a indicação de Galípolo é motivo de arrependimento, admitiu descontentamento com a condução da autoridade monetária. "Eu tenho me frustrado com a política monetária. Acho que a política monetária está excessivamente apertada, desnecessariamente", declarou. Ele lembrou que a maioria do Comitê de Política Monetária, inclusive Galípolo, foi indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas afirmou que o mandato garante independência de decisão: "Depois que você indica, a pessoa tem mandato. Ela faz da cabeça dela." O ex-ministro disse respeitar a autonomia formal do Banco Central e que suas conversas com dirigentes se limitam à apresentação de dados e argumentos econômicos.

As declarações chegaram em um dia de movimento no Supremo Tribunal Federal. Segundo o G1, o ministro André Mendonça retirou nesta segunda o sigilo de mais uma frente de investigação sobre os pagamentos ligados ao Master, a pedido do ministro Alexandre de Moraes. O plenário da corte volta a discutir o caso na terça-feira (15). Enquanto isso, segue a corrida pelo governo de São Paulo: pesquisa RealTime Big Data divulgada em setembro apontou 53% das intenções de voto para Tarcísio e 36% para Haddad no primeiro turno.

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