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Instituto de Mendonça recebeu R$ 5,2 mi de ex-sócio de Vorcaro, diz coluna do UOL

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MRPor Marina Rocha•18 de setembro de 2026•Fontes: Metro1, Diário do Centro do Mundo, G1, UOL

O Instituto Iter, vinculado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu R$ 5,2 milhões da Cedro Participações, holding do setor de mineração controlada pelo empresário mineiro Lucas Kallas, ex-parceiro de negócios do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. A informação é da coluna de Cézar Feitoza no UOL, publicada nesta quinta-feira (17).

O repasse integrou um contrato de mútuo conversível firmado em abril de 2024, com previsão de R$ 5,9 milhões em aportes. Nessa modalidade, a credora pode converter o valor em participação societária ou exigir a devolução do dinheiro. O Iter interrompeu a operação e começou a devolver os recursos em janeiro deste ano. Um mês depois, Mendonça foi sorteado relator das investigações sobre o Banco Master na corte.

A negociação foi conduzida pelo presidente do Iter, o ex-ministro da Educação Victor Godoy Veiga, e pelos representantes da Cedro Carlos Adel de Freitas e Eduardo Soares de Couto. Segundo o instituto, Mendonça e Kallas não discutiram os termos do contrato. A entidade também negou a participação de Vorcaro nas tratativas. O ministro deixou a organização no início de setembro. O Iter afirma que ele atuava apenas como docente, no âmbito acadêmico, sem receber dividendos ou participação nos resultados.

Em nota, o instituto afirmou ter encerrado o empréstimo porque a entidade "já se encontrava em situação de sustentabilidade financeira". Questionado sobre o uso do dinheiro, o Iter declarou que "jamais distribuiu a seus acionistas qualquer valor a título de lucro, dividendo ou participação nos resultados" e que a totalidade dos recursos foi aplicada "exclusivamente na estruturação e nas atividades da entidade". Sobre a devolução, a entidade detalhou os termos em nota reproduzida pelo Metro1:

"Foi assinado um termo aditivo ao Mútuo no qual foi estabelecido o vencimento antecipado da dívida com o início imediato do pagamento dos valores devidos pelo Iter. A taxa de juros determinada foi a taxa SELIC. Até o momento já foram pagos cerca de 5,3% do total da dívida."

Vínculos entre Kallas e Vorcaro

Segundo a coluna, Kallas foi sócio de empresas que também receberam investimentos de grupos ligados a Vorcaro. A Cedro detinha 8% da biotecnológica Biomm no fim de 2023; em fevereiro de 2024, a gestora WNT, ligada ao banqueiro e a Nelson Tanure, comprou ações da companhia. Kallas também investiu na Latache Capital e assumiu 33% da gestora em 2025. Mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que os dois viajaram juntos a Caracas, na Venezuela, no fim de novembro de 2023, para tratar de negócios no setor petrolífero.

A Cedro negou qualquer vínculo societário ou empresarial entre Vorcaro e seus negócios e afirmou que investimentos de fundos em companhias abertas não configuram sociedade comercial. A holding disse ter deixado a Biomm e a Latache em abril de 2026, para concentrar investimentos na mineração. Kallas não é investigado na Operação Compliance Zero, que apura fraudes bancárias ligadas a Vorcaro e ao Master, e a Cedro não aparece nos inquéritos do caso. A Polícia Federal, porém, indiciou o empresário em junho, por suspeita de irregularidades na exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte. A defesa sustenta que os fatos já foram investigados e arquivados pela Justiça e que ele deixou o negócio em 2017.

Mendonça, indicado ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro, também confirmou um encontro com Vorcaro no Iter, em março de 2025, e disse que trataram de créditos de precatórios. No julgamento do tema, o tribunal decidiu por unanimidade contra a posição defendida pelo banqueiro. A sessão que examinaria a atuação do ministro nas apurações do caso Master estava marcada para 23 de setembro. O presidente do STF, Edson Fachin, retirou o julgamento da pauta nesta quinta (17) e ainda não definiu nova data, segundo o G1. O Iter, por sua vez, segue devolvendo os R$ 5,2 milhões à Cedro.

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