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iFood anuncia R$ 24 bilhões de investimentos no Brasil até março de 2027

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ANPor André Nakamura•18 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, Folha de S.Paulo, Exame

O iFood vai investir R$ 24 bilhões no mercado brasileiro no ano fiscal entre abril de 2026 e março de 2027, alta de 41% sobre os R$ 17 bilhões do ciclo anterior. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (16), no evento MOVE 2026, na zona sul de São Paulo, em um ano em que a companhia completa 15 anos de operação.

Segundo a Exame, cerca de R$ 10 bilhões vão para as verticais de comércio (restaurantes, supermercados, farmácias, pet shops, bebidas, conveniência e presentes), R$ 5 bilhões para o braço financeiro iFood Pago, R$ 1 bilhão para o programa de benefícios e mais de R$ 2 bilhões para tecnologia e inovação. Na inteligência artificial, a empresa desenvolve com a Prosus o LCM (Large Commerce Model), modelo treinado com dados próprios da plataforma, e prepara um assistente para que restaurantes administrem a operação de forma conversacional.

O ciclo coincide com a chegada de concorrentes chineses ao delivery brasileiro, como 99Food e Keeta, informa o InfoMoney. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o CEO Diego Barreto reconheceu o momento adverso e disse que a resposta da empresa segue pela inovação.

"É fato que é um ano desafiador do ponto de vista macroeconômico. A inadimplência está alta, a inflação está alta, a taxa de juros está alta, e isso é um desafio. Mas dentro da nossa cultura, a lógica nunca foi olharmos para esses elementos e, sim, para a inovação."

Escala, crédito e novas frentes

A plataforma conecta cerca de 65 milhões de consumidores a 500 mil estabelecimentos em 2.800 cidades, com 600 mil entregadores e mais de 180 milhões de pedidos por mês. Um estudo da Fipe citado pela Folha estima que a cadeia movimentou R$ 167 bilhões na economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,70% do PIB, e está associada a 1,18 milhão de empregos diretos e indiretos. No exercício encerrado em março, a receita líquida somou R$ 10,1 bilhões, alta de 29%, com EBITDA de R$ 2,2 bilhões, de acordo com a Exame.

Nas novas verticais, a companhia projeta avanço de mais de 60% em supermercados e de 70% em farmácias neste ano, e acima de 100% em pet shops, bebidas, conveniência e presentes. O Hits, de refeições baratas sem taxa de entrega, avança para cidades médias; o Turbo, com entregas em até 20 minutos, sai das principais capitais rumo às demais grandes cidades e passa a atender farmácias, mercados e pet shops. No iFood Pago, usado hoje por cerca de 10% dos restaurantes da base, a meta é crescer 70% neste ano, principalmente com crédito para estabelecimentos. Em outubro começa o teste de um cartão de crédito para consumidores.

A empresa prevê alta de cerca de 20% no volume total de renda gerada para os entregadores e multiplica por dez, para R$ 10 milhões, o aporte do programa Chega Junto, de segurança, saúde e educação. Barreto disse à Folha defender a regulamentação do trabalho por aplicativos, com remuneração mínima vinculada ao salário mínimo de R$ 1.621, ressarcimento de despesas, seguro e contribuição previdenciária, ainda que veja pouco espaço para aprovação no Legislativo este ano. Para restaurantes e lojistas, o ciclo promete mais crédito e novos canais de venda no momento em que a disputa com os grupos chineses aquece; para o consumidor, entregas mais rápidas em mais categorias e, na sequência, crédito. Cerca de 30% do resultado já vem de negócios fora da entrega de comida, fatia que pode chegar a 50% em até dois anos, segundo Barreto. "Minha cabeça não está na rentabilidade. Minha cabeça está em crescer", disse ele à Exame.

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